Combatentes
12 Equipe II - Em rota de colisão - Parte I
Notas iniciais
Equipe II. 96 horas antes, aproximadamente Deserto de Gobi, Mongólia.
Uma forte nevasca ajudava a esfriar ainda mais o seu corpo. Estava estirado sobre a neve formada recentemente feito o seu acompanhante. Fumaça saia de ambas bocas, entretanto uma era gerada pelo frio e a outra pelo cigarro que um fumava tranquilamente enquanto o outro aproximava o olho da lente noturna de seu rifle.
A neve encobria ambos os corpos. Neji olhou para Shikamaru a seu lado retirando um binóculo de uso militar, o qual continha lentes de visão noturna e logo observar o mesmo artefato que ele. Que na verdade era uma base militar.
— Movimentação a leste da edificação B. – Neji informou sério no momento que captou uma movimentação no pátio. Shikamaru olhou na direção indicada a tempo de ver um grupo de soldados.
Estavam de tocaia em um dos três pontos de movimentação suspeita indicados nos relatórios da operação Cadillac 52. Somente ele e o franco-atirador. Shikamaru arrumou o cigarro na boca e regulou a lente de seu binóculo.
Neji tirou o olho da lente e assoprou as próprias mãos. Aquele terreno era inóspito e inadequado para montar uma base militar. E se estivesse um pouco com sorte, quando retornasse para o covil de onde saiu desejava que TenTen já estivesse dormindo a tempos.
— Filho da mãe! – Escutou o Nara e a declaração chamou sua atenção. – Olha para o General.
Shikamaru indicou e Neji novamente colocou o olho esquerdo rente a mira de seu rifle. Logo o olho claro captou a imagem de um General. Shikamaru tragou o seu cigarro e sua cabeça começou a trabalhar a mil por hora.
— O que tem o General? – Neji questionou impaciente. Para ele, visualizar um General passeando pelo pátio não era algo de Marte.
— Hiruzen Sarutobi. – Shikamaru levantou sua touca e jogou o cigarro fora. – Um General americano que pediu exoneração de sua função a cinco ou seis anos atrás.
Shikamaru fez sinal que deixariam o local e Neji se jogou de costas na neve, puxou a arma de aproximadamente cinco quilos e a mochila para cima do corpo. Soltou um suspiro. Shikamaru o imitou mesmo não estando com nenhum armamento, contudo sua cabeça já trabalhava a mil por hora com a nova informação que tinha obtido.
Deslizaram um pouco na neve como indicado no manual de: como não levar um tiro a longa distância por atiradores localizados em torres de sentinela.
— E o que ele está fazendo na base do exército russo localizado neste país? – Neji levantou uma pergunta que Shikamaru já fazia desde que pôs os olhos naquele senhor.
— Essa é uma ótima pergunta. – Shikamaru se arrastou feito Neji ainda mais para frente. Como informado pelo o Hyuuga, o ponto onde estavam era o local mais próximo que poderiam chegar da base devido a questões de segurança. Entretanto não era totalmente seguro e devido a isso não podiam sair caminhando normalmente, caso assim fizessem iriam levar um tiro certeiro na cabeça. Existe controvérsias em relação à segurança.
— E eu tenho outra ainda melhor. – Neji apoiou o corpo no cotovelo e parou de arrastar-se no escuro a fim de escutar Shikamaru.
— E qual seria? – Questionou Shikamaru que assoprava as palmas das mãos aveludadas. Não estava sentido os próprios dedos.
— Por que ele está em uma base russa e o que ele fez com o seu relatório sobre a operação Cadillac 52? – Voltaram se a arrastar na neve. Shikamaru pensava e Neji também. Tinha algo errado ali. Com aquela pergunta ficou claro a Neji que o tal General tinha participado da operação 52.
— São ótimas perguntas. – Neji comentou assim que chegou até o carro branco propositalmente para casar com a neve daquele deserto. Era estranho associar neve e deserto, visto que geralmente associa-se deserto a areia e calor. Como aquele de fato era, mas não na estação mais rigorosa do ano. O clima era para -5ºC. Frio suficiente até para acabar com a chama interna de TenTen.
— A quais iremos responder. – Shikamaru, novamente, chamou sua atenção quando bateu a porta do carro. Iriam deixar aquela base para trás e regressar para onde o restante da equipe se encontrava.
— Vamos ter que perguntar. – Neji pontuou enquanto dirigia e Shikamaru procurava por informações.
— Vamos. – O Nara continuou. – Melhor, vamos fazer uma visita.
Mostrou a tela do dispositivo móvel para Neji, a qual informava que aquele renomeado General iria comparecer a uma cúpula exatamente a dois dias.
Pouco tempo para montar uma operação de sequestro, mas não para ele. Para Nara Shikamaru, caso fosse necessário.
— Sabe que se formos pegos é Corte Marcial na certa, não é? – Neji viu o afirmar positivo do Nara. Era óbvio que ele detinha está informação sobre um possível julgamento militar.
— Sim, mas quem se importa? – Neji deixou um fino sorriso escapar. Já sabia o que o Nara iria dizer. – Afinal estamos ou não mortos?
— Estamos.
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72 horas antes, base militar russa, Mongólia.
Era perigoso, mas segundo o que lhe disseram necessário. Discordava totalmente. Respirou fundo assim que passou o cartão magnético na guarita e rezou, para que este não o denunciasse. Claro! Geralmente algo do gênero não o afligia tanto, mas infiltrar-se em uma base não era algo que se faz todo o dia, não é? E seu ingresso na base foi permitida com sucesso. Arrumou o boné para cobrir a cabeça de fios anteriormente ruivos e agora raspada. Algo relacionado a disfarce, pois querendo ou não um ruivo chama bastante a atenção. E ah! Gaara sabia disto.
Prestou continência a três superiores que passaram por si e foi neste momento que escutou uma voz soar em seu ouvido.
— Você tem sete minutos para chegar a seu destino antes que o Tenente perceba sua falta, novato.— Shikamaru informou ao soldado transferido para aquela base recentemente e Gaara não lhe deu ouvidos. Sabia disto!
— Entendido. – Respondeu em seu comunicador. Não sabia o porquê tinha que ser ele a fazer este tipo de coisa. Entrou em uma área restrita a oficiais de baixa patente e não foi interceptado devido à falta de segurança em tal ala. Aquilo era estranho.
Olhou a numeração da edificação e segundo Shikamaru aquele era o lugar onde deveria estar.
— Estou na edificação S. – Gaara informou e abaixou a cabeça assim que dois oficiais vieram marchando em sua direção.
Gaara dobrou o corredor a fim de não ter a presença questionada pelos oficiais, caso contrário iria se meter em problemas. Escutou um comando arbitrário e cessou em sua marcha. Virou-se e prestou continência. E agora vinha a parte difícil: não era fluente em russo, na verdade não fazia ideia do que eles falavam.
Tentou tirar alguma dica do que estava sendo dito através dos gestos que um oficial fazia freneticamente. Foi assim que Gaara saiu de sua rota e prosseguiu em seu novo rumo. Escutou novamente a voz em seu ouvido indicando o seu tempo. Na verdade, informando que o tempo tinha acabado.
Ótimo! Aquela era a última chance de verificar o sistema de segurança interno da base, o qual Shikamaru não conseguiu invadir e devido a isto e outras coisas teriam que verificar ao vivo e as cores.
E agora teria que voltar para o esquadrão onde pertencia, pois, seu superior tinha percebido sua falta. Aquele soldado transferido recentemente necessitava de disciplina, assim pensavam os seus novos superiores, bem como os antigos.
— Retornando para o esquadrão. – Gaara informou. – Não consegui chegar nem perto desta vez.
Informou um pouco irritado e insatisfeito. Irritado, pois iria ouvir uma loira o chamando de fracassado. Ino pegava pesado as vezes. Foi quando estava preste a sair da edificação que algo chamou sua atenção. Observou uma mulher de jaleco branco retirar o óculos de grau e aproximar um dos olhos da porta metálica. Logo uma luz azul ser emitida e a porta se abrir. Mexeu no bolso de sua farda e apertou um botão diversas vezes. Reconhecimento ocular? Estavam trabalhando em algo muito sigiloso sem sombras de dúvidas.
— Estou te mandando umas fotos. – Gaara informou assim que retomou o passo. – Acho que terá uma noção de segurança ao vê-las.
— Certo. – Escutou o cabeça da equipe retrucar. — Irei cortar a comunicação em três, dois...
— Espera. – Gaara pediu assim que colocou os pés no pátio e o Tenente o aguardava. Shikamaru do outro lado escutava tudo com calma. E um dispositivo traduzia o idioma para o usual de Gaara.
— Ele disse que você é uma ovelha desgarrada.— Gaara manteve-se sério enquanto via o seu superior gritar, apontar para o chão e o Nara informar a enrascada em que estava. — E para você pagar trezentas flexões, no pátio e agora. Cortando comunicação.
Gaara queria gritar, para que, Shikamaru esperasse, no entanto já era tarde demais. O que iria dizer? Não tinha aprendido nada além do famoso “sim, senhor” em russo.
— Sim, senhor! – O Tenente escutou a voz estranha do soldado, o viu abaixar no chão e começar a fazer as flexões. Gaara começou a contar e logo viu as botas negras se afastarem. Neste momento sentiu um alivio sem tamanho. Porque, para ele, os russos eram todos loucos.
Tinha cumprido parcialmente com o seu objetivo. Tinha posto sua cabeça numa bandeja, a qual poderia ser servida a qualquer momento. E tinha certeza que alguém não gostava dele.
Mas quem? Não gostar dele? Logo ele, Sabaku no Gaara! Era um pouco inevitável. A não ser que a ideia de ele ser o infiltrado na base russa partisse de Yamanaka Ino. E ah, não é que foi dela?
*
72 horas antes, Ulan Bator – sede da cúpula, Mongólia.
O maldito calçado estava apertando o seu pé e de vez em quando ela torcia o rosto por isso. Tenten esperava sem paciência rente a faixa de pedestre para chegar ao prédio de arquitetura antiga que sediaria a cúpula, a qual ocorreria daqui um dia.
O sinal fechou e Tenten retornou a andar elegantemente com seu sobretudo preto. Assim que atingiu o outro extremo da rua ela verificou os enormes arranha-céus em uma distância considerável. O mais próximo estava num raio de quinhentos quilômetros. Como ela sabia disto? Ela veio caminhando de lá, pois segundo o seu parceiro ela podia fazer isso sem problemas. E Neji estava certo, mas como sempre até a página dois.
— Está na escuta? – Questionou rente ao seu aparelho de comunicação enquanto apertava ainda mais o sobretudo. Até sua alma estava gelada de tanto frio que aquele lugar fazia.
— Sim. – Escutou e retornou a andar em direção ao prédio.— Estou te vendo nitidamente. Minha parte está feita. Aguardando o seu retorno.
Escutou o chiar do fone e revirou os olhos. Claro que a parte dele estava pronta, porque apenas veio para verificar se o ponto onde se fixaria mais tarde obteria uma visão ampla e precisa do prédio.
— Sim, senhor. – Respondeu um pouco sarcástica. Neji já não estava escutando e Tenten ainda questionava o porquê de ser ela a ter que ficar com ele. Ah! Ino estava em missão solo e Shikamaru e Gaara em outra. Então sobrou para si. – Não me alistei para isso.
Passou pela segurança sem maiores impedimentos e quando atingiu o magnífico espaço amplo se deslumbrou por um momento, mas logo retomou sua postura assim que viu uma fileira de mulheres e aparentemente a senhora responsável pela organização.
— Está atrasada, senhora Mendes. – Tenten teve a atenção chamada assim que entrou em fila. – Não sei como as pessoas lidam com a pontualidade no México, mas aqui não toleramos atrasados.
A nova trabalhadora assalariada estava sendo repreendida novamente. Tenten se desculpou em espanhol, algo que fez a senhora suspirar. Tenten escutava as orientações em torno do trabalho do dia. Foi então que se deu conta que teria que trabalhar um dia limpando aquele lugar.
— Senhora Mendes. – Tenten saiu de sua observação interna. – Como chegou atrasada ficara com a limpeza do lavabo.
Por que aquela senhora tinha implicado consigo? Era nova naquele ambiente de trabalho. Tenten concordou e seguiu para a sala dos funcionários. Vestiu o horrível uniforme e prendeu o cabelo castanho. Verificou se ninguém estava observando e pegou dois pequenos pacotes embalados cuidadosamente e colocou na região dos seios.
Sorriu aberto assim que pegou o balde. Seguiu para o banheiro vendo os sorrisos debochados das outras mulheres e não cedeu importância.
Abaixou no chão e fitou a pia de material porcelanato. Retirou ambos pacotes e os fixou com a ajuda de uma fita isolante embaixo da pia. O seu comunicador e de Ino estavam amoitados. Sugestão de Shikamaru, o qual supôs sobre o provável reforço da segurança no momento da reunião.
Tenten deixou seus afazeres de lado. Seguiu para bancada de credenciamento, verificou o tanto de cartões de identificação e um tomou sua atenção. Tenten agarrou o cartão magnético com foto e enfiou no bolso do avental.
Regressou para o banheiro e se trancou em uma repartição. Da meia calça retirou três cartões similares, mas todos com fotos de Ino. Escolheu um que mais se adequava e quebrou o verdadeiro jogando-o no vaso sanitário em seguida.
Novamente regressou para a bancada de cartões com um espanador em mãos. Cantarolava baixinho enquanto terceiros a olhavam com desconfiança. Depositou o cartão de identificação na bancada e sorriu aberto.
— Ei, senhorita Mendes. – Uma mulher que limpava a escadaria chamou sua atenção. – Não vai se atrasar amanhã também!
Tenten desfez o sorriso, mas logo abriu-o novamente. Aquela mulher estava debochando de sua cara? Certo que ficou com a limpeza pesada do banheiro devido ao seu atraso.
— Não se preocupe comigo. – Tenten parou de fingir que limpava alguma coisa. – O meu homem vai me trazer amanhã, encalhada.
A mulher fechou a cara pelo modo que foi chamada. Certo que Tenten não sabia se ela era de fato encalhada, mas pelo visto acertou. O único problema era que ela também era solteira e o homem que ela disse que era seu, no máximo queria enforca-la com as próprias mão. Isso mesmo! Referia-se a Hyuuga Neji. Mas ele não precisava saber disto.
Tenten sorriu satisfeita com o seu trabalho. Não o da limpeza e sim o que corresponde com sua verdadeira função: explodir as coisas ou algo relacionado a isso. Sua parte estava feita.
*
72 horas antes, aeroporto internacional, Mongólia.
— Senhorita Muller? – Uma loira vestida em uma roupa comportada segurando uma plaquinha chamou a atenção de uma cidadã alemã presente naquele país para uma cúpula. A senhora Muller olhou para a loira, a qual tinha um nome tão alemão quanto o seu no crachá. E as dúvidas sobre a nacionalidade da funcionaria se extinguiu assim que notou o idioma falado: alemão. – Acompanhe-me, irei leva-la até suas acomodações.
Ino sorriu aberto diante do acenar positivo da mulher. Ah se fosse fácil interceptar todo mundo assim! Ino abriu a porta traseira do carro e a mulher ingressou no veículo desatenta.
Ino sentou-se no banco do motorista e foi somente então que a senhora Muller estranhou.
— Onde está o motorista? – Ino admitia que estava estranhando ouvir alguém falando alemão depois de tanto tempo. Não respondeu, pois viu o verdadeiro veículo estacionando logo atrás do seu.
— Sou a motorista. – Respondeu com um sorriso no rosto tentado passar confiança, entretanto a mulher franziu o cenho. – Algum problema, senhora Muller?
Ino viu o negar da cabeça da mulher pelo retrovisor, bem como viu ela tentar abrir a porta do carro. A qual estava travada.
— Para sua segurança. – A mulher não relaxou como Ino queria que ela fizesse, pois falou em outro idioma. Pisou no acelerador em seguida. Vigiava a aflição da mulher pelo retrovisor e foi então que a viu com um celular.
— Se pegar está porcaria. – Ino começou e os olhos azuis feito os dela se arregalaram. – Vou atirar em você.
Ino apontou um revólver na direção da mulher que engoliu a seco. Ino sorriu assim que o celular e outros pertences foram postos no banco da frente. Sua parte estava quase concluída.
— Boa garota. – Resmungou e acelerou ainda mais, quando a mulher desmaiou no banco de trás. Ótimo ela não precisaria ficar acordada tão cedo. Ino assumiria o seu papel.
Ino, na maioria das vezes, pegava mesmo pesado. E além da sequestrada da vez tinha um ruivo que sabia bem disto.
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48 horas antes, Ulan Bator – capital, Mongólia.
Era simples, era executável e sem sombras de dúvidas era questionável, entretanto, Shikamaru não obteve tanto questionamentos em torno de seus planos. E agora dormia sentado na cadeira e com a cara na mesa, visivelmente esgotado. Quem disse que pensar não cansa?
— Juro que pensei que iria sair desta geladeira. – Gaara, o qual estava sentado despreocupadamente comentou, chamando a atenção do Hyuuga e da Yamanaka em relação ao clima do país. – Não viemos dar apenas uma olhadinha? E agora o Nara quer adiar nossa partida deste país.
— Pare de reclamar. – Neji retorquiu conferindo novamente o equipamento. Estava tudo certo. – Daqui a pouco vamos executar a primeira parte.
— Isso me lembra que tenho que trocar de roupa. – Ino murmurou e assoprou as próprias mãos. Aquela espelunca que ocupavam estava com o aquecedor quebrado.
— Opa! Vamos lá. – Gaara sorriu aberto assim que pousou os olhos em Ino após calçar as botas. – Prometo que meu nariz não vai sangrar e nem nada.
Ino levou as mãos na cintura e balançou a cabeça. Poxa! Eles estavam em uma missão. Custava Gaara ficar sério por algumas horas? Entretanto esta observação passou rapidamente em sua cabeça, na verdade o seu olhar fixo sobre o homem pairava sobre a barba por fazer.
— Tenho ideia melhor. – Ino rebateu e Neji esperou pela grosseria que provavelmente Gaara iria receber. Como em todas outras vezes que propostas similares foram feitas. E era aquela parte, a qual Ino quase o matava que Neji mais apreciava. – Por que não vai se barbear?
Ino não esperou resposta e agarrou um par de roupa pendurada no cabide. Gaara acompanhou o seu andar até ela sumir e então passou a mão pelo rosto.
— Quero ver quem vai me obrigar.- Neji escutou e balançou a cabeça em negativo. – Estou em uma missão. E já raspei o meu cabelo e o suficiente.
— Não vai morrer, sabia? – Neji comentou e desencaixou uma parte vital de uma arma de fogo. – Presta atenção, Gaara.
O ruivo deixou seus afazeres de lado para fitar o amigo. Neji levou a mão até a boca, pois pensou que nunca teria que repetir aquelas palavras, visto que não via necessidade, entretanto reforçar uma ideia para com Gaara era sempre recomendável.
— Não somos nós apenas. – Gaara deixou sua insatisfação visível. Ele sabia daquilo. Não era ele e Neji. Não seria fácil sair ileso, caso tudo saísse dos planos. – Não podemos agir como antes, então não sai quebrando tudo que livrar cinco cabeças não é fácil.
— Eu sei. – Respondeu entediado.
— Estou ciente que sabe. – Neji conteve o riso. Saber ele até sabia, mas queria vê-lo levar algo em consideração. – Então não ferre com o plano do Nara.
— Agora você está pedindo demais. – Gaara levantou os braços. – Não é algo que faço forçado. Às vezes o plano sai dos eixos. O que posso fazer? Improvisar.
— Claro! – Neji começou um pouco irritadiço. – Feito aquela vez que passamos quatro dias cavando um túnel, para que, pudéssemos sair sem chamar atenção e você!
Neji cerrou o punho e Gaara conteve o riso. Aquela operação nunca iria ser esquecida. E seus feitos nela também não. Neji nunca iria deixar cair no esquecimento.
— E você explodiu o portão principal daquela base terrorista. – Neji terminou de forma mais calma. Gaara sempre cometia proezas do gênero.
— Não posso fazer nada se vocês cavaram um túnel estreito demais. – Neji escutou, assimilou e deixou a provocação de lado. O túnel em questão tinha largura suficiente para passar três pessoas lado a lado e ao mesmo tempo. Gaara era um teste a sua paciência e aquilo era uma piada.
— Estou pronta! – E falando em paciência a especialista número dois em torrar com a sua chegou. Tenten estava vestindo um uniforme tradicional de empregada. Aqueles com avental e tudo. E mesmo com sua imagem firme era perceptível sua ansiedade e preocupação. Neji achou valido, porque era mesmo para se preocupar. Ele ficaria em estado similar se estivesse no lugar dela.
— Quero que Shikamaru explique o plano novamente. – Tenten sentou-se ao lado de Neji e pegou um revolver. Levantou um pouco a barra do vestido preto de comprimento médio e colocou a arma na parte inferior da coxa. Acoplando-a na meia-calça arrastão. Tenten mal devolveu o tecido aos joelhos que Neji tratou de levanta-lo parcialmente e agarrar o revolver, retirando a arma de fogo. Tenten o olhou horrorizada pela sua invasão.
— Detector de metal. – Neji justificou o seu ato mostrando o revolver, arma de composição massiva de metal. – E mais. Pare de pegar as minhas coisas!
— Pare de pegar as minhas coisas! – Tenten o provocou repetindo as mesmas palavras de forma infantil fazendo Gaara rir. — E pare de me tocar.
Neji deixou o revolver de lado para colocar o colete a prova de balas deixando uma mulher inquieta e apreensiva ao seu lado para lá, bem como sua declaração precipitada. Como se ele ficasse a tocando de segundos em segundos.
— Por que eu não posso colocar colete também? – Neji escutou a declaração baixa da Mitsashi, a qual olhava-o atentamente.
— Quantas empregadas você vê com um colete a prova de balas por aí? – Questionou sem um pingo de paciência. Não sabia dizer se ela estava mesmo apreensiva ou se estava matando o tempo saturando sua paciência.
— Está na hora de inovar, não? – Tenten respondeu séria e visivelmente com receio de levar um tiro durante a execução de sua parte, no papel de senhorita Mendes. – Segurança no trabalho é tudo hoje em dia.
Gaara não riu. Tenten estava falando sério de uma forma descontraída. Caso tudo saísse dos eixos quem iria levar um tiro ou cinco seria ela e Ino.
— Não se preocupe. – Neji chamou a atenção da morena. – Irei cobrir vocês.
— E porque você acha que estou preocupada? – Tenten conteve o riso a fazer tal brincadeira. Neji levantou o rosto para olha-la descrente que ouviu tal coisa. Era um atirador de elite e ela estava duvidando de suas capacidades?
— Acho que não sou a única mulher a não confiar plenamente em um homem. – Neji iria rebater, mas Ino chamou a atenção dos três. A loira estava com um vestido preto tubo comportado e formal. O coque baixo e a maquiagem discreta. A perfeita imagem de uma profissional de relações internacionais. Ino abriu um sorriso e levantou o crachá.
— Deem olá para senhorita Muller. – Ino olhou o nome no crachá e levantou as sobrancelhas. Identidade que usaria por algumas horas.
— Prazer. – Gaara exclamou assim que colocou o boné camuflado na cabeça. – Estou indo para o meu posto.
— Calma. – Ino colocou a mão em seu peitoral coberto pela farda do exército local. – Vamos repassar o plano mais uma vez.
Amassou uma folha de papel e mirou em Shikamaru que prosseguia em seu sono contínuo. Gaara se jogou no sofá, Tenten arrumou o grampo no cabelo e Neji voltou para sua função. A bolinha de papel seguiu seu curso até que findou o percurso, mas falhou em sua missão: não acordou Shikamaru.
Ino suspirou e seguiu para perto do homem, entretanto antes de chegar em seu destino Shikamaru levantou de supetão.
— Temari! – Gaara escutou o nome da irmã e cedeu atenção para o Nara. Ino olhou para o trio e procurou explicação, a qual não veio. Shikamaru via quatro pessoas o observando. As mesmas pessoas que estavam em seu sonho.
— Provavelmente era um pesadelo terrível para você acordar gritando o nome da minha irmã. – Gaara caçoou do colega de trabalho. Shikamaru passou a mão no rosto um pouco perdido.
— Quantas horas eu dormi? – Questionou, procurando situar-se. Todos já estavam prontos pelo o que tinha percebido.
— O suficiente. – Neji respondeu e escutou o próprio relógio de pulso apitar. – E bem na hora. Estou indo para o meu posto.
— Shikamaru! Repasse o plano mais uma vez. – Tenten pediu e segurou Neji pelo braço, para que, ele não deixasse o local. O Nara olhou para aquelas quatro pessoas. Estava extremamente cansado, mas podia repetir toda a pequena operação dormindo caso fosse necessário. Puxou a cadeira e tentou concentrar-se. Lembrar do conteúdo do seu sonho e ver aquelas pessoas era o mesmo de acender o pavio de um barril de pólvora e permanecer no local. Estava um pouco atordoado.
— Está bem. – Neji se jogou no sofá e Ino e Tenten se olharam. – Mas primeiro quero dizer uma coisa.
Gaara não soube dizer, mas algo o fez crer que aquela declaração seria diretamente direcionada a si.
— Por favor, executem tudo como foi planejado. – Shikamaru pediu e Gaara quase soltou “bingo”, mas apenas afirmou positivo diante do sorriso de Neji que expressava: eu avisei.
— Claro. – Ino pontuou de forma impaciente. Estava começando a ficar aflita. Caso tudo aquilo falhasse a Corte Marcial os aguardariam, seria deposta de sua patente e uns anos numa cadeia federal seria de praxe.
— Bom, temos que pegar um cara. Essa será a primeira parte do plano. – Shikamaru começou. – Que cara?
— Hiruzen Sarutobi, antigo General do exército americano. – Ino respondeu. Aquela seria sua tarefa.
— Certo! – Shikamaru apontou para Ino. – E quem irá intercepta-lo, Ino?
— A senhorita Muller. – Ino o respondeu apontando para o seu peito. – Funcionária do governo, doutora em relações internacionais representando os interesses da Alemanha na cúpula.
— Isso! – Shikamaru esquentou as mãos enquanto pensava em todos os detalhes. Ino tinha aparência de uma cidadã alemã, por isso ela seria o agente infiltrado e obviamente devido suas habilidades de combate. – E como iremos tira-lo de lá, Tenten?
— Pela passagem dos funcionários. Exatamente no carrinho de toalhas utilizado no jantar. – Tenten o respondeu com sorriso. – E serei o suporte mais próximo de Ino, caso tudo vá para ralo.
— Exatamente. – Shikamaru levou a mão até os lábios. – E Gaara, onde você estará?
— Estarei de suporte, infiltrado no esquadrão do exército que estará montando guarda na cúpula. – Gaara respondeu. – E caso o safado do General escape eu irei pega-lo.
— Ótimo. – Shikamaru comentou a ver o ruivo já fardado, entretanto com a barba por fazer. – E Neji?
— Estarei cobrindo os três a quinhentos metros. – Shikamaru concordou. – Apenas terei permissão para atirar quando algum soldado estiver em alto risco.
— Correto. – Shikamaru levantou-se. – Teremos menos de uma hora para raptar o General. Como previ o sistema de segurança está bastante reforçado. Quando for credenciar-se, vocês estarão sem os fones por conta do detector de metal. E a segunda parte será executada em tempo similar, e se possível em tempo menor.
Shikamaru apontou para Tenten e Ino. Aquilo era para lá de arriscado, pois caso o Nara não conseguisse burlar o sistema ambas seriam pegas.
— Então podemos ir? – Gaara questionou enquanto colocava o colete.
— Podemos. – Shikamaru colocou um palito no canto da boca e arrumou a toca na cabeça. A barba por fazer, os olhos cansados e uma preocupação perceptível. Toda esta conjuntura era captada pelos outros três combatentes, entretanto não entendiam a preocupação exacerbada aparente no rosto do Nara. – Assim que você se barbear.
Ino sorriu em deboche e Gaara torceu o rosto. Porque ele se passaria por um soldado que de fato era, afinal.
— Então é isso. – Tenten começou a fim de repassar todo o plano. – Pegamos o General na Cúpula, invadimos uma base militar russa logo depois. Pegamos todas as informações acerca da Cadillac 52 e deixamos o país em seguida.
— Resumiu bem. – Shikamaru comentou. – E tudo sem levar um tiro... ou puxar um pino de uma granada.
Não tinha certeza da última parte.
*
Certo.
Repassava cada passo que daria como senhorita Mendes e quando terminava murmurava: certo. Tenten olhava para aquela equipe, melhor o que tinha sobrado dela. Gaara já tinha ido para a base. Ino seguiu para o hotel onde a tal da Muller deveria estar, mas não estava. Shikamaru esperava no carro utilitário que usavam enquanto Neji a seguia a passos curtos em direção ao automóvel.
Tenten virou para olha-lo, uma, duas, sete vezes. E Neji já iria questionar se tinha algo em seu rosto, quando Tenten cessou na caminhada e o encarou de vez. Levantou um dedo e ficou um pouco incerta se deveria falar o que pretendia.
— Vai me cobrir mesmo, não é? – Tenten esperou a resposta sem paciência enquanto Neji continuava sem manifestar nada. A encarando como se ela fosse uma aberração.
— Vou. – Tenten deixou a aflição sair junto do ar que prendia e retornou a andar. Mas de repente parou novamente e quem suspirou foi Neji.
— Tem certeza? – Tenten questionou. – Como você sabe onde vou estar? Não vai dar para você me cobrir o tempo inteiro e os outros como ficam? E se você errar e acertar o tiro em mim? E se eu ficar no outro extremo do prédio, como vai ficar me observando?
Perguntas atrás de perguntas. Neji escutava, ponderava e pensava em responder, mas então surgia outra pergunta encobrindo a outra. Assim ficava difícil.
— Pare com isso! – Respondeu nervoso, pois Tenten estava nervosa e estava deixando ele nervoso também. – Vou ficar o tempo todo vigiando você. Prometo.
Tenten deixou um largo sorriso surgir. Aquilo era realmente bom de se ouvir, contudo não era exatamente por isso que ela sorria. Neji franziu o cenho devido a expressão divertida da Mitsashi.
— Você prometeu. – Tenten riu e seguiu para o carro deixando um homem para trás.
— E você acha que eu deixaria você morrer antes de quitar sua dívida comigo? – Neji chamou sua atenção enquanto guardava o restante do equipamento na traseira do carro. Tenten colocou a cabeça para fora fazendo-se de desentendida e deu de cara com Neji. – Você está me devendo um motor de um carro.
Tenten colocou o cinto de segurança sem necessidade sentindo-se derrotada. Ah! Era verdade, estava devendo um motor. E levar um tiro acidental dele não lhe parecia tão ruim ao menos poderia usar isso a seu favor.
— Você prometeu hein! – Tenten gritou minutos depois assim que o carro parou próximo ao prédio da cúpula. Era o momento da senhorita Mendes arrasar!
*****************
27 horas antes, Sede da Cúpula, Mongólia.
— Copiado. – Acabava ouvir Shikamaru pelo fone. O Nara estava localizado a um quilômetro do prédio que sediava a Cúpula. Distância mínima estabelecida pelos bloqueios a civis pelo exército. E Shikamaru estava estranhando muito toda aquela restrição da área, mas deixou isso de lado quando Neji informou que Ino descia do automóvel.
Era a hora. Neji ajustou a mira e por ela pode ver Ino ser interceptada por dois seguranças. Desviou o foco e viu Gaara segurando um rifle junto a mais três soldados claramente de segurança. Retornou para Ino a tempo de vê-la entrando no local. Ótimo aquilo significava que o cartão de identificação não tinha alarmado o seu disfarce.
Neji, novamente mudou o foco do rifle e procurou pela mulher que ele prometeu cobrir o tempo todo e apenas fazia isso agora. Não conseguiu encontrar Tenten.
— Onde ela está? – Perguntou assim que separou o microfone da boca começando a ficar preocupado.
*
Respirou fundo, quando o cartão de identificação foi passado e não obteve aceitação. O soldado fardado olhou para o rosto alvo da loira e depois para foto no cartão. Sem dúvida era ela. Ino ficou vendo ele tentar novamente e o cartão negar. Droga! Tinha sido pega na segurança.
— Algum problema? – Ino questionou mantendo o controle. Olhou para o tanto de homens armados e aceitou que tentar fugir seria apenas agravar a situação.
— Por favor, nos acompanhe. – Ino manteve a respiração e contou mentalmente. Aquilo só podia ser brincadeira. Estava preste a ser conduzida para outra ala, quando o cartão de identificação de outro homem falhou. E o mesmo procedimento foi repetido diversas vezes. O soldado que segurava Ino pelo braço passou novamente o cartão dela e a luz verde ficou visível. Acesso permitido.
— Desculpe-nos, senhora. – Um organizador comentou assim que se aproximou. – Tivemos um problema com os cartões. A senhora irá receber outro entre instante.
Ino afirmou sem preocupação, pois sabia que o outro cartão de acesso também tinha sido implantado. Conteve o sorriso assim que colocou os pés no salão um tanto amplo. Seguiu para o banheiro e em seguida pegou o seu comunicador. Arrumou o microfone transparente na orelha esquerda e o ativou.
— Estou dentro. – Informou. – Indo interceptar o General.
— Copiado. – Escutou Shikamaru. – Tenten já pegou o seu aparelho de comunicação?
Ino, novamente, se agachou e procurou pelo outro comunicador e não o achou. Fingiu que sua algo tinha caído no chão, quando terceiros entraram no lavabo. Seguiu para a porta e logo tomou o salão.
— Positivo. – Ino murmurou e logo cessou próximo ao General.
— Entendido. – Escutou Shikamaru uma última vez. — Entre em ação. Irei tentar contatar Tenten. Ela não está dando retorno.
Ino nada respondeu. Era a sua deixa. Arrumou a postura e caminhou em direção ao grupo. E por Deus, quando olhou para cara do senhor tinha uma verruga enorme. Poderia atirar nela mais tarde?
*
Nem ele mesmo acreditou, quando quebrou mais de vinte e cinco códigos do sistema de segurança. Shikamaru levantou a mãos para o alto em comemoração pelo seu feito. O chip no cartão de Ino danificaria o sistema de segurança. Ino teria o acesso negado, entretanto até outro individuo ter o acesso negado. E quando, fizessem uma nova tentativa o acesso seria permitido. Contudo não o dela e sim o do outro sujeito. Foi um enorme alivio saber que ela estava dentro, entretanto a outra infiltrada não respondia e isso o preocupava.
— Neji, está vendo Tenten? – Questionou ainda centrado em sua tarefa, a qual consistia em tentar invadir o sistema de vigilância sorrateiramente.
— Negativo. – Escutou a resposta e deixou o dispositivo de lado para acender um cigarro e foi neste mesmo momento que o seu acesso as câmeras no prédio foi permitido.
— Copiado. – Informou e aproximou uma das câmeras. – Ah, aí está você.
Shikamaru comentou consigo próprio, quando viu Tenten passeando por um dos corredores em outra ala do prédio. O que ela estava fazendo lá?
— Tenten, está na escuta? – Questionou e não obteve resposta. Novamente questionou e pela câmera viu Tenten levar a mão na orelha.
— Sim, senhor.— Escutou a resposta em espanhol. Sim, senhor? O que tinha de errado com Tenten?
— O que está fazendo fora de sua posição? — Perguntou, mas não obteve resposta. Prestava atenção em Ino, porem com a falta de resposta Shikamaru retornou a procurar por Tenten. E ela tinha sumido.
*
— Gaara, está na escuta?— O Sabaku não respondeu de imediato. Se afastou do grupo da guarda com a desculpa de que iria verificar o perímetro.
— Na escuta. – Respondeu minutos depois. Gaara olhou para o prédio mais próximo de onde estava e não conseguiu visualizar absolutamente nada.
— Fique em alerta a qualquer movimentação suspeita.— Escutou Shikamaru. — Tenten não está respondendo.
— Copiado. – Gaara exclamou e retornou para frente do prédio. Não poderia perder a atenção em nenhum momento. Foi quando visualizou outro grupo de militares e estes não eram russos. Tinha algo errado ali.
*
— Sim, senhor. – Respondeu ambas perguntas. A primeira de Shikamaru, a qual perguntou se estava ou não na escuta. E a segunda de um oficial que a seguia a passo curto. Porque aquele tipo de coisa tinha que acontecer com ela?
Tenten estava praticamente sendo escoltada até outra ala do prédio. E em sua cabeça várias perguntas eram feitas e refeitas. Seu disfarce tinha ido por agua abaixo? E onde estava indo? E o pior de tudo aquilo que nem podia gritar para Shikamaru.
Foi então que de repente a mão do oficial encostou em suas costas. Sentiu o famoso frio na espinha, quando o mesmo abriu a porta.
— Por aqui. – Tenten encarou o oficial e logo entrou na saleta. Foi então que percebeu que tinha mais pessoas ali. De oficiais a políticos.
— Tem certeza que ela não sabe nada além de espanhol? – Escutou uma mulher questionar o oficial e este afirmar positivo. O que quer que foste dito ali era totalmente sigiloso. – Indique a ela que faça o necessário para limpar a sujeira.
— Sim, senhora. – Tenten se fez desentendida e somente acatou a ordem que foi destinada ao oficial. Seguiu para outro cômodo e lá encontrou uma poça de sangue. Viu o corpo sendo puxado para outro ambiente. Um mau pressentimento a tomou e foi então que percebeu que a senhorita Mendes teria o mesmo fim. Tinha que sair dali e imediatamente.
Agachou próxima a poça de sangue e ativou o comunicador. Verificou se alguém a observava e notou um par de olhos frios sobre si. E não eram os de Neji.
*
Era cada assunto complexo e o pior que conseguia entender até um determinado ponto. Ino ficou realmente contente por perceber sua capacidade acerca de assuntos políticos e econômicos.
Foi então que captou uma movimentação suspeita. Um quinteto do exército americano cortava o salão pelas laterais seguindo para a escadaria. Entretanto um dos cincos saiu da rota e seguiu até o General, murmurou algo e logo o deixou.
Ino deixou sua bebida de lado. Aquela era a hora. Seguiu em direção a escada logo depois, entretanto teve o acesso negado a atingir o alto da escadaria.
— Perdi o alvo, distanciamento ocular e acesso negado. – Ino informou tomando outra rota. Ainda não conseguia estabelecer contato com Tenten e por isso resolveu ir para o outro setor do prédio.
— Copiado.— Escutou Shikamaru. — Siga para o terceiro andar. O General está indo para uma reunião a parte.
— Entendido.
*
— Seria total falta de prudência realizar testes em área de monitoramento americano. – Tenten escutava com facilidade a conversa. Ativou o comunicador e rezou, para que, Shikamaru também estivesse ouvindo. – Entretanto com a cooperação entre países os testes serão permitidos. Dentre segundos o General Sarutobi poderá esclarecer quaisquer dúvidas sobre o projeto Catarse.
As mãos ficaram mergulhadas no balde de água e sangue por um momento. E escutou passos apertados em sua direção. Engoliu a seco, quando sentiu duas mãos pousarem em seus ombros.
— Sai daí agora.— Escutou o comando arbitrário de Shikamaru em seu ouvido. Tenten agarrou o seu balde e fitou a mulher que discursava. Logo estava no corredor. Olhou com o canto dos olhos a arma rente à cintura do homem fardado.
E ao olhar para frente viu mais três oficiais um sendo de alta patente. Hiruzen Sarutobi. Além dos três, mais atrás a senhorita Muller. Afirmou com a cabeça para Ino. Teriam que sequestrá-lo. Era agora ou nunca.
*
Via tudo pela tela do notebook e achou que deveria beijar uma câmera de vigilância mais tarde em agradecimento e seu fosse possível de língua. Focou em sua função. Escutou tudo o que foi dito no início daquela reunião aparentemente secreta. E por um momento pensou ter ouvido algo parecido em algum lugar.
Mas deixou pala lá para mandar Tenten se evadir da saleta, pois estava mandando a outra agente para o mesmo local. Não queria que as duas entrassem em combate, entretanto previa que este era o fim.
Pela câmera de vigilância indicou todo o caminho de Ino. E no momento via as costas da mesma e mais a frente os soldados. Logo Tenten também foi captada pela câmera.
— Ino, Tenten. – Falou um pouco incerto sintonizando os três comunicadores. – Intercepte-os.
— Gaara, entre em posição. – Shikamaru ordenou. – Vamos bater em retira em sete minutos.
— Entendido.— Gaara respondeu.
— Neji, consegue ter uma visão ampla das duas? – Shikamaru levou as mãos na cabeça, quando não obteve uma resposta imediata.
— Irei ter daqui alguns segundos.— Escutou.— Mudando de posição. Estou a seiscentos metros.
Por que os dois estavam tão calmos? Pelo fato de não saber realmente a situação? E ah! O plano tinha saído do eixo. Aquilo apenas podia ser castigo.
— Em posição.— Neji informou.
— Em posição.— Gaara notificou.
— Copiado. – Shikamaru deu zoom na imagem, inflou as bochechas e as sobrancelhas se franziram ainda mais. — Combate direito permitido. É com vocês, meninas.
*
— Combate direito permitido. É com vocês, meninas. – O acenar das duas foram ao mesmo tempo. Ino sentiu o salto apertar e o vestido agarrar em suas pernas. O odiou com a profundeza de sua alma. Observou o símbolo no uniforme dos soldados, indicando que os mesmos eram das forças especiais. Aquilo era um enorme problema.
Indicou com os olhos a arma de fogo na cintura do oficial e viu Tenten apontar para o próprio polegar, assim informando sobre o reconhecimento digital para efetuar disparo. Armas de fogo: acesso negado.
Tenten contava até mesmo os passos e aquele corredor parecia extenso demais. Percebeu que o oficial cessou o passo, olhou para o rosto do mesmo e notou sua expressão questionadora sobre a presença da mulher naquela área. Iria denunciar Ino.
Mais um acenar positivo entre as duas. Ino indicou com o cotovelo qual iria derrubar primeiro. Tenten compreendeu que seria o da direita subentendendo que o russo de quase dois metros era seu. Não do modo que ela queria. Droga, não tinha tempo para pensar naquilo.
O tempo finalmente acabou.
Tenten viu Ino retirar os saltos e adquirir impulso com uma breve corrida. Não, não era a hora de Tenten agir. Tinha que esperar mais um pouco, mais alguns segundos.
Viu Ino saltar e logo o braço da mulher envolver o pescoço do soldado e este ser surpreendido feito os outros três homens.
O soldado da esquerda estava preste a acudir o que Ino sufocava em um mata leão enquanto ao que lhe escoltava sacar a arma da cintura.
Tinha que fazer algo. E imediatamente. Tenten gritou chamando a atenção de todos para si, exceto de sua companheira. Quando percebeu que era o centro das atenções jogou água ensanguentada no rosto de um oficial, posicionou a boca do balde para baixo e enfiou na cabeça do outro soldado. Bloqueando sua visão enquanto o General assistia todo o impasse.
O soldado parou de se debater. Ino o soltou no chão enquanto puxava ar. O seu rosto estava vermelho. Tenten empurrou o outro soldado para a parede, mas não conseguiu o que queria. Pelo contrário, o viu retirar o balde da cabeça e vir em sua direção com tudo.
Ino olhou para os dois sentindo o desespero bater enquanto o General tentava contatar mais soldados. Ino franziu o cenho. Aquilo não iria acontecer. Não na sua vez, não na vez da Tenten.
Deu um soco no General e escutou Shikamaru soltar um palavrão em sua orelha. Escutou Tenten soltar um grito de dor e deixou o General de lado, o qual começou a se distanciar. Tenten estava com um braço para trás sendo torcido pelo soldado. Iria ajuda-la, caso não fosse interceptada.
— Alvo se distanciando. – Informou com a voz rouca, quando quem estava sendo enforcada era ela. – Gaara.
Ino não conseguiu terminar sua fala, pois sentiu o ar faltar. Ah, aquela surra estava sendo boa.
*
— Permissão para atirar. – Solicitou um pouco apreensivo. Por que, no final das contas, ficar vendo as duas mulheres da equipe que participava levar uma surra não era a sua programação preferida.
— Permissão negada.— Neji tirou o olho da mira do rifle. Shikamaru só podia estar brincando com sua cara. Soltou um palavrão e voltou a observar o embate, momento que pode ver o soco que Tenten levou. Dane-se as ordens, mesmo que isso fosse uma regra absoluta e anteriormente inquebrável de sua vida.
— Vou atirar!
*
— Vou atirar!— Escutou a voz do amigo pelo fone. Para Neji atirar sem permissão a coisa estava realmente séria. Ino já tinha deixado isso claro, quando falou somente o seu nome. Algo estava errado, pois nunca era só Gaara. Era Gaara e mais uma palavra depreciativa.
— Espera, Neji! – Mandou. – Temos que confiar no potencial delas. E estou quase lá.
— Gaara, mude seu curso.— Escutou Shikamaru dizer e começou a correr, quando atingiu a área isolada. O que? — O General está indo em outra direção. Precisamos pega-lo.
Gaara cessou em sua corrida e fitou o extenso corredor ao ouvir que teria que seguir outro caminho. Cerrou os punhos. Aquilo só podia ser castigo. Ficou relutante em seguir a ordem, mas então escutou o barulho de um disparo pelo fone.
Tinha que pegar, como ele mesmo disse, o safado do General. E torceu, para que, aquele disparo fosse o som do rifle do Hyuuga e não de outra arma.
*
A joelhada no rosto foi forte e por conta dela Tenten bateu a cabeça na parede. Sentiu o gosto metálico de sangue na boca. Sua visão embaçou por um instante e escutou a voz de longe atingir o seu ouvido. Alguém estava gritando o seu nome.
Olhou para Ino. Ela acabava de desferir um soco no rosto do seu adversário e logo receber outro em um contra-ataque violento.
Viu o balde estraçalhado devido estar sendo usado como arma minutos antes. Pena que era de plástico e não de metal.
Metal. Tenten olhou para alça do balde e uma ideia surgiu em sua cabeça. Uma das qualidades mais admiráveis em especialistas em explosivos, era construir bombas com coisas usadas no cotidiano.
Não era bem isso o que ela pretendia, mas partia da mesma ideia. Tenten esticou o braço até a fino metal curvado, se livrou do restante do plástico e ficou vendo Ino levar uma surra de dois oficiais, visto que o seu adversário pensou que ela tinha sido abatida. Levantou rapidamente e correu em direção ao embate.
Um dos oficias lhe cedeu a atenção merecia e seguiu em sua direção. Era a hora. Tenten esperou ele lhe agarrar e então furou um olho do homem com o metal, o qual urrou de dor e levou as mãos até o rosto. Tenten aproveitou a curvatura do metal para encaixar no pescoço do soldado e em sequência enforca-lo com a ajuda com o peso de seu corpo.
Logo o barulho do homem cessou e o peso de seu corpo pendeu para frente. Tenten o deixou cair. Ficou vendo sangue vazar do buraco no olho por um instante até se recordar de Ino. Viu sua colega cuspir sangue e tentar levantar-se e falhar em sua tentativa.
*
Abaixa. Foi a última ordem direta de seu cérebro, entretanto o seu corpo não respondeu de imediato. Estava doendo. Cada parte do seu corpo, sentia o gosto metálico do sangue em sua boca, sentia o puxo doer e as costelas zombarem de sua cara. Foi ao chão com a cotovelada que recebeu nas costas. A visão turva indicava o início da inconsciência que começava a tomar nos braços. Olhou mais uma vez para o soldado e chegou à conclusão que aquele homem era de aço. E que iria morrer nas mãos dele
*
— Ino! – Tenten gritou assim que viu o último soldado sacar uma arma e apontar na cabeça da Yamanaka. Estava distante e não poderia salva-la, entretanto mesmo assim correu na direção de ambos.
— Se joga no chão.— Escutou o comando. Não soube dizer de quem veio. Se era Shikamaru, Neji ou Gaara. Mas acatou sem pensar. Cerrou os olhos assim que se jogou no chão e ouviu o disparo. Depois o silêncio. Não teve coragem de abri-los para verificar se a cabeça loira não vazava sangue inerte no chão. Não queria saber se Ino estava morta, pois seria algo horrível de saber e porque a próxima a morrer seria ela.
*
Controlava o passo. Devagar, sem causar desconfiança. Viu o General lhe destinar uma ordem sem mesmo desconfiar qual era suas intenções.
Gaara se aproximou e prestou continência. Estava com raiva e não sabia bem o porquê, apenas sabia que precisava socar a cara de alguém. E quem melhor que ele? O General.
Desferiu um soco certeiro e logo depois outro. Deu uma joelhada no estomago de Hiruzen e por momento nenhum sentiu culpa por estar surrando um senhor de idade.
— Gaara, chega!— Escutou Shikamaru repreender. — Ele já desmaiou. Siga para a saída, irei busca-los.
— E as garotas? – Gaara questionou, esperou resposta e não obteve. – Shikamaru! E elas?
Gritou e suspendeu o corpo do General do chão. Escutou o suspirou no fone. Aquela demora toda para dizer o fazia crer que as coisas tinham saído do plano. E o pior de tudo que a culpa não era sua desta vez.
*
Um corpo caiu no chão e devido ao barulho seco e oco gerado pelo impacto Tenten abriu os olhos. Ino já estava no chão então o corpo não era o dela. Viu o buraco feito a bala, perfeito e sagrando bem no centro da testa do soldado.
Tenten virou a cabeça e olhou para a janela. Deixou um fino sorriso escapar e levantou-se.
— E elas? – Escutou Gaara bravejar através do fone enquanto ajudava Ino levantar-se.
— Responde. – Tenten falou e Ino a fitou.
— Estamos bem, Gaara. – Ino informou sem pensar. Estava contente por estar viva. E daquele momento em diante iria pensar no conceito formado que tinha sobre franco-atiradores.
— Deixem o local imediatamente.— Shikamaru mandou e as duas começaram a andar. — A segurança está indo verificar o local. Siga para saída dos funcionários. Gaara estará lá.
— Entendido. – Tenten respondeu retomando sua concentração. Ino a olhou. Estava com um lado da face marcado e provavelmente iria ficar roxo mais tarde. Tenten percebeu e devolveu o olhar.
— O que foi? – Questionou retoricamente. – A especialista em combate aqui é você.
Ino conteve o sorriso fraco. Deixaria isso para mais tarde por duas razões. Primeira: sentia os seus órgãos retorcerem. Segunda: a parte dois ainda a aguardava.
Logo viram Gaara rente a porta de saída e um corpo no chão. Tenten entrou em uma sala e logo saiu com um carrinho.
— Coloca o safado aí. – Ino mandou e Gaara deixou de olhar Ino para jogar, de qualquer jeito, o General dentro do carrinho. Tenten envolveu ele com as toalhas sujas e puxou o avental para baixo. – Vamos dar um fora!
— Não precisa nem mandar. – Tenten respondeu. Agora vinha a segunda parte daquela loucura: desviar a atenção dos presentes. Gaara acionou o alarme de incêndio e seguiu para a saída do prédio a fim de causar reboliço na segurança.
— Espera. – Tenten chamou a atenção da dupla que seguia a frente. – Era para fazer fogo?
— Não!— Os três escutaram a voz do Nara e Tenten deixou a ideia de explodir a cozinha para lá. Não tinha permissão. Sorriram aliviados. Porque, Tenten tinha voltado e aparentemente inteira.
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