Combatentes
6 Entre deserto, batatas e flexões II
Notas iniciais
Uma fogueira queimava no meio daquela vastidão de terra seca e vegetação rasteia. A fogueira cedia luz, calor e envolta dela estavam três pessoas e duas são mulheres. Ino mastigava um alimento enlatado. Tenten revolvia a fogueira, para que, conseguisse arrancar brasinhas esvoaçantes. E os olhos castanhos fitavam as faíscas de luzes até sumirem no alto.
Gaara, este deitado no chão com a cabeça encostada no saco de dormir com os olhos cerrados. Enquanto abria e fechava um isqueiro repetidamente. Ato que obtinha atenção de Ino.
Depois de Neji ameaça-lo e não passar disto. O quarteto seguiu para uma formação rochosa com finalidade de evitar insetos venenosos como escorpiões. E então ajeitaram o local como conseguiram. Não havia barracas e teriam que dormir no relento ao lado da fogueira.
— Será que ele está vigiando os grãos de areia? – Tenten questionou enquanto continuava a revolver a fogueira. A luz iluminava seu rosto e podia ser visto seus olhos apertados por conta da claridade e calor, já que ela estava próxima demais.
— Provavelmente. – Gaara respondeu categórico. Nunca havia se imaginado naquela situação. Quer dizer já havia passado por experiência similar na época que fora recruta e retornar a ter uma experiência parecida não descia muito bem pela sua garganta. Ainda mais com mulheres, aquilo era novidade. O máximo que trabalhou fora com mulheres médicas e só.
— Ele está de vigia sendo que estamos no deserto sozinhos. – Ino disse após engolir a comida achando a atitude do homem desnecessária. – Não estamos em zona de conflito.
— Pois é! Agora vai dizer isso a ele. – Gaara rebateu sem entusiasmo. Não era uma provocação estava mais para uma afirmação derrotada.
— Ok, eu vou lá buscar ele. – Tenten largou seu graveto e levantou batendo na roupa logo em seguida.
— Eu não acho que seja uma boa ideia. — Gaara disse olhando para Tenten que jogou os ombros para cima e se enfiou dentro do breu deixando ambos sozinhos. E mal ela foi Gaara ocupou o seu lugar, como se mexer no fogo fosse uma função.
Ino olhou o ruivo e largou o enlatado deixando o de lado. Sentiu a falta de suas gracinhas e concluiu que ele apenas fazia para irritar o Hyuuga. Estava sereno no momento.
— E então, por que entrou para o exército? – Ino questionou e o viu dar lhe atenção.
— Por que o exército aceita qualquer um. – Ino riu brevemente. – Era jovem e um pouco problemático. Que lugar melhor para lhe ensinar disciplina e tornar lhe um homem?
— Nenhum. – Ino respondeu na lata. – E ele? Por que entrou?
Questionou sobre Neji e Gaara se perguntou internamente se a loira havia caído nos encantos do Hyuuga, os quais para ele não eram encantos nenhum ser chato para caralho, como ele gostava de dizer.
— Não sei ao certo, apenas que tem algo com os pais. – Ino afirmou positivo e o silêncio se instalou. – E você? Veio parar aqui como?
— Eu era uma garota patricinha, vamos dizer assim. E para provar para Deus e o mundo que eu podia ser diferente me alistei. – Gaara riu diante tal informação. Era contraditório aquela informação. A mulher forte e de expressão rígida que exalava agressividade não encaixava com a imagem de patricinha. – E gostei tanto que não sai mais.
— Ah, me conta outra. Não foi apenas por isso que se alistou. — Gaara apoiou o peso do corpo nos cotovelos e Ino passou a mexer na fogueira.
— Queria provar para meu pai que podia ser mais foda que ele. O velho era da Marinha e como o exército aceita qualquer um, estou aqui.
— E conseguiu? – Gaara questionou a loira que pareceu embaraçada diante da resposta que poderia dar.
— Ele morreu antes. — Aquilo era um assunto delicado para Ino, afinal as últimas palavras que dissera ao seu pai foi neste sentido. Que ele podia morrer para ela e no final das contas ele morreu mesmo.
— Mas agora me diga. – Ino disse seca e depois deixou um sorrisinho escapar deixando Gaara encabulado. – Qual é o seu problema com cachorros?
O riso de Ino saiu de forma tão gostosa de se ouvir que Gaara sorriu aberto. O rosto iluminado pela luz da fogueira, o cabelo preso de forma bagunçada num rabo de cavalo, deixava a sua imagem terrivelmente viciante. Ainda mais para um homem que apenas via mulheres cobertas das cabeças aos pés. Ah, e tinha a regata que deixava demarcado a sua cintura fina demais para alguém que sai na mão com outra – combate físico.
— É complicado. – Foi a única coisa que ele argumentou e ela assentiu satisfeita. – Onde será que foi a Mitsashi?
Ino questionou, uma vez que, a morena havia saído para buscar o soldado sempre em alerta e não tinha regressado. – Neji deve ter a obrigado ficar de vigia também.
Riram já que aquela vigília, era no mínimo descabida, já que aquele castigo estava parecendo um acampamento.
Andava com cautela, a escuridão seria majoritária, caso não fosse o isqueiro que trouxe consigo. Luz insuficiente para aquela caminhada, mas que a auxiliava. Caminhou um espaço considerável até vê-lo sobre o ponto mais alto da rocha. Na verdade, ver o pontinho de luz. Seria impossível ver o homem deitado no chão, feito atiradores de elite à espreita de um alvo que passaria a quilômetros. Como ele era, mas no momento sem alvo.
— Ei! O que está fazendo? – Neji tirou o olho da lente da mira ao ouvir o alarde que a mulher fazia.
— Fique quieta. — A repreendeu e não pode ver a Mitsashi revirando os olhos a vê-lo deitado no chão. Agachou bem próximo do Hyuuga e iluminou seu rosto com a chama do isqueiro.
— Sabe que tem escorpião nesta região, não é? Ficar deitado assim não é a melhor ideia. – Tenten se sentou a ver que não iria ter resposta na conversa trivial que tentava travar.
— O que você está vendo? – Questionou minutos depois como uma criança impaciente. E então lembrou do tempão que ele estava no exército. Talvez nem soubesse mais conversar sem colocar um “sim, senhor” na frase.
— Olhe você mesma. – Neji disse e cedeu espaço na lente de visão noturna do rifle. Tenten deitou-se na mesma posição e ao longe pode ver coiotes vagando no deserto. Segurou o sorriso.
— Não estou vendo nada. – Disse apenas para tira-lo do sério. Neji franziu o cenho se perguntando internamente a velocidade daqueles coiotes. Sabia da velocidade daqueles animais, mas não poderia ser tanta assim.
— Como não? Ajusta a mira. – E ele já estava a tirando de sua observação, quando ela o fez parar com a mão. – Estava brincando. Não vai atirar neles, vai?
— Não. – Tenten ouviu a resposta seca. E se perguntou internamente como seria uma conversa longa com aquele homem. – Você fica de vigia agora.
Ele se levantou do chão e Tenten o copiou o mais rápido possível.
— Nem a pau que vou ficar aqui sozinha. – Neji aumentou ainda mais a chama do lampião para iluminar a face da jovem mulher. Ela deveria ser uns cinco anos mais jovem do que ele.
— Você não é um soldado? – Tenten afirmou positivo já sabendo do que viria a seguir. – Então está com medo do que?
— Eu não disse que estava com medo. Apenas me nego a ficar no meio do nada vigiando coiotes. – Cruzou os braços argumentando a sua reprovação a aquela vigília. Neji sentiu se afetado diante da declaração, afinal ele estava fazendo exatamente isso. Mas não vigiando os animais e sim admirando-os.
Ele bufou e retornou a abaixar, mas desta vez apenas sentou se na ponta do rochedo. Tenten fez o mesmo em total silêncio.
— Não vai voltar para fogueira? – Neji a questionou após longos minutos passados. Sua companhia o estava incomodando ainda mais sem falar nada. Para Neji, todas pessoas queriam uma coisa e a todo momento.
— Não. Posso ficar aqui, senhor? – Tenten o provocou com a última palavra e Neji a fitou por um momento.
— Claro, senhora. — E ela sorriu em seguida. Pois sua tese do sim senhor fora confirmada. O silêncio prosseguiu por mais minutos arrancando um suspiro da morena. Ele era mesmo silencioso.
— Foi muito legal o que você fez pela Ino hoje. – Tenten relembrou a atitude defensora do Hyuuga a atitude reprovável do soldado antes do início do trajeto. E o mesmo apenas afirmou positivo.
— Homens como aquele mancham a honra do exército. Atitude reprovável, mesmo eu discordando de mulheres neste âmbito.
— Argumente melhor o seu motivo para não nos querer no exército. – Tenten rebateu rápida, pois desconfiava que caso demorasse a fazê-lo, Neji mergulharia no silêncio novamente.
— Simples. O exército não é lugar para ninguém, ainda mais para mulheres.
— Seu argumento não tem fundamento e soa de forma machista. – Neji olhou para Tenten por um instante e logo retornou a fitar o breu.
— E por que você entrou? – Mudou o foco da conversa, para que, sua irritação não surgisse. Tenten meneou positivo.
— Eu nunca tive ninguém e por isso quando terminava as aulas do colégio eu não seguia para casa como todo mundo. – Ela começou deixando um semblante nostálgico escapar.
— E por ficar após as aulas acabei pegando amizade com o zelador. Desde daquela época eu já gostava de mexer com substâncias explosivas. E foi numa tarde que explodi uma bateria velha no pátio do colégio.
Neji escutava tudo atentamente, mesmo que deixasse transparecer ao contrário. Enquanto ele se importava em falar de sua intimidade para estranhos, ela fazia o contrário.
— E então ele te molestou? E a parte triste da história. – Tenten fez uma careta diante tal declaração.
— Não! Não. Ele me colocou em seu carro antigo e me levou até uma base militar próximo da onde morava.
A luz do lampião iluminou o rosto da jovem mulher e graças a ela seus olhos castanhos pareciam estrelas brilhantes. Neji arqueou a sobrancelha a se pegar admirando os traços daquele rosto.
— E me lembro exatamente do que ele disse: Entrando aí, você vai poder explodir qualquer coisa. – Neji riu diante de tal informação e caso Tenten não tivesse presenciado tal riso anteriormente se assustaria.
— Ele te enganou. – Neji disse e a morena fez bico enquanto admirava o breu e se perdia em suas lembranças.
— Ele me iludiu bonito. Mas no final acabei mexendo em bombas, contudo para desarma-las.
— Nem sempre tudo que planejamos sai conforme o planejado. – Tenten afirmou e observou o cabelo enorme do homem. A fazendo lembrar do seu último comandante, o qual tinha cabelos compridos e loiros.
—Onde estava servindo antes de vir para cá? – O Hyuuga questionou mudando de assunto e se levantou.
— Iraque. E acredita que estou sentido saudades do pelotão onde estava?
— Acredito. – Neji deu a mão, para que, ela se levantasse. – A adrenalina disto tudo é viciante, você deveria deixa-la antes que seja tarde demais.
Neji começou a caminhar a deixando para trás. Fez referência ao pouco tempo de Tenten servindo o seu país em comparação ao seu. Especificadamente o dobro.
— Por isso que ainda está aqui?
— Sim, por isso que ainda estou aqui. – Respondeu a aguardando descer o rochedo. E por um passo mal calculado ela foi ao chão e ele estendeu a mão novamente, contudo ela não aceitou.
— E a única coisa que me faz seguir em frente. Não posso deixar, o que eu faria da minha vida? — Tenten se perguntava mais para si do que para Neji.
— Talvez se casar, ter filhos, fazer coisas de mulher. – Neji a respondeu e agora ele a provocava.
— Eu? Prefiro atirar nas pessoas do que trocar as fraudas de um pirralho. E você? Defensor do patriarcado, não tem família?
Neji viu o sorriso travesso da mulher ao chama-lo de machista e defensor da sociedade patriarcal. – Como você mesmo disse, prefiro atirar nas pessoas. Não tenho.
— Que triste! – Ironizou fazendo cena. Viram Gaara e Ino conversando próximo a fogueira e se entreolharam.
— Ele está caidinho por ela, não está? – Tenten questionou e riu. Neji afirmou positivo, mesmo sendo pouco tempo para dizer.
— Gaara sempre gostou de mulheres perigosas.
— E você? – Tenten questionou inocente, entretanto se repreendeu diante do silêncio do homem. Não que estivesse interessada no machão que era o seu oposto.
— Também, mas tenho uma preferência por aquelas que gostam de atirar nas pessoas. – A deixou sozinha e foi então que ela sorriu. Esperava tudo daquela missão, entretanto a possibilidade de se interessar por um soldado não fora prevista. Galanteios sempre eram previstos para cima dela. Contudo ela ter que galantear alguém era novidade.
Talvez aquela missão seria melhor do que tinha previsto.
Sentou se a lado de Ino e a conversa dos dois cessou. Tenten retornou a brincar com o fogo com a cabeça longe. Gaara observava Neji quieto demais em seu canto e Ino deixou um suspiro escapar.
— Acho que temos um problema. – Neji começou chamando a atenção de todos e os três lhe olharam de forma interrogativa. – Afinal quão importante é este projeto e o que estamos fazendo aqui?
*****
Aquele ambiente estava apertado demais a seu ver, entretanto atribuía culpa a falta de espaço aos sacos e sacos de batatas. Por alguma razão, a qual era bem nítida. Sasuke e Hinata descascavam batatas em um canto e Naruto e Sakura no outro.
Razão esta que consistia em falta de empatia entre dois pilotos. Para Sakura descascar aquelas batatas estava sendo uma tarefa árdua. Não tinha pratica ao que se referia a assuntos da cozinha, assim por dizer. E Naruto a sua frente não estava se saindo tão bem como na troca de socos.
— Ele é bem diferente de você, não? – Sakura questionou assim que colocou a batata toda machucada na vasilha de metal no chão. – Quero dizer, a personalidade de vocês.
Corrigiu sua observação mesmo não sem necessidade. Naruto olhou para o amigo e acidentalmente os seus olhos encontraram com a da canário negro.
— Sasuke? Somos sim. Ele faz o estilo mais quietão reservado. – Sakura parou de descascar a batata para olhar o piloto. O Uchiha havia deixado uma boa impressão aos olhos da Haruno.
— Foi muito bacana o que vocês fizeram pela Hyuuga.- Sakura comentou e Naruto retornou a olha-la de esgueira. Dos três dias que estavam naquela base, ambos apenas trocavam olhares reprovadores.
— Vocês apenas começaram com o pé esquerdo. – A rosada percebendo a hostilidade dos dois pontuou. – Seria prudente tentar se relacionar melhor, afinal não sabe se quanto tempo vamos conviver juntos.
— Espero que seja o mínimo possível, contudo ela estava na mesma base que eu. Provavelmente volte para lá. – Naruto disse enquanto começava a pegar o jeito para descascar aquelas batatas.
— E eu provavelmente me juntarei ao corpo da armada. – Sakura murmurou para si mesma. Se afundar no trabalho estava sendo o suficiente para preencher os vazios de sua vida, entretanto não como antes.
Aquela experiência estava sendo interessante para ela.
— E o que a fez se alistar na marinha? – Naruto questionou curioso. Afinal Sakura poderia se enfiar em qualquer outro lugar.
— Não consegui me habituar aos hospitais e muito menos tinha dinheiro para abrir meu próprio consultório. Foi então que tive a brilhante ideia de servir o meu País.
— Não conseguiu se habituar aos hospitais? – Naruto riu por um momento. – Um pouco contraditório.
— Eu sou bastante contraditória. E ele, porque entrou? – Naruto achou que a rosada estava querendo saber demais do Uchiha, mas guardou esta observação para si.
— Desde sempre eu e Sasuke formamos uma dupla. E quando o pai dele o obrigou a se alistar nas forças armadas, eu o obriguei a escolher a Aeronáutica.
Naruto riu lembrando do motivo o que levou a entrar para força aérea. Sakura acompanhou o riso e comemorou a ver cinco batatas descascadas.
— Nem parece que está num castigo. – Sasuke murmurou a ver a risadinhas de ambos mais ao longe. Hinata, novamente, olhou para os dois. Ao contrário dela, Sakura pareceu ser dar bem com o Uzumaki.
— Então Hinata, por que canário negro? – Sasuke lembrou o nome de piloto da moça e sorriu.
— Por que Susano? – E ela rebateu rapidamente.
— Coisa de família. – Disse categórico. Até explicar tudo seria tedioso. Hinata assentiu, pelo visto o homem não era tão comunicativo feito seu amigo.
— Ok. O meu também é coisa de família. – Sasuke levantou os olhos e viu o sorriso pequeno de Hinata que descascava batatas sem cessar. – Era o nome de piloto do meu tio. Foi uma homenagem a ele.
Sasuke levantou os olhos novamente diante do silêncio da mulher. A expressão descontraída foi trocada por uma rigidez impressionante. Não questionaria, mesmo sua curiosidade estando atiçada.
— Ele era o melhor piloto de caça da base. E nós éramos muito parecidos e foi por conta dele que acabei ingressando na força aérea. – Hinata retornou a deixar um sorriso nostálgico na face.
— Por acaso é o pai do outro Hyuuga? – Hinata afirmou positivo e seu semblante retornou a habitual rigidez. Aquele era um assunto delicado demais.
— E você, por que escolheu a aeronáutica? – Hinata desviou o foco da conversa dela para ele.
— Você não vai acreditar! — Sasuke riu de forma espontânea como se a situação fosse hilária. Sakura escutou o riso do homem e observou como aqueles dois estavam se dando bem. Não tinha trocado palavras com aquele piloto ainda, mas em sua cabeça não faltaria oportunidade.
— Eu não tinha escolha. Teria que servir o meu país de qualquer jeito. Coisa de papai. – Sasuke disse fazendo graça e olhou para Naruto. Hinata o acompanhou e percebeu a importância daquele vinculo. Vinculo similar ela não tinha com ninguém.
— E foi por causa daquele loiro do inferno que acabei na força aérea. Tinha acabado de ficar em cartaz um filme bem famoso. – Hinata esqueceu de absolutamente tudo e começou a rir. Ela já previa o que aquilo significava.
— Provavelmente você já deve ter assistido. Top Gun – Ases Indomáveis. E foi a sair da sala do cinema, com apenas dezoito anos que meu destino foi selado.
— Eu não acredito! – Hinata riu como não fazia a tempo e Sasuke apenas afirmava com a cabeça.
— É difícil de acreditar, mas essa é a verdade. E como ele não queria ir sozinho, eu o acompanhei. – A conversa prosseguiu entre as duplas de forma mais animada o possível. Contudo uma mulher de olhos verdes vigiava as reações do Uchiha e uma de cabelo azulado se interessava ainda mais pelo astuto piloto raposa vermelha.
As duplas haviam sido trocadas, entretanto ninguém havia se dado conta disto.
— Agora me diga. – Hinata parou o riso repentinamente e ficou séria. – Está me avaliando por que?
Sasuke ficou sério e olhou no fundo das orbes claras. Mesmo diante de tal questão continuou a descascar as batatas, coisa que Hinata deixou.
— Apenas para saber se você é confiável. – Hinata levantou uma sobrancelha e mantéu a expressão dura na face. – E parece que sim. Vamos falar desta missão.
******
Seus braços já começavam a reclamar e nem mesmo tinha atingido a metade das flexões ordenadas. O soldado que os vigiavam no pátio vazio e extenso não prestava atenção em ambos.
E foi a perceber este fato que Shikamaru a observou melhor. Ela estava se saindo bem, mas caso continuasse naquele ritmo iria apagar depois.
— Sabaku. – Temari parou a contagem mental e olhou para o marujo fazendo suas flexões com facilidade. – Tem alguma coisa muito suspeita em tudo isso aqui.
Shikamaru disse fazendo referência a aquela convocação repentina e depois ao tempo desperdiçado naquela base.
— De fato. Se esta missão foste tão importante não ficaríamos perdendo tempo com flexões. – Temari comentou baixo, pois o soldado se aproximava a perceber a conversa entre ambos. Shikamaru se impressionou novamente. Pelo visto ele não era o único a ter cérebro naquele lugar.
— Ele estão nos fazendo criar vínculos ou é coisa da minha cabeça? – Shikamaru questionou. Em todas missões que já tinha realizado seguia a mesma sequência: os membros da equipe se conheciam dias antes, traçavam um plano, dividia as partes e talvez conseguissem voltar para casa.
— Sem contar que tem parentes nesta equipe. Como no meu caso e da piloto. – Temari rebateu. Geralmente aquilo era evitado, pois era muito carga emocional ter uma pessoa de laço afetivo em uma missão.
— Tem razão, acho melhor ficarmos de olho. Já que os outros não se atentaram para este fato. – Temari assentiu, entretanto não concordava totalmente com aquela teoria.
— O Hyuuga, ele e Gaara zoou com sua prova hoje, acho que não estavam querendo ser avaliados. – Shikamaru atribuiu logica a teoria de Temari. Ao contrario deles que se mostraram ótimo desempenho no trajeto e como lidar com aquilo. Os dois apenas copiaram as táticas mesmo tendo o trajeto complicado.
— Precisamos falar com ele, afinal ele parece estar sempre em alerta. Provavelmente captou algo. – Temari retornou a contar alto, quando o soldado passou por eles.
— O piloto também parece estar atento. – Temari referia a Sasuke. – Mesmo que seja paranoia nossa e melhor averiguar.
— Precaução nunca é demais. – Shikamaru justificou as ideias mirabolantes que permeava a sua cabeça.
— Exato. – Shikamaru continuou a sua sequência e Temari se concentrou a fazer o mesmo. Ele deixou uma linha curvilínea dançar no seu rosto por uns segundos. E Temari não julgou ser de todo o mal aquelas flexões.
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