Coma
2 Two
Bang's pov
—HIMCHAN! –não cheguei a tempo de segurá-lo, vendo o seu corpo cair rapidamente.
Entrei em desespero ao ver HimChan no chão. Aquela cena foi assustadora. Vi todos correrem em volta dele, preocupados e, como eu, desesperados. JongUp foi o primeiro a começar a chorar. As lágrimas escapavam lentamente de seus olhos, e YoungJae o consolava. Zelo, a princípio, não teve reação... Parecia estar em choque, assim como DaeHyun, mas logo começaram a chorar também.
Algumas das fãs presentes pareciam curiosas sobre o quê havia acontecido, outras já choravam sem ao menos ter certeza do que se passava. Eu tentei ao máximo ignorar toda aquela gritaria e chororô; eu precisava me manter calmo e tentar salvar o meu amigo!
Comecei a chamar por HimChan, mas ele não dava sinais em resposta. Permanecia imóvel. Lembrei-me então de tudo o que meu pai costumava dizer sobre o que se deve fazer em uma emergência... Devido ao seu trabalho na marinha, tivera algumas aulas de primeiro socorros e o vi treinando vez ou outra em casa. Não custaria nada tentar...
Comprimi o nariz dele com os meus dedos para fecha-lo e encostei meus lábios nos dele, soprando devagar. Após cada sopro que eu dava, olhava para o seu tórax para vê-lo se abaixar. Soprava novamente a cada abaixada que seu tórax dava, mas parecia em vão. Afrouxei a camisa dele rasgando a gola, para ver se assim ele respiraria melhor, mas nem com isso sua respiração voltava. Apoiei a palma da minha mão esquerda sobre o seu peito e, entrecruzando os dedos, coloquei a direita por cima.
Pressionei quinze vezes e fiz mais duas respirações boca a boca. Tentei mais algumas vezes, sempre com o mesmo pensamento em mente; "Reaja, HimChannie, reaja!". Eu realmente não sabia se o que estava fazendo era certo, mas eu tinha que tentar alguma coisa... HimChan tinha que voltar! Eu não pensei nas consequências que poderiam ocorrer caso estivesse fazendo algo de errado. Só fiz o que meu coração mandava, sem pensar muito.
A ambulância logo chegou e alguns paramédicos me afastaram de seu corpo. Recolheram-no do chão e o carregaram rapidamente para dentro da ambulância, ligando-o aos aparelhos. Eu corri atrás dos homens que o levavam, mas eles não permitiram a minha entrada no veículo, que logo foi fechado e partiu com sua sirene ligada. Antes da porta se fechar por completo, pude brevemente ver um homem massageando o peito do meu amigo, o que me fez pensar que poderia ter piorado o estado de HimChan ao tentar salvá-lo.
—Não me deixaram ir junto... –abaixei a cabeça decepcionado. Senti uma mão ser pousada sobre o meu ombro tentando me consolar, mas não me virei para ver quem era.
—YongGukkie, HimChan vai ficar bem. Confie em mim!-era o manager Kang quem tentava me consolar.
—Eu quero ir para o hospital, manager... Por favor, me leve até lá. –lágrimas já se formavam em meus olhos deixando minha visão distorcida.
—Queremos ir também, hyung. –ouvi a voz do mais novo do grupo e limpei as poucas lágrimas que escapavam pelos cantos dos meus olhos.
—YoungJae, leve-os para o dormitório! –ordenei ainda de costas para eles.
—Mas hyung... –YoungJae tentou dizer alguma coisa, mas eu não queria ouvir... Queria HimChan ali!
—LEVE-OS PARA O DORMITÓRIO! EU ESTOU DANDO UMA ORDEM. –me virei para eles aos berros, descontrolado. YoungJae teria que me entender. Ele suspirou pesadamente e começou a puxar o mais baixo junto a si. Os outros três, por sua vez, abaixaram a cabeça e derramaram mais algumas lágrimas.
—Vamos! Não se preocupem... HimChan-hyung vai ficar bem. –YoungJae ainda me olhava com os olhos expressando sua preocupação. Mas não estava preocupado com o HimChannie agora... Estava preocupado comigo! Ele levou os mais novos, que começavam a soluçar entre o choro, até a vã e voltou até onde eu estava. –Hyung, você tem que se controlar... Seu desespero não vai ajudar o HimChan-hyung. Isso não vai trazê-lo de volta. –sua mão repousava no meu ombro enquanto falava e olhava diretamente em meus olhos.
—Como quer que eu me controle em uma situação dessas? E se... Ele não voltar? –olhei para cima tentando conter mais lágrimas que começavam a se formar em meus olhos ao pensar em tal possibilidade. YoungJae não disse mais nada, simplesmente me abraçou forte deixando suas primeiras lágrimas daquele dia caírem sobre o meu ombro.
—Ele volta... HimChan-hyung é teimoso demais até para morrer! Ele nunca nos deixa em paz, não é?! E não vai ser agora que vai nos abandonar assim! –sua voz soava embargada pelo choro... YoungJae logo desfez o abraço e se afastou limpando os caminhos que as lágrimas haviam deixado em seu rosto e me lançou um sorriso confiante.
YoungJae sempre sabe como nos deixar melhor apenas com algumas palavras. Me fez sentir menos tenso e, agora, mais confiante da volta de HimChannie!
—Vá, YoungJae... Vá para casa e cuide dos meninos. Eu vou ficar bem e vou voltar com a nossa omma o mais rápido possível! Cuide deles por mim, Younggie. –ele sorriu novamente e assentiu, logo me dando as costas e caminhando até o veículo onde os outros o esperavam em silêncio.
—Quer mesmo ir para o hospital, YongGuk? –o manager continuava ao meu lado com as mãos nos bolsos.
—Quero ficar junto com o meu amigo. Não posso deixa-lo sozinho! –respondi sem me virar para o manager ao meu lado e abri a porta do carro, que estava atrás de mim, entrando rapidamente nele e colocando o cinto.
—Vai dar tudo certo, YongGuk. Confie em mim! –manager Kang disse já colocando a chave na ignição e dando a partida. Mais uma vez evitei encará-lo e permaneci olhando para frente do carro enquanto ele falava.
—HimChan confiou em mim... Eu prometi que ia dar tudo certo. Ele confiou em mim. –me virei para a janela e ouvi o manager suspirar pesadamente ao meu lado.
Seguimos em silêncio até o hospital e hora ou outra me permitia derramar algumas lágrimas silenciosas, me lembrando do meu amigo minutos antes de subirmos naquele palco. Como eu desejava que aquele abraço tivesse durado mais tempo... Meu amigo estava em meus braços, e eu o deixei escapar... Foi como se eu o tivesse deixado cair em um penhasco. Não o protegi como deveria!
O carro finalmente parou em um grande estacionamento e eu rapidamente saí, sem esperar pelo manager. Corri para dentro daquele grande prédio branco e, me esquivando das pessoas que tentavam se aproximar, me dirigi até o balcão.
—Kim HimChan! Kim HimChan! –falei para a moça do balcão que me olhava sem falar nada. –Onde está Kim HimChan? –perguntei colocando minhas mãos sobre o grande balcão que nos separava e me debruçando um pouco sobre ele.
—O senhor pode se sentar, por favor?! –ela apontou para os sofás que estavam do outro lado da sala de espera.
—A senhora não está entendendo... Vim ver o meu amigo que trouxeram para cá a pouco e...
—YongGukkie! –o manager finalmente conseguiu chegar até mim.
—Kang-ssi, quero ver o HimChannie. Quero ver como ele está. –me virei para ele com lágrimas nos olhos, mais uma vez me segurando para não deixá-las rolarem por meu rosto.
—YongGukkie, vamos esperar um pouco... Os médicos devem estar examinando o HimChan. –com as suas mãos em meus ombros, começou a me conduzir até o outro lado da sala tentando fazer com que eu me sentasse e me acalmasse.
—E-eu não quero sentar... Quero ver o HimChannie. Quero levá-lo embora deste lugar! –me neguei a sentar naquele sofá e coloquei as mãos nos bolsos, me encostando em um pilar que estava atrás de mim. Senti alguns olhares em minha direção, mas, naquele momento, ninguém tentou se aproximar, para a minha sorte.
O manager se sentou suspirando mais uma vez, olhando para baixo. Colocou suas mãos entre os joelhos e ficou ali, sentado, apenas me encarando sem dizer uma única palavra. Minha vontade de entrar lá aumentava a cada minuto que se passava. Eu estava impaciente andando de um lado para o outro quando senti o meu celular vibrar no meu bolso. Na tela apareceu um nome... YoungJae!
—Hyung?!—a voz chorosa do outro lado da linha não era do dono do aparelho, mas a reconheci de imediato.
—DaeHyun?! Que está fazendo com o celular do YoungJae? –perguntei falando baixo, seguindo em direção à porta.
—Hyung, só me escute. Tenho que falar rápido e baixo. Não quero que os maknaes escutem... —o tom de voz que DaeHyun usava começou a me preocupar. O que era tão importante e por que os mais novos não podiam ouvir?
—Diga logo DaeHyun! –ordenei, mas o medo da resposta me tomava.
—Hyung, o... O HimChan-hyung...—sua voz agora era de quem estava prestes a chorar novamente.
—DaeHyun... Fala. –me encostei na parede e, apoiando a minha cabeça nela, fechei meus olhos.
—HimChan-hyung não pode voltar para casa hoje.—ele disse que seria rápido, mas provavelmente JongUp e JunHong estavam por perto e por isso estava enrolando. A sensação de que algo ruim estava prestes a chegar aos meus ouvidos me encheu de medo... Meu coração me implorava para que eu não quisesse saber o motivo daquela ligação, mas eu precisava!
—Tudo bem. Eu espero até amanhã.
—Hyung, você não está entendendo... —ouvi o barulho de uma porta se fechando, o que indicava que ele estava saindo de perto de todos para dizer o que queria. Olhei pela porta de vidro da entrada do hospital e vi um homem com roupa branca conversando com o manager. Meu coração, de repente, falhou uma batida e a imagem de HimChan me veio em mente...
—Dae, por favor... Fala logo. Seja o que for, diga de uma vez! –eu ainda olhava para dentro do hospital. O manager se sentou sem nenhuma expressão; parecia estar em choque com o que o homem lhe disse. Algo estava errado...
—HimChan-hyung está em coma! —não sei dizer o que senti ao ouvir aquilo. Foi como se o chão, de repente, se abrisse sob os meus pés, mas de alguma forma eu não caísse... Como se o ar, por um instante, não entrasse em meus pulmões. Me permiti chorar como nunca havia chorado antes. Sentei-me naquele chão frio e, sem desligar o telefone, tampei os olhos com uma mão.
—Não pode ser verdade... Isso... Isso é mentira! –sussurrei. Eu não queria acreditar...
Não poderia acabar assim! Não, de jeito nenhum. Eu não podia aceitar aquele destino para meu amigo...
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