Coma
9 Nine
Notas iniciais
HimChan’s pov
Ao abrir os meus olhos minimamente, olhei para a máquina que apitava constantemente. Seus bipes eram de enlouquecer qualquer um. Por um momento desejei que meu coração parasse de bater só para que aquele barulho cessasse.
—Que diabos... –minha voz saiu em um murmuro, mesmo eu querendo usa-la um tom mais alto.
Minha garganta estava seca e parecia que algo a raspava, mas eu não sentia sede. A máscara no meu rosto, antes não percebida, trazia um ar gelado contra a minha pele e começava a me incomodar. Movendo apenas meus olhos e a minha cabeça, eu tentava explorar o local em que me encontrava.
—Com toda certeza é o inferno! –minha voz ainda era quase inaudível, e a minha risada não saía diferente.
Será que os meninos vão demorar a vir me buscar? Será que eu os assustei com o meu desmaio? Meus olhos permaneciam fechados enquanto me perguntava por que havia sido trazido para um hospital.
—Quanto exagero... –falei ainda de olhos fechados.
O que colocaram nesse oxigênio que dá tanto sono? Mesmo tendo ficado mais tempo acordado agora do que na primeira vez que acordei, eu ainda sentia que dormiria a qualquer momento. Um vacilo e meus olhos só se abririam novamente um bom tempo depois. Pelo menos era o que parecia acontecer...
Eu não tinha noção do tempo. Não havia relógios nas paredes do hospital, então o tempo que eu dormi pode ter sido dois minutos, duas horas, doze horas... Eu não iria descobrir sozinho. Num instante estou acordado, no outro, caiu no sono... Tudo acontece muito de repente.
Quando abri meus olhos pela terceira vez, havia um grande tumulto. Médicos e enfermeiros correndo para lá e para cá. Um som alto e estrondoso que deixava qualquer um em pânico. Não eram bipes, era um som mais alto, como uma máquina “gritando” por ajuda.
Era o fim de alguém. O fim de uma vida que acabava ali. Agora eu começava a ficar nervoso... Afinal, o que me trouxe para cá? Fiquei com medo de dormir novamente. Com medo de ser o próximo a causar tal tumulto.
—Eu quero ir para casa... –uma lágrima escorreu pelo meu rosto enquanto eu murmurava encarando o teto.
Fechando os meus olhos por mais uma vez, comecei a pensar nos meus pais. Eles sabiam que eu estava ali? Como minha mãe deveria estar agora? Devo ter dado um belo susto na minha família...
—HimChan-ah, mamãe está aqui! –a voz da minha mãe parecia uma ilusão aos meus ouvidos.
Se eu estiver sonhando, não irei acordar agora. Meus olhos permaneciam fechados enquanto eu me deixava enganar por aquela ilusão. Talvez fosse efeito de remédios, talvez fosse verdade ou um simples desejo de ouvir sua voz. Mas, e se eu abrisse os olhos para checar e ela não estivesse ali?
—Oh, você está tão lindo hoje. Eu tenho orgulho de você, meu filho. A mamãe te ama! –senti como se uma mão passasse pelo meu rosto, acariciando-me delicadamente.
Acho que foi a ultima coisa que eu ouvi naquele momento. Com a sensação de algo me acariciando, adormeci.
Ao acordar novamente, vi alguém se afastando da onde eu estava. Uma silhueta masculina. Pisquei algumas vezes e bocejei, esticando o meu corpo para tentar me espreguiçar. A sensação foi um tanto incômoda e desconfortável, como se as minhas articulações estivessem todas travadas antes.
Descobri, assim, que havia um soro ligado ao meu braço esquerdo, e uma sonda em meu membro. Aquilo sim era desconfortável... Quando foi que a colocaram em mim? É estranho imaginar como foi que colocaram um tubo em tal lugar sem que eu percebesse.
Eu não sentia fome ou sede por causa do soro, que provavelmente já estava ali, mas eu não havia notado-o porque estava me sentindo mais sonolento antes. Tudo fazia mais sentido agora... Bom, quase tudo.
Era impressionante como ninguém aparecia quando eu estava acordado. Eu queria poder falar com alguém, ver um rosto familiar... Será que eu não posso receber visitas?
Meu corpo ainda parecia cansado; era como se eu não tivesse forças. Eu não conseguia se quer levantar minimamente o meu corpo da cama. Parecia que a gravidade me empurrava com força contra o colchão, impedindo-me de fazer qualquer grande movimento.
—Quanto tempo mais terei que ficar aqui sozinho? –me perguntei voltando a encarar o teto. –É tedioso... –murmurei.
Eu podia mexer os meus dedos, das mãos e dos pés, podia também virar a cabeça de um lado para o outro. Os meus pulsos também, após algumas tentativas, havia um movimento mínimo, também os meus pés... Eu tentava mexer todas as partes do meu corpo para checar se tudo estava "funcionando" devidamente, mas ainda não conseguia, por mais que tentasse, fazer grandes movimentos como levantar o braço, dobrar os joelhos, ou me sentar. Isso era frustrante.
Por um momento me senti como um saco de batatas; inútil, jogado em um canto qualquer, abandonado... Para quê você serve, hein HimChan? Eu fiquei realmente frustrado comigo mesmo. Ficar sozinho começou a me deixar triste, me fez ficar tão para baixo que eu desejei dormir e não acordar por um longo tempo.
—Será que os meninos foram fazer mais performances sem mim? –murmurei pensativo. –Devo ter os feito terem um dia difícil... –bufei.
Mais uma vez Kim HimChan está dando trabalho e complicando a vida de todos. Forçado a ficar sozinho por um tempo indeterminado, comecei a me julgar e a me depreciar. Passei a me sentir melancólico e, antes que eu percebesse, novamente estava prestes a adormecer. Já não fazia diferença eu estar dormindo ou acordado; estaria sozinho da mesma forma.
Em meu momento de tristeza, enquanto fechava os olhos, pensei que seria bom para mim e para todos que eu dormisse e não acordasse mais. Já não estava me importando com a minha própria vida. Vida essa que se tornou apenas mais uma a ser salva naquele hospital.
O tempo realmente se passa muito rápido em hospitais... Foi apenas como um piscar de olhos para mim, mas, quando abri novamente os meus olhos, eu estava em um quarto sozinho. A máscara de oxigênio do meu rosto havia desaparecido e um cheiro suave de sabonete invadia as minhas narinas.
Me deram banho? Logo notei que a minha vestimenta era diferente da anterior, constatando que realmente me deram um banho. Me senti envergonhado ao imaginar outras pessoas fazendo a minha higiene por mim e, ao mesmo tempo, me senti intrigado...
—HimChan, você é realmente um coala? Está dormindo ou entrando em coma? –ri debochado do que acabava de dizer. –Tenho que parar de ser assim... –sorri divertido.
Ao olhar para o meu lado esquerdo, pude ver pela janela que o sol parecia castigar todos que por ele tentasse andar. Parecia estar bem quente, apesar de não poder sentir o seu calor por causa do ambiente hospitalar. Pelo feixe de luz que invadia o quarto pelo vidro da janela, deduzi que já eram umas quatro horas da tarde.
—Eles devem estar ensaiando. –acomodei a minha cabeça no travesseiro e encarei o teto. –Que falta faz um celular... –fiz bico ao me lembrar do meu tão querido aparelho.
Meu amiguinho inseparável...
—Ah, realmente... –revirei os olhos. –Como sinto falta daqueles idiotas! –franzi o cenho e cerrei os punhos. –Porque demoram tanto para vir me buscar ou, simplesmente, me visitar?
Eu queria chutar para longe a almofada que estava sob os meus calcanhares. Estava irritado, e queria poder despejar a minha raiva em algo ou em alguém, mas eu não podia, e ninguém aparecia... Que diabos!
—Eu prometo que quando voltar para casa vou me empenhar mais para compensar os dias que fiquei aqui. –fiz bico.
O sol, de repente, pareceu se mover rápido de mais no céu, mas, para mim, ainda era como se o tempo não passasse. Tédio. Essa era a palavra que melhor me definia no momento. Eu já estava ficando cansado de esperar uma alma viva entrar pela porta daquele quarto. Estava cansado também de ficar deitado em uma mesma posição.
Minhas costas doíam, assim como a minha bunda e as minhas pernas. Meus braços nem tanto, afinal eu os conseguia mover puxando o lençol da cama com os dedos. Mas todo o meu corpo parecia mais pesado que o normal, como se tivesse um peso de cem quilos sobre mim, impedindo-me de fazer qualquer movimento.
Um bocejo... Dois, três... A cada um minuto, mais ou menos, o meu corpo dava mais e mais sinais de cansaço.
—É realmente cansativo esperar... –bufei. –Quer saber. –fechei os olhos antes de prosseguir. –É como dizem... Seja o que deus quiser.
Ficar em um quarto sozinho era mais chato do que ficar na UTI. Pelo menos lá era muito mais barulhento e havia muitas pessoas que eu podia ver. Apesar da UTI ser um lugar depressivo de se ficar, o quarto era quieto de mais, o que me deixava mais entediado.
O barulho da porta se abrindo, de repente, tirou-me de meus devaneios, mas eu permaneci de olhos fechados. O silêncio naquele quarto era tanto que eu podia ouvir o barulho dos passos de quem ali adentrava. Um perfume suave e familiar logo chegou as minhas narinas e uma respiração mais forte pôde ser ouvida.
—HimChan, finalmente você melhorou! –aquela voz tão familiar ecoou pelo quarto, fazendo-me abrir os olhos ao sentir o toque de uma mão quente na minha. –HimChannie, vo-você acordou!
—Porque a surpresa? –perguntei sorrindo docemente, vendo-o fazer o mesmo. –Mas, quem é você?
—O que? –o moreno parecia realmente surpreso com a minha pergunta. –Sou eu, HimChannie... Bbang. –sua expressão era de frustração e receio. –Não se lembra de mim?
—Bbang? Eu... –o encarei confuso, sentindo-me mal por ele.
Devo ser uma pessoa muito má... Acabei de fazer algo errado?
Não é o momento, certo?!
Me desculpe, Bbang...
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