Com você é mais divertido
6 Capítulo 6
Notas iniciais

À tarde com o peixinho tinha sido maravilhosa, meu corpo irradiava felicidade, quando entrei em casa fui direto para meu quarto, sabia que não tinha ninguém em casa então nada iria estragar minha noite, tomei um banho relaxante e depois me joguei na cama e logo peguei no sono ainda com um enorme sorriso no rosto.
Na manha seguinte já foi diferente, acordei com a voz alterada de meu pai, alguma coisa havia acontecido, tomei um rápido banho me arrumei e desci, meu pai estava na sala andando de um lado para outro falando ao celular e pela conversa presumi que ele falava com o Marcus sobre a nova empresa em Nova York.
– Todos esses documentos já deveriam estar prontos e assinados, vocês são uns bandos de incompetentes, precisa eu tá encima direto para as coisas andarem... – ele estava bem alterado e antes que ele me notasse e a bomba estourasse pro meu lado, corri para cozinha e sai pela porta dos fundos, deixaria para receber a ira dele só mais tarde.
O dia estava maravilhoso para caminhar então segui em frente sem rumo pela areia molhada, deixando pegadas e sentindo o vento passar pelo meu corpo, tudo ia maravilhoso quando no passo seguinte sinto uma dor enorme no meu pé e caio na areia gritando de dor, sinto meu pé pegando fogo e aquilo só poderia significar uma coisa, olho para onde tinha pisado e não vejo nada, mas quando olho para meu pé vejo uma geleia roxinha pregada. “Que droga!” havia pisado em uma agua viva, e a dor aumentava a cada estante. Algumas pessoas se aproximaram e logo já tinha um circulo de pessoas ao meu redor.
– Ei garota tudo bem? – um rapaz loirinho perguntou.
Somente um idiota para perguntar isso, se eu estava gritava de dor, era claro que eu não estava bem. Eu não respondi por que a dor não deixava, eu tentava segurar minha perna pra ver se diminuía um pouco, mas o idiota do rapaz ao ver meu pé teve a brilhante ideia de tentar desgrudar a agua viva do meu pé e isso doeu muito, muito mesmo, já estava ate chorando de dor.
– Háááááááá. – soltei um grito angustiante.
– Sai do meio garoto, isso só vai piorar. – eu reconheci aquela voz, era meu amigo peixinho, não sei de onde ele surgiu, só vi quando ele já estava do meu lado me pegando nos braços. – Vem vou te levar para dentro d’água. – e saiu para dentro do mar.
Eu enterrava meu rosto em seu peito e apertava seu ombro, já sentia minha perna ficar dormente pela dor.
– Calma pequena já vai passar. – ele disse carinhoso.
Logo que a agua molhou meu pé, senti um formigamento subir por ele, e a dor foi diminuindo, tirei meu rosto do seu peito e olhei para minha perna, era como se agua rodasse em torno dela.
– Como você fez isso? – perguntei admirada.
– Fiz o que? – ele devolveu a pergunta sorrindo de lado.
– A dor sumiu. – eu disse.
– Que bom! Eu disse que a agua ia ajudar. – ele disse com aquele famoso sorriso de lado.
Eu semicerrei os olhos e o olhei de forma acusatória, ele me beijou na bochecha e me jogou na agua. Como não esperava por aquilo, bebi um pouco d’água e o moreno gargalhava.
– Você vai ver seu peixe descamado. – disse indo pra cima dele tentando o afundar, mas nem adiantava ele era forte, e só ficava rindo de mim.
– Do que você me chamou? – ele perguntou em meio aos risos.
– De peixe descamado, isso que você é. – disse irritada cruzando os braços e desistindo de tentar derruba-lo.
– Que coisa mais linda irritadinha. – falou com uma voz de criança e veio me abraçar, eu tentava fica seria. – Quer me vender esse biquinho quer? – mas era impossível, só de olhar pra ele eu já tinha vontade de rir.
– Bobo!
– Bobo por você! – respondeu beijando minha bochecha. E eu corei, ele sorriu e eu fiquei ainda mais sem jeito.
– Para! – era a primeira vez que aquilo acontecia, eu nunca tinha ficado sem jeito perto dele.
– Com o que? – perguntou rindo.
– Nada... – disse saindo do abraço dele. – Vem vamos sair... Olha minha roupa toda molhada, eu não tinha planos de me molhar hoje.
– Minha pequena, morar na praia é certeza se molhar todo dia. – o moreno falou passando um braço pelos meus ombros.
– Mas eu não moro na praia. – sorri.
– Você entendeu. – disse revirando os olhos. – Mas nada que um bom sol não resolva.
Caminhamos ate uns coqueiros, onde nos deitamos na areia. Eu vestia um short azul claro e uma regata rosa. O moreno vestia uma bermuda estampada e uma blusa branca, e como ele estava com os braços embaixo da cabeça deixava seus músculos bem marcados. Ficamos um tempo em silencio olhando o céu azul, ate que me virei de lado apoiando minha cabeça na mão e o encarei.
– Então peixinho, momento interrogatório. – disse com sorriso maroto.
– Nãããoo. – ele gemeu, e foi engraçado.
– Sim. Sim. Sim... – disse animada. – Você tem irmãos?
– Tenho! – ele respondeu e se calou.
– Quantos? – eu fiz uma expressão vazia para sua resposta. Era sempre assim uma resposta curta. Ele riu.
– Cinco... Três irmãs e dois irmãos.
– Vocês se dão bem?
– É... Na medida do possível. – disse com uma cara engraçada. – Minha vez, qual seu nome? – perguntou direto com um sorriso de lado.
– Só digo se você disser o seu. – assim como ele não me dizia seu nome nas diversas tentativa que eu fazia, eu também deixava o meu em off.
– Tudo bem, continuarei te chamando de pequena. – ele riu. Eu fiquei com ódio, toda vida que eu fazia interrogatório ele sempre fazia a mesma coisa perguntava meu nome e depois dizia isso, só me deixava ainda mais curiosa para saber o dele. – Sua vez! – ele disse.
– Hum...- tentei pensar em algo para perguntar e que ele respondesse, eu já sabia que coisas muito pessoal ele não respondia. Eu sorri marota e perguntei. – Seu primeiro beijo foi com quantos anos?
– Eu era bem novo. – respondeu com seu sorriso sacana. “Que ódio ele nunca respondia direito.” Ele se virou ficando de lado igual a mim – E o seu?
No primeiro momento eu fiquei sem reação, no segundo momento fiquei surpresa por ele ficar muito perto de mim e devolver a pergunta, e no terceiro momento comecei a corar, eu nunca tinha beijado ninguém, mas jamais iria dizer isso a ele.
– Ah... Ah... Eu era bem nova também. – disse meio sem jeito.
– Bem nova era?! – repetiu sorrindo zombeiro e maroto. – E foi bom? – perguntou olhando bem no fundo dos meus olhos. E com essa pergunta todo meu sangue foi parar no meu rosto de tão vermelha que eu estava. Eu o empurrei fazendo-o se deitar novamente e me sentei enquanto ele gargalhava. Isso foi muito constrangedor.
– Ei pequena desculpa. – ele disse se sentando.
Mas como eu ainda estava vermelha, preferi ficar de cabeça baixa e deixa meu cabelo me esconder.
– Você fica fofa assim. – ele disse colocando meu cabelo atrás da orelha.
– E já é a segunda vez que você me deixa assim só hoje. – ele sorriu.
– E olhe que o dia ainda nem acabou viu. – ele riu.
– Ai... Ai... Eu mereço. – comecei a ri e me levantei em um pulo. – Pois fique sabendo que eu me recuso a ficar vermelha de novo.
– É mesmo?! – em um pulo ele também ficou em pé e me puxou, colando nossos corpos e deixando seu rosto bem próximo do meu. Eu sentia sua respiração em meu rosto, aqueles olhos verdes me admirando e aquele sorriso de lado que deixa qualquer uma sem folego, assim como eu estava naquele momento. – Não é o que parece. Olha que bochechas mais vermelhinha. – ele pensou que eu fosse recuar ou algo do tipo, mas muito pelo contrario, eu o encarei e falei.
– Esse seu sorriso é muito sexy. – falei sorrindo, e como eu imaginei peguei ele de surpresa e ele corou um pouco, e foi uma visão linda. – Olha quem tá corando agora. – e ele corou mais um pouquinho. Eu ri baixinho.
Nossos rostos estavam a poucos centímetros um do outro, nossa respiração irregular, nossos olhos ligados um no outro, os centímetros iam diminuindo cada vez mais, até que o momento de sanidade voltou e nós nos separamos cada um com seu momento de timidez.
Fale com o autor