Com amor, com afeto.
20 Eu gosto do simples.
Ponto de vista da Autora.
A grande noite tinha chegado. Finalmente. America se olhava no espelho, admirando o trabalho de Gabe. O vestido estava mais do que perfeito e lhe caía tão bem... Já a maquiagem, ela quis fazer. Colocou um bom batom vermelho nos lábios e estava radiante. Não aguentava mais ouvir desaforos da princesa. Era a sua hora de brilhar.
– Acha que estou elegante? — Gabe perguntou, levantando uma das sobrancelhas.
– Mas é claro que sim. James Bond ficaria com inveja do meu amigo maravilhoso.
Os dois riram e se olharam no espelho pela última vez antes de sair do quarto. E, assim que o fizeram puderam ouvir os inúmeros sons de uma típica festa. Isso elevado ao quadrado.
– Que barulheira é essa? — Gabe disse, rindo. — E eu que pensei que festas Reais eram elegantes e não tinham barulho algum.
– Você que pensa.
Desceram as escadas até escutar um som de piano. Se entreolharam e Gabe sorriu.
– Tudo bem. Agora é elegante.
Quando viram quem estava tocando, porém, se surpreenderam. Harvey estava sentado atrás do instrumento. Os olhos transpareciam toda a sua concentração. America sorriu ao ver a dedicação do garoto e suspirou logo em seguida. Gabe que estava do seu lado riu.
– Ih, você está tendo o primeiro estágio do amor com o Harvey. Ah, meu Deus. Mas não estava gostando do tal H?
– O que? Não estou tendo nada com o Harvey.
– Olhaí o segundo. A negação.
America revirou os olhos, sorrindo e balançando a cabeça ao negar novamente os sentimentos que Gabe supunha.
– Ora, ora se não é America caipira White. — Aurora disse, chegando mais perto dos dois. — Até que está bem bonita, sabia?
America riu e assentiu.
– Obrigada, ilustre Princesa Aurora.
Gabe riu e suspirou.
– E olha só quem também veio. Gabe Morales. Está maravilhosa esta noite, querida. — Ela disse debochando.
Gabe levantou as sobrancelhas e em seguida cerrou os olhos.
– Escuta aqui, princesinha de meia tigela. Limpa essa sua boca pro veneno não escorrer, tá?
America segurou o riso e Aurora saiu, pisando duro.
– Essa menina não presta, amor. Relaxa.
– Obrigada, America, mas eu não nasci pra engolir sapo. Ou eu falo o que sinto ou explodo. Prefiro não explodir, afinal não posso perder esse terno chiquérrimo, certo?
– Certíssimo. — America disse, sorrindo.
– Vou dar uma sondada pra ver os gatos reais, tudo bem?
– Tudo bem. Pode ir. — America disse, dando de ombros e sorrindo em seguida.
Assim que Gabe saiu, a garota ficou ali, sem saber o que fazer. Olhou para os lados e se sentiu um pouco constrangida ao ver que todos olhavam pra ela. Algumas princesas cochichavam, outras riam baixinho e a olhavam. Ela respirou fundo e quando ia se virar para sair dali, se chocou com outro corpo. A gravidade quase a puxou para o chão, mas dois braços fortes a envolveram, para alívio da mesma, que fechou os olhos em seguida.
– Tem que olhar por onde anda, White.
Sorriu ao ouvir aquela voz.
– E você tem que fazer o mesmo, Madley.
Os dois riram e Harvey soltou America. A garota ficou vermelha ao perceber que depois da quase queda, o número de pessoas que a observada aumentou consideravelmente.
– Não sabia que tinha fãs, America. — Ele disse, olhando para os outros convidados, que finalmente pararam de olhar.
– Nem eu sabia. — A garota disse, colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha.
– Escuta, cadê a America que eu conheço? Porque numa hora dessas ela estaria soltando meia dúzia de palavrões e usando uma camisa e jeans e tudo mais.
– Tá de folga. Volta amanhã.
– Ah. Pois avisa pra ela que eu tô com saudades da valentia, mas acho que as roupas novas estão bem melhores. — Ele disse, sorrindo e admirando a beleza da garota à sua frente.
America ficou vermelha novamente.
– Viu? A America de verdade nunca ficaria vermelha numa situação dessas. Ela olharia pra mim e diria : " Tá olhando o que, Madley? Perdeu alguma coisa? " — Ele disse, tentando imitar a voz de America.
– É, acho que tem razão.
Os dois riram e o silêncio reinou por alguns minutos.
– Escuta, quer beber alguma coisa? Vinho? Champanhe?
Ela anuiu.
– Não, acho que não. Não gosto muito de Champanhe e digamos que vinho não me faz muito bem.
– Não me diga que você ficou doidona tomando só vinho.
Ela deu de ombros.
– Formatura da Faculdade. 2 anos atrás. Bebi tanto vinho que dancei no palco e quase tirei a roupa. Gabe me salvou, mas ainda tem um vídeo no celular dele.
– Não diga! Eu pagaria pra ver.
– Quem sabe um dia?
Os dois sorriram, mas quando America ia falar algo novamente, Aurora chegou, interrompendo os dois, como sempre.
– Vejo que está aqui, Harvey. Não tínhamos nos falado ainda. Está lindo. — Ela disse, sorrindo e piscando tanto que America revirou os olhos.
– Você está maravilhosa, Aurora. Uma verdadeira princesa.
– Sim, eu sei. — Ela disse, rindo. — America está um pouco simples demais, não acha?
America olhou para Harvey, que sorriu e olhou firmemente em seus olhos.
– Eu gosto do simples.
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