Com amor, com afeto.
10 A metáfora da escada.
Ponto de vista de America White
Assim que Brad e Harvey saíram, respirei fundo, fechei a porta e fiz exatamente como aquelas mocinhas incompreendidas de filmes meia boca. Encontei minhas costas na porta e fui caindo lentamente até chegar ao chão e abraçar os joelhos. Gabe apenas observava. Ele me conhecia muito bem e sabia que, às vezes, eu preferia ficar assim, sofrendo um pouco sozinha.
Respirei fundo mais algumas vezes, antes de encontrar forças pra levantar e levar o meu corpo até os braços de Gabe. Eu ficaria segura com ele ali. Comigo.
– Ainda não entendo como conseguiu engolir toda essa história e ainda por cima aceitar. Mas, não vou dar sermão em você. Pelo menos, não ainda.
Apenas assenti, ainda em seus braços e ele tocou meus cabelos.
– Você tem que ter cuidado, America... Nem mesmo conhece eles. — Ele disse, ainda fazendo carinho em meus cabelos. Fechei os olhos, por impulso.
– Eu sei, mas pareceu certo. Eu não sei porque. Acho que se eu aceitar isso, eles vão parar mais rápido. Vão atrás de outra celebridade, como você mesmo disse.
Ele assentiu e parou de fazer carinhos em meus cabelos e me soltou. Reclamei, franzindo a testa e bufando de raiva.
– Eu sei que disse isso. Mas, não esperava que você fosse levar tudo tão a sério. Qual é, America? Eu falei aquilo pra acalmar você. Tipo, aquelas palavras são como um : 'Um príncipe aparecerá em sua vida em breve. Não se preocupe' para uma mulher que acabou de levar um pé na bunda. São só encorajamentos. Maneiras de tentar fazer com que a dor passe um pouquinho. Você tem que aprender a não levar as palavras tão a sério.
Assenti, novamente.
– Bom, agora a droga já está feita. Vamos esperar no que vai dar, não é?
Ele assentiu, sorrindo fraco e me abraçando novamente.
– Ô, baixinha, não quero te ver sofrer.
Sorri.
– Não vou. Prometo. E, se aquele cara se meter a besta, prometa que vai dar uma surra naquele riquinho de merda.
Ele fez cara de mal e levantou o braço, mostrando os músculos. Comecei a gargalhar.
– Prometo, Srta. White. Aliás, salvar garotinhas em perigo é meu passatempo preferido, sabia?
***
Ponto de vista de Harvey Madley
Depois de irmos à casa de America, voltamos pra minha e Brad começou a esclarecer como tudo aconteceria.
– Pretendo transformar vocês no casal do momento. Shippers por toda parte, twitter lotado, jornalistas...
– Peraí, você disse pra America que queria acabar com minha má impressão para com os jornalistas.
Ele assentiu, sorrindo maliciosamente.
– Exato e daí começaremos a explorar esse seu lado amoroso, caseiro. Vamos colocar Harvey Madley no topo dos mocinhos mais queridos.
Franzi o cenho, ainda sem entender ( Ou melhor, sem gostar. )
– Não pode colocá-la numa situação como essa. A garota está justamente tentando se livrar dos jornalistas e você simplesmente quer colocá-la ainda mais diante deles? Tá brincando, né?
Brad começou a rir, debochando de mim e levantou do sofá, começando a andar de um lado pro outro, o que me irritava bastante.
– Você tem que aprender uma coisa nessa vida, garoto. Tem que pisar em algumas pessoas, pra subir na vida. É a metáfora da escada. Pise pra subir. — Eu não gostava desse jeito ambicioso do Brad, mas querendo ou não, ele era o meu empresário. — Além disso, sua turnê está bem perto de começar. Temos de preparar um terreno pra tudo isso. Temos de fazer você subir nas paradas e, pra isso, deve escrever uma nova música.
Suspirei. Estava de férias e logo a euforia de uma nova turnê começaria. Eu amava tudo aquilo. Amava trabalhar com a música e ganhar dinheiro com o que eu realmente gostava de fazer, mas a fama muda as pessoas. Queria que ela não tivesse me mudado, mas vou confessar pra você, que ela te muda mesmo sem querer, suavemente, despretensiosamente.
Querendo ou não, eu tinha mudado. As coisas simples pareciam não ter a mesma importância pra mim. Eu precisava sentir amor, pra suprir tudo isso. Era exatamente esse o motivo de minha pressa.Era exatamente esse o motivo pelo qual Meri me fazia tão bem. Por causa de um e-mail e de suas palavras eu conseguia esquecer as porcaria da minha vida conturbada. Ela era minha válvula de escape. Era a única pessoa que eu tinha. Ainda que virtualmente...
– Tudo bem, eu escrevo. Tenho quanto tempo?
Ele coçou o queixo, em dúvida.
– Acho que um mês e meio. Já que sua turnê começa daqui a dois meses.
Assenti.
– Terá a música que quiser até lá. Como você quer ela?
– Faça uma música de amor. Pra combinar com esse seu momento namorando.
Revirei os olhos. Como faria isso sem inspiração? Eu escrevia músicas sobre o que eu sentia. Ele sempre me deu a liberdade pra fazer isso, mas agora, com essa ideia fixa de namoro ele não deixaria eu fazer minhas próprias escolhas. Agora, eu teria de fazer tudo sem inspiração e sem vontade. Pensei em algumas coisas que eu poderia fazer pra me inspirar, mas nada aconteceu. Até que, como se fosse um súbito, resolvi que Meri podia me ajudar.
Não, eu não ia pedir que ela escrevesse algo pra mim, mas leria seus e-mails por esse tempo e faria a música em cima de suas palavras. Usaria nossos sentimentos. Nossa pressa de amar junta em uma música. Depois mostraria pra ela, e ela poderia me dizer o que achou. Seria perfeito. Fiquei tão entusiasmado, de repente, que Brad estranhou. Eu apenas disse que pensei no dinheiro que ganharia com o suposto namoro com America. Ele riu e disse que eu era muito esperto.
Rá! Ele nem sabia o quanto...
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