Com amor, Olaf

2 O segredo escondido ali


Notas iniciais
Hey pessoal, espero que estejam gostando da história. Eu mudei apenas um detalhe pequeno (mas importante) no capítulo anterior. Presumo que não precisam se preocupar ahahaha Aproveitem!

“Querido GF,...”

Anna conseguiu ler apenas esta linha antes que sua mãe a chamasse para almoçar. Com a chuva e o vento açoitando a única janela do sótão, a garota precisou de alguns momentos para ouvir a mãe chamar a sua atenção.

— Anna Flávia! – gritou ela do térreo, aos pés da escada – Não vou precisar subir, né?

— Já estou indo, mãe. – gritou a filha em resposta.

Com medo da mãe lhe pegar no flagra, Anna colocou a carta que havia aberto de volta no pequeno baú e jogou-o em cima da estante e colocou a pequena chave no bolso da calça. Saiu correndo dali e fechou a pequena entrada do sótão sem antes ouvir um pequeno barulho, um baque surdo.

“Deve ter sido um trovão...”, pensou ela. Assim, desceu correndo as escadas, dois degraus por vez, para não ter que ouvir a mãe gritar novamente.

Na cozinha, a garota lavou as mãos e pegou seu prato no escorredor. O relógio na parede marcava 12h15. Como o tempo passara tão rápido naquele sótão? Parecia que ela tinha ficado apenas alguns minutos... “Ou será que fiquei tempo demais mexendo naquelas cartas?”

As cartas! Outra coisa que intrigava ainda mais sua mente. De quem era? Para quem foram escritas? Será que são do seu tio? Quem seria “GF”? E aquelas palavras – se é que eram palavras – estranhas no verso do envelope? Seria alguma outra língua? “Talvez seja latim... Nota mental: pesquisar possível tradução em latim no Google Tradutor”.

Ela se sentou à mesa e começou a comer. Adorava quando a mãe cozinhava nos finais de semana. Seu horário durante a semana era muito apertado, afinal dar aula em dois períodos para duas turmas diferentes não era nada fácil! Mas mesmo assim, Manuella não reclamava, inclusive, apenas elogiava a profissão e criticava alguns pontos que precisam ser melhorados. Quando ela e Carlos engatavam em alguma conversa, podem ficar por horas e horas confabulando seja qual for o assunto.

Enquanto comia, Anna viu a mãe acabar de almoçar e ir ao andar de cima. Em poucos minutos ela já estava de volta.

— Parabéns! Você conseguiu arrumar tudinho com perfeição. Acho que puxou pra mim a mania por limpeza. – comentou entre risos.

Em resposta, a menina agradeceu e sorriu.

— A única coisa que deve ter passado despercebido foi uma caixa no chão. Várias cartas estavam espalhadas pelo chão.

Anna ficou estática defronte a pia onde colocava seu prato. Ligou a torneira e perguntou sem ousar virar para encarar a mãe:

— Caixa? Que... Que caixa? – Ela se controlava para não transparecer medo.

— Uma pequena caixa, um baú na verdade, azul. -“O barulho quando sai! Não foi trovão, a caixa deve ter caído de cima da estante. Oras bolas...”— Mas fique tranquila, eu recolhi tudo e guardei. – “Ai, merda. E agora?”.

Antes que se virasse, a campainha tocou. “Salva pelo gongo!” e suspirou aliviada. Com apenas seus dezessete anos de idade, Anna temia que a mãe desconfiasse de algo e falasse para seu tio da tal caixa. Agora ela queria desvendar todos os segredos escondidos ali dentro.

Manuella atendeu a porta e Leticia, irmã de Carlos, entrou na sala de estar e se sentou no sofá.

— Madrinha! – cumprimentou a garota à mais velha.

— Aninha! – respondeu com um sorriso e um abraço. Os cabelos da tia estavam úmidos por conta da chuva. – Como você esta, querida?

— Bem, obrigada.

Leticia abraçou Manuella e as duas começaram a conversar. Sorrateiramente, Flávia subiu as escadas e foi em direção ao sótão. Estava trancado...

“Pindarolas, mais essa agora!” e bufou estressada em direção ao seu quarto.

Ela se jogou na cama e esfregou as mãos no rosto. O mês de julho estava sendo totalmente tedioso para a garota: ela nunca gostou muito das férias escolares justamente por não ter nada para fazer. “E agora que um pouco de aventura bate na minha porta, ela vai embora antes mesmo que a convide para entrar! Ahhhhh”.

Estava inconformada com o fato de a mãe ter trancado o sótão, e o pior de tudo é que ela não tinha ideia de onde a mãe poderia e teria guardado essa bendita chave!

Mesmo estando em ano dos temidos vestibulares, Anna não estava preocupada em estudar nas férias. Sabia todo o conteúdo suficiente que precisava e decidira não se estressar nas férias com qualquer assunto relacionado a estudos e vestibulares. Ela queria – e merecia – um descanso dos livros didáticos.

Ela pegou o notebook e começou a vasculhar as redes socias do tio. Havia de ter alguma dica ou pista de quem seria o misterioso (ou misteriosa) GF!

“Mas... E se aquela caixa não for do tio Carlos? Pode ser de qualquer um da família!”. E ela tinha razão.

Embora morasse sozinho, é de se contar nos dedos os dias em que ninguém aparece no sobrado do familiar. Agora com ela e sua mãe morando ali, a movimentação era ainda mais intensa.

Ela ainda considerou o fato de que a caixa poderia ser da mãe, visto que ela estava arrumando justamente algumas caixas que ambas trouxeram da antiga caixa e de quebra, organizando o sótão que há muito tempo não via um ar de limpeza.

“Mas se for da mamãe, porque estaria em cima da estante?”

Eram tantas perguntas! Poderia ser do seu pai... É... Algum objeto que veio erroneamente na mudança. Da sua mãe não poderia ser justamente por conta do que ela falara na cozinha minutos antes.

“Um a menos na lista de suspeitos”

A garota já se considerava uma verdadeira CSI. Estava tentando resolver um caso em que haviam poucas pistas e todas deveriam ser analisadas para se chegar a uma conclusão – se é que havia alguma.

Mas porque aquela caixa incomodava-a tanto? Deveria ser apenas uma coisa corriqueira do dia-a-dia... Mas seus instintos e sentidos diziam o contrário. Algum segredo estava escondido ali e queria ser revelado para o mundo

Ela respirou fundo. De nada adiantava ficar apenas confabulando ideias sem fundamentos. Eram apenas ruas sem saída ou becos escuros sem qualquer indício de pessoas.

“Aceite, Anna. Não tem como você saber de nada.”

Ela abaixou a tampa do notebook e levantou-se da cama. De repente ela passou a mão pelo bolso da calça e sentiu um pequeno volume sobressaindo no jeans escuro.

“A chave do baú!”

Um sorriso surgiu assim que ela retirou a mão de dentro do bolso e o pequeno objeto prateado brilhava em sua palma.

“Nem tudo esta perdido, afinal. Agora só falta achar a chave do sótão.”

Ela colocou novamente a chave dentro do bolso e desceu as escadas rumo a sala. Sua mãe ainda conversava com sua madrinha.

— ...aposto que ele ainda tem o diário guardado em algum lugar, Mannu. Conheço meu irmão.

Anna franziu a testa em relação a fala da madrinha. Do que estavam conversando afinal? Diário?

— Deseja alguma coisa, filha?

A menina piscou algumas vezes e voltou a realidade.

— Han... Sim. É... Que... É que eu acho que acabei esquecendo meu celular no sótão – Uma grande mentira — e eu fui lá e estava trancado. Será que poderia me dar a chave para eu ir lá?

— Claro, esta na...

— Não, não – disse a madrinha, interrompendo a amiga. – Deixe o celular quieto por um instante, querida. Sente-se, quero conversar com você.

Anna suspirou lentamente e se sentou. Ela amava a madrinha, mas nunca desejou tanto que ela não estivesse ali quanto agora. “Merda, eu estava quase conseguindo, tia!”

— O que quer conversar, madrinha?

— Ah, nada de importante. Apenas saber mais da vida da minha afilhada mais querida. Como anda a escola? Já tem um namorado?

— O que? Como? Ela vive com a cara enfiada nos livros! – Disse a mãe sem nem mesmo a menina ter pensando em uma resposta.

O simples e curto comentário foi o suficiente para fazer as duas senhoras gargalharem alegremente e deixar Anna olhando-as e esperando ansiosa por algum sinal de que poderia deixar o recinto para procurar a santa chave.

— Pelo visto, puxou a mãe. – Isso fez a mãe dar um sorriso em agradecimento. – Mas já pensou em qual faculdade quer cursar, querida?

— Química forense. – Disse, determinada.

— Forense? Quer ser uma CSI?

Ela assentiu, fazendo a tia arregalar levemente o par de olhos, surpresa.

— Mas você sabe que vai ter que mexer com corpos, sangue, cenas de crime que são potencialmente traumatizantes e que são difíceis de serem esquecidas.

— Sim.

— E mesmo assim quer escolher esta profissão?

A conversa ficou um pouco mais séria. A atmosfera carregou-se um pouco e ela não entendia o motivo.

— Sim, gosto de investigar mistérios e situações que não conseguem ser explicadas inicialmente. Mas, caso química forense não der certo, quero seguir na carreira da investigação.

— Veja, Mannu. Teremos uma detetive na família.

A mãe sorriu e a garota tinha certeza que poderia ver que ela estava orgulhosa dela.

“Mistérios... É isso, a caixa com as cartas são um mistério. E eu vou desvendá-lo! Será meu primeiro caso e potencial distração nestas férias”.

— Tenho certeza que vai conseguir e seguirá uma carreira da qual tenha orgulho de participar, filha.

A mãe e a madrinha pareciam ter gostado da conversa sobre o futuro da garota pois ficaram jogando mais e mais perguntas no colo da garota que respondia todas de forma automática e quase sem pensar.

Anna estava orgulhosa da decisão que acabara de tomar em sua mente. Estava decidida: ia a fundo atrás de todas as questões que rondam a caixa de flocos de neve.

“Pode não ser hoje nem agora, mas me aguarde GF, descobrirei quem você é”.

Notas finais
Ei, leitor. Você mesmo que ta lendo! Coment'ai e deixa sua opinião. É importante pra mim e me ajuda a melhorar o enredo. ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.