Com amor, Juliet

4 Verdade ou Desafio — PART. 3


Foi nesse momento que o coração de Juliet descompassou.

Lysandre estava se levantando, sem olhar para ela e seguindo para uma saleta logo ao lado da sala principal. Juliet fez o mesmo, em silêncio. Sentiu Maru lhe cutucando a perna, animada, quando a garota passou pelo seu lado. Mas ao contrário da ruiva, Juliet não estava animada, estava apreensiva, pois Lysandre claramente não queria conversa.

Ao chegar na porta, Lysandre a abriu e esperou que Juliet entrasse primeiro.

Ela o seguiu até o cômodo. Era uma salinha de estudo, tinham duas mesas, uma ao lado da outra, com luminárias, livros e cadernos dispostos sobre elas. Na parede contrária havia uma lousa branca de tamanho médio, onde ainda estava rabiscada algumas contas de matemática que Juliet, Maru e Hana haviam feito da última vez que usaram aquela sala. Logo abaixo da lousa, alguns puffs pretos estavam organizados um ao lado do outro.

Caminhando lentamente, Lysandre encostou-se em uma das mesas e cruzou os braços, de repente muito interessado na lousa a sua frente.

— Lys, eu fiz algo que te chateou? — Perguntou ela quebrando o silêncio e aproximando-se lentamente dele.

— Não, Juliet. Já lhe disse que estou bem — Ele respondeu, sem tirar os olhos do objeto.

— Ei, olha pra mim — Chamou sua atenção, e quando finalmente a conseguiu, continuou — Não parece que tá bem. Estávamos conversando mais cedo tranquilamente, e de repente você ficou estranho comigo.

— Só estou cansado.

— Se estivesse cansado já teria ido embora — Pontuou. — Me sinto um pouco idiota tentando achar o problema e você não ajudando.

— Talvez o verdadeiro problema esteja a poucos metros dessa sala — Dessa vez ele falou encarando-a diretamente nos olhos, desencostando-se da mesa.

— E talvez você seja muito distraído pra perceber o que tá diante dos seus olhos — Ela o desafiou, mantendo-se firme.

Lysandre deu um sorriso melancólico.

— Ah, mas eu percebi muito bem o que estava diante dos meus olhos — Ele se aproximou um passo dela. — Talvez eu tenha recebido todas as respostas que precisava essa noite.

— Eu diria que você tem uma péssima interpretação das coisas.

— O que pode ser mais claro do que os olhos podem ver? — Ele continuou caminhando para perto dela.

— Talvez… — Juliet engoliu em seco, ele estava próximo demais. Então deu dois passos para trás e suas costas foram de encontro com a porta. — Se você se desse ao trabalho de perguntar, você receberia a resposta certa.

Não sabia explicar o que estava acontecendo, seu coração estava acelerado e ela não conseguia desviar os seus olhos dos dele, à mesma medida em que ele se aproximava cada vez mais. Seu semblante estava claramente chateado, mas a sua voz saía calma e controlada, e ela por um momento se perguntou de onde ele tirava tanto autocontrole numa situação daquelas.

Mas por qual motivo ele estaria falando aquelas coisas? Que respostas teria encontrado? Seria realmente por causa do beijo? Seja o que for, eram respostas erradas, porque apenas Juliet poderia dar a resposta certa. A resposta certa era que ela queria apenas uma pessoa, e essa pessoa estava exatamente na frente dela naquele momento.

— E se eu tiver medo de receber a resposta certa? — A pergunta de Lysandre saiu em um sussurro, sua expressão mudando de irritação para tristeza.

Lysandre havia chegado tão perto de Juliet que ela precisou levantar a cabeça para poder encará-lo.

Ela queria dizer que às vezes era preciso correr riscos, mas estava embriagada demais com o cheiro dele para formular aquela frase. Sua mente começou a lhe questionar se não deveria falar de uma vez o que sentia e se livrar daquele sofrimento, afinal, o que tinha a perder? Se falasse tudo naquele momento, poderia finalmente tirar aquele peso das suas costas, receberia uma resposta e seguiria com a sua vida.

— Eu preciso te dizer uma coisa — Ela conseguiu dizer, finalmente.

Lysandre recuou um passo para trás, fazendo-a sentir falta daquela proximidade no mesmo instante.

— Se for pra confirmar algo sobre hoje, por favor não diga — Seus olhos estavam carregados de uma dor do qual ela desconhecia. — Prefiro viver na incerteza do que lidar com a verdade que me destruiria.

— Me escuta — Ela pediu — Venho lutando contra esses sentimentos já faz algum tempo, com medo de serem platônicos. Mas eu não consigo mais carregar todo esse peso e essa dúvida dentro de mim, tem me tirado noites de sono. — Juliet estava com os olhos marejados. Seu coração doía com as palavras que iria dizer em seguida, mas precisavam ser ditas. — Eu entendo que você ainda pode ter sentimentos pela Rosa, mas ainda assim eu não consigo parar de gostar de você.

Lysandre arregalou os olhos.

— Você… Gosta de mim? — Sua expressão era um misto de surpresa e curiosidade.

Juliet assentiu, incapaz de dizer mais alguma coisa naquele momento.

— E você acha que eu ainda gosto da Rosa? — Ele perguntou, apontando em direção à sala principal.

E mais uma vez, Juliet assentiu.

— Juliet, eu não gosto da Rosa. Como amiga, claro. Mas não mais do que isso.

— Mas você disse que gostava de alguém que estava na sala — Relembrou, deixando uma lágrima intrusa escorrer pelo canto do olho.

— Eu estava falando de você. É de você que eu gosto.

Aquela frase foi o suficiente para fazê-la deixar o restante das lágrimas escorrer. Uma simples frase que tivera o poder de tirar uma tonelada de dúvida e ansiedade das suas costas num passe de mágica.

Lysandre

Estava perplexo.

Havia realmente ficado irritado com o que tinha acontecido no jogo de Verdade ou Desafio. Vinha percebendo que gostava de Juliet mais do que deveria, mas pensou que era apenas passageiro, afinal, não havia tanto tempo que superara uma antiga paixão. Não seria aquilo apenas carência? Por outro lado, ver Juliet ser beijada por outro fez o seu sangue ferver, e naquele momento soube que não conseguiria vê-la com mais ninguém que não fosse ele.

Não era para aquele cara estar tocando-a daquele jeito. Não era para os lábios dele sentir os dela. Lysandre queria estar no lugar de Kentin naquele momento, sentia raiva e inveja, mas tudo o que conseguiu fazer foi sair da sala para não ver mais aquela cena.

Quando Castiel lhe deu a oportunidade de finalmente ficar a sós com Juliet, ele decidiu não desperdiçá-la. Queria fazer algo, embora não soubesse exatamente como e o que fazer. Até que Juliet começou a enfrentá-lo, questionando sobre o motivo dele de repente ter ficado estranho, mas Lysandre simplesmente não poderia dizer “Estou com raiva porque te vi beijando outro homem que não sou eu”. Então apenas continuou a conversa com indiretas, desejando que ela soubesse do que ele estava falando.

Mas quando Juliet falara sobre a verdade, seu coração o lembrou do quanto foi doloroso no passado saber que a pessoa de quem ele gostava estava gostando de outro. E uma pequena luz vermelha se acendeu em sua mente. Sabia que dessa vez seria muito mais destrutivo que no passado, pois o que sentia por Juliet parecia muito mais intenso do que o que sentiu um dia por Rosalya.

E então Juliet falou.

Disse que gostava dele e parecia ter receio de dizer por medo dele ainda gostar de Rosalya. Ele nem ao menos sabia que ela tivera acesso a essa informação. Mas aquilo não era importante naquele momento, o passado havia ficado no passado. Ele agora tentava processar o fato de ter sido correspondido.

Apressou-se em esclarecer as coisas, não queria que nenhum mal entendido acabasse estragando aquele momento. E quando finalmente conseguiu dizer que era dela quem ele gostava, lágrimas desceram pelo rosto da garota.

— Por quê você tá chorando? — Lysandre perguntou, aproximando-se dela e segurando seu rosto entre as mãos. Havia sonhado todas as noites com o momento em que poderia segurar o rosto dela daquela forma, e sua pele era tão macia quanto imaginou que fosse.

— Porque eu tinha medo de ser rejeitada por você — E após aquela confissão, ela se permitiu chorar, mas um choro de alívio, do tipo que sentimos a tensão se esvair do nosso corpo.

Ele tentou conter um sorriso, mas não obteve sucesso. Juliet estava adorável com o nariz e as bochechas vermelhas, e os olhos dilatados enquanto lhe encarava. E além disso, ele estava feliz. Então Lysandre fez algo que queria fazer há muito tempo.

Suas mãos trouxeram o rosto dela para perto do seu lentamente, dando-lhe tempo de desistir caso desejasse. Mas ela não o fez, por isso ele continuou até que seus lábios estivessem colados no dela. Primeiramente sentiu o gosto salgado das lágrimas, em seguida percebeu que os lábios dela tinham uma textura lisa e macia, e o gosto de lágrimas se misturou ao gosto de gloss de morango. Uma combinação que ele sabia que jamais esqueceria.

Lysandre estava extasiado, nunca, em nenhum dos seus devaneios mais profundos e poéticos, teria imaginado que aquele beijo seria daquele jeito. Beijar Juliet era como mergulhar em um sonho. A suavidade dos lábios dela, a ternura do toque e a intensidade do sentimento compartilhado o deixavam em um estado de êxtase que palavras não conseguiam descrever. Cada segundo parecia uma eternidade, e ao mesmo tempo, um instante fugaz que ele queria prolongar para sempre.

Os dedos dele deslizaram pelo rosto dela, memorizando cada contorno, cada sensação. O calor do corpo dela, a fragilidade e a força que ele sentia ao mesmo tempo, tudo isso o envolvia em uma sinfonia de emoções. Lysandre sabia que aquele momento seria um ponto de virada, que as coisas não seriam as mesmas a partir dali, mas ele estava disposto a viver cada uma daquelas mudanças, cada um daqueles próximos dias, se Juliet estivesse com ele.

Quando finalmente se separaram, ele manteve os olhos fechados por mais alguns segundos, como se quisesse saborear o momento um pouco mais. Ao abrir os olhos, encontrou o olhar dela, cheio de uma mistura de surpresa, felicidade e uma vulnerabilidade tocante. Eles não precisavam de palavras naquele momento; o beijo havia dito tudo.

Lysandre sentiu uma onda de felicidade pura e genuína, um sentimento de completude que nunca havia experimentado antes. Ter seus sentimentos finalmente correspondidos era como encontrar uma parte perdida de si mesmo. Ele sorriu, um sorriso que era ao mesmo tempo sereno e cheio de uma alegria indescritível.

— Juliet... — ele sussurrou, sentindo que o nome dela em seus lábios era uma poesia em si. — Juliet — repetiu ele, como se estivesse recitando o poema mais belo que havia encontrado. A cada vez que pronunciava o nome dela, uma nova energia e inspiração inflavam seu peito. — Ah, Juliet.

— Eu estou aqui, Lys — respondeu ela, com a voz sorridente. Estava de olhos fechados, com a testa encostada na dele, mordendo os lábios, parecendo querer conter o sorriso desenfreado que teimava em aparecer.

Se aquilo era um sonho, ele amaldiçoaria qualquer pessoa que ousasse acordá-lo.

— Você é real — disse ele, com um toque de maravilha na voz. — Este momento, nós dois...

Juliet se inclinou e o beijou mais uma vez, suavemente. Parecia que ela também tinha medo de que aquele momento não fosse a realidade.

— Você... gosta mesmo de mim? — Perguntou ela, afastando-se por um instante.

— Se o que eu estou sentindo nesse momento não for gostar de você, tenho medo do que realmente seria gostar de alguém — Lysandre acariciou o rosto dela, admirando cada detalhe.

Juliet riu suavemente, envergonhada, mas seus olhos de repente rolaram para algo além dos ombros de Lysandre.

— Acho que já estamos aqui há mais de 10 minutos... o pessoal na sala deve estar se perguntando o que estamos fazendo.

— É verdade. Devemos voltar antes que eles comecem a suspeitar que algo aconteceu — Concluiu, pensativo.

— Na verdade... — Começou Juliet, desviando um pouco os olhos dos dele — As meninas talvez saibam o que pode ter acontecido aqui...

— Hana e Maru? — Indagou ele com uma sobrancelha arqueada.

— Elas meio que... sabiam que eu gostava de você — Juliet deu um sorriso tímido.

— Então elas armaram tudo isso? — Lysandre riu, um som leve e musical que fez o coração de Juliet bater mais forte.

— Mais ou menos. Quem nos mandou pra cá foi Castiel — ela admitiu, rindo também.

— Você tem razão, acho que ele já sabia de alguma coisa — Lysandre disse enquanto tentava lembrar se havia deixado escapar seus sentimentos por Juliet na frente do amigo. Mas talvez Castiel o conhecesse bem o suficiente pra deduzir o que estava acontecendo, ele era um garoto esperto.

— Acho que eles tinham as melhores das intenções — Concluiu ela.

— Bem, se não fosse por eles, talvez nunca tivéssemos tido essa chance — disse Lysandre, puxando-a para mais perto com delicadeza. — Então, acho que devemos a eles um agradecimento. Mas ainda to chateado pela escolha de Maru.

— Eu pedi com todas as minhas forças que fosse você... — Sussurrou ela, embriagada mais uma vez pelo cheiro único de sabonete de ervas que ele emanava.

Lysandre encostou seus lábios nos dela e sussurrou entre eles:

— Precisamos voltar antes que eles venham nos procurar.

— Certo — Disse Juliet pigarreando e arrumando sua roupa quando ele se afastou. Lysandre precisava admitir que era satisfatório ver o efeito que ele causava nela. — Vamos, então.

Juliet

Assim que conseguiram se recompor, o casal abriu a porta e caminhou em direção a sala. Não sabiam exatamente como agir naquele momento, Juliet não sabia se segurava a mão de Lysandre ou se olhava para o rosto dele a cada dois segundos. Seu coração ainda estava acelerado demais para que suas bochechas deixassem o rubor ir embora, seu nariz ainda estava avermelhado por ter chorado e sua respiração ainda muito rápida para conseguir pronunciar qualquer palavra sem gaguejar a medida que se aproximavam do seu grupo de amigos.

Mas ela sabia que era inevitável o que estava por vir.

A roda do jogo havia se desfeito, e tinham adolescentes espalhados por todos os cantos da sala, mas todos os olhares agora estavam voltados para Juliet e Lysandre.

Ambos entraram na sala, suas mãos quase tocando, mas ainda separadas, como se temessem quebrar a magia que haviam compartilhado nos últimos minutos. A atmosfera ao redor era palpável, carregada com o olhar curioso e o sorriso cúmplice dos amigos que os aguardavam. Hana e Maru, em particular, tinham expressões de pura satisfação, como se tivessem acabado de testemunhar um plano perfeito se desenrolando. Mas Maru, com seu sorriso travesso, foi a primeira a falar.

— Olha quem finalmente decidiu aparecer! — exclamou Maru, com um sorriso travesso.

— Estávamos começando a pensar que vocês tinham se perdido — brincou Castiel, piscando para Juliet.

— Bem, aqui estamos — disse Juliet, tentando manter uma expressão neutra, embora sentisse um calor subindo pelo rosto.

— E bem diferentes de quando saíram — continuou Castiel, com um sorriso malicioso.

— Bem observado, Cas — concordou Maru, se aproximando de Castiel com um ar de investigadora curiosa. — Você não acha que eles parecem um pouco mais...

— Calmos? Felizes? — completou Castiel, rindo.

Os olhos de Juliet encontraram os de Lysandre, e ambos compartilharam um breve momento de conforto. Sabiam que teriam que explicar algo, mas ainda não era o momento certo para revelar tudo. Lysandre foi quem decidiu quebrar o silêncio, parecendo escolher suas palavras com cuidado.

— Calmos não exatamente graças a vocês — começou ele, olhando para Maru e Castiel com um sorriso de canto — Mas felizes, sim. Acho que podemos agradecer a vocês por nos dar a chance de nos entendermos melhor.

Juliet concordou silenciosamente com Lysandre, sentindo um misto de gratidão e nervosismo por estar ali, no centro das atenções, com todos os olhos sobre eles. Rosalya, que estava observando atentamente, deu um passo à frente, surpreendendo a todos.

— Então, posso supor que algo interessante aconteceu enquanto estávamos fora? — perguntou ela, curiosa.

Juliet sentiu o coração bater mais rápido. Sabia que Hana e Maru eram suas melhores amigas, e elas certamente perceberam a mudança no ar quando ela e Lysandre retornaram à sala. Internamente estava morrendo de vontade de puxar as duas pro andar de cima e contar tudo que estava quase explodindo pela sua boca naquele momento.

— Eu acho que vocês deveriam parar de pressionar os dois e deixar as coisas acontecerem da forma que deveriam acontecer — Dessa vez quem se pronunciou foi Kentin, e Juliet lhe lançou um olhar carinhoso de agradecimento.

— Concordo com Kentin, — Começou Nathaniel, cruzando os braços. — Se a conversa deles fosse pra ser pública, eles teriam conversado aqui entre nós.

— Ai, nossa. Tá bom, tá bom — Castiel bufou. — Como vocês são chatos!

Rosalya saiu de onde ela estava e passou bem próximo de Juliet e Lysandre, fazendo um sinal com os dedos em V dos seus olhos para os olhos de Lysandre.

— Isso não acabou, ein? — Disse ela, e então seguiu pra cozinha, pegando mais alguns salgados da mesa.

— Gente, odeio interromper a conversa, mas eu infelizmente preciso ir pra casa — Disse Nathaniel, olhando apreensivo para o relógio.

— Sim! Prometi ao Nath que não ficaríamos até muito tarde — Disse Juliet, aproximando-se de Maru, como um pedido de desculpas.

— Ah, poxa... — A prima parecia realmente triste com a deixa do loiro. — Mas tudo bem, eu também to bem cansada. Podemos nos ver amanhã, quem sabe. Só volto pro campo na segunda-feira!

E então, a noite deslizava para o seu término com a mesma suavidade com que o crepúsculo cede lugar à escuridão noturna. Nathaniel foi o primeiro a se despedir, agradecendo a todos pela noite agradável enquanto ajustava a gola da sua camisa. Seus cabelos loiros brilhavam à luz fraca da sala, e seu sorriso tranquilo refletia a serenidade que carregava consigo. Juliet viu quando Maru o acompanhou até a porta, despedindo-se com um abraço caloroso.

Rosalya, sempre radiante e cheia de energia, seguiu-se a Nathaniel, despedindo-se com beijos no rosto e promessas de conversarem mais no dia seguinte. Ela partiu com um aceno animado, deixando um rastro de perfume adocicado no ar.

Castiel, o rebelde de coração gentil, foi o próximo a se preparar para ir embora. Ele despediu-se com seu típico sorriso de canto de boca, piscando para Juliet de forma travessa como se compartilhassem um segredo só deles, fazendo com que ela desconfiasse de que na verdade ele já sabia de tudo. E de fato, deveria saber. Antes de partir, ele brincou que esperava ouvir mais sobre a "nova fase" de Juliet e Lysandre, apenas confirmando as suspeitas dela.

Kentin despediu-se com um abraço caloroso em todas as meninas, mas Juliet percebeu que ele ficou um pouco receoso em abraçá-la, e ela sabia bem o motivo. Mas Kentin era seu grande amigo também, e ela não o deixaria de lado por nada. Ele foi o penúltimo a ir embora, desejando a todos uma boa noite, mas Juliet percebeu que ele e Maru se recolheram em um canto e cochichavam algo, Kentin tinha um sorriso convencido no rosto enquanto recebia algo que Maru tinha tirado da própria roupa. Aquilo era dinheiro? Juliet ficou confusa, realmente não sabia o que tinha acontecido enquanto estivera fora por alguns minutos, mas decidiu que perguntaria depois.

Juliet sentiu o coração bater mais rápido quando Lysandre se aproximou para se despedir. Seus olhares se encontraram, e um sorriso discreto foi trocado antes que Lysandre começasse a se desculpar por ter que ir embora. Foi então que Juliet tomou uma decisão impulsiva, guiada pela emoção e pela certeza de que não queria que a noite terminasse sem mais um momento especial.

Ela se aproximou de Lysandre, como se fosse um movimento natural e inevitável. Antes que ele pudesse reagir, seus lábios encontraram os dele num beijo suave e rápido. Foi um momento fugaz, mas profundamente significativo, estavam escondidos pela barreira da porta, as meninas não conseguiriam ver aquele beijo roubado.

Quando Lysandre se afastou levemente, eles compartilharam um olhar apaixonado, ambos sabendo que havia muito mais para conversar e explorar nos próximos dias. Com um sorriso terno, Lysandre disse apenas:

— Eu não esperava isso, mas estou feliz que tenha acontecido.

Então, restaram apenas Juliet, Maru e Hana na sala. O silêncio que se seguiu foi preenchido com um misto de sentimentos: gratidão pela noite memorável, excitação pelo que estava por vir e a sensação reconfortante da amizade verdadeira. Maru e Hana compartilhavam sorrisos ansiosos, sabendo que algo especial havia acontecido entre Juliet e Lysandre, mesmo antes de ser confirmado.

Então Juliet finalmente começou a contar a história desde o momento em que ela e Lysandre saíram para conversar, até o beijo escondido que acabaram de compartilhar. Maru e Hana ouviam atentamente, reagindo com risos, suspiros e exclamações ocasionais. Cada detalhe era saboreado como se fosse o capítulo final de um romance emocionante que elas haviam testemunhado e agora eram parte.

A noite continuou com muitos risos e histórias compartilhadas, à medida que o tempo passava despercebido pelas três amigas. O restante da festa estava sendo desfeito ao redor delas: restos de comida de festa espalhados pela mesa de centro, música suave ao fundo, e a cumplicidade que só vem de uma amizade verdadeira.

Finalmente, a exaustão da noite as alcançou, e uma a uma, as meninas começaram a se aconchegar no sofá, envoltas em cobertores macios. As três amigas trocaram olhares carinhos antes de darem boa noite umas as outras e apagar a luz da sala, mergulhando todos em uma suave penumbra.

O último pensamento de Juliet antes de fechar os olhos foi de uma imensa gratidão por aquele dia. Ela estava grata por tudo o que havia experimentado naquela noite: o amor encontrado, a amizade fortalecida e os momentos compartilhados que se tornariam memórias preciosas. Com um sorriso no rosto, ela se entregou ao sono, sabendo que o amanhã traria novas experiências, mas naquela noite, ela estava exatamente onde queria estar: com suas amigas, em um lar onde o amor e a felicidade fluíam como um rio calmo sob um céu estrelado.

Notas finais
Fim da sequência "Verdade ou Desafio" ♡
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.