Com amor, Juliet
1 ── Introdução
Notas iniciais
Querido leitor,
Você já parou para pensar como as experiências do passado moldam quem somos no presente? Cada momento vivido, seja de alegria, tristeza ou desafio, tece fios de experiência que nos tornam quem somos hoje. É nesse tecido intricado que encontro minha própria história, marcada por mudanças, descobertas e os laços que me moldaram.
Me chamo Juliet Bastos Louvain, mas entre aqueles que mais amo, sou carinhosamente conhecida como "Jubinha", ou simplesmente Ju. Nasci no Brasil, no calor do Rio Grande do Norte, onde as praias se estendem sob o sol dourado, e as pessoas irradiam uma alegria contagiante. Cresci em Natal, uma cidade onde o mar azul-turquesa sempre esteve ao alcance, e mesmo que meus pais não tivessem muito dinheiro, eu me sentia rica por simplesmente ter como quintal uma linda praia.
Para mim, os dias fora de casa eram como um conto de fantasia ao entardecer: eu adorava passar tardes inteiras na areia quente, brincando entre as ondas e colecionando conchas coloridas. Era nos sorrisos dos meus amigos e na simplicidade das coisas que eu encontrava minha maior riqueza.
Mas é claro, todo mar calmo, em algum momento, sempre enfrenta uma tempestade. Conforme fui crescendo, percebi que o mundo tinha suas complexidades. Meu pai, Anthony Louvain, era um homem que deixara a França por amor à cultura brasileira e à minha mãe, Isabel Bastos. Eles lutaram muito no Brasil, enfrentando dificuldades financeiras e o peso das expectativas familiares.
Minha mãe, veio de uma família humilde, e sua força inspirava meu pai a seguir adiante quando as coisas pareciam impossíveis. Meu pai trabalhava incansavelmente para sustentar nossa família. As brigas em casa eram frequentes, e eu, mesmo criança, sentia a tensão no ar.
Mas, com o tempo, as coisas começaram a mudar. Meu pai engoliu seu orgulho e buscou ajuda de sua família na França. Foi uma virada de chave que nos trouxe de volta à segurança e estabilidade.
Quando nos mudamos para a França, foi uma reviravolta na nossa vida. E, sinceramente? Não foi fácil. Tive que aprender francês, me adaptar a uma nova cultura, fazer novos amigos... Não vou mentir, teve momentos bem difíceis. Eu deixei para trás meus amigos, minha escola, minha rotina. Tudo era novo e assustador. Mas, felizmente, eu tinha meu pai, minha mãe e minha prima Maru ao meu lado.
Ah, Maru! Ela é como uma irmã para mim. Nos conhecemos quando eu tinha oito anos e ela foi minha guia no começo dessa nova vida. Ela me ajudou a aprender francês, a me adaptar à escola e sempre esteve lá para mim.
Mais tarde, conhecemos Hana, e logo nos tornamos inseparáveis. Hana, Maru e eu éramos um trio imbatível. Fazíamos tudo juntas: estudávamos, saíamos, jogávamos RPG de mesa e saídas para andar de bicicleta pelo parque. Foi um alento e um consolo para mim.
Já o começo na Sweet Amoris foi complicado. Eu tinha um sotaque forte e, por isso, algumas pessoas não eram muito legais comigo. Tinha uma garota, a Ambre, que fez minha vida um inferno no primeiro ano. Ela era terrível, sempre me ridicularizando por causa do meu sotaque e da minha origem. Um dia, eu não aguentei mais e revidei. As coisas saíram do controle e eu, minha prima e Ambre acabamos sendo suspensas. Hoje a Ambre mudou, graças aos céus, e apesar de hoje ser engraçado lembrar da suspensão, o que eu sofri foi real e ninguém deveria passar por isso.
Dentre tantas mudanças, desafios e experiências, eu finalmente conheci Lysandre. Seus olhos heterocromáticos eram como o céu da Provence em uma tarde de verão, profundos e cheios de mistério. Lysandre irradiava uma serenidade que acalmava as tempestades dentro de mim. Sua voz era suave como uma brisa e suas palavras, embora poucas, eram como notas de uma canção que ecoavam em meu coração.
Ele me tratava com um carinho que eu nunca havia conhecido. Cada momento ao lado dele era como uma pausa no tempo, onde as preocupações e os problemas se dissipavam. Nosso tempo juntos era uma dança delicada entre risos e conversas profundas, entre passeios pela cidade e olhares que diziam mais do que mil palavras.
Até que eu me encontrei ansiando por mais da presença dele, por mais daquele sentimento que parecia crescer dentro de mim. Então, um dia, percebi que não queria apenas a sua amizade. Meu coração pulsava com um desejo novo e desconhecido, uma vontade de estar mais próxima, de explorar o que havia além da amizade.
Foi um momento de descoberta e de medo, de borboletas no estômago e de incertezas no horizonte. Mas, acima de tudo, foi um momento de coragem para admitir para mim mesma o que realmente sentia.
Vocês, em breve, conhecerão mais da minha história, das minhas alegrias e dos desafios que moldaram quem eu me tornei. Porque a vida é feita de encontros que transformam, de descobertas que nos fazem crescer. E entre todas as histórias que vivi, a minha com Lysandre é uma das mais preciosas, pois foi onde encontrei não apenas um amor, mas também um caminho para ser quem realmente sou.
Com amor,
Juliet.
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