Notas iniciais
[06/08/2015] Bem, como podem ver, essa história foi postada há 4 anos. O que mais me assusta é a quantidade de coisas que aconteceram nesse período. Quando eu escrevi isso aqui, eu era uma menina de 13 anos assustada com a vida, que se considerava "fraca demais" para fazer o que o protagonista dessa história fez. Quem diria que dois anos depois, eu teria a "coragem" de fazer isso. Auto-mutilação não é aquela coisa glamourosa que muitos de vocês acreditam que é. No começo você pode até achar legal, mas depois de um tempo a única coisa que você sente é vergonha. Vergonha de perder o controle sobre o seu corpo. Vergonha do que as pessoas devem pensar de você. Vergonha. (Me considero uma pessoa sortuda por não ter nenhuma cicatriz que vá me lembrar do que eu fiz pelo resto da minha vida). De fato, você precisa ser muito forte para se cortar, mas você precisa ser mais forte ainda para parar. Eu olho pra essa história, e penso que se eu soubesse o que aconteceria uns anos pra frente, eu não a escreveria. Ela me incomoda um pouco, mas não vou deletá-la. Ela é como um pedaço de mim. Eu sei como é difícil passar por isso, e não vou dizer que as coisas melhoram, porque é mentira. Acho que é mais certo dizer que você vai ficar mais forte para enfrentar tudo isso. Eu ainda sinto vontade de morrer, mas acho que consigo controlá-la bem. Sempre que algum pensamento do tipo "Eu deveria ter morrido da primeira vez que tentei", eu paro e penso em tudo o que eu perderia se isso tivesse acontecido. Penso nas pessoas que deixaria de conhecer, nos lugares que deixaria de visitar, e até menos nos animes/mangás/desenhos/série que deixaria de acompanhar. (Até ri um pouco escrevendo isso aqui, porque eu não estaria pensando em um certo personagem loiro toda vez que escrevi a palavra "forte"). Se você está passando por alguma coisa assim, pode falar comigo por MP. Eu posso não ser a melhor pessoa do mundo para essas coisas, mas eu vou tentar te ajudar. (Posso até te passar uns vídeos engraçados. Conheço vários.) Não sei se essa nota está maior que a história em si, provavelmente sim, então vou terminá-la por aqui. Só quero dizer que não encorajo a atitude que o personagem tomou nessa história, e que romantizar sofrimento não é legal. É isso.

Com a lamina em meu pulso eu me lembro de seu sorriso e, covarde, deixo-a cair no chão.

Com a lamina em meu pulso eu ouço sua voz pedindo para que eu não pressione-a mais sobre a pele, logo jogo-a para outro canto do quarto, deixando uma leve marca rosada em meu pulso.

Com a lamina em meu pulso me lembro de quando você enfaixou meus ferimentos causados pela mesma, depois me abraçou e me fez prometer que nunca mais faria isso, por sua culpa virei um covarde com medo da dor, o objeto cai no chão, produzindo um tilintar metálico que ecoa pelo cômodo escuro.

Com a lamina em meu pulso lembro-me da primeira vez que seus lábios tocaram os meus, sinto o mesmo arrepio que senti no momento, me pergunto por que ela está sobre o meu pulso e jogo-a contra a parede.

Com a lamina em meu pulso eu me lembro da primeira vez em que você veio chorando para os meus braços, implorando por consolo porque um de seus parentes havia morrido, não poderei te consolar se eles estiverem cortados, logo a devolvo para seu devido lugar, no fundo da minha gaveta.

Com a lamina em meu pulso me lembro da nossa primeira noite juntos, nossa primeira vez, lembro-me de cada detalhe sorrindo, então a jogo em um canto qualquer.

Com a lamina em meu pulso me lembro daquela odiosa cena onde você beijava outro homem, praticamente nua, as lagrimas escorrem da mesma forma que escorreram naquele momento, vou pressionando-a cada vez mais contra a pele, logo o brilho metálico ganha a cor vermelha viva, sou um covarde, tenho medo da dor, mas nada supera a dor que senti naquele momento. O corte é profundo, mas não o suficiente, aumento a pressão cada vez mais até que tudo começa a esfriar, minha vista se escurece, caio sobre a cama, vendo os lençóis brancos se tingirem de vermelho pouco a pouco, ela cai no chão causando um barulho um pouco alto, mas foi a ultima coisa que ouvi.

Notas finais
digam o que acharam
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!