Com Todo Amor - O começo
8 O jogo
Se existia um evento capaz de fazer o condado inteiro congelar e esquecer qualquer outra obrigação, era o clássico anual entre a Trinity Christian Academy e a tradicional escola preparatória de Dallas. Naquela noite de sexta-feira, as arquibancadas de metal do estádio estavam completamente lotadas, um verdadeiro mar de jaquetas azuis e brancas. Pais, ex-alunos, grandes fazendeiros e empresários dividiam o espaço com crianças que corriam ruidosas entre as barracas de pipoca e chocolate quente. As líderes de torcida agitavam os pompons com uma sincronia impecável, enquanto a banda marcial tocava o hino da escola pela terceira vez, elevando a adrenalina coletiva.
O vento cortante do inverno texano deixava minhas mãos dormentes, mesmo que eu as mantivesse firmemente escondidas dentro das mangas longas do meu casaco pesado.
Emma se inclinou na minha direção, o hálito formando uma pequena nuvem de vapor no ar frio.
— Você acha que eles aguentam a pressão e ganham, Cami?
Olhei para o gramado iluminado pelos refletores gigantescos. Aidam estava um pouco mais afastado, ajustando a fivela do capacete enquanto trocava instruções rápidas e sérias com um dos jogadores da linha de defesa. Os fios loiro escuros que escapavam do equipamento estavam grudados na testa. Mais à frente, Luke já ocupava sua posição na linha ofensiva, batendo as palmas das mãos nas coxas em um sinal claro de pura concentração.
Um sorriso involuntário brotou nos meus lábios.
— Acho que sim. Eles treinaram muito para isso.
Abigail, que estava logo atrás, acompanhou a linha do meu olhar com um sorriso malicioso.
— Você está olhando para qual dos dois para ter tanta certeza, Camille?
Empurrei o ombro dela com o cotovelo, sentindo minhas bochechas esquentarem.
— Para o time, Abigail. Para o time.
Ela soltou uma risada abafada.
— Sei. Conta outra.
O apito inicial ecoou, rasgando o ar frio da noite, e, por quase três horas consecutivas, o resto do universo pareceu deixar de existir fora daquelas quatro linhas de cal. Foi um jogo violento, disputado palmo a palmo. Os rivais de Dallas não facilitavam em nada a investida da Trinity. A cada ponto marcado, a nossa torcida explodia em um estrondo que sacudia a estrutura de metal da arquibancada; a cada jogada perdida, o estádio inteiro prendia a respiração em um silêncio agonizante.
Luke estava imparável, marcando um touchdown espetacular no terceiro quarto após correr metade do campo sob os gritos eufóricos do público. Já Aidam foi o herói da defesa, fazendo uma interceptação decisiva nos minutos finais, roubando a bola que selaria o empate do adversário. Na arquibancadaVIP, John Wright levantou-se de um salto, comemorando e sacudindo os braços como se tivesse vinte anos a menos. Meu pai, Otto, ria alto ao lado dele, batendo palmas com a força de suas mãos calejadas.
Quando o cronômetro zerou, o placar luminoso no topo do estádio oficializou a glória: Trinity Christian Academy — 28, Dallas Preparatory — 21.
O estádio simplesmente veio abaixo. Foi uma explosão de som. As líderes de torcida invadiram o campo em disparada, os estudantes pularam as grades de proteção e a banda começou a tocar um tema de vitória em ritmo acelerado.
Emma segurou meu braço com força, os olhos brilhando. — Vamos, Cami! No gramado!
Descemos as escadarias da arquibancada correndo, misturando-nos a dezenas de alunos ensandecidos. O gramado verde virou instantaneamente um mar caótico de gente. Jogadores se abraçavam chorando, professores comemoravam e pais orgulhosos fotografavam os filhos. No meio daquela massa barulhenta, meus olhos começaram a escanear o perímetro. Procurei Luke. Procurei Aidam.
Foi Aidam quem encontrei primeiro.
Ele acabava de retirar o capacete, segurando-o com o braço esquerdo. Os cabelos loiro escuros estavam completamente bagunçados e molhados de suor, e ele respirava de forma ofegante, o peito largo subindo e descendo sob a armadura do uniforme. Quando ele girou o corpo e nossos olhares finalmente se cruzaram no meio da multidão... ele sorriu. Não era um sorriso exagerado ou comemorativo para as câmeras. Era aquele sorriso de canto torto, íntimo e focado, que eu conhecia perfeitamente desde os meus seis anos de idade.
Senti meu peito aquecer de um jeito tão intenso que o frio do Texas evaporou. Sorri de volta, dando um passo na direção dele. Por um milésimo de segundo, o barulho da banda e o resto do campo pareceram desaparecer.
Então, uma silhueta robusta barrou o meu caminho, quebrando a bolha. — Camille!
Luke. Ele ainda estava ofegante, com o uniforme branco e azul manchado de terra vermelha e grama esmagada. Antes que eu pudesse parabenizá-lo ou dizer qualquer palavra, ele largou a bola que segurava e me envolveu em um abraço apertado, tirando meus pés do chão por um segundo.
— Você viu isso?! — ele ria alto, os olhos castanhos brilhando de pura adrenalina. — Nós conseguimos, Cami! Nós esmagamos Dallas!
Ri junto com ele, contagiada pela energia. — Eu vi, Luke! Foi simplesmente incrível! Você jogou muito bem.
Luke me colocou no chão, mas se afastou apenas o suficiente para segurar meus ombros, olhando bem no fundo dos meus olhos. Ao nosso redor, o caos da comemoração continuava em ponto de bala. Pelo canto do olho, vi que alguns casais de veteranos se beijavam no meio do campo, e as líderes de torcida abraçavam os atletas mais próximos. Era quase um clichê de colégio, uma tradição implícita: a vitória, a euforia e, finalmente, o beijo do quarterback.
Luke olhou rapidamente ao redor, avaliando o cenário, e depois voltou toda a sua atenção para mim. Ele não disse uma única palavra, mas eu entendi o significado daquele silêncio. Meu coração deu um solavanco violento contra as costelas, acelerando a um ponto que achei que ele fosse escutar.
Era isso. Ali estava o momento. O meu primeiro beijo.
Engoli em seco, sentindo a boca subitamente seca. Ele estava esperando, os lábios entreabertos. As pessoas ao redor, se estivessem prestando atenção, pareciam esperar também. E... de alguma forma que eu não sabia explicar, eu também queria aquilo. Queria descobrir o mundo real.
Respirei fundo o ar gelado, fechei os olhos azuis e inclinei a cabeça ligeiramente para o lado oposto, exatamente como as meninas tinham me ensinado no manual do banheiro. Senti a aproximação de Luke, o calor do corpo dele diminuindo a distância entre nós.
Mas, antes que nossos lábios se encontrassem, um som seco e violento rompeu o barulho da comemoração.
CRACK.
Foi um baque forte, de osso contra osso, seguido pelo som abafado de um corpo pesado desabando contra o gramado.
Abri os olhos em um sobressalto, o susto me paralisando. Luke estava caído de costas na grama, com uma das mãos pressionando o maxilar, os olhos arregalados de dor e choque. Por um segundo completo, ninguém ao redor se moveu. O campo inteiro pareceu ser tragado por um vácuo de silêncio impossível, como se alguém tivesse cortado o som do estádio.
Levantei o olhar lentamente, sentindo o ar fugir dos meus pulmões.
Aidam permanecia de pé exatamente três passos à nossa frente. O capacete estava jogado no chão, perto dos seus pés. O peito dele subia e descendo de forma violenta, descontrolada, e o punho direito ainda estava fechado com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. A expressão no rosto dele era uma mistura assustadora de fúria cega e um choque repentino, como se ele próprio não conseguisse acreditar na violência do que havia acabado de fazer.
— Aidam... — a minha voz saiu em um sussurro estrangulado, desprovido de força.
Rompi o transe e me joguei no chão, ajoelhando-me imediatamente ao lado de Luke.
— Meu Deus... Luke! Você está bem? O que aconteceu?
Luke fez uma careta de dor, soltando um gemido abafado enquanto afastava os dedos do canto da boca. Havia um filete de sangue vivo escorrendo ali, contrastando com a sujeira do uniforme. Ao redor, os outros jogadores do time finalmente acordaram do transe e começaram a avançar na direção de Aidam, com os empurrões começando a se formar.
— Ei! O que foi isso, cara? Ficou maluco? — os gritos de protesto começaram.
— Afastem-se! Ei! — a voz potente do treinador principal cortou a roda, invadindo o espaço e empurrando dois atletas da linha de frente para trás. — O que diabos está acontecendo aqui? Wright, você perdeu o juízo?!
John Wright cruzou a linha lateral do campo praticamente correndo, com o rosto vermelho de indignação. Meu pai vinha logo atrás dele, com as sobrancelhas unidas em uma linha dura de pura preocupação. Ninguém ali parecia entender a lógica daquela agressão. Nem mesmo eu.
Levantei-me devagar da grama, as palmas das minhas mãos sujas de terra. Olhei diretamente para Aidam.
Ele continuava estático no mesmo lugar, ignorando os empurrões dos companheiros de time. Seus olhos cor de mel esverdeados estavam cravados fixamente em mim, sem desviar por um único milésimo de segundo. Havia uma raiva crua e possessiva queimando ali, misturada a uma confusão desesperada e a alguma outra coisa... um sentimento denso e proibido que eu jamais, em todos os nossos anos de convivência, tinha visto no olhar dele.
Senti o choque inicial dar lugar a uma indignação furiosa que subiu pela minha garganta como fogo.
— Você ficou completamente louco, Aidam?! — a minha voz ecoou, muito mais alta e rasgante do que eu imaginei que seria capaz de berrar no meio daquele campo. Dei um passo na direção dele, os punhos cerrados ao lado do corpo. — Qual é o seu problema?! O que ele te fez?
Aidam abriu a boca por uma fração de segundo, os lábios trêmulos, mas nenhuma palavra saiu. Ele apenas continuou me encarando, como se estivesse prestes a quebrar por dentro.
— Você perdeu a cabeça de vez, Wright?! — o treinador voltou a berrar, segurando Aidam pelo protetor de ombros da armadura e o girando à força. — Agora! Para o meu escritório no vestiário! Já! E você está fora do próximo jogo!
Dois jogadores ajudaram Luke a se levantar pelos braços. Ele limpou o sangue com as costas da mão, encarando Aidam com uma mistura de raiva e pura incompreensão enquanto era guiado para fora do gramado. Outros atletas continuavam cercando o perímetro, tentando entender o que havia provocado aquela explosão autodestrutiva no herdeiro dos Wright.
Eu também não entendia. Tudo o que a minha mente conseguia processar era que, poucos segundos antes, eu estava na iminência de viver o momento mais doce da minha adolescência. E agora... o meu melhor amigo, o garoto que prometera me proteger na escuridão do cinema, tinha transformado a noite mais gloriosa da temporada no maior e mais humilhante silêncio que aquele estádio já havia testemunhado.
O silêncio que se instalou na caminhonete do meu pai no caminho de volta para a fazenda foi, sem dúvida, o pior de toda a minha vida. Não era o silêncio reconfortante que eu dividia com Aidam debaixo do carvalho, e nem o silêncio barulhento da minha ansiedade adolescente. Era um vácuo gelado, quebrado apenas pelo som dos pneus triturando o cascalho da estrada escura. Meu pai olhava fixamente para o para-brisa, as mãos apertando o volante com uma rigidez que mostrava o quanto ele estava processando o que tinha visto no campo. E eu, encolhida contra a porta do passageiro, só conseguia encarar o rastro de poeira que os faróis iluminavam, sentindo uma mistura corrosiva de mágoa e humilhação queimar no meu peito.
No sábado de manhã, a tempestade que ameaçava o Texas finalmente desabou, lavando os campos de soja e batendo com violência contra as janelas do meu quarto. Eu não queria sair da cama. Não queria olhar para o celular e ver as dezenas de mensagens que Emma e Abigail certamente já tinham enviado para o grupo.
Por volta das dez horas, o som de batidas firmes na porta da frente me fez enrijecer sob os cobertores. Ouvi a voz do meu pai ecoar pela casa, baixa e séria, conversando com alguém. Segundos depois, passos conhecidos e pesados subiram o corredor e pararam diante da minha porta.
— Camille? — a voz de Aidam soou do outro lado. Estava mais rouca que o normal, desprovida de qualquer traço daquela arrogância que ele costumava carregar como armadura. — Por favor, abre a porta. Eu preciso falar com você.
Prendi a respiração, cravando as unhas na palma das mãos.
— Vai embora, Aidam — respondi, minha voz saindo fria, direto contra a madeira.
— Camille, me escuta. Eu... eu agi sem pensar. Fui um idiota. Eu só quero pedir desculpas, por favor, me deixa te explicar — ele insistiu, e ouvi o som da sua testa se apoiando contra a porta, um gesto de puro desespero que eu quase podia ver.
— Explicar o quê? Que você agrediu o Luke na frente da escola inteira sem ele ter feito absolutamente nada? — me sentei na cama, sentindo as lágrimas de raiva arderem nos meus olhos azuis. — Você não tem o que explicar, Wright. Você estragou tudo. Eu não quero olhar na sua cara. Vai embora.
Houve uma pausa longa. Eu quase podia ouvir a engrenagem da cabeça dele travando do outro lado.
— Tudo bem — ele sussurrou, a voz falhando ligeiramente. — Eu vou. Mas não vou desistir de falar com você.
Ouvi seus passos se afastarem e, logo em seguida, o estalo da porta da frente se fechando. O alívio não veio; em seu lugar, ficou apenas um vazio incômodo.
Na tarde daquele mesmo domingo, o visor do meu celular acendeu com o nome de Luke. Diferente de Aidam, a voz de Luke quando atendi era calma, embora carregada de uma confusão genuína. Ele me chamou para conversar na lanchonete perto da escola, e meu pai, sem dizer uma única palavra, me deu as chaves do carro para que eu fosse.
Quando cheguei, encontrei Luke sentado na mesa do canto. O canto esquerdo do seu lábio superior estava ligeiramente inchado e exibia um corte roxo, um lembrete doloroso do soco de sexta-feira. Meu estômago se revirou de culpa.
— Ei — falei baixo, sentando-me na frente dele. — Como você está?
Luke forçou um sorriso, embora a careta de dor tenha denunciado o desconforto. — Já estive melhor, Cami. Mas o médico disse que o maxilar está inteiro. Só vou passar os próximos dias comendo purê e sopa.
— Luke, eu sinto tanto... — comecei, os olhos marejando, mas ele esticou a mão sobre a mesa e cobriu os meus dedos com os dele, me interrompendo.
— A culpa não é sua, Camille. Não ouse carregar isso — ele disse, com aquela maturidade que sempre me impressionava. Ele suspirou, olhando para o reflexo do copo de refrigerante antes de cravar os olhos castanhos nos meus. — Eu só... estou tentando entender. O Wright é o seu melhor amigo. Eu achei que a gente estava bem. O que aconteceu ali? Ele tem algum problema comigo que eu não saiba? Alguma coisa no treino?
— Eu não sei, Luke. Juro que não sei — respondi, e era a mais pura verdade. Minha mente era um ponto de interrogação gigante. — Ele simplesmente enlouqueceu.
— Ele parecia possesso, Cami. Como se eu estivesse roubando algo que pertencia a ele — Luke comentou, estreitando os olhos, testando as palavras no ar. — Tem certeza de que é só amizade?
Aquela pergunta ecoou nas minhas costelas como um tiro. — Claro que sim! Nós somos como irmãos, o Aidam e eu... eca, não tem nada a ver — rebati rápido demais, usando o mesmo argumento de quando tínhamos seis anos, mas, pela primeira vez na vida, a palavra "irmãos" soou terrivelmente falsa na minha boca.
Enquanto eu tentava reconstruir os pedaços da minha dignidade com Luke, a poucos quilômetros dali, na imensidão da mansão dos Wright, Aidam enfrentava o seu próprio inferno particular.
John Wright não tolerava desonra. No escritório de paredes de mogno, o patriarca andava de um lado para o outro, a voz grossa ecoando como trovão enquanto Aidam permanecia sentado na cadeira de couro, com o olhar fixo no chão e os punhos cerrados dentro dos bolsos da jaqueta.
— Um soco pelas costas, Aidam? No meio do campo, depois de uma vitória histórica? — John esbravejou, jogando o relatório da diretoria da escola sobre a mesa. — Você foi suspenso por dois jogos! O treinador queria te expulsar do time! O que passou pela sua cabeça, garoto? O nome da nossa família não é palhaçada para virar fofoca de vestiário!
Amalia observava tudo da porta, com os braços cruzados e uma expressão que misturava decepção e uma profunda preocupação de mãe.
— Eu aceito a punição, pai — Aidam soltou, a voz saindo num tom baixo, duro, sem levantar os olhos. — Vou limpar os equipamentos, vou cumprir a suspensão. Eu aceito tudo.
— Eu não quero só que você aceite a punição, eu quero um motivo! — John bateu a mão na mesa. — Por que você bateu no Bennett? Ele te insultou? Trapaceou no jogo? O que ele fez?
— Nada — Aidam respondeu, o maxilar travando com tanta força que os músculos da sua bochecha tremeram. — Ele não fez nada. Eu só... perdi a cabeça. Foi um impulso.
— Um impulso não faz um Wright arruinar a própria reputação, Aidam! — John gritou, frustrado com a barreira que o filho havia erguido. — Vá para o seu quarto. E pense muito bem no que você vai dizer para o diretor na segunda-feira.
Aidam levantou-se sem dizer uma única palavra, cruzando o corredor e trancando-se em seu próprio quarto. Ele jogou a mochila no chão e caminhou até a janela grande que dava vista para a propriedade, focando os olhos na casinha de madeira de Otto, a um quilômetro de distância. As luzes do quarto de Camille estavam apagadas.
Ele ergueu a mão direita, encarando os nós dos dedos ainda ligeiramente esfolados pelo impacto contra o rosto de Luke. Sua mente repetia a cena em looping: a luz dos refletores, o sorriso de Camille, o jeito como ela fechou os olhos azuis e inclinou a cabeça, entregando-se à proximidade de outro cara.
Um nó de puro sufocamento apertou a garganta de Aidam. Ele tentava dizer a si mesmo que tinha batido em Luke porque o achava um idiota arrogante da cidade, ou porque queria proteger a melhor amiga de andar rápido demais em um relacionamento de colégio. Tentava se convencer de que era apenas o instinto protetor de um irmão.
Mas a verdade era uma sombra densa e assustadora que ele se recusava terminantemente a encarar no espelho. Aidam Wright, o herdeiro intocável da fazenda, preferia enfrentar a fúria do pai, a suspensão da escola e o desprezo de todo o time de futebol a ter que admitir o verdadeiro motivo por trás daquele soco. Ele não conseguia colocar em palavras o fato de que ver os lábios de outro garoto prestes a tocar os de Camille tinha arrancado dele toda a racionalidade, revelando um sentimento possessivo, avassalador e perigoso que ele ainda não tinha coragem de confessar nem para si mesmo.
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