Com D de destino

2 Capítulo 2


Coloquei uma camiseta larga e uma calça jeans confortável junto com meu All Star. Agarrei o celular de cima da estante.

— Mãe. — Gritei da sala para a cozinha. — Já to indo, ta bom?

— Ta bom filha, toma cuidado.

Minha mãe gritou.

— Onde você vai, tia?

Minha sobrinha correu em minha direção me impedindo de sair da casa.

— Vou assistir um jogo de baseball da escola.

Me ajoelhei em sua frente.

— Do tio Shawn?

Concordei mexendo em seu cabelo encaracolado bem parecido com o meu, só que mais claro. Livia tinha cinco anos e morava conosco desde os dois. Seus pais morreram em um acidente de carro e apenas Livia sobreviveu pois estava na cadeirinha, foi um milagre na realidade. Meu irmão tinha 25 anos na época, foi o pior dia da minha vida receber a notícia. Meus pais têm sido mais do que avós para Livia.

— Posso ir junto?

Ela perguntou com brilho em seus olhos claros, como os de sua mãe.

— Dessa vez não, na próxima eu te levo ta bom?

Ela fez um biquinho, mas logo depois concordou dizendo que iria ficar em casa e fazer biscoitos com sua avó.

A noite estava um pouco fria, mas o caminho até a escola era curto. As luzes do campo já estavam acesas e a todo momento chegavam alunos de nossa escola e da adversária. Encontrei Diana e Lúcia na arquibancada.

— Demorou.

Diana resmungou.

— Boa noite pra você também, Diana!

Lúcia riu.

— Ela ta toda ansiosa só pra ver o Cameron.

— Como se você não estivesse ansiosa para ver o Nash.

Diana rebateu atenta ao campo onde os jogadores começavam a entrar. Ela agarrou minha mão e falou um pouco alto demais enquanto olhava para Cameron.

— Ai que lindo!

Shawn não desviava a atenção em momento algum do jogo e depois de tanto esforço, vencemos. A gritaria na arquibancada começou e as líderes de torcida começaram a abraçar os jogadores.

— Vadias! — Diana comentou vendo uma loira pular no pescoço de Cameron. — Se eu não tivesse tanto medo de altura, ou ritmidade, eu virava uma líder de torcida.

Ela continuou e eu ri.

— Nem se eu tivesse corpo e coordenação motora o bastante pra isso, eu viraria uma líder de torcida. Elas são meio...

Comecei e Diana completou.

— Vadias, vacas, prostitutas!

Ela começou a gritar. Percebi Denise, uma das líderes de torcida, abraçando Shawn que apenas retribuía.

— Pelo amor de Deus. — Resmunguei de raiva. — Eu vou...eu vou comprar uma água, ta?

Comentei com Lúcia já que Diana não prestava atenção. Desci da arquibancada e quando estava chegando perto do campo senti uma mão ao redor do meu pulso. Me virei para ver Shawn me puxar.

— O que...o que você...?

Não tive tempo de terminar quando ele apenas me beijou e uma gritaria começou em volta. Ele terminou o beijo quando já faltava ar.

— Para onde estava indo, posso saber?

Ele sussurrou no meu ouvido.

— Não queria ver aquela vaca com você.

Shawn riu e me abraçou mais forte.

— Quer sair daqui?

Concordei sem entender direito por conta do barulho. Shawn pegou sua mochila e seu equipamento que estavam perto do banco e me puxou pela mão em direção ao estacionamento onde seu carro estava estacionado. Ele abriu a porta de trás jogando as coisas lá dentro enquanto eu entrava no banco do passageiro. Shawn estava suado e suas bochechas mais rosadas que o normal. Ele acelerou o carro.

— Vamos para minha casa.

Ele comentou.

— Que?

Ele desviou o olhar da estrada por um instante e sorriu de lado para mim.

— Vou te levar para minha casa. Meus pais não estão, saíram com Aaliyah.

Arregalei os olhos.

— E?

Perguntei já entendendo a resposta. Shawn sorriu novamente e não respondeu. Pouco tempo depois chegamos em sua casa, ele estacionou o carro na garagem e fechou o portão automático. Desci do carro e senti seus braços rodearem minha cintura e me puxarem contra seu corpo.

— Shawn!

Falei tentando me livrar de seus braços e correndo para a porta dos fundos de sua casa para que não me encharcasse na chuva que começara a cair. Shawn abriu a porta com pressa e dentro de casa me agarrou dando beijos em meu pescoço.

— Shawn Peter Raul Mendes, pára!

Bati em suas costas enquanto ele me empurrava contra o balcão da cozinha. Fui interrompida por seus beijos quentes. Ele me levantou e antes que eu percebesse já estava sobre o balcão com as pernas em torno de sua cintura.

— Shawn...

Eu pedia entre beijos enquanto ele parecia não me ouvir. Tirou a camiseta do time e seu corpo suado se esfregou a minha roupa. O empurrei com força o fazendo parar por um momento.

— Pára!

Pulei do balcão. Ele ficou me olhando sem entender e com o uniforme na mão. Olhei para baixo depois para ele sem camisa em minha frente e falei:

— Aqui não.

Seu sorriso se abriu de orelha a orelha. Sua mão agarrou a minha e me puxou escada acima até seu quarto. Shawn fechou a porta rapidamente e fez questão de me agarrar contra a parede enquanto beijava meu pescoço.

— O que aconteceu com você?

Perguntei rindo de cócegas. Ele me pegou no colo.

— Nós ganhamos o jogo e eu já estou esperando por isso a muito tempo. — Ele me jogou na cama caindo em cima de mim e se apoiando em seus braços fortes. — Não acha que mereço?

Perguntou com um sorriso malicioso.

— Você sabe que eu nunca...

Ele concordou antes que eu terminasse e me beijou delicadamente.

— Vou ser cuidadoso. Prometo.

Concordei por fim. Como poderia resistir à ele?

[...]

A luz do sol brilhava em meu rosto me fazendo acordar. Pisquei algumas vezes até entender onde estava. Dormia sobre o peito de Shawn que nem sequer se mexera. Me sentei na cama percebendo que só estava de lingerie e me lembrando do que aconteceu. Fiquei um pouco assustada, mas ao olhar para Shawn dormindo, pensei que não havia feito nada de errado.

Me levantei da cama e fui ao banheiro, encontrei minha camiseta grande demais para mim — mas confortável — e a vesti novamente. Shawn acordou coçando os olhos e olhou para mim sorrindo.

— Bom dia.

Ele falou com sua voz embargada de sono.

— Oi.

Respondi timidamente. Shawn se arrastou um pouco na cama até me alcançar com seus braços e me puxar para seu corpo novamente. O abracei enquanto beijava seu ombro nu.

— Eu gostei da noite passada.

Ele falou ao meu ouvido me fazendo arrepiar. Concordei.

— Eu também. Obrigada, por ter sido paciente.

Falei ainda sem muito jeito para uma conversa dessa. Ele sorriu olhando em meus olhos. Beijou a ponta do meu nariz e me abraçou novamente. Eu poderia ficar ali para sempre.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.