Com Amor E Ódio, Katerina
4 Capítulo IV - Lua de Sangue - Part. 2
Notas iniciais
[...]
– Niklaus, o que está fazendo abraçado com Katerina ?
- Estou consolando-a, coisa que você não fez. — Niklaus cuspiu essas palavras contra Elijah sem pensar duas vezes.
Livrei-me dos braços de Niklaus e levantei-me do sofá.
- Elijah, ele só estava me consolando, não aconteceu mais nada. Não é, Niklaus?
- Katerina, você não deve explicações à Elijah.
- Sim, eu sei. Eu disse porque eu quis e não porque devo explicações à alguém.
Niklaus sorria com tom de deboche.
- Elijah, não vai querer saber sobre o que estávamos conversando ?
Elijah ficou fitando Niklaus. Em seus olhos eu conseguir ver o desprezo pelo irmão, só não entendi o motivo.
- Não vai me responder Elijah ?
- Niklaus, não o provoque ! Elijah, estávamos conversando sobre a morte de meu pai.
Niklaus fitava-me com seus olhos azuis, parecia estar com raiva pelo o que eu disse.
- Katerina, gostaria de ir para outro lugar ? — Perguntou-me Elijah.
- Ah, claro. Para onde vamos?
- Ao Carvalho Branco.
Elijah estendeu-me seu braço e eu o segurei.
Enquanto íamos para o Carvalho Branco, ficamos em silêncio absoluto. Porém, minha mente estava barulhenta. Só consegui pensar no olhar que Niklaus lançou-me quando o desafiei, nunca vi olhos tão lindos espelhando tanta raiva. Me decepcionei com o que vi.
Quando chegamos ao Carvalho, Elijah sentou-se em um banco que ficava perto da grande e majestosa árvore. Sentei-me ao seu lado.
Elijah me lançou um olhar de arrependimento e disse :
- Katerina, desculpe-me por ter sido tão egoísta. Fiquei tão enciumado quando a vi com Niklaus que ignorei a dor de sua perda.
Deite-me em seu peito e pedi para que ele me abraçasse, ele obviamente atendeu meu pedido.
- Elijah, não precisa se desculpar. Não aconteceu absolutamente nada entre Niklaus e eu. Você não é e nunca será uma pessoa egoísta. Você é totalmente o oposto do que eu pensei que você seria.
- E como a senhorita me imaginava ?
- Sabe, antes de sermos amigos, eu achei que você era só mais um rico mesquinho e metido, mas as aparências enganam. Você é uma pessoa humilde e nobre, preocupa-se mais com as outras pessoas do que com si próprio.
Elijah olhou em meus olhos e sorriu.
- O que vai fazer quando voltar para casa ?
Eu havia viajado nos doces olhos de Elijah e me esquecido de minha mãe e de meu pai, que agora estava morto. Quando ele soltou essas palavras, a dor e o sofrimento voltaram.
- Sinceramente, eu não sei. Praticamente fugi de casa para não precisar ver meu pobre pai naquele estado e minha mãe se derramando em lágrimas. Fui fraca e tola por ter fugido. Deixei mamãe sozinha, ela estava arrasada e em prantos, e eu a deixei só. Talvez se eu tivesse ido procurar meu pai quando ouvi berros, ele ainda estaria vivo. Eu só gostaria de saber quem fez isso com ele, eu olharia nos olhos desse sujeito e diria a ele todo o ódio que sinto. Eu nunca achei que fosse capaz de odiar alguém, mas hoje eu sei que eu sou.
Comecei a chorar novamente. Meu rosto estava melado de tanto chorar.
- Katerina, não diga isso. Você tem um coração bom e puro, não deixe que o ódio consiga um lugar em meio a tanta bondade e pureza. O ódio é um sentimento que destrói as pessoas, quanto mais ódio você guarda em seu coração, mais a sua vida se desencaminha. Pense em sua mãe e em Dhara, se você tivesse saído de madrugada para ir procurar seu pai, você também estaria morta. Já basta sua mãe ter pedido o marido e a Dhara perdido o pai, perder você seria ainda mais triste. Se você precisar de ajuda, estarei sempre aqui !
As sábias palavras de Elijah sempre tocam meu coração e me confortam.
- Elijah, pode me acompanhar até em casa ? Tenho medo do que posso encontrar por lá.
- Claro, seria um prazer.
Levantamos do pequeno banco próximo ao enorme Carvalho e fomos caminhando até minha casa. Novamente, ficamos em silêncio absoluto.
Depois de dez minuto de caminhada, chegamos à minha casa.
- Elijah, você poderia olhar se tem alguém dentro do celeiro ?
- Claro.
Elijah abriu vagarosamente a porta do Celeiro. Meu coração ia a mil. Ele correu os olhos por todo o local e disse-me :
- Não tem nada por aqui.
Soltei um suspiro e me aliviei da tensão.
- Obrigada.
- Disponha.
Segurei na mão de Elijah e puxei-o para dentro de minha casa.
Elijah se sentou em um sofá duro da sala.
- Sinta-se a vontade. Irei até minha mãe para ver como ela está.
Elijah fez um gesto que deu a entender concordância com o que eu havia dito. Retirei-me então da sala e fui ao quarto de minha mãe.
Bati na porta e não houve resposta.
Bati novamente e também não houve resposta.
- Mamãe, a senhora está aí ?
Fiquei encostada na porta esperando que alguém abrisse.
Quando minha mãe abriu, quase caí em cima dela.
- Mamãe, a senhora está bem ?
Ela estava com os olhos inchados, suponho que seja de tanto chorar . Mamãe me abraçou, simplesmente não disse nada, apenas me abraçou. Comecei a chorar junto com ela.
Eu achei que estivesse enlouquecendo pois ouvi a voz de Dhara. Só percebi que não estava louca quando Dhara passou correndo pela porta. Ela parou perto de Elijah e ficou olhando para minha mãe e para mim com seus grandes e curiosos olhos azuis.
- Mamãe, porque estais chorando junto a Katerina ?
Tive que sair do conforto dos braços de minha mãe e ir até Dhara para conversar com ela.
Ajoelhei-me e comecei a dizer :
- Pequena, tem uma coisa que eu preciso te contar.
Minha mãe, que estava em prantos, correu e se trancou em seu quarto.
- O que precisa me dizer ?
- Dhara, o papai ...
Dhara interrompeu minha fala.
- O que tem ele ?
- O papai ... ele ... morreu.
Dhara sorriu para mim.
- Diga-me a verdade, pare de brincar.
Seu sorriso era inocente, ela não se deu conta de que o que eu falei realmente era verdade.
- Pequena, não estou brincando. É verdade, papai morreu !
Fui curta e grossa ao dizer. Eu não poderia mentir e enrolar Dhara, ia ser pior para ela. Tentei segurar o choro para transmitir segurança à ela, mas ao olhar os olhos tristes de Dhara era meio que impossível segurar o choro.
Dhara rompeu o silêncio :
- Quem fez isso com ele ?
- Eu não sei, mas eu te juro que um dia iremos descobrir.
- Katerina, prometa que cuidará de mamãe ?
- Sim, e você vai me ajudar.
- Sim, eu ajudo.
Dhara me deu um abraço apertado. Retribuí o abraço.
- Pequena, mesmo que ainda seja de dia, quero que você tome banho e vá para o seu quarto. Quando anoitecer, tranque bem as janelas de seu quarto, não sabemos o que pode estar lá fora, não é ? Não saia de casa enquanto ainda estiver escuro. Pode ficar no seu quarto brincando até a hora que sentir sono. Mamãe não poderá te coloca para dormir, vai ter de fazer isso sozinha, tudo bem?
- Claro.
Mesmo chorando, ela sorriu para mim e foi fazer o que eu lhe pedi.
Levantei-me do chão. Meus joelhos já estavam doendo por eu ter ficado ajoelhada por um longo tempo.
Elijah ficou sentado no sofá o tempo todo, não soltou sequer uma palavra.
Ele se levantou do sofá e me disse :
- Se quiser, posso passar a noite aqui. Eu posso dormir no sofá.
- Nem pensar ! Vai deixar o conforto de sua cama para poder dormir em um sofá duro ?
- Por favor, eu insisto.
- Tudo bem, se quiser pode ficar, mas eu não vou deixar que você durma nesse sofá duro ! Vou buscar um colchão que tem no meu quarto e roupas de cama.
Busquei o colchão para Elijah e algumas roupas de cama limpas. Coloquei o colchão no chão da sala, coloquei uma fronha limpa e um travesseiro macio.
- Sua "cama" já está pronta.
Sorri para ele e ele retribuiu.
Elijah pediu para que eu ficasse ali conversando com ele por algum tempo. Sentei-me no sofá com ele e ficamos conversando por horas. Quando me dei conta, já era tarde e eu estava ficando com sono. Me despedi de Elijah :
- Elijah, já é tarde. Vou ir me deitar.
- Boa noite, Katerina.
Elijah beijou carinhosamente minha testa. Senti uma onda de calor por todo o corpo.
Não sei o que aconteceu, mas me deu uma enorme vontade de beijar Elijah, e foi exatamente isso que eu fiz.
Nossos lábios selavam-se em um beijo. Seus lábios quentes e macios tocavam os meus, por alguns minutos senti que o mundo ao meu redor parou. Me esqueci de toda dor e angústia, esqueci até de Niklaus. Fiquei tão envolvida no beijo quente de Elijah que me senti nas nuvens.
Nossos lábios foram se separando lentamente e mal me dei conta do que tinha acontecido. Fiquei encarando Elijah e sua boca macia, não consegui dizer absolutamente nada, a única coisa que consegui dizer naquele momento foi :
- Boa Noite.
E depois disso, saí correndo e me tranquei em meu quarto.
Troquei minhas vestimentas pela minha camisola de seda rosa e fui me deitar. A única coisa que consegui pensar até adormecer foi nos lábios doces de Elijah tocando os meus. Fiquei pensando nisso até pegar no sono.
A única certeza que eu tenho, é que sonharei com Elijah.
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