Colônia De Férias

5 Capítulo 5 - Mudança de Plano


Shane já estava acordada e ficou vendo Carmen dormir. Aos poucos, a morena começou a despertar. Abriu os olhos e viu sua amada deitada ao seu lado e acordada.

- Faz tempo que está acordada? – A morena perguntou.

- Não. Dormiu bem?

- Melhor impossível. – Sorriu.

- Lembra do que conversamos ontem? De você ligar para a sua mãe?

- Claro que lembro e vou fazer algo melhor ao ligar para ela.

- E o que é? – Perguntei.

- Vou ligar para ela e falar que nos entendemos e para você se desculpar com ela, poderíamos ir direto ate a casa dela antes de voltar para sua casa, aproveitar o sábado já que tem almoço em família, ai você se desculpa com ela. O que acha?

- Acho a ideia boa. E corrigindo uma coisa: nossa casa. – A beijei. – E o que vamos falar para nossas amigas?

- Você poderia falar que já se cansou e que tem que voltar para Los Angeles e eu que surgiu um imprevisto e tenho que voltar para o México.

- Gostei da ideia. Vai ligar para a sua mãe?

Carmen pegou o celular e ligou para a sua mãe que não demorou muito para atender, elas começaram a conversar em espanhol e não demorou muito para Carmen contar que tinha me encontrado na colônia e que voltamos.

- Mama, ela quer se desculpar com você. – Carmen choramingou no celular. Ambas ficaram mudas por um tempo. Mama? – Carmen rompeu o silencio.

- Se não tem outro jeito, podem vir aqui. – Foi a única coisa que deu para ouvir a mãe dela falando. Carmen olhou para mim com um brilho de felicidade no olhar.

- Até mais mama. – E desligou o telefone. Ela olhava para mim toda sorridente.

- Nem precisa me contar. Dá para saber a resposta pelo seu sorriso. — Ela pulou na cama e veio até mim e beijou-me.

- Carmen, tem alguma coisa para hoje com as meninas?

- Combinamos de almoçar com elas, por quê? – Ela me beijou na bochecha

- Podemos colocar nosso plano em pratica no almoço. – Dei um beijo em sua testa depois que terminei de falar.

- Podemos.

- Quer fazer alguma coisa antes do almoço? – Perguntei acariciando seu corpo.

- Queria andar uma pouco mais no centro e na praia.

- Então vamos, antes que nossas amigas apareçam por aqui.

Nos trocamos e fomos até o estacionamento, entramos no meu carro e fomos andar no centro. Carmen comprou algumas coisas e depois fomos caminhar na praia. Ficamos ali até quase a hora do almoço, voltamos à colônia. Carmen foi primeiro e depois eu fui até o nosso quarto para não parecer suspeito e nem encontrarmos nossas amigas pelo caminho. Entrei no quarto e vi que a Alice estava ali conversando com Carmen. Olhei para ela que pareceu entender o meu olhar.

- Shane, já não te disse para manter isso aqui organizado.

Vi Alice olhar para ela.

- Onde você se meteu Shane? – A baixinha perguntou.

- Fui dar um volta, não posso?

- Pode, mas vê se da próxima vez arrume suas coisas. – Alice comentou.

- Tudo bem. Vou dar outra volta e depois eu volto. Acho que o clima vai continuar tenso se eu ficar aqui. – Alice olhou para Carmen rapidamente e então eu dei uma piscada para ela.

Fui até o refeitório e me juntei ao resto das meninas me sentando ao lado de Helena.

- Alguém viu a Alice? – Dana perguntou.

- Esta conversando com a Carmen.

- Aposto que a Alice está com alguma ideia maluca de tentar descobrir alguma coisa com a Carmen. – Jenny comentou. Fiquei pensando no que ela tinha dito.

- E você e a Carmen? – Helena perguntou bem baixo próximo do meu ouvido já que conversa na mesa estava um pouco alta. Apenas balancei a cabeça negativamente.

- Vou no quarto pegar uma coisa e já volto. – Levantei da mesa e parei na porta. Dava para ouvir Alice insistindo nas perguntas em relação a mim e a Carmen. Abri a porta e encostei logo em seguida.

- Alice você vai parar com isso agora! – Falei apontando para ela.

- Então parece que vocês se entenderam.

- Não, não nos entendemos. Mais fazendo isso você está atrapalhando a gente.

- Não me convenceu.

- Não quero saber se não te convenci ou não. Quero que você saia desse quarto agora. – Falei abrindo a porta para ela se retirar. Ela saiu emburrada, mas o fez. Fechei a porta girando as chaves. Fui ate Carmen e abracei fortemente, ela ficou mais calma. Sussurrei um “fique calma, já passou” e dei um beijo em sua cabeça.

- Shane. – Ela falou ainda abraçada a mim.

- Que foi Carmen?

- Estou com tanto medo.

- Medo de que? – Desfiz o abraço e olhei em seus olhos.

- Não sei exatamente, talvez disso tudo. – Apontou para o lado de fora. Entendi que estava se referindo a algumas de nossas amigas.

- Não precisa ter medo. Não vou deixar que ninguém faça nada contra você. – A abracei novamente.

Ela desfez o abraço e foi para o banheiro. Fiquei deitada na cama esperando ela sair do banho. Comecei a ter algumas ideias. Ela saiu do banho enrolada na toalha e fiquei olhando para ela.

- Que foi Shane?

- Quer acabar com essa palhaçada toda? – Falei.

- Sobre exatamente o que você esta se referindo?

- De contar pra nossas amigas sobre a gente, que voltamos.

- É o que você quer? – Ela me perguntou.

- Eu sei que é o que você quer. O que me diz?

- Seria melhor mesmo. – Ela falou e concordou com minha sugestão. Começou a se vestir.

- Ótimo. Está pronta?

- Quase. Só mais dois minutos e já vamos almoçar.

Não demorou muito para alguém aparecer na nossa porta. Pela voz só podia ser a Helena. Abri a porta e ela entrou.

- Porque a Alice está com aquela cara que de perdeu alguma coisa?

- Helena, ela veio aqui e ficou me enchendo de perguntas sobre mim e Shane.

- AI MEU DEUS, vocês voltaram? – Helena olhou de mim para Carmen e de Carmen para mim.

- Sim, mas não comenta nada com elas. – Falei.

- Não mesmo, vou deixá-las morrendo de curiosidade.

- Obrigada Helena.

- Vocês vão agora? – Helena perguntou.

- Ainda tenho que tomar banho, mas pode ir se quiser. Nos encontramos lá.

Carmen abriu a porta para ela e ao fechar ficou olhando para mim, tentando entender as ideias que ainda estavam no meu pensamento.

- Não entendi uma coisa Shane.

- E o que foi?

- Porque só a Helena vai ficar sabendo?

- É ate melhor só ela ficar sabendo. Depois do que a Alice fez com você agora a pouco, nada mais justo do que fazer ela e as outras esperarem.

- Faz sentido.

- E tem mais. Acabamos de ter uma mudança de plano. Vamos essa noite para o México. – Vi seus olhos brilharem, ela veio até mim e me abraçou depois de um beijo.

- Acho que vou dar uma organizada nas minhas coisas enquanto você toma banho.

Peguei minha roupa e toalha e fui para o chuveiro. Ouvi duas batidas na porta do banheiro, era o sinal de que Carmen estava indo e que nos encontraríamos na mesa. Terminei de me arrumar, sai fechando a porta e fui ate o refeitório. Sentei do lado da Helena, do outro lado da mesa e de frente para mim estava Carmen, que deu um sorriso discreto ao me ver. Como sempre elas estavam conversando e eu pegava a conversa já na metade do caminho.

- Shane o que você vai fazer amanhã? – Alice perguntou.

- Vou ter que voltar para Los Angeles hoje a noite. – Falei.

- Mais por que? Não pode esperar mais uma noite? – Helena perguntou.

- Infelizmente não. – Olhei para Carmen que se levantou da mesa, fingindo atender o celular. As meninas insistiam na pergunta e eu na minha resposta. Por fim, elas acabaram se convencendo. Carmen voltou a se sentar junta com a gente.

- Alguma coisa aconteceu Carmen? – Tina perguntou.

- Minha mãe passou mal hoje a tarde e esta em observação no hospital. – A morena falou mentindo.

- E o que você vai fazer Carmen? – Bette perguntou.

- Ainda não sei.

- Se quiser, te deixo no aeroporto. – Ofereci.

- Acho que vou aceitar. Você está com as chaves ai?

- Sim. – Entreguei para ela que foi para o quarto.

Dava para perceber que as meninas tinham se preocupado com a notícia da mãe de Carmen que era falsa. Fiquei mais um tempo ali, despedi-me das meninas e fui para o quarto descansar um pouco, já que a viagem seria um pouco longa.

Entrei no quarto e vi Carmen apreensiva. Ficou olhando para mim esperando eu dizer alguma coisa.

- Fala alguma coisa. – Ela quase me implorou.

- Elas acreditaram no que você disse, se é o que quer saber. — Ela veio ate mim e me abraçou depois de um beijo. – Acho bom colocarmos as coisas no carro. Vai se despedir das meninas?

- Você já se despediu? – Ela perguntou.

- Já. – Respondi.

- Vou te ajudar com a colocar as malas no carro depois vou me despedir delas.

Peguei minha mala e a dela. As malas pequenas ela mesma carregou. Coloquei as malas na parte de trás do carro e ela fez o mesmo com as bagagens menores. Voltamos para o quarto, ela me deu um beijo de leve no rosto e saiu para se despedir de nossas amigas. Eu fui tomar um banho depois fui ver se não estava esquecendo nada no quarto. Carmen já tinha voltado, ela foi tomar um banho. Fiquei vendo televisão. Ela saiu e juntou suas roupas sujas com as minhas. Se arrumou e viu se não estava deixando nada para trás. Ela se sentou do meu lado e vimos um pouco de televisão juntas. Uma hora se passou e já tinha anoitecido.

- Carmen, acho que já podemos ir.

- Verdade. Vou pegar nossas coisas.

Peguei minha carteira e as chaves do carro. Ela saiu com uma pequena bolsa nas mãos, onde estava a nossa roupa. Fechei a porta e andamos até a recepção, entregamos a chave e agradecemos. Entramos no carro e então seguimos com nosso destino. Conversamos um pouco e chegaríamos na casa da mãe dela na parte da tarde.

- Amor, você está nervosa? – Ela me perguntou.

- Estaria mentindo se não tivesse docinho.

- Não precisa ficar. – Ela tocou na minha coxa enquanto eu dirigia. – Minha mãe ainda gosta de você.

- Mesmo depois do que eu te fiz? – Perguntei.

- Sim. Ela ficou com raiva no começo por ver a filha dela sofrer, mas depois ela... não sei te explicar.

- Que bom. Só espero que alguém da sua família não venha bater em mim.

- Não vou deixar ninguém tocar em você. – Ela deslizou sua mão ate minha região intima.

- Você deveria parar de me provocar. Posso bater o carro. – Comentei.

- Não está gostando?

- Estou, mas é perigoso com esse trânsito. Quando o trânsito melhorar, você continua. Tudo bem?

- Tudo. – Ela respondeu.

- Está brava comigo? – Perguntei.

- Não. Você tem razão, é perigoso.

Acariciei sua coxa com uma das mãos e voltei a prestar atenção no trânsito. Ela ligou o rádio e ficou cantarolando junto com a musica. Eu ria. Ela me deixa feliz. Aos poucos ela se cansou e encostou no banco do carro e se acomodou. Acabou adormecendo.

Já tinha amanhecido e então ela acordou.

- Bom dia docinho, dormiu bem? – Perguntei ao vê-la acordando.

- Onde estamos? – Ela perguntou esfregando os olhos.

- Parei para dormir também. Vamos tomar café na lanchonete?

- Vamos. Falta muito para chegarmos?

- Acho que depois do almoço estaremos na casa da sua mãe.

Saímos do carro e entramos na lanchonete. Carmen se sentou-se à mesa e fiz nosso pedido. Ela gostava de capuccino e eu pedi um café. Pedi alguns pães de queijo também. Logo trouxeram nosso pedido até a mesa.

- Pelo jeito está com fome. – Falei.

- Você não imagina o quanto. – Ela respondeu antes de dar uma mordida provocante em seu pão de queijo.

- Acho que podemos levar algumas coisas para comer, o que acha? – Perguntei antes de beber um pouco de café.

- Acho uma ótima ideia.

- Vou lá pegar algumas coisas então e vou pagar nosso café.

Ela me encontrou no caixa. Saímos de mãos dadas, entramos no carro e continuamos nosso caminho. Coloquei meu óculos de sol e ela fez o mesmo. Ainda no estacionamento da lanchonete ela tocou minha coxa e foi até minha virilha.

- Isso vai ter volta, docinho. – Comentei sarcasticamente.

- Está gostando?

- Como posso não gostar? – Respondi com uma pergunta.

- Ai de você se não gostasse. Agora dirige esse carro.

- Sim, a senhorita deseja mais alguma coisa? – Perguntei.

- Quero uma coisa para mais tarde.

- Como a senhorita desejar. – Ela riu no canto dos lábios com minha atitude.

Girei as chaves dando partida e então voltei a dirigir por mais algumas horas. Ela estava quieta. Resolvi romper o silencio.

- Feliz por ter voltado comigo?

Percebi ela olhar para mim, me encarando. Olhei para ela rapidamente e voltei a me concentrar no trânsito.

- Shane, para o carro, pois o que quero te dizer tem que ser olhando em seus olhos.

Dei seta e parei o carro no acostamento. Olhei para ela e seu olhar se encontrou com o meu.

- Shane, como eu não posso estar feliz com todos os bons momentos que você me proporcionou? Eu te amo e nunca vou deixar de te amar. Falo isso, pois foi amor à primeira vista quando te vi pela primeira vez. E acertei na minha escolha. Estou mais do que feliz por estar com você novamente. – Ela me abraçou e me beijou no rosto.

- Nem sei o que dizer. Só posso dizer que também te amo. – A beijei. Ela engoliu o gosto do nosso beijo. Sai do acostamento e continuei com nossa viagem.

Conversamos por algum tempo e depois ela adormeceu no banco. Deixei-a dormindo, a viagem estava sendo um pouco cansativa não só para ela, mas para mim também. O tempo ia passando e nos aproximávamos do México. Duas horas depois entrei na cidade em que a mãe dela morava e dirigi por um caminho que eu conhecia bem.