Colégio Interno – O regresso!
3 Reflexõex, explosões e tpm
Notas iniciais
Após a cena constrangedora da – falta de – roupa, rumei ao quarto de Nicholas, entrando e me jogando na cama sem pedir licença. Rafa me encarou.
— Eu podia estar nu – resmungou, jogando uma almofada em mim.
— Já passei por essa situação ano passado. Acredite, nada mais me surpreende.
Ele pareceu chateado. Nick me encarou com os olhos azuis não mais assustadores e afagou meus cabelos com a ponta dos dedos finos.
— Aquele cara mexeu contigo, né?
Assenti, me ajeitando ao seu lado e enterrando a cabeça em seu colo. Ele riu, deitando-se e fazendo com que nossos rostos ficassem próximos demais. Santo Deus, não ficava assim tão perto dele desde nossa última... Recaída. Encarei-o e me afastei.
— Não consigo ficar tão perto de você – disse, rindo e me deitando no chão.
— Eu te seduzo – vangloriou-se. Não era uma pergunta, era uma afirmação – Eu te seduzo pra cacete.
— Gente, se vocês forem se pegar, só me avisem pra que eu possa botar um fone no ouvido e virar pro outro lado...
— Eu namoro, seus imundos! – resmunguei.
— Isso não a impediu de terminar e tudo mais. E ainda ficou meio abalada comigo, Amanda. Não tente negar.
— Não vamos voltar a esse assunto, Nich – disse, rindo — A pauta é: o Renato tá me deixando louca.
— E eu também – exibiu-se novamente – A pauta é: se você se afeta tão fácil com qualquer cara, talvez o Gabriel não esteja dando conta do recado.
Parei pra pensar. Eu realmente me afetava fácil demais com caras e aquilo não era muito legal, considerando o fato de eu namorar a um bom tempo com o Gabes. Eu realmente não devia estar sendo tao facilmente afetada por qualquer cara. Mesmo que com qualquer cara, seja o padrão que eu me apaixono desde sempre. Olhos claros, essa amável pele pálida, magreza extrema, os mesmos cabelos escuros contrastantes com o resto... E Gabriel não o siga fielmente.
— O pior é saber que você pode ter razão – refleti – Cara, mas que péssima namorada eu sou.
— Você é humana – disse Rafael, virando-se de lado e tirando os fones para participar da conversa – Você tem desejos carnais. Se seu namorado não os supre, é completamente compreensível que você o procure em outros braços. Eu tenho uma boa teoria sobre isso. Envolve limões.
— O quê?!
— Ah não – resmungou Nich – Here we go again.
De fato, Rafael tinha uma teoria. Sua teoria envolvia o amor como um limoeiro. Se um limão – no caso, um cara – não dá suco o suficiente, você precisa de outros para suprir sua sede de caipirinha ou limonada. Ridícula, mas faz sentido.
— Eu... Vou dar uma saída. Obrigada pelo seu maravilhoso conselho, Rafael. É sempre adorável e constrangedor conversar com você.
Sorri e ele deu uma gargalhada gostosa. Levantei e esperei Nich fazer o mesmo, para abraça-lo. Encostei fiquei na ponta dos pés e afundei a cabeça em sua clavícula. Muitos poderiam achar aquilo pouco confortável, mas eu gostava da sensação de bater a cabeça em seus ossinhos. E o paradoxo chamado “cheiro de Nicholas” sempre me estabilizava.
— Eu gosto do seu cheiro – soltei, sem pensar.
Ele riu. Aquilo fora espontâneo demais pra que ele não o fizesse. Me abraçou apertado e beijou o topo de minha cabeça. Depois levantou minha cabeça pelo queixo e eu afundei nos olhos azuis dele. Aliás, preciso parar de me afogar em quaisquer olhos azuis.
— Eu amo você.
Saí do quarto sem dizer nada. Apenas peguei minhas coisas e saí. Não podia respondê-lo, pois simplesmente não sabia o que dizer. Voltei para o Chambre des Femmes e me joguei na cama.
— O que diabos você tem? – perguntou Rodrigo, preocupado.
— Eu tenho muitas coisas – respondi, irônica – No momento, eu só queria poder dormir um pouco no meu quarto, porém fica difícil com a quantidade de gente que tá nele.
— Ui, tem alguém de mau humorzinho – ironizou Bernardo – Desculpa essa falta de educação, cara, é a Amanda. Ela é assim. Desde... Desde sempre, pra ser bem franco. Só foi diferente com uma pessoa na vida e essa pessoa se chamava Caio. E como deve saber, ele morreu.
— Que mórbido – soltou Renato, fitando o nada – É meio trágico falar desse jeito pro irmão do defunto, sabe?
— Foi mal, cara. A gente se acostumou a falar assim por causa da Amanda. Ou a gente faz piada ou ela se deprime, e...
— Dá pra parar de falar de mim como se eu não estivesse aqui, e dá pra parar de falar do maldito defunto?
— Como já disse, mau humorzinho – debochou Bê, subindo na cama e se deitando ao meu lado – Cê tá cheirando a cigarro.
— Nicholas – expliquei, bufando – Não é essa a pauta.
— Vamos parar de ser criancinhas mimadas, não? Acho que já passou da idade de fazer manha quando as coisas começam a dar errado, não acha?
— Eu não to fazendo manha. Eu tô confusa a respeito de muitos aspectos da minha vida e não posso desabafar com nenhum dos meus amigos porque não me sinto confortável o bastante pra fazê-lo.
— É por mim? – perguntou renato, subindo na escadinha e sentando-se na minha cama.
— Virou festa – ironizei, chutando-o – Não te deixei sentar na minha cama. Respeito. Mas não, não é você. É outra questão.
— É o seu relacionamento? Não sei se você está segura com ele.
Mas era muita petulância subir na minha cama pra vir me dizer que não sabia se eu estava segur quanto ao meu relacionamento! Encarei-o assustada com tamanha cara de pau e Bernardo desceu da cama, me deixando a sós com aquele babaca.
— Como é que é, querido?
— Você parece se abalar muito fácil com seu namoro. Contaram pra mim sobre a história com o Nicholas, e...
— O que foi que vocês fizeram?! – berrei.
Sim, berrei. Não foi um mero gritinho. Eu berrei. Olha, sinceramente eu não preciso de inimigos quando amigos contam pras pessoas aleatórias – mesmo que sejam idênticas ao meu ex, são aleatórias – a respeito da perseguição que sofri ano passado. Todos eles se entreolharam e tentaram se justificar, mas eu nem mesmo tentei entendê-los. Acho que não existia uma razão boa o suficiente para contar a alguém sobre a história com o Nicholas.
— Ah, que bom que você sabe – respondi, sorrindo e mudando completamente de tom de voz e feição – De qualquer forma, é diferente. Tinha uma tortura psicológica envolvida. Agora deve ser só tpm. Não é nada com que você precise se preocupar, Renato. Não vou te perseguir e você não vai me afetar como Nich o fez. Não acho que você seja bom o suficiente pra isso.
Ele pareceu ofendido, mas eu sinceramente não liguei. Peguei um maço de cigarros que roubei de Nicholas durante as férias e saí do quarto. Depois de tudo o que houve comigo na estada no Institute, o que menos me fazia medo era ser pega com um maço de cigarros.
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