Colégio Interno – O regresso!
9 Preparativos, o garoto de cabelo azul e embriaguez
Quando consegui me levantar, sentei-me ao sofá e os reuni ao meu redor. Disse que havíamos conseguido o aval para a festa e começamos os planejamentos. De repente, eis que surge um Casiraghi no quarto, acompanhado de outro Casiraghi, e o mais velho se senta ao meu lado.
— Conte-me mais sobre nosso baile
— Vai ser um baile de máscaras – disse, num tom sombrio – Vou colocar um amigo veterano para cuidar dos drinques, e começarei a treina-lo hoje.
E continuei a dizê-los todos os preparativos. A festa seria enorme, e estava incrivelmente próxima. Quando terminei de citar tudo que havia planejado e disse a data, eles me encararam.
— Você está ficando louca?! – gritou Chris – Nós temos TRÊS SEMANAS pra organizar essa maldita festa! Ta achando que a gente é o que, minha filha? Fadas da festa?
Dei os ombros. Eu daria um jeito de tornar aquela a festa dos meus sonhos. Peguei uma roupa, me troquei no banheiro e chamei o elevador, disposta a ir atrás do meu amigo veterano.
— Aonde você vai? – perguntou Gabriel.
— Porque tá tão interessado? Vocês nem namoram! – gritou Rodrigo.
— Não se mete.
— Ele sempre fica todo nervosinho – cantarolou Desirèe
— Começou – brinquei, rindo baixinho – Vou ensinar o veterano a fazer drinques. Quer ir?
— Vocês terminaram! – gritou Chris – Sabem o que término quer dizer?
Gabriel o ignorou e desceu junto comigo. No elevador, empurrou meu ombro de lado.
— Esses veteranos – começou – Eles não são confiáveis.
— Por que diz isso?
— Eles vão dar em cima de voc...
Parou o que estava dizendo na metade da frase e ficou calado. Ri baixinho e saímos do elevador. Durante todo o percurso até o dormitório onde nosso veterano – muito amigo de Ivan, que a propósito, foi quem me apresentou Matteo – estava, ele não abriu a boca. Quando chegamos e avistamos o garoto, ele me cutucou
— Cuidado com ele.
— Eu sou solteira – lembrei.
Gabriel bufou e estralou o pescoço. Cumprimentei Matt – 1.80, olhos e cabelos A-Z-U-I-S, uma pele muito pálida e um corpo que daria inveja a muitos ratos de academia e um delicioso sotaque italiano – que sorriu maliciosamente.
— Você vai me ensinar a fazer drinques?
— Drinques que te deixem chapado sem sentir nem o menor resquício de álcool? Vou.
— E quem é o amigo à tiracolo? – sussurrou, me segurando o braço.
— Meu ex – disse em alto e bom som – Ele veio atrás de mim porque disse que você daria em cima de...
— Amanda!
Gabriel corou e eu ri. Pedi para Matteo tirar as bebidas e começamos a trabalhar. Gabriel estava entediado nos encarando até que terminamos uns doze copos de bebida e o chamamos.
— Você – disse, o chacoalhando – Vai ser nosso degustador.
— Cês vão me chapar? – perguntou, assustado.
— Metade desses copos tem bebida e metade não.
— Vão me chapar – confirmou, derrotado – Me dá isso aqui.
Gabriel virou as doses e não conseguiu diferenciar nenhuma das alcoólicas das não alcóolicas. Aliás, estava completamente tonto. Fitei Matteo, satisfeita.
— E ai?
— Você é um gênio.
Agradeci, pedi pra que ele subisse e segurei o braço de Gabes, que estava visivelmente tonto.
— Caralho – resmungou – O que tinha nesse troço?
— Tinha curaçao, tequila, um pouco de...
— Eu não posso com tequila – lamentou-se – Minha cabeça vai começar a doer já já e eu vou começar a reclamar e vão me odiar pra sempre. Pode me levar até o quarto?
— Chambre des...
— Não, o dos garotos – miou e me encarou – Ah, qual é. Não é como se fosse a primeira vez que a gente fica sozinho em um quarto.
Ri, assentindo e o puxando até o dormitório masculino. O prédio ao lado do de Matteo, aliás. Quando entramos em seu quarto, ele se jogou no chão.
— Você tá fedendo a cachaça – brinquei, fazendo-o rir.
— Quer me dar um banho, Amanda?
Neguei com a cabeça e deitei na cama de Chris. Ele tirou a camisa e eu fiquei medindo seus movimentos, deitada. Gabriel tirou a calça e eu lhe encarei.
— Eu não sou mais sua namorada. Não é como se fosse ok você estar se despindo na minha...
Ele tirou a cueca, mostrou-me o dedo do meio e entrou no banho. Suspirei, entediada. Havia esquecido o celular no Chambre e estava completamente sem o que fazer. Quando Gabriel saiu do banho, enrolado numa toalha, me chamou.
— Me ajuda a escolher uma roupa – miou.
Ajudei-o, e terminou de se vestir. Deitei na cama e ele se sentou ao meu lado, me encarando.
— Você é linda.
— Para – resmunguei.
— Eu fui um babaca.
— Você tá bêbado.
Ele deu os ombros. Deitei-me sobre a cama e ele segurou delicadamente minha mão, levando-me pra sua. Eu estava inebriada pelo cheiro de banho que Gabriel exalava, então me limitei a segui-lo. Deitou-se ao meu lado e me abraçou.
— Eu sinto sua falta.
— A gente terminou ontem
— E você nem me mandou mensagem de boa noite – resmungou ele – Me promete que mesmo sem namorar, a gente vai continuar amigo?
— Rola muita tensão sexual pra gente ser só amigo – brinquei, afagando seu rosto – Sério, Gabes, é impossível.
Ele suspirou, me apertando contra si. Apertando seu corpo semi-vestido e com algumas gotinhas da água do banho ainda em sua barriga, deixando-a deliciosamente gélida, contra o meu. Suspirei.
— Pare – pedi.
— Me desculpa – sussurrou.
— A gente terminou, Gabes. Eu tenho medo de quando você estar sóbrio, querer terminar comigo. Isso eu não vou tolerar.
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