Colégio Basílius

5 Intro 02 - Jack: Um novo lugar


Jack

Após receber a bolsa de estudos para jovens especiais do Colégio Basílius por sua boa recuperação durante os anos que passara sendo tratado no centro de reabilitação, Jack se mudara para uma acomodação no próprio campus do colégio,na Cidade Fantasma.

Aquela cidade existia fora do chamado mundo real. Era um dos espaços criados pela união das energias mágicas de uma organização de caçadores poderosos chamada de Conselho dos Anciãos, o qual Jack não sabia muito bem a respeito, cujo objetivo era abrigar os colégios mágicos mais influentes de forma segura e privada. Basicamente era como se a Cidade Fantasma estivesse em outra dimensão, criada e mantida pelo tal conselho, e dentro desta dimensão era possível que pessoas morassem, trabalhassem e vivessem vidas normais como no mundo real, criando assim uma cidade como qualquer outra ao redor do colégio.

A entrada na Cidade Fantasma era restrita e muito bem controlada.Nenhuma energia podia atravessar seus limites sem permissão. Seu acesso era permitido apenas para pessoas ligadas ao colégio, como alunos e funcionários, e a população registrada da cidade. A entrada e saída eram feitas somente pela Estação Dimensional. Uma grande estação com veículos coletivos que se dissolviam e transportavam a energia das pessoas para outra estação dimensional no mundo real. Fora por um deste que Jack chegara lá. Além dos veículos coletivos também haviam plataformas menores, que transportavam grupos pequenos de pessoas para locais mais específicos, em vez de outra estação principal. Comumente usada por grupos de Caçadores que saíam do colégio para realizar missões.

Após chegar na cidade não demorou muito para que chegasse ao colégio, que era bem perto do centro. A cidade era muito maior e mais bem conservada do que o lugar onde nasceu e cresceu em Salem e o colégio era bem grande, ainda maior do que o centro de reabilitação o qual passara os últimos seis anos se recuperando.

Jack estava acompanhado da psicóloga Miene e arrastava sua mala de rodinhas, com pouquíssimos pertences além de roupas e brochuras informativas sobre o colégio, pelas ruas do centro. Na entrada do colégio foram recebidos por um casal de funcionários carismáticos que lhes dão boas-vindas. A menina lhe enche de frases encantadoras e motivacionais e sorrisos que, para Jack, pareciam forçados.

— Bom dia! Eu me chamo Mai e em nome do Colégio Basílius te desejo boas-vindas. Nós estávamos ansiosos pela sua chegada. É imenso o prazer de receber aqui um jovem tão incrível como você e com potencial para se tornar muito mais. — Ela já estava sorrindo enquanto se aproximavam no caminho até a entrada, mas quando chegam o sorriso se torna ainda maior, mostrando seus grandes e brancos dentes. — Meu colega William vai levar seus pertences para o seu novo aposento enquanto eu os levo para conhecer o diretor. Sei que está cansado da longa viagem, mas será uma conversa rápida e logo em seguida você poderá descansar à vontade em seu quarto. — O rapaz que a acompanhava também lhe sorria e lhe dá as boas-vindas, mas sem tanto papo furado quanto Mai. Com a licença de Jack ele recolhe as malas e às leva em direção à um grupo de prédios à direita da entrada.

Mai os guia para o prédio de frente à entrada. O colégio estava bastante vazio, mas provavelmente porque era época de férias e diferente de Jack os outros alunos tinham para onde ir. Vocês pegam um elevador no salão principal e subindo alguns andares chegam à sala do diretor. A guia os leva até a porta que se abre sozinha quando param na frente dela. Miene entra assim que a porta se abre, como se já conhecesse o lugar e com certeza já conhecia.

— O diretor Phillip os guarda em seu escritório. Eu vou ficar por aqui. Foi um prazer guiá-los por este pequeno trecho do nosso colégio. Amanhã haverá um circuito que apresentará todas as dependências do colégio para você e outros alunos. O local e horário de encontro estão no folheto que você recebeu antes de viajar para cá. Obrigada e até mais! — Ela se despede com mais um largo sorriso de dentes brancos e se afasta caminhando de volta ao elevador.

Ao entrar na sala do diretor a porta se fecha sozinha. Era uma sala bem grande, para várias pessoas, já que haviam mesas e cadeiras de madeira polida em diferentes partes do lugar embora não houvesse funcionário algum no momento para ocupá-las. A janela no final da sala era bem grande, permitindo que bastante luz entrasse no local, até mesmo lembrava o forçado sorriso de Mai.

Miene o aguardava na outra ponta da sala onde havia outra porta que separava o escritório geral da sala do diretor. Jack vai até lá e então, pela primeira vez, conhece o tal Diretor Phillip que lhe dera a oportunidade de sair do maldito centro de reabilitação. Ele era um homem alto, bastante alto, ainda mais para Jack que era um rapaz baixinho, vestido em um blazer e calça escura e uma camisa social branca por dentro. Em seu peito havia um broche com o símbolo do colégio. Seus olhos eram escuros, mas com um certo brilho como uma noite estrelada. Já seu cabelo era puro breu e parecia um emaranhado de raízes curtas e pontudas. Ele levanta de sua cadeira para cumprimentá-los com um aperto de mão e a já insuportável saudação de boas-vindas que Jack já não aguentava mais ouvir.

Ironicamente sua sala não era assim tão grande. Era um espacinho apertado com uma cadeira e uma mesa de madeira negra com alguns livros, fichas, um porta-canetas e um notebook fechado em cima. Atrás dele havia uma fina porém alta estante repleta de livros. Ao lado da estante havia uma porta, que para Jack deveria levar até uma sala maior e mais agradável que aquela, mas por enquanto não saberia. Do lado oposto da mesa haviam duas cadeiras para Jack e Miene, que se acomodam nelas assim que Phillip os convida a sentar.

— Sejam muito bem-vindos ao nosso colégio. Por favor, sentem-se! — Sua voz era melódica, talvez ele praticasse canto nas horas vagas ou apenas tivesse muita prática em forçar a voz para parecer agradável. — Prezado Jack, é um prazer conhecer você. Eu li seus registros e me surpreendi com o quão bem você foi capaz de se recuperar daquele trágico incidente o qual eu lamento tanto. O Centro Elyza de Reabilitação faz um ótimo trabalho em seus internos, mas você também tem um grande mérito na sua própria recuperação. Seus exames mostram que, ao longo desses anos, você se purificou completamente da energia sobrenatural que lhe afetou. — Ele ainda estava de pé enquanto falava, mas agora decide sentar-se. — Além do que eu li nos registros também ouvi de Miene que você é um rapaz inteligente, educado e bastante altruísta, muito diferente do que aquelas forças malignas tentaram te tornar. Não é mesmo? — Ele sorri e lança uma piscadinha de olho.

Jack já estava farto de toda aquela conversa mole, mas precisava manter a boa aparência, principalmente na frente de sua psicóloga e do diretor do colégio. Embora estivesse livre de energias sobrenaturais que influenciassem as suas ações ele ainda tinha, por vontade própria, intenções e desejos não muito puros e era vantajoso para ele que continuassem achando-o um garoto exemplar, portanto todos os elogios recebidos lhe davam uma prazerosa sensação de conquista.

— Ah! Muito obrigado, senhor diretor. Eu estou abraçando esta oportunidade como nenhuma outra e espero trazer bons resultados não só para o meu desenvolvimento como para o colégio também. — O garoto sorri e devolve ao diretor um sorriso parecido.

— Ótimo! Esforce-se sempre para não se atrasar, tire boas notas, faça bons amigos e principalmente não entre em conflitos. Quando você receber sua arma encantada ela vai te ajudara manter afastada as energias do mal e conforme você usá-la para eliminar estas energias, mais positiva se tornará a sua. — Ele se levanta novamente, com um sorriso e uma expressão corporal animada, abrindo os braços e fazendo com que a porta de seu escritório se abra também, sozinha. — Mais uma vez seja muito bem-vindo. O inspetor William está esperando por vocês lá em baixo para levá-lo até o seu dormitório. Seus colegas de quarto ainda não chegaram, mas existem alguns outros alunos por aqui mesmo durante as férias com os quais você poderá socializar.

Phillip aperta as mãos de Jack mais uma vez e então a de Miene, acompanhando-os até o elevador que é onde finalmente se despedem. Enquanto desciam pelo elevador, Miene diz — Parabéns por esta conquista, Jack. Sei que fará bom proveito dela. Estarei indo embora agora. Lembre-se de tudo o que conversamos e tudo o que você aprendeu até hoje. Se tiver problemas com outros alunos procure pelo diretor, ele será como seu responsável aqui. Se precisar de mim para qualquer coisa pode entrar em contato a qualquer momento pelo celular que recebeu, caso contrário nos veremos apenas ao final do semestre quando virei para visitá-lo e saber mais sobre a sua evolução. — O elevador chega de volta ao térreo. William, que haviam conhecido na entrada, os aguardava ali. Miene abraça Jack de forma agradável e então se despede mais uma vez indo em direção ao portão de saída do colégio enquanto Jack seguia com William para o prédio do dormitório.

Seu dormitório era um largo cômodo divido em três quartos iguais, cada um com uma cama, um armário, um criado-mudo e uma pequena sobra de espaço para uma possível decoração pessoal. O dormitório tinha chão, teto e paredes brancas e as divisões de quarto eram feitas por cortinas escuras que podiam ser movidas para fechar um quarto, dando privacidade, ou para abri-lo e deixá-lo à vista para que houvesse integração entre os colegas, os quais ainda não haviam chegado. Por ser o primeiro e até então único no dormitório Jack pudera escolher com qual dos quartos ficar, embora não fizesse muita diferença. No final do quarto havia uma porta que levava há um banheiro de porcelana branca, quase como um banheiro de shopping. Nele havia três pias com torneira e seis cabines, três delas com vasos sanitários e as outras três com chuveiros, assim cada aluno poderia utilizar o banheiro quando quisesse, sem ter que esperar um colega de quarto terminar suas necessidades para tê-lo de usar depois.

Sem nada para fazer e nenhum interesse em conhecer novas pessoas por hoje, Jack decide gastar o seu dia tirando seus pertences da mala e arrumando-os no armário. Como não tinha muita coisa, não demorou para que terminasse, portanto utilizara o resto do tempo deitado na cama lendo um livro de horror. Ao sentir fome não saiu do dormitório para procurar a praça de alimentação. Continuara no quarto e comera alguns dos biscoitos que comprara pelo caminho da cidade até o colégio.

No dia seguinte participara de um circuito para conhecer as dependências do local e um dia depois participara de outro circuito para conhecer a cidade. Como não havia muito o que fazer no colégio, pelo menos não enquanto as aulas não começassem ou enquanto não recebesse sua arma encantada para treinar nas quadras, Jack decidira passar a maior parte de seus dias caminhando pela cidade a fim de conhecer bem os arredores.

Quando o semestre letivo estava próximo de iniciar-se o colégio começava a se encher de novos alunos e de veteranos também. Uma semana antes do início das aulas seus colegas de quarto aparecem. Um deles era Lucas, um garoto não muito alto, mas maior que Jack, com uma aparência latina e o sotaque também. O outro era um pouco maior do que Lucas, chamado Reik. Seus cabelos eram cachos de dreadlock que quase não apareciam embaixo do turbante árabe que cobria sua cabeça.

— Oh, então vocês finalmente chegaram. — Jack comenta ao levantar-se da cama enquanto fingir acabar de acordar, embora já estivesse acordado há algum tempo. Os ouvira chegar, conversar e arrumar suas coisas, mas apenas agora decidira interagir. — Quer dizer, bom dia! Hehe. Estive um bom tempo sozinho neste quarto e acabei esquecendo os bons modos. Eu me chamo Jack e vocês? — O garoto exibe o largo e contente sorriso branco que aprendera com Mai para parecer mais simpático.

Agora que tinha colegas de quarto se sentia ansioso em descobrir que tipo de pessoa eles eram e o que poderia conseguir com eles. De fato não esperava conseguir persuadi-los para brigar uns com os outros como fazia com os idiotas do centro de reabilitação, mas alguma diversão ele pretendia conseguir naquele lugar e era apenas uma questão de tempo para ele decidir o que fazer e como.

Notas finais
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