Colunas de Myr

3 Encontros Fúteis - 06/11/05


Hoje, dia 06/11 do quinto ano após a invasão illioniana, ponho-me a escrever novamente. Não foi lá nenhuma vontade enorme ou quem sabe um mandato divino, só um breve incentivo. Uma amiga chamada Casoro. Creio que devo dizer também que já se passaram dias pra cacete desde que estou nessa cidade minúscula com a Vanguarda.

Vou simplificar, eu passo horas pensando no que escrever e como escrever e, sinceramente, eu fui convencido a voltar a escrever mas estou cansado de escrever como um cara letrado e tudo mais. Vou escrever como me parecer propício, e vou parar onde eu também achar legal. Não vou perder tempo com narrativas irritantes nem com palavras cheirosas e bem conservadas. Vou repetir as palvras quando eu quiser, escrever errado se estiver a fim, e caso não queira corrigir, não o farei; além disso, usei da forma que

quiser dos recursos gráficos sem me importar muito com periodização e sentido formalmente expresso. Se vou escrever, farei de forma literária e divertida, ao menos pra mim. Espero que você se divirta tanto quanto eu espeo me divertir enquanto escrevo essas baboseiras.

Já se passaram dezesseis dias desda ultima — e primeira — vez em que escrevi nesse monte de papel em branco. Sabe, as vezes canso. Canso mesmo, ao ponto de não conseguir mais ler algo sem pensar no quanto é chato essa merda toda. Mas agora, por ironia, voltei a escrever. Você quer saber o porque? Se não quiser, infelizmente vai saber agora, então, caso não queira, sugiro que pare de ler agora.

Pare de ler.

Eu tô avisando, pule essa carta.

Lamento, você continuou, e agora direi. Depois do episódio em Garn, eu, o velho Juk e Youn nos juntamos a vanguarda com poucas horas de caminhada. Na real, encontramos com eles por mero acaso e um por ato desdenhoso do Youn ao urinar nas plantas da estrada. Fomos pegos e feitos de prisioneiros pelos Revolucionários, por que, como eu disse antes, sou de Illion, e não tenho os traços myrianos, acharam que eu era da Igreja, ou algo do tipo. Que insulto, mas não posso culpa-los, por que, afinal, sou realmente de lá. Depois de capturados fomos levados até seu acampamento numa cidade entre Garn e Tuyr, chamada Hoenra, e lá fomos apresentados ao líderes da Vanguarda. O tsaemon Kurio e o tokomoen Huek. Kurio e Huek mostraram-se condescentes de irritantes a primeira vista, nos tratando especialmente mal e recusando-se a nos ouvir. Kurio era alto e forte com olhos de lince arisco e era moreno quase puxando para negro como quase todos os naturais de Myr, já Huek tinha a pele branca e era loiro como eu. Tinha também cabelos curtos — como o corte feminino — e uma barba mal feita, me perguntei se ele realmente era de Myr, ou se era de algum lugar do Deserto Frio. Era a segunda opção depois de muito blablabla e coisas pouco cordiais, eles deixaram-nos falar, na famosíssima tática "bata primeiro, pergunte depois". Explicamos nossas situações, especialmente Youn que fora acusado de ser um Aika que apoiava a Cartha e que votavam pela destruição de Myr. Que doidera.

Com tudo resolvido e explicado, nos colocaram junto as divisões especiais. Fora um recebimento cordial, logo no primeiro dia em que chegamos. Houve um cumprimento de todos os soldados de forma formal com a formação em Delta, e depois um cumprimento pessoal com cada integrante das divisões especiais. Me senti lisonjeado. Estava eu, Juk, Youn e mais um soldado conversando, quando o tsaemon e tokomoen, no abordaram:

– Senhor Arqueax, viemos te pedir nossas sinceras desculpas. — Tsaemon disse com o rosto resignado e sério. Tokomoen se ajoelhou e tsaemon logo em seguida. Ambos levantaram as mãos em concha, mostrando um artefato na mão de cada um. — Pegue, é seu. — Peguei primeiro com Kurio, e depois com Huek. Eram pedras que não identifiquei.

Huek tomou partida e ficou parado em frente a Youn:

– Senhor Kuraemiri, nós pedimos nosso perdão para com o senhor e seu povo. Não fora nossa intenção ofendê-lo. — Ajoelhou-se e o tsaemon logo em seguida se ajoelhou também, novamente com as mãos em concha, para que Youn pegasse algo nas mãos deles. Novamente pedras, mas diferentes das minhas.

– Fico feliz que tenho me pedido perdão, e para meu povo também. Fiquei sinceramente aborrecido e machucado por dentro, mas vejo que são homens de boa fé, e irei dar-lhes o me perdão. — Pegou as pedras nas mãos dos dois, e também se ajoelhou. Não entendi.

Os três sorriram e trocaram apertos de mão. Até que Kurio parou em frente ao Velho Juk e fez o mesmo ritual com o tokomoen. Huek depois disso, tornou a falar:

– Essas pedras são nosso depósito de esperança e confiança em vocês, agora consagrados irmãos da Vanguarda. Espero que utilizem-se bem dos nossos meios.

Calma aí, nós fomos incorporado a Vanguarda de forma muito rápida, não acha? Sem explicação nem nada, apenas tortura e acusações falsas quando chegamos, depois um pedido de desculpas com pedras e sorrisos esquisitos. Fora algo estranho, que não entendi. Eu, há uns anos, já procurara entrar na Vanguarda e fora recusado por não ter o que era necessário, mas passei por dias de exames e testes físicos e de resistência. Meu grupo e eu fomos colocados para nos virarmos no deserto com apenas uma garrafa d'agua para cada um, além de outríssimas coisas. E agora eu estava lá, ao lado do tsaemon e do tokomoen, com eles ajoelhados e nos recebendo na Vanguarda. Não entendi. E não entendo até agora, só sei que continuamos nossos caminhos com eles.

Quando chegamos em Tuyr, encontramos vários acampamentos da Cartha em seus arredores, e fizemos formações táticas para neutraliza-los.

Antes de tudo, esqueci de te falar, Guilhermo, quem é a Vanguarda. Pois bem:

A Vanguarda, ou Vaungard, é a organização que pretende tirar a Cartha e seus males de Myr. São uma organização baseada economicamente em industria bélica e donativos vindos dos países que apoiam sua causa — abertamente ou não — não é incomum que hajam países que movem seus pauzinhos pra ajudar a Vaungard por debaixo dos panos. Existem vinte e seis grandes líderes da Vanguarda, dentre esses vinte e seis, tem os tsaemon e tokomoen, nossos atuais "amigos". Devo dizer, também, que tsaemon e tokomoen são apenas suas posições escalares na Vaungard. Não há uma hierarquia muito forte, daí então gerando-se poucos cargos. Não é propriamente um exército, apesar de parecer.

Esses vinte e seis líderes formam o Conselho de Guerra, ou só Conselho. Como parece simples de entender, são eles que elegem as formas de batalha. Parece bom dizer também que, apesar de em pequenas quantidades, existe a hierarquia APENAS entre os vinte seis líderes e o resto da Vaungard, e só se atinge uma posição no conselho por eleições, que acontecem de forma simples. Há indicações a cargos e tudo mais, como a política em geral. Esqueci de dizer também que existe um representante no Conselho por país, ou seja, vinte e seis países pra vinte e seis eleitos.

Infelizmente meu tempo é curto e tive que explicarde forma corrida e lamento por erros ortográficos. Na verdade não, não lamento não.

Adié,

Gardevoè Arqueax

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.