Notas iniciais
oizinho c:

isso aqui é só um negocinho que eu escrevi e senti a necessidade de compartilhar. eu adoro a ideia do Peter ser trans e sinto falta da representatividade, então...

também tenho uma outra fanfic mais ou menos no mesmo estilo, com o Capitão América, quem se interessar é só procurar no meu perfil

enfim, espero que gostem ♥

boa leitura ♥

Peter se perguntava se seu corpo estava apenas estava materializando a dor que sentia dentro de si ou se estava, de fato, doente.

O chá que tia May havia feito continuava ali, na escrivaninha ao lado de sua cama, intacto. Ela pensava que o sobrinho estava apenas com um resfriado, mas Peter sabia que não era isso.

Seu estômago doia, ou talvez fosse outra coisa dentro dele que doia. Era dificil dizer.

Fechou os olhos com força, rolando na cama mais uma vez, arrastando as cobertas.

Gwen havia lidado bem com o segredo que envolvia um collant vermelho e azul, mas aquele segredo?

(Aquele em que ela soube que as cores de Peter eram o azul, o rosa e o branco.)

Não é que Peter tivesse vergonha, ele só não achava necessidade de todo mundo saber. Era uma coisa dele. Não precisava ser público.

Também tinha consciência de que, se as pessoas não soubessem, não poderiam odiar ele por aquilo.

Não poderiam empurrar ele no meio do corredor.

Não poderiam chamar ele de nomes.

Não poderiam fazer insinuações.

A mudança de escola havia ajudado. Ninguém naquela escola o conhecia com um nome feminino e com aquelas roupas que o sufocavam. Ou sem os bloqueadores hormonais.

Nem mesmo Gwen.

Quando começaram a namorar, Peter sabia que chegaria um momento em que teria de contar. Ela precisava saber. Mesmo que não fosse a coisa mais importando sobre Peter, era importante. Era algo dele. Era a sua história.

É claro que Gwen sabia que havia algo que ele não estava contando. Em certo ponto, ela percebeu. Peter nunca tirava a camisa, ou chegava perto demais dela. Também ficava extremametente chateado quando as pessoas sugeriam que sua voz era fina demais, ou seu rosto lembrava o rosto de uma garota.

Então, ele precisou contar.

Poucas vezes Peter sentiu tanta falta de tio Ben como sentiu quando voltou para casa, naquela noite, totalmente molhado da chuva, porque não tinha forças para fazer nada.

Eu preciso pensar.

Eu nunca imaginei isso de você, Peter.

Você não pode esperar que eu aja tranquilamente sobre isso.

Me dê um tempo.

Um tempo.

Já fazia dois dias.

Não havia nenhuma mensagem, nenhuma ligação em seu celular. Nada. Também sequer sabia onde arranjar ânimo ou coragem para digitar o número de Gwen.

Se tio Ben estivesse ali, abraçaria Peter e diria que qualquer um que não o aceitasse e não tivesse respeito por quem ele é não o merecia.

Como sentia falta daqueles abraços.

Seus tios foram as primeiras duas pessoas que souberam. Também foram quem marcaram consultas em um psicólogo e depois o ajudaram a escolher um novo nome.

Eles o entendiam, sabiam o que tudo aquilo significava. Como era importante.

Peter só esperava que Gwen entendesse também.

Porque, naquele momento, tudo o que ele queria era ouvir a voz dela dizendo que estava tudo bem, que ela ainda o amava e que eles ainda eram namorados.

Peter rolou na cama novamente. Não sentia mais sono algum, mas não conseguia levantar.

Ele estava de binder há muitas horas, coisa que não devia estar fazendo, mas estar sem seria ainda pior.

Sentia-se tão solitário, tão errado, tão quebrado, que não havia opção melhor.

Pobre Peter Parker.

Sem mãe.

Sem pai.

Sem tio.

Sem namorada.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!