Colors
1 Cores
Notas iniciais
A escuridão, aquela coisa sem vida, em que se encontrava o mundo. Ninguém sabia o quão aterrorizante era aquilo, pois o planeta já estava encoberto pela escala de cores neutras e bem, no meio de tanta negritude eis que surge uma pessoa que começa a se interessar pela possível outra visão que o mundo poderia proporcionar, as cores, a grandiosa escala cromática, que transmitia uma porção de sensações, uma cor.
–Ei Yoon, eu encontrei um livro interessante na biblioteca!
– Jae, não me diga que isso estava na sala proibida.
– Como você adivinhou?! Bem isso não importa agora, a questão é o conteúdo desse livro!
– De onde você tira tanta empolgação? Se algum policial ver você agindo desta forma estranha, você pode acabar sendo sentenciado à morte.
– Você é tão chato... Se bem que você é igual a todo mundo, talvez o mundo seja chato, ou então eu seja o chato da história, não consigo expressar o exato significado pois essa é uma das palavras proibidas!
– Mas o que tem de tão especial nesse livro afinal?
– Ele fala sobre uma coisa chamada cor! Não consegui compreender o porquê de ter algumas figuras com uma textura estranha – como se não existissem – e nomes, vários nomes, como “azul” e “amarelo”, e um nome que me impressionou, “vermelho”.
Assim como Jae pensava, o mundo era chato, as pessoas viviam exaustas e cansadas, com um viver entediante e monótono, porém como todas as coisas, havia uma exceção, um túnel profundo, sem nenhuma luz, em que um dia surgira algo completamente diferente do que as pessoas estavam acostumadas, uma cor.
– Jae, esse é o túnel proibido. Se você for preso mais uma vez não sairá ileso da prisão...
– Tudo é proibido! Eu não consigo mais suportar isso!
Após dizer isso ele começou a correr, adentrando no túnel e diferente do que havia se imaginado, aquele lugar não estava vazio. Uma silhueta misteriosa aparecera para Jae, ela tinha o formato de uma pessoa, e emitia algo estranho, uma cor.
Jae esticou seus braços em direção à cor e em tentativas falhas, aquela coisa estava ali, pronta para ser descoberta, porém a cada passo a distância aumentava e foi se perdendo, até que perdida ficou a consciência de Jae, tudo por conta de, uma cor.
– Onde estou? – Ainda com um pequeno feixe de visão em seu ser.
– Jae! Você acordou finalmente!
– Yoon? Por que você está gritando? Pensei que você fosse – normal –!
– Essa coisa na sua mão me deixou assim, acho que agora entendi como você se sente!
– Que coisa?!
Para surpresa de Jae, sua mão estava de um jeito que ele nunca havia visto ou imaginado, aquilo era sem dúvidas, uma cor.
Ficou encarando aquilo com todas as suas forças, com um sentimento que nunca havia sentido antes, talvez aquilo fosse a força que as cores trazem ao mundo, mas não era qualquer cor e sim, a cor.
– O que será isso? – Ao dizer isso Jae procura o livro que roubara da sala proibida.
–Será alguma dessas coisas?! – folheava o livro.
– Jae o que você está fazendo?!
– Achei! Então isso aqui é o vermelho?! – seus olhos se encheram de lágrimas.
Pela primeira vez no século, alguém conseguiu enxergar uma cor.
– Yoon, eu preciso voltar naquele túnel! Preciso encontrar aquilo novamente!
– Aquilo o que?! O que você viu naquele lugar?
– Uma coisa, eu acho que era uma cor!
– Como assim cor? Essas coisas do seu livro e da sua mão?!
– Sim! Eu consigo enxergar esse vermelho depois de ter entrado no túnel! Preciso descobrir um pouco mais!
Com isso, Jae e Yoon voltaram mais uma vez para o Túnel Proibido afim de descobrir um pouco mais sobre, as cores.
– Jae isso está estranho!
– Relaxa Yoon, acedito que isso não nos fará mal!
Ao adentrar no túnel, aquela silhueta misteriosa reapareceu e Jae resolveu tentar novamente estender sua mão. Diferente da última vez, uma mão apareceu diante dele e tingiu um pouco mais seu corpo de um tom avermelhado, um vermelho semelhante aos raios de um pôr do sol. A silhueta começou a ganhar forma, era uma aquarela de luz que se preenchia por um corpo, semelhante ao de uma mulher.
– Finalmente! Consegui alcança-lo! –soaram essas palavras com uma meiga voz afeminada.
– Você estava me esperando? – Perguntou Jae.
– Exato! Você era a única pessoa que conseguia sentir as cores, mesmo sem poder vê-las! Para que você pudesse libertar novamente todos os sentimentos guardados, precisávamos nos encontrar!
Assim que aquela garota pronunciou essas palavras, todo o túnel começou a se iluminar, toda aquela neutralidade de sentimentos e sentidos trazidos pelo preto e pelo branco fora substituído pelas cores.
As sensações tomaram conta de Jae, que começou a correr pela grama, olhando a imensidão do céu azulado, sua respiração quase não se concretizava. Aquilo era uma chuva de clareza, foi-se preenchendo todo o vazio do mundo, as estrelas já não estavam apagadas, os sentimentos já não eram vazios, e então ele se viu ao lado dela, no topo de um mundo, rodeado de rabiscos, agora compreendendo o significado de tudo aquilo, cores.
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