Notas iniciais
This scene is a long dream, bring me some colors This scene is a long dream, bring me some colors M83 - Coloring the Void

Bem, ser aceito numa universidade na Inglaterra e ter conseguido uma bolsa integral era uma maravilha, mas meus pais estavam muito, mas muito preocupados comigo. Stephen e Linda queriam que pelo menos estudasse nos Estados Unidos e hoje era meu último dia para decidir o que eu realmente iria escolher para minha vida.


Não que eu iria rejeitar Oxford por nada, mas meus pais, até Stephen implorara de joelhos com o rosto inchado de lágrimas e o nariz escorrendo de uma pequena — ou não — quantidade de meleca líquida. Aquele havia sido o meu dia, vendo meu pai, em que na infância me castigava por qualquer bobagemzinha em que qualquer pessoa saberia deixar para lá, quase me derrubando e tanto agarrar minhas pernas.


Então durante no curso de uma semana fiz uma lista mental de prós e contras da minha, assim somente poderia decidir e calar de vez as bocas dos meus pais.
Bem a minha vida com eles fora bem normal, tirando — e muito mesmo — a parte dos castigos desnecessários. E por causa deles não fui muito bem enquanto eu crescia com o mundo. Sempre sendo muito inocente sobre tudo, fazendo virar algum tipo de cego na vida. Sempre sendo traído e sempre com uma espada — tipo aquela do Ned Stark em Game of Thrones — no meio das minhas costas. Atravessando todo o meu ser.


Em termos de amizade, também não foi lá essas coisas...


Por causa da minha inocência, isso me fez não ter muitos amigos durante meus anos de estudante, principalmente durante o ensino fundamental. Teve esse garoto Eric Cartman e como ele era meu único amigo naquela época, eu fazia de tudo por ele; todas as coisas que ele mandava, fazia... Todas as vezes que me pedira para defendê-lo, defendia...


Mas percebi durante o sétimo ano que ele somente me mantia por perto pelo motivo dele me achar uma pessoa totalmente idiota. E foi então que entendi o por quê da nossa amizade ter existido, para ser o burro de carga de Eric. Para ser mal tratado e usado, sem reclamar sobre nada, um mero capacho. Acabei com todas as coisas com ele, sendo que Cartman não reagiu bem, tanto que no mesmo dia invadiu minha casa e começou a quebrar tudo que tinha nela. A sorte era que eu e minha mãe tínhamos esquecido a carteira para fazer as compras e nos dois o pegamos no flagra.


A infância pode ter me assombrado enquanto crescia e se desenvolvia, mas foi nela que me meti nas maiores confusões possíveis — como ficar preso em um reino onde era na verdade toda imaginação dos Estados Unidos, quase ser afogado pela própria mãe por achar que meu pai tinha saído da bissexualidade e voltado a ser gay... Tudo bem é melhor abafar o caso nessa aí.

E por causa de tudo isso que aconteceu comigo, consegui — nos anos seguintes que se seguiram — evoluir consideravelmente sobre os anos. A tornar-me uma pessoa mais madura e consciente do que antes. Não que me rotulo de babaca ou algo assim, mas sei que fui enganado e deixei de viver um pouco por causa disso.
O problema que venho pensando justamente isso a semana inteira e agora — no último dia restante — minha lista está em um empate, como eu quisesse ir para Inglaterra e de algum jeito ainda poder ficar em South Park, mesmo que poderia me comunicar via Skype para a satisfação dos meus pais.

Era um embate que teria que separar.


Escolher lados, sempre foi uma coisa bem difícil para mim e sempre tentei fugir deles o máximo que podia. No entanto, pegou-me de surpresa e era a escolha mais difícil da minha vida. Sentia que meu corpo ia se dividir quando pensava nessa possibilidade.


A lista deveria ser algo que resolvesse as coisas de uma vez por todas, mas somente fudeu minha cabeça por completo.

Como era o último dia dessa escolha, abri-me para uma experiência que poderia influenciar na minha escolha. Se alguma coisa acontecer que possa me fazer ficar no meu país, ficarei; mas se uma coisa acontecer e me faz ir vivenciar uma nova vida na Inglaterra, iria diretamente para lá.

+++

A primeira coisa que faço antes de vestir minhas roupas e depois de sair do banho é olhar para meus olhos. São verdes e conseguem sobressair meu rosto, chamando-me a atenção de outras pessoas ou seres.

Coloco jeans e uma grossa camisa azul de manga longa em meu corpo, antes dos tradicionais tênis. Fiquei me perguntando se deveria usar um chapéu e então fiquei testando alguns na frente do espelho, fazendo caras e bocas, fazendo-me desistir da ideia de usá-los.

Saio de casa de tarde e depois de uma hora percorrendo a cidade inteira, percebi que a vida aqui estava tão, mas tão, deprimentemente normal. E como o universo queria que eu me fudesse, só pode ser isso... Todos os dias tem sempre acontecendo aqui, mas hoje a cidade estava mais tranquila do que o normal. O pior de tudo era que hoje é domingo.

Andando nas anormais ruas no centro da cidade, era tão previsível e mecânico. Pessoas andando somente para entrar em lugares e depois saírem, não necessariamente, aproveitando os dias em família ou dando uma volta sossegada. Eu poderia estar sossegado, mas por dentro estou quase em prantos. Sei que eu não devo ser o único, então quantas pessoas podem estar se sentindo assim? Não sei e isso é muito difícil, para dizer o mínimo. Como perceber o interior de uma pessoa se a mesma não der nenhuma transparência sequer?

Distâncei-me do centro e fui dar uma volta para o parque da cidade que até que estava deserto, como sempre. Pouquíssimas passavam por ele somente para admirar a sua beleza quase congelante, bem a neve estava começando a derreter, pois geralmente as pessoas o usam para conseguir cortar caminho entre o centro e a parte residencial da cidade. Mas me aprofundo mais dentro de todo seu sistema de árvores e arbustos.

Sempre me pareceu o lugar perfeito em South Park para ficar em harmônia com a natureza. E comigo mesmo. A floresta do parque sempre o foi que passava cada vez que me sentia sozinho. E agora estava me sentindo assim, pois ninguém poderia escolher além de mim.

Sentia-se como algo mágico tivesse me acertado e eu tivesse me transformado na coisa mais encantadora do mundo, fazendo com que me fundisse com esse sistema natural, como nossos corações fossem um só.

Mas não deu, infelizmente em nada.

Até queria encontrar alguém desconhecido — talvez uma Effy Stonem da vida — para ter uma experiencia diferente, vivendo uma aventura que iria me deixar escolher como eu quero.

O que realmente queria escolher, afinal de contas?

Era como nunca queria ter tentado nada disso. As contradições somente aumentavam enquanto ficava com os meus pensamentos. Não parava de andar de árvore em árvore, sempre apoiando no tronco.


Por quê estou fazendo isso?


Você queria decidir, Butters.

Se eu queria ir para Inglaterra, por quê ainda não respondei á mensagem deles?

Seus pais. Eles estão preocupados com essa grande mudança e por isso você fez a lista.

E se não algo que meu coração não quer?

Seu coração quer ir para a Inglaterra?

Acho... Não sei, mas o que pensar agora.

Você se acha digno de ir para lá?

Por quê deixo a minha mente fazer perguntas tão difíceis?

Você se acha? Sabe, digno?

Talvez.

O que eu estava pensando? A lista era no final de tudo uma perda de tempo. Mas por quê a fiz mesmo assim? Pensando e andando um pouco na tranquilidade da floresta do parque, descobri que a fiz por medo. Medo. Medo de eles nunca me perdoarem se ir para Inglaterra e nunca mais me ver. Não tenho como escapar disso. A lista... Ela era somente uma válvula de escape, mas como todas as coisas na vida, eu não conseguiria escapar dessa terrível escolha.

Eu tinha que enfrentar a verdade e talvez sofrer com as consequências.

+++

Meu pai deve ter ido ao bar, pois não estava em casa, mas a minha mãe estava na cozinha colocando algumas bolas de sorvete de baunilha numa pequena tigela amadeirada e jogava algumas granolas por cima do sorvete. Ela me notou e minha presencia e perguntou onde eu estava.

– Dando uma volta pela cidade — respondi indo em direção á cozinha.

Calma, Butters.

Seja forte.

Lutava para ser curto com o meu problema sobre a escolha somente dizendo palavras bem breves, porém rápidas, mas não conseguia mover nem o lábio. Não as encontrava para se fundir a minha coragem que começava a se dissipar pelo meu corpo. Minha mãe me olhava de um jeito curioso já que eu estava parado na entrada da cozinha a olhando e dizendo nada. Como fosse um pedaço de rocha ambulante.

– Butters querido, tudo bem? — Minha mãe perguntou entre uma colherada e outras de sorvete.

– Sim, sim — respondo me sentando na cadeira mais próxima.

Tento concentrar nas palavras em irei dizer antes de fazer algo á mais. Respiro fundo, uma coisa que minha mãe estranhou, mas me fez sentir preparado para poder soltar o verbo.

– Mãe, será que a oportunidade é escassa? — Pergunto, olhando fixamente em seus olhos.

Ela poderia até estar formatando uma resposta, mas percebi que parecia muito abalada com a pergunta de certa forma.

– É... Acho que sei o que deve estar se sentido, mãe. Sei lá, parece que quando isso acontece, quando uma oportunidade entra na sua vida meio que preenche um vazio, sabe? Faz com que nos progredimos mais e mais na vida e nos faz, sei lá, vivenciar algo novo. Talvez como uma aventura. Quando aceitamos essa oportunidade, acontece um monte de coisas que nos testa, mas se algo for de nosso agrado é uma coisa que viveremos felizes. Não importa quantas vezes sonhamos com coisas impossíveis, mas ás vezes elas acontecem e viram essas oportunidades. E como algo que sempre havia desejado, mas que do nada há um convite para esse desejo ser realizado.

Talvez havia fico meio inseguro com algumas palavras, mas devo ter feito alguma coisa de errado no meio de tudo isso, pois minha mãe havia parado de comer o sorvete — que estava virando uma pasta — e começou a chorar como seus olhos fossem rios.

Mas aí me lembei de quando ela viu A Culpa é das Estrelas.

Eu havia comovido ela?

Ela estava chorando de felicidade ou de tristeza?

Será que ela sabia que estava falando de Oxford?

Depois de todas as palavras ditas, ela foi ao meu encontro e me abraçou, mas não a abracei por não saber o que estava muito do que acontecendo com Linda.

– Mãe. Tudo. Bem?

– Sim. É que você disse coisas tão lindas, meu Butters.

– Posso te pedir uma coisa? — Pergunto.

– O quê?

– Se por acaso eu aceitasse aquela vaga em Oxford, você e papai ficariam muito decepcionados comigo por isso?

A resposta dela demorou mais um pouco, quando ela apertava ainda mais o abraço.

– Não.

Não...

– Butters — minha mãe diz entre soluços e lágrimas. — Eu quero que você deseje o que for melhor para sua vida. Não precisamos decidir as coisas para você, nem se for para nos beneficiar.

– Como os castigos constantes?

– Conversaremos isso mais tarde, filho.

– Meus traumas nunca tem fim — comento, brincando.

– Butters, o que quero dizer é que, mesmo que isso faça que tenha um pouquinho de vazio dentro de mim, sinto-me contente que o que tenha criado o meu, consiga preencher o seu. E por isso sou grata por não ter sido uma mãe tão perfeita, mas me sinto, que você sendo feliz, o mesmo. Porque eu o escolho por quem você é e suas decisões nesse mundo, meu Butters.

A cena estava desenrolando tão naturalmente e envolventemente, que me fez — por fim — a abraçar apertado.

E era como todo meu vazio estivesse colorido pelas emoções que meu corpo produzia e o que eu poderia fazer — além de comemorar e fazer logo minhas malas para Inglaterra — era retribuir essas mesmas sensações de felicidade para quem as sacrificou por minha causa.

Para minha total felicidade.

Notas finais
Bem é isso mesmo... Antes de tudo, deixa eu soltar um verbo rapidinho... Por favor comentem, vocês não sabem como é um pouco depressivo eu ficar olhando obcecado olhando os contadores e não ter nenhum comentário, até parece que a pessoa não gostou... Ah, meu deus! Vocês gostaram? Sim ou não, por favor comentem e vamos ser todos amiguinhos? Vou deixar o link da música que inspirou o nome da fic : https://www.youtube.com/watch?v=YdZldQH4ItI Não sei se sabem mas normalmente escrevia fanfics e então embarquei num projeto mais pessoal e me afastei um pouco, então já que estou de férias, há mais de um mês atrás, decidi voltar com que eu sei fazer melhor no mundo das fics: One Shots Eu havia feito - isso não é nenhum tipo de venda casada, confira se quiserem - uma One antes dessa e de OUAT( Once Upon a Time), o nome da fic é NOW IS NOT THE TIME e caso não consigam achá-la, aqui está o link:http://fanfiction.com.br/historia/577960/Now_Is_Not_The_Time/ Bem é somente isso... Até mais!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!