Coloring The Life - Um Restart Na Vida
40 Por mais difícil que isso tudo possa parecer
"Não dá mais pra esconder. Não dá mais." era isso que ecoava na minha mente enquanto eu andava em circulos pela sala da minha casa. Eu sabia a quem eu podia recorrer, mas o medo de contar me arrepiava. Eu nunca mais havia falado no assunto depois daquele teste barato. Eu havia marcado médico para hoje de noite, mas eu pretendia desmarcar. Porém aquilo ia ficando cada vez mais alto na minha mente, e não aguentei mais, peguei o celular do meu bolso, e disquei para o Thomas.
- Oi Manu! - Thomas disse animado.
- Oi Thoso. — Disse, tentando ser o mais natural possível.
- Que foi? Aconteceu alguma coisa?
- Tho, eu tô precisando muito conversar com você, mas relaxa, não fica preocupado! Tem como você vir aqui mais tarde?
- Eu tô aqui de bobeira, pode deixar que eu tô indo.
- Tudo bem, tô te esperando. — Eu desliguei o celular.
Fiquei estirada no sofá olhando para o teto, passei uns 20 minutos pensando em praticamente nada, quando ouço a campainha. Saí correndo para abrir a porta e dei um abraço bem apertado no loiro, aquilo sempre me fazia bem.
- Entra aí Thoso. — Puxei ele pelo pulso.
- Então Manu, eu fiquei preocupado. — Ele se tacou no sofá, fazendo as almofadas pularem junto com ele e cairem no chão. — O que você tem pra falar.
- Eu vou falar isso porque você é meu melhor amigo, você era quem eu mais precisava ver agora. — Suspirei antes de continuar. — Olha, Thoso, você promete que vai ser incero com o que acha disso?
- Prometo. — Ele sorriu.
- Eu acho que eu tô...- Olhei pra cima, pedindo ajuda mentalmente para minha mãe. — grávida. — Disse rápido e baixo, fazendo o Thomas olhar pra mim com uma expressão engraçada.
- Espera. — Ele balançou a cabeça. — Você? Grávida? Do Pedro?
- É Thoso. — Suspirei.
- Isso é... — Ele deu uma pausa, e eu temi a continuação. — Isso é maravilhoso, Manuella! — Thomas pulou do sofá, me dando um abraço.
Suspirei aliviada em seus braços, pelo menos uma pessoa que eu podia contar. A Alícia? Por mais que ela quisesse meu bem, eu não confiaria muito nela.
- Mas você só acha? — ele disse, com aquele sorriso irresistível.
- Eu ia fazer uns testes no hospital hoje, mas tô pensando em desmarcar. — Eu disse sentando no sofá.
- Nada disso, você vai sim, eu vou te levar, e nada de reclamar, você é meu bebê. — Ele falou me abraçando.
- Tudo bem Thothoso. — Sorri, deitando no colo dele e ligando a televisão.
Havíamos passado a tarde juntos, sabe aquela tarde de melhores amigos mesmo? Esquecemos totalmente nossas idades, nos atiramos nos doces, passamos o dia no video game, conversamos... O dia parecia perfeito até chegar aquela temida hora.
Thomas olhou seu relógio e sorriu, colocando seus óculos escuros. Eu fiz uma expressão não muito agradável e fui pegar meu casaco. Descemos juntos, e entrei em seu carro.
A tensão dominava, enquanto eu batia minhas unhas na janela no ritmo da música que estava tocando, a gente nunca chegava, e aquilo era ruim e bom ao mesmo tempo. Eu estava morrendo de tédio quando vejo o Thomas estacionar de frente para aquele hospital. Desci, e ele colocou o capuz de seu moletom, para tentar não ser reconhecido. Sem sucesso. Umas três fãs o reconheceram, até que finalmente entramos no hospital.
Foi um tempinho esperando, até eu ser chamada na sala. Foram uns testes totalmente chatos, sem pé nem cabeça. Eu ficava boiando lá no meio, até que finalmente tudo acabou.
- O resultado fica pronto depois de amanhã — A médica de cabelos ruivos sorriu, com as mãos apoiadas na mesa branca e encardida.
- Tudo bem. — Sorri nervosa, me levantando e dando um abraço rápido de despedida, e saindo em seguida.
- E aí? Como foi? — Thomas se levantou todo desajeitado da cadeira da sala de espera.
- Fica pronto depois de amanhã. — Sorri, o abraçando.
[...]
Aquele dia não podia ter chegado. Que ótimo, o depois de amanhã logo virou hoje. Meu rosto com olheiras e minha expressão de quem dormiu mal denunciava que algo não corria bem. Logo o Thomas chegou na minha casa, e em silêncio fomos até o seu carro.
Parecia que dessa vez a viagem foi mais rápida, dentro de um instante estávamos na frente daquele prédio bege e velho, subindo as escadas. Não demorou muito e já me chamaram para a sala da médica.
- Olha... — A médica disse abrindo um grande envelope branco. — Parabéns, você está grávida. — Ela disse, me entregando um papel com várias coisas escritas, e no pé da folha, a palavra que eu mais temia desde então.
Eu abri a boca, mas as palavras não saiam. A médica tornou a falar, eu prestava atenção, mas ao mesmo tempo pensava no Pedro. Ele poderia aceitar isso, como não poderia aceitar isso. Demos a notícia ao Thomas, que ficou super animado. Eu não estava falando muito. Eu passava os olhos pelo papel, procurando alguma coisa errada. Onde o Pedro estava com a cabeça naquela noite? Sem malícias, por favor.
Ficamos mais um tempo naquele hospital, ouvindo a médica falar. Por mais que eu não queria, o Thoso pagou tudo pra mim, e o sorriso no rosto dele mostrava que ele estava feliz, até mais feliz que eu.
Ele me deixou em casa, e logo eu peguei um táxi e fui para o cemitério. Eu dava passos pesados admirando as estátuas das lapides, até chegar o grande anjo que estava sob o da minha mãe. O último buquê de lírios estava lá ainda. Secos, mas estavam. O coloquei mais pro lado, e coloquei o novo buquê bem no meio.
- Mãe, porque eu fui fazer isso? — Sussurrei, com a mão na barriga. — Por favor, você vai ter que me ajudar agora. Por favor.
Passei um tempo em silêncio, refletindo. Logo saí de lá, como sempre, revitalizada. Estava tomada a decisão, peguei outro táxi e fui deixada em frente ao prédio do Pedro. Por sorte, apenas ele estava lá. O resto da família estava trabalhando.
- Oi Manu. — Pedro abriu um sorriso radiante ao abrir a porta, e logo me puxou para um beijo.
- Pedro, eu tô precisando falar com você. — Entrei em sua casa de cabeça baixa, sentando no sofá da sala.
- Aconteceu alguma coisa Manuella? — Ele seguiu atrás de mim, logo depois sentando do meu lado.
- Na verdade... — Suspirei, tirando o envelope da minha bolsa. — Aconteceu. — Disse, colocando o envelope em suas mãos, e tampando o rosto, enquanto ele abria.
Quando olhei para sua cara, ele tinha uma expressão indecifrável, examinando cada canto do papel, e prestando total atenção. Ele não disse nada, apenas olhou para mim, com um sorriso entreaberto nos lábios.
Fale com o autor