- Thomas! — Gritei na porta do banheiro. — Anda princeso!

- Calma aí, meu cabelo tá rebelde. — Ele gritou de volta.

- Pára de gracinha! — Comecei a rir e abri a porta do banheiro. — O que você quer fazer? Eles vão arrumar seu cabelo no camarim Thotonto. — Peguei o gel das mãos dele.

- Ah, sei lá. — Ele deu um sorriso, quando tia Elaine apareceu na porta do banheiro.

- Esse Thomas sempre foi assim? — Brinquei.

- Sempre. — Ela deu uma risadinha.

- Ei mãe! — Ele riu junto.

- ACABEI! — Ouvimos um grito do quarto do Thomas.

- O VÍDEO? — Berrei.

- SIM! — Outro berro.

Saí correndo em direção ao quarto do Thomas, onde Alícia estava debruçada na cama dele, de frente ao notebook. Percebia que ela tinha uma expressão de muita ansiedade. Não dissemos nada, apenas apertei o play. Alícia conseguiu colocar quase todos os vídeos em um filminho de quinze minutos. Não tão vazio, nem tão cansativo. Brilhante essa Alícia!

- Gente eu preciso ir para a casa do nego. — Olhei para o relógio.

- Vem, eu te dou uma carona. — Thomas me pegou pela mão, e me levou até o carro. — Eu nem vi seu baixo novo. — Ele disse, enquanto acelerava o carro e colocava seus óculos escuros.

- É lindo! — Gritei.

- imagino. — Ele sorriu.

Quinze minutos, e logo a gente estava entrando no condomínio do Pedro Lucas. Ele já deixara avisado que era para subirmos. Eu subi correndo, tropeçando na ponta dos pés, enquanto o Thomas ia dançando pelos corredores. Toquei a campainha, e logo estavam abrindo a tranca.

- Oi Preto! — Gritei, me pendurando em seu pescoço.

- Oi branca! — Ele brincou, girando. — Vem cá que a gente precisa afinar o baixo.

- Tudo bem. — Fui de cavalinho no Thomas até o quarto onde o baixo estava. Era muito bonito. Lembrava uma borboleta preta. Eu aproveitei e treinei algumas músicas.

- Incrível como parece que você e o Pe foram feitos um para o outro. — Pedro Lucas sorriu, se atirando em sua cama.

- Bobagem. — Sorri sem graça.

Já estávamos a caminho da rua da casa de shows, ninguém falava nada, enquanto eu ficava brincando com o cabelo do Thomas.

- Para Manuella, vai desarrumar. — Ele resmungou.

- Mas seu cabelo nem tá arrumado, ele é rebelde. — Eu disse, rindo.

- Mexe com o cabelo do Pedro. — Thomas disse, rindo também.

- Não, eu tô triste. — Fiz biquinho. — Ele cortou o cabelo.

- Ah. Que dó do meu bebê. — Pedro me abraçou, ah... Aquele perfume... — Você não me ama mais? — Ele deu uma risadinha.

- Não. — Dei uma risada também. — Amar é pouco para o meu sentimento. — Sorri.

- Olha que fofinhos esses dois. — Alícia Deu um sorrisinho. — Nunca pensei que um dia veria isso.

- Eu nunca pensei que um dia ia me apaixonar tanto por uma fã. — Thomas surpreendeu Alie.

- Que lindo. — Ela sorriu. — Te amo muito. — Eles deram um selinho.

O tempo não passava, o tempo não passava... Finalmente vi aquelas fãs cheias de brilho nos olhos avistarem a van e saírem correndo, na esperança de algo. Eu apenas me encostei no vidro, sorrindo, e vendo nossa van sendo literalmente "atacada".

- Enfia logo essa mão pra fora gente. — Dei uma risada.

- Tudo bem. — Lucas abriu a janela e gritou

- Eu disse colocar a mão para fora. — Disse, começando a ter um ataque de risos.

- Eita Manuella! Respira! — Lanza disse me dando três tapas nas costas.

- Socorro! — Disse entre risadas, enquanto o segurança abria a porta da van para a gente descer no meio da galera.

Agarrei o Pedro, eu ainda não estava acostumada com aquilo, da última vez, chutaram sem querer meu machucado, e eu ainda estava com ele, cicatrizando, mas estava. Puxaram meu cabelo, e eu não aguentei, e tive um ataque de risos de novo, daqueles de perder o ar.

- Respira Manuella! — Pedro ria comigo.

- Respirei. — Disse, rindo, enquanto entrávamos na casa de shows. — Quantos minutos até eu entrar?

- Quarenta. — Pedro Lucas disse, olhando para seu relógio.

- Tudo bem. — Sorri, enquanto levava Alícia para o camarim, atrás de uma organizadora.

- Nossa, que pressa é essa? — Ela disse, enquanto tentava seguir nosso ritmo.

- Quarenta minutos, é muito pouco. — Disse, finalmente empurrando a porta branca e pesada. — Oi Isabella! — Disse, vendo a maquiadora que eu havia conhecido quando estava com a equipe. — Alícia, essa é a Isabella, a maquiadora da equipe. — Disse, enquanto empurrava Alie para dentro.

- Oi! — Ela disse, sorrindo.

- Oi! — Isabella disse, separando alguns vidrinhos de algumas coisas.

- Isa, depois de terminar meu make, faz um na Alie? Ela vai ajudar na surpresa do Pedro. — Disse, enquanto pegava minha bolsa, onde estava minha roupa, e me trocando no banheiro.

- Claro que sim amore. — Ela deu três tapinhas na cadeira preta de couro.

Meia hora me maquiando, e ainda sobrou quinze para zoar com os meninos. Saí correndo para o camarim deles, enquanto Isabella maquiava Alie.

- Cheguei minhas coisas lindas. — Empurrei a porta do camarim deles.

- Oi coisa feia. — Thomas falou.

- Olha quem fala. — Revirei os olhos, rindo.

- Nossa, valeu. — Ele sorriu.

- Eita Pedro, tá cheio de espinha. — Dei uma risada.

- Olha quem fala também. — Ele comeceu a rir.

- Ok. Eu também tenho, então vou calar a boca. — dei uma risadinha

- Cadê a Alidelícia? — Thomas perguntou, se levantando da cadeira de maquiagem.

- Para de chamar ela assim! — Eu disse. — Parece nome de sorvete. — Todos riram.

- Eu adoro sorvete. — Ele disse.

- Novidade. — Revirei os olhos, ainda rindo.

- Manuella, já tá na hora! — A própria Isabella entrou no camarim.

- Vamos lá! — Eu dizia enquanto pegava o microfone, o de sempre, o que o Thomas mandou fazer.

Apenas vi ele sorrindo, como sempre sorria quando eu pegava o microfone. Dei um abraço nos meninos e saí correndo. O pessoal já estava frenético, aquela energia boa, toda aquela tensão das fãs... Me fazia tão bem!

O tempo passou voando, quando me dei conta, já estavam acabando as batidas da última música. Agradeci ao pessoal, e saí correndo, balançando meus cabelos "pingando" de suor. Encontrei Alícia, elétrica atrás do palco. Ela estava pulando, e eu dei uma leve empurradinha nela, e ela conseguiu acenar para a plateia antes de todas as luzes apagarem.

- Gostou? — Disse, enquanto roubava a garrafinha do Lanza, que passou correndo do meu lado.

- Foi muito perfeito! — Ela pulou. — Mas não sei como você consegue pular tanto com esse salto agulha. — Ela disse, e quase me fez engasgar com a água, de tanto rir.

- Ei Thoso! — gritei, quando ele passou do meu lado.

- Oi amore? — Ele parou.

- Tá tudo certo então né? — Sorri.

- Tá tudo sim! A Isabella passa pra avisar. — Ele deu aquela piscadinha de sempre.

- Então tá, boa sorte. — Dei um abraço nele.

- Ah! Obrigado Manu! — Ele disse.

- Boa sorte Tho! — Alícia disse, sorrindo.

- Obrigado minha coisa linda! — Ele passou as mãos no rosto de Aícia e deu um selo rápido.

- Então são dezessete minutos de show, e eu entro, ok Alícia? — Disse, enquanto seguíamos para o camarim de novo, para eu secar meu cabelo.

- Ok! — Ela exclamou.

Quinze minutos se passaram, e lá estava eu correndo por aqueles corredores de novo, mas agora com aquele baixo maravilhoso pendurado em meus ombros. Fazia tempo que eu não tocava em público. A última vez que eu toquei foi no oitavo ano. Fiquei nos pés da escada, esperando eles terminarem de tocar a música "Pra Você Lembrar".

A última parte da voz suave e confortadora do Pedro Lucas acabou. Fui para trás do palco, onde Thomas já me viu, enquanto retornava para sua bateria, e deu aquele seu sorriso brincalhão. Já estava escolhido, eu ia tocar e cantar " Ao Teu Lado", como se estivesse no posto do Lanza, e depois nós e as fãs iríamos puxar um parabéns pra você. Logo ouvi Koba me olhar, e tocar os primeiros acordes. Logo eu segui com a música, e surpreendi Lanza ao pegar seu microfone e cantar.

- Ao teu lado quero estar... — Disse finalmente o último verso, ganhando um abraço muito apertado do Pedro.

- Não precisava tudo isso... — Ele disse, com sua voz abafada em meus ombros. — Muito obrigado...

- Não agradeça a mim. — Eu disse no microfone. — Agradeça as suas fãs, que fizeram isso acontecer. — Sorri.

- Muito obrigado meus amores! — Eu lhe dei o microfone que eu estava usando. — Saibam que cada uma de vocês estão aqui, bem dentro do meu coração! — Ele gritava, fazendo as fãs delirarem.

Eu fui para trás dele, gesticulando "um, dois, três" com as mãos, e logo estava formado um coro das fãs com feliz aniversário. Alícia logo colocou para rodar no telão o vídeo que ela editou, e Pedro estava realmente emocionado.

- Saiba que esse é o meu melhor aniversário. — Ele disse no meu ouvido. — Você sabe o quanto você mudou minha vida pra melhor? — Ele sorriu, ao mesmo tempo prestando atenção. — Eu te amo muito.

- Eu também te amo. Engraçado que você é a pessoa que mais me dá força e, ao mesmo tempo, é meu maior ponto fraco. — Eu sorri.