Colorful
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Estávamos em uma comemoração, compartilhando bebidas enquanto as risadas ecoavam pela sala do pequeno apartamento. O motivo da festinha entre a banda eu já nem lembrava mais, haviam tantas coisas para comemorar nos últimos meses que acabamos concordando que ao menos uma vez por semana merecíamos uma festinha particular. O sucesso do álbum, os singles subindo nas paradas… Estava tudo finalmente dando certo, depois de passarmos por tanta merda com a gravação do going to hell. Todos nós estávamos com o constante sentimento de missão cumprida, todo o trabalho que tínhamos tido havia valido a pena e o resultado disso tudo mais do que agradava a nós. E parece que acabou agradando todo o nosso público, além de novas pessoas que pareciam começar a nos descobrir. A felicidade era constante e se tornou unânime a ideia de que isso merecia bebidas: muitas delas, em muitas noites.
Rindo de uma piada que eu já nem saberia sobre o que era, percebo Alie se levantar do tapete em que estava sentada apoiada no Mark (o que por experiência própria eu sabia ser muito bom, Mark além de um irmãozão ainda era extremamente confortável para se recostar a cabeça). O short já curto de minha amiga parecia ainda mais curto em meus olhos levemente desfocados pela bebida e eu nem sabia como tinha conseguido acompanhar o movimento com meu nível de embriaguez. Se aproximando, Alie dá um leve tapinha em minhas pernas.
— Abre espaço aí que eu também quero usar o sofá, minhas costas estão me matando naquele chão.
Tomando mais um gole de um copo que eu tinha na mão, recolho minhas pernas que estavam estiradas confortavelmente e observo-a literalmente se jogar no sofá, satisfeita. Começo a rir do suspiro de satisfação que ela soltou, da bebida que começava a nublar levemente meus pensamentos e da sensação estranha que havia se alocado no centro do meu estômago. Eram motivos suficientes pra rir, ou ao menos pareciam ser. Dou uma batidinha com a mão nas minhas coxas, chamando sua atenção.
— Deita logo. Sei que não sou tão fofa quanto o Mark, mas para travesseiro minhas pernas devem servir. — E ela começa a rir enquanto apoia a cabeça em minhas pernas para deitar no sofá.
— Realmente, de fofa você não tem nada, querida. — E ela suspira quando se sente finalmente confortável.
A conversa entre todos continua, cada vez mais sem sentido, com Alie e eu participando ativamente dos assuntos. Ganhei a disputa de rimas, é claro. Sou fo-da com letras, isso é um fato. Ninguém me supera. Só não ficou melhor porque a letra ficou ridícula e eu tentava falar enquanto ria das minhas próprias rimas toscas e de Alie fazendo beatbox deitada para acompanhar a letra. Ficou completamente ridículo, mas isso era o mais divertido. E eu ganhei, ponto.
Sem perceber, logo minhas mãos estavam alisando aqueles longos cabelos lisos espalhados pelo meu colo, mas ela não parecia estar incomodada com isso. Talvez ainda não tivesse percebido também, pois estava em uma séria discussão com Ben que ninguém estava entendendo realmente. Algo sobre ele se recusar a se abrir mais sobre algumas coisas até estando bêbado. Sobre ele ser idiota e achar que íamos julgá-lo por algo. Eu teria que tentar descobrir depois o que diabos aquilo queria dizer. Se eu lembrasse quando ficasse sóbria novamente, claro.
Totalmente desconfortável com o rumo que o assunto estava tomando, Ben ficou satisfeito quando Jamie o chamou para participar de uma aposta idiota que envolvia copos de bebidas e acertar perguntas que não pareciam nem um pouco úteis ou até mesmo compreensíveis pra mim naquele momento, então minha atenção se volta para o rosto que estava em meu colo. Percebo que aqueles brilhantes olhos castanhos já estavam voltados para mim e pareciam me analisar.
Alie percebe que eu não desvio os olhos, observando-a, e solta uma risadinha bêbada totalmente adorável enquanto estica a mão em direção ao meu rosto. Começa então a passar a ponta dos dedos em minha bochecha, nariz, boca, queixo. Provavelmente saciando uma vontade que tinha guardado muito profundamente de fazê-lo. Sorrio com o toque, pegando sua mão e a colocando aberta sobre meu rosto, sentindo a mão quente e fechando os olhos para apreciar a sensação. A bebida fazia minha cabeça rodar e eu me sentia feliz com a repentina aproximação da Al. Abro os olhos e encontro os seus lábios torcidos em um sorriso satisfeito, seus olhos encaravam a minha mão sobre a sua. Sem conseguir me conter e sem querer fazê-lo, solto sua mão, usando-a para passar os dedos pelo seu rosto da mesma forma. Meus dedos param em seus lábios, uma vontade incontrolável de beijá-los tomando conta de mim. Sorrio quando Alie, provavelmente pensando o mesmo que eu, segura minha mão e deposita ali um beijinho, se levantando rapidamente para mudar de posição no sofá.
Acompanho todos os seus movimentos com a coisa estranha no estômago aumentando de intensidade, a ansiedade me deixando louca. Ela se senta ao meu lado, suas longas pernas ficando confortavelmente por cima das minhas enquanto seus olhos se viram para mim. E eu não me contenho mais. Seguro sua nuca sem nenhuma delicadeza e elimino a distância entre nós. Nossos lábios se chocam rudemente e minha língua pede passagem, que ela concede com um suspiro de satisfação. Suas mãos se apossam de meu rosto, me segurando para não sair dali. Seguro suas pernas que estão no meu colo, enquanto a outra mão passeia pelos cabelos de sua nuca. Seu gosto era doce, seu beijo incrivelmente lento e torturante. Só me fazia ansiar por mais.
Perdidas em uma realidade paralela, ouvimos um pigarro masculino. Nos separamos como se tivéssemos levado um choque, a realidade entrando de uma vez só em nossas mentes.
— Oh pobre Alie, acho que bebeu demais. — Mark diz e começa a rir, enquanto os outros acompanham. Abro a boca para soltar um xingamento repleto de palavrões, mas ela é mais rápida.
— Vai te foder, Mark. Beijo minha amiga sempre que eu quiser, imbecil. — E com isso ela dá um beijo no canto da minha boca, seus lábios reascendendo a vontade de agarrá-la, enquanto ela se joga para trás no sofá e deita na outra extremidade, deixando as pernas ainda esticadas por cima das minhas.
— Porra Mark, não ferra. Vá comer a bunda de alguém em vez de encher o saco. Ah não, esqueci que o ursão da Rose não pode mais fazer isso quando bebe. — Xeque-mate! Mark odeia o apelido, por isso faço questão de lembrar. Começo a gargalhar, enquanto Ben tenta conter um sorriso e Jamie ri abertamente.
— Desculpa cara, mas você “comprometido” é algo realmente estranho de absorver. E o apelido que você ganhou também. — Jamie termina, gargalhando ainda mais.
A conversa continua sem Alie e eu nos tocarmos mais. A não ser, claro, o toque das suas pernas sobre as minhas. Quando ficou realmente tarde (ou cedo demais, já que pessoas normais acordavam a essa hora para trabalhar) os rapazes resolvem que precisam dormir e que o chão do meu apartamento não é um bom lugar para isso, então se despedem e aos poucos saem rumo aos seus apartamentos (que, a propósito, ficavam no mesmo corredor). Enquanto aceno para Ben, o último a sair, levanto do sofá e Alie me acompanha, enquanto começo a recolher os copos e pratos espalhados pelo chão para colocá-los em uma pia da qual eu não me aproximaria nas próximas muitas horas. Definitivamente não lavaria louça tão cedo.
Ao fim da tarefa, espero ela trazer a última leva de coisas espalhadas.
— Quer passar a noite aqui hoje? — Pergunto, enquanto observo-a largar as coisas na pia ao meu lado. Seus olhos encontram os meus e seu sorriso se torna levemente malicioso.
— Achei que não ia perguntar. — Ela responde, erguendo uma sobrancelha e colocando a mão na cintura. O que é tão típico dela que me faz sorrir.
Sem esperar por mais nada, minhas mãos buscam sua cintura, trazendo-a para o mais perto possível. Meus lábios buscam os seus e não encontram resistência da sua parte. Pelo contrário, ouço um longo gemido quando empurro-a contra a pia, pressionando meu corpo no seu. Minha mãos trabalham em percorrer a pele nua de suas costas por baixo da blusa fina, descobrindo caminhos até então desconhecidos por mim. Suas mãos seguram com força minha nuca, puxando meus cabelos com certa intensidade, o que era extremamente bom. O beijo é interrompido apenas quando precisamos de ar, nossas testas se encostando enquanto ofegamos consideravelmente.
A vontade de beijar cada parte daquele corpo tão milimetricamente bonito se torna absurda e levanto levemente a barra da sua blusa, esperando que isso servisse como um pedido de permissão. Afinal, já havíamos ultrapassado diversos limites da nossa amizade nas últimas horas, mas eu não sabia quantos limites podíamos quebrar em um único dia. Entendendo o que eu queria, ela responde levantando os braços para que eu possa tirar a blusa, o que tomo com um enorme sinal verde em neon. Mais rápido do que eu acharia possível, logo seu sutiã é a única peça que separa meus lábios afoitos dos seios que estavam em minha frente. Depois de mais um longo beijo, meus lábios passam a distribuir beijos pelo seu queixo, descendo para o pescoço… Só ouvia tímidos gemidos e tomava-os como um incentivo a seguir adiante. Antes de chegar aos seios, volto a beijá-la, dessa vez lenta e docemente. Minhas mãos percorrem suas costas e chegam ao fecho do sutiã, abrindo-o lentamente, oferecendo a chance dela me parar. O que não ocorre. Interrompo o beijo e deposito um beijinho na ponta do seu nariz, o que a faz rir.
— Retiro o que disse antes, você até que é bem fofa taytay, só faltava corar quando tirou meu sutiã. — Ela provoca, ofegante, enquanto bufo, levemente irritada com a provocação. Ela achava que eu estava sendo delicada demais? E eu arranjando um controle que eu nem sabia ter! À merda com o controle então! Subo o rosto para encará-la.
— Isso também é delicado demais pra você A-lie? — Sorrio sorrateiramente enquanto abro o botão do seu short, descendo-o rudemente junto a calcinha vermelho-sangue que ela usava. Ela ofega com a surpresa, mas não dou tempo para alguma resposta, me abaixando para depositar beijos em seu umbigo e descendo com os beijos até a virilha. Quando meus lábios encontram aquele pele sensível e um gemido feminino ecoa em meus ouvidos, meus pensamentos nublam e eu viro uma montanha-russa de sensações. Me perder naquele corpo era tudo o que eu queria fazer naquele momento.
***
Acordo com um raio forte de sol entrando pela janela do quarto, deixando o lugar mais iluminado do que meus olhos fechados poderiam aguentar. Sento na cama, olho ao redor e percebo a bagunça que restou da noite anterior: o abajur no qual eu tropecei estava no chão em pedaços, os lençóis espalhados confusamente pela cama, peças de roupas minhas jogadas em todas as direções. Até que meus olhos recaem sobre uma super escabelada Alie, que estava dormindo profundamente ao meu lado, seus lábios mais avermelhados do que o normal levemente entreabertos, a respiração tranquila. E eu sorrio enquanto relembro cada detalhe da noite anterior.
Esta não foi a última vez que isso aconteceu, e posso dizer que nossa amizade se tornou maravilhosamente colorida.
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