Colorful
1 Capítulo Único - Colorful
Notas iniciais
Percy Jackson — One Shot
Colorful
Naquela época no acampamento, a maioria dos campistas iam para as suas casas ou internatos estudarem, como eu tinha sido expulsa da minha escola anterior e meu pai ainda estava a procura de alguma escola que me aceitasse, eu ficaria sem aulas por enquanto. O irritante da minha situação era que, todos os meus amigos tinham ido estudar e eu estava sozinha no acampamento, tirando o fato de Nico Di Angelo também estar lá. Mas não era como se fizesse diferença, Nico não falava com quase ninguém e eu duvidava muito que ele fosse falar comigo, uma filha de Íris qualquer.
E nada mais podia piorar quando estávamos na véspera do dia dos namorados, e eu não tinha ninguém, novamente. Se tinha algo chato, era o dia dos namorados. O dia em que todas as minhas amigas paravam para falar de como e onde elas passariam o dia dos namorados, e o que elas dariam ou ganhariam de seus respectivos namorados. Sempre que elas chegavam neste ponto da conversa, todos os olhares se dirigiam a mim, e elas perguntavam — embora todo ano a resposta fosse a mesma. – “quem é o seu namorado, Charlotte?” Neste ponto da conversa, eu apenas cruzava os braços e me retirava.
Qual era o problema de não ter namorado no dia dos namorados? Não era como se eu fosse morrer sozinha assistindo séries na Netflix, – não que isso fosse má coisa, eu adoraria, – não era tão mal assim, certo? Aliás, quem precisava de namorado quando se tinha séries?!
Eu rolei na minha cama enquanto pensava no que fazer, talvez eu passasse o dia seguinte pintando o meu cabelo de outra cor. Ser uma filha de Íris tinha isso, de amar pintar as coisas, o que eu mais gostava de pintar era o meu cabelo. Naturalmente ele era loiro, mas eu nunca gostei muito de loiro, então pintei de castanho, depois parti para o cor de rosa. A última cor que eu tinha experimentado no meu cabelo até então era laranja, e eu não podia estar mais satisfeita.
Além de pintar meus cabelos eu amava pintar quadros, ou qualquer coisa que tivesse algo a ver com artesanato. Eu simplesmente amava fazer crochês, costurar roupas, personalizar qualquer coisa e claro, a cultura indie e hippie.
Minha irmã Andrea, que eu carinhosamente chamava de Drea me puxou, fazendo com que eu me levantasse da cama.
— Anda, temos que tomar café.
Eu dei um suspiro cansada, mas logo me recompus, tinha a fama de ser a garota mais otimista do meu chalé. Não era o dia dos namorados que iria me deixar se sentindo vazia e sozinha novamente. Esbocei meu melhor sorriso e balancei a minha cabeça.
— Eu tô com fome. – disse olhando em volta para as camas vazias, céus, aquele chalé era tão estranho sem os meus irmãos por perto.
— Vamos lá. – ela me puxou pelo braço para fora do chalé. No caminho do pavilhão cumprimentamos os irmãos Stoll e alguns garotos do chalé de Nêmesis. Drea sempre achava um jeito de colocar garotos nas nossas conversas (eu acreditava seriamente que ela tinha uma bênção de Afrodite, ou algo do gênero), e nesse exato momento Nico veio nos cumprimentar. – ...Sim, mas aquele garoto de Afrodite realmente gostou de voc…
Ela olhou de canto maliciosa para mim enquanto Nico dava um sorriso tímido. – Bom dia.
— Bom dia, Nico. – falamos juntas, e ela me deu uma cutucada com o cotovelo na minha barriga, por Zeus, como aquilo doeu. Forcei um sorriso e pisei discretamente no pé dela.
— Bem, – Nico coçou a nuca, como se estivesse um pouco incomodado – Annabeth comentou que você precisava de uma ajuda com espadas.
Senti o meu rosto corar, e Drea não deixou sua risada escandalosa e maliciosa passar despercebida, até mesmo Annabeth sabia que eu tinha uma queda por ele, mas eu não imaginava que ela ia dar uma de cupido também. Afundei as minhas mãos no bolso da minha camisa xadrez azul, estava ficando nervosa, algo que era estranho para mim porque eu não ficava assim na frente de garotos.
— Eu iria adorar Nico, – comentei de forma educada, tentando esconder que as borboletas no meu estômago me socavam a ponto de me derrubar no chão, eram tantos sentimentos misturados quando ele me olhava, não dava para descrever! – muito obrigada.
Por um momento um sorriso iluminou o seu semblante triste, tudo o que aquele garoto mais precisava era um sorriso verdadeiro, um sorriso feliz.
— Ok, depois do café na arena. – ele murmurou e deu meia volta seguindo para um caminho contrário.
Drea esperou ele se distanciar para dar um mini surto, vulgo, um surto que daria para se ouvir do tártaro.
— Finalmente, meus deuses! – ela anunciou erguendo as mãos para o alto e as balançando freneticamente. – alguém finalmente tomou atitude.
— Drea, cala a boca. – falei corando furiosamente, o que não me ajudava muita coisa em tal situação.
Nós se sentamos na mesa de Iris enquanto Drea tagarelava sobre alguma coisa e eu fingia escutar, apenas concordando com alguns “aham”. Na verdade a minha cabeça estava em outro lugar, o semblante entristecido de Nico era parte dele, mas eu nunca tinha me dado conta de como ele sempre parecia triste e depressivo. Aquilo incomodava qualquer criança da deusa do arco iris, eramos sempre animados e sorridentes e fazíamos o possível para infectar as pessoas com a nossa alegria.
Prometi para mim mesma, que eu não iria sair daquele acampamento sem fazer ele sorrir, nem que fosse uma única vez.
(...)
A pior coisa em se apaixonar por alguém, não era nem lidar com o sentimento, ou ter que passar por altas crises de ciúmes, não, aquilo era até o de menos, a pior coisa era ver a pessoa que você gosta triste e você não ter a capacidade e a intimidade de fazer ela desabafar, e você poder abraça-la dizendo que estava tudo bem. Sabia que aquilo era tudo o quê Nico precisava, mas eu não podia oferecer aquilo a ele sem que nós tivéssemos um pouco de intimidade e aquilo me entristecia no fundo.
— Você esta com a mente distante. – ele comentou enquanto saímos da arena depois de um treino cansativo, os cabelos negros de Nico grudavam na sua testa e eles os jogava para trás, e pelos deuses, aquilo o deixava incrivelmente sexy.— o quê foi? – o moreno parou de andar para olhar para mim.
— Como assim? – perguntei também parando de andar, ficando de frente para ele.
— Você me olhou e mordeu o lábio, eu quis saber o quê aconteceu. – o garoto comentou na mais pura inocência, e eu senti toda a cor do meu rosto se esvair em questão de segundos.
— Eu morder o lábio? – dei uma risada nervosa pensando numa desculpa e evitando pensamentos sujos naquele momento, – é que...Eu estava preocupada! Poxa, eu realmente estava preocupada.
Alerta de mentira, toda vez que eu disparava a falar palavras com final em “mente”, em mais de noventa por cento dos casos, eu estava nervosa.
— Preocupada é? – ele me olhou desconfiado e eu tossi de leve afastando o clima tenso.
— Sim! Eu estava preocupada com o meu treinamento, sabe, preciso me defender melhor…
— Hum, eu posso te treinar mais então. – as bochechas de Nico assumiram um tom rosado, que me deixou confusa.
— Ahhm, eu iria adorar. – as minhas palavras soaram com sinceridade demais, e Nico provavelmente já deveria ter entendido as entrelinhas, meus deuses,queria me jogar de um penhasco ou cavar um buraco até a China.
Ficamos alguns minutos se encarando sem assunto nenhum para falar, e eu tive que puxar assunto de alguma maneira, estar com ele era bom. Não podia negar a sensação de conforto de olhar no fundo dos olhos escuros dele, e ver uma, embora pequena, chama de felicidade. Era só uma faísca, mas algo me dizia que aquela faísca poderia aumentar se eu ajudasse.
— Então, quando você vai voltar as aulas? – perguntei encaracolando a ponta do meu cabelo com o dedo.
— Acho que semana que vem, – ele novamente passou os dedos pelo cabelo fazendo o meu corpo se arrepiar – e você?
— Meu pai está procurando uma escola nova, fui expulsa da anterior. – comentei fazendo uma careta.
— A Sra. O’ Leary já fez com que eu fosse expulso uma vez. – ele comentou com um sorrisinho nostálgico.
— Não brinca, – comentei dando risada – como isso aconteceu?
— Ela quebrou o banheiro masculino, e a culpa recaiu sobre mim. – ele sorriu ao ver que eu ria pensando na cena.
— Você quer fazer o quê, sabe, depois da escola? – comentei ainda encaracolando o meu cabelo.
— Música talvez, ou não sei, algo ligado a artes. – ele deu risada ao ver minha cara de surpresa, – eu sei, parece muito estranho um filho de Hades se interessar por esse tipo de coisa. E você?
— A única coisa que eu sei é que eu não quero fazer faculdade. – fiz uma careta.
— Por quê?
— Escola já é traumatizante o suficiente. – comentei e ele deu risada da minha careta, e embora eu talvez fosse me arrepender de ter falado, eu falei – seu sorriso fica lindo desse jeito, feliz. Você deveria sorrir mais vezes Nico.
Me conti, não querendo falar sobre o como eu era apaixonada pelas covinhas do filho de Hades, ou que eu amava a maneira como ele jogava os cabelos para trás e aquilo era tão sexy, ou quando ele mordia o lábio e eu podia simplesmente cair aos pés dele. Tudo aquilo estava entalado na minha garganta.
— Obrigado. – ele comentou com um sorriso bobo brincando em seus lábios.
— Tenho que ir agora, vejo você amanhã. – falei me aproximando para me dar um beijo em sua bochecha, qual é, eu não podia perder a oportunidade de me aproximar dele.
Nico me abraçou por alguns segundos, e eu aproximei meus lábios para perto da bochecha dele, o garoto virou o rosto ficando de frente para mim. Estávamos tão perto, e próximos de um beijo que eu não via como meu cérebro funcionar direito, teria que agradecer Annie depois. A única coisa que eu menos esperava era de que a atitude fosse tomada por ele, o garoto me segurou na cintura e me roubou um beijo.
Fechei meus olhos aproveitando cada segundo daquele momento, embora fosse um selinho, já estava contente com aquilo. Quando nos afastamos eu dei um sorriso envergonhado e eu vi novamente aquela faísca se expandir.
— Eu realmente tenho que ir. – sorri enquanto ele mordia o lábio, me virei de costas para ele começando a andar em direção ao meu chalé.
— Espera. – ele murmurou em fazendo se virar para ele, o moreno me puxou pela mão e me trouxe para perto dele. Eu conseguia sentir seu coração, estava completamente acelerado. Nico me puxou novamente para um selinho, só que sem nem esperar ele pediu permissão e eu cedi.
Procurei passar os meus braços pelo seu pescoço, quebrando a distância que restava entre nós. Passeei meus dedos pelo seu cabelos molhado, quando algo me surpreendeu, mão boba. Senti meu rosto corar, nunca que eu imaginaria um Nico ousado, mas eu gostava. Arranhei de leve a nuca dele, sorrindo durante o beijo com a reação dele, quando o oxigênio nos faltou fiz questão de morder o lábio inferior dele e me afastar.
— Agora eu tenho que ir. – pisquei para ele que sorria abobado me olhando se distanciar.
O sorriso besta no rosto dele, e o olhar de “quero mais” me fez sorrir a ponto de rasgar minhas bochechas.
(...)
Tinha feito um ano.
Um ano que eu e Nico ficávamos sem nenhum compromisso, eu sabia que era muito tempo, mas eu não queria deixa-lo desconfortável. Nico estando feliz era suficiente para mim, seu sorriso era a melhor coisa que podia me acontecer. Hades não gostou muito da ideia de nós dois juntos, mas depois de muita insistência do Nico ele acabou deixando de lado. Ele estava tão feliz comigo, e todos ficavam me dizendo que eu tinha trazido luz para ele, me sentia tão feliz em ouvir isso embora nós não estivéssemos namorando.
Com o tempo eu aprendi a respeitar o tempo dele, e não ficar implorando por uma confirmação do nosso relacionamento, se ele estava feliz, já me deixava feliz.
Naquele momento ele estava na minha frente com um sorriso bobo no rosto, e balançava a cabeça negativamente para os lados.
— O quê foi? – perguntei curiosa.
— Você devaneando. – o garoto sorriu mostrando a sua covinha nas bochechas que eu tanto amava.
— Ei. – resmunguei dando um empurrão de leve em seu ombro, o moreno sorriu e me roubou um beijo. – qual o problema de pensar em coisas aleatórias?
Nico riu enquanto bagunçava os meus cabelos – agora azulados com mechas verdes – , e eu fiz uma careta.
— Eu queria te pedir uma coisa, mas você não precisa concordar é claro. Eu só queria fazer isso, porque eu acredito que você mereça isso, – o moreno percebeu a minha cara de paisagem e sorriu de forma tímida – é o seguinte, eu estou apaixonado por você Lottie. Você tem me ajudado desde...sempre, e quando eu mais precisava de alguém...você estava lá.
Dei uma risada nervosa, um pouco ansiosa pelo o que ele poderia falar para mim.
— E eu sei que você ainda vai continuar me ajudando – ele corou e começou a coçar sua nuca – então, é dia dos namorados e…
Dei um sorriso que poderia rasgar as minhas bochechas.
— E mais nada Di Angelo, – disse em tom autoritário e o puxei pela gola da camiseta para um beijo, – eu aceito.
“Me beije como se quisesse ser amada
Quisesse ser amada, quisesse ser amada
É como se eu estivesse me apaixonando
Me apaixonando, nós estamos nos apaixonando”
Ed Sheran, Kiss Me.
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