Colombina
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Faz anooos que não posto aqui no Nyah! Desde 2012, acho...
Espero que gostem! ^^
— Senhoras e senhores! O espetáculo vai começar!
E com essas palavras de Pantalone, o mestre de cerimônia (e o dono) do circo, o espetáculo de fato começava.Colombina era uma das primeiras a se apresentar. Ela e Vivi formavam a dupla de contorcionistas. As duas foram formidáveis, como sempre. Era fácil. Não precisava sorrir. Se precisasse, certamente já teria sido demitida.Admirava Pierrot, que vinha após ela. Apesar de tudo, sorria e fazia sua performance brilhantemente. Era o melhor palhaço da região.Pierrot, coitado. Colombina era serelepe comparada a ele. Ele tinha depressão profunda. Cortava-se pelo menos duas vezes por semana. Colombina o ouvia chorar baixinho, todas as noites. Dividiam a tenda com Vivi e Arlequim, o domador.Arlequim era a única pessoa do circo que podia ser considerada feliz. Seus sorrisos, dentro e fora do picadeiro, eram genuínos. Talvez fosse assim por não conseguir engordar, podendo assim comer as guloseimas que quisesse. A maioria dos artistas tinha que se submeter a uma dieta rigorosa para não ultrapassarem um limite de peso supostamente saudável. Supostamente, porque Vivi tinha problemas sérios de bulimia por causa da pressão que Pantalone fazia.Nem o dono do circo era feliz. Ganancioso, explorava o pessoal para ganhar mais e mais dinheiro. Nunca se satisfazia. Colombina achava que ele poderia ser feliz numa favela, de preferência deixando o circo para os artistas cuidarem. Tinha certeza de todos sairiam ganhando assim. Só em não ter mais Pantalone por perto... Colombina era bonita. Todos os rapazes do circo olhavam para ela. Quem realmente gostava dela, porém, eram Arlequim e Pierrot.Arlequim não disfarçava seu interesse. Cavalheiro e simpático, tentava conquistá-la com pequenos gestos adoráveis. Colombina ruborizava sempre que ele os fazia. Já Pierrot era mais tímido. Era com pequenos gestos que demonstrava sua afeição pela contorcionista. Na verdade, foi Vivi que contou a Colombiana que o palhaço gostava dela.O coração de Colombina estava dividido. Por um lado, admirava Pierrot por sua coragem, sua determinação e seu amor pelo que fazia; além disso, queria ajudá-lo a superar sua depressão. Por outro, Arlequim talvez pudesse fazê-la feliz, nem que fosse por alguns momentos. Para completar, sabia que escolher um faria o outro triste. Não sabia o que era pior: Arlequim sucumbir à tristeza endêmica do circo ou Pierrot afundar ainda mais na depressão.Assim, optou deixar que o tempo lhe mostrasse o melhor caminho. Tinha fé que, um dia, um deles se desapaixonassem deixando-a livre para ficar com o outro. Ou talvez os dois desistissem dela, e ela não teria que escolher entre os companheiros de tenda.O palhaço e o domador se davam bem, apesar de gostarem da mesma mulher. Frequentemente Arlequim fazia as vezes de palhaço, para deixar o amigo feliz. A bem da verdade, Pierrot ria, mas porque Arlequim não sabia ser palhaço de jeito nenhum. Pelo menos o fazia rir, coisa que Colombina nunca conseguira. Colombina estava certa. O tempo lhe mostraria o caminho. Mas este não era bem o que ela esperava.O circo tinha acabado de mudar de cidade. Após a primeira apresentação, ela e Pierrot caíram doentes. Ninguém avisara que a cidade sofria com uma epidemia de dengue.Pantalone apressou-se em comprar repelente para todos do circo. Não porque se importasse; o show devia continuar, e não podia deixar que mais artistas adoecessem e comprometessem o espetáculo. Dois dias depois, ele próprio caiu doente.Sem como recorrer a um hospital, os dois foram cuidados por seus colegas de tenda. Ao longo do tratamento, Arlequim e Pierrot se aproximaram bastante, e Colombina notou uma mudança significativa no humor dos dois (principalmente no de Pierrot; ele sorria!).Logo perceberam que uma paixão brotara entre os dois. A contorcionista se alegrou. Não precisaria escolher entre os dois amigos!Pierrot se recuperou rapidamente, graças ao amor de Arlequim. Pantalone, sem amor nem ajuda de ninguém, pereceu. Sua morte foi comemorada pelo pessoal do circo. Agora estavam livres para administrar o circo de forma justa. Ninguém mais sofreria! A alegria contagiou todos.Todos, menos Colombina. Apesar de todos os cuidados por parte dos amigos (principalmente de Vivi), não conseguia melhorar da dengue. No fim, tiveram que levá-la a um hospital e lá deixá-la, pois não podiam ficar na cidade por mais tempo.Para sua sorte, não morreu. O hospital a tratou bem, e em dias ficou curada. Infelizmente, por mais que procurasse, não encontrou mais o circo. Algumas pessoas a mandavam voltar para casa, que essa história do circo era loucura causada pela febre.Colombina procurou pelo circo dias a fio, mas começava a se perguntar. Será que tudo não foi mesmo um delírio causado pela febre prolongada? Será que sonhara durante o tempo em que estivera doente, e a dengue do sonho era só um aviso de que ele estava no fim?Mas e Arlequim? E Pierrot? Vivi, Pantalone... todos do circo? Eram tudo fruto da imaginação febril da contorcionista? E ela, seria mesmo uma contorcionista? Se tudo fora de fato um sonho, quem era ela? Chamava-se mesmo Colombina?
Perambulou atrás de respostas. Ninguém sabia dá-las. Onde estava o circo? Quem era Colombina?Caiu no chão de terra batida e lá dormiu. Dormia e acordava incessantemente. No meio disso, teve a impressão de ouvir, ao longe, uma voz familiar anunciar que o espetáculo ia começar. Avistou o que parecia ser uma lona. Dormiu de novo, e só acordou de manhã.Não havia mais lona.
Notas finais
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