Notas iniciais
Eu não sabia a importância do aesthetic até a conhecer; tampouco a diferença entre a good smut and a bad one, eu espero que este se enquadre na primeira categoria; ela disse que sim.

Júlia, essa é sua.

12 de Junho, 1932

“I have heard among this clan

You are called the forgotten man”

O carro amarelo fazia a curva agora, parando lentamente junto ao acostamento de uma rua erma qualquer, a fim de libertar a figura esquecida e sem rumo que viera guiando em seu banco traseiro por horas a fio. Sem que ninguém soubesse, ele os abandonara à seca. Às esperanças e projeções da nação que esperava demasiado de seus homens, imaginando que o whisky correndo como fogo por suas gargantas fosse o maior de seus problemas. Pagou ao taxista, finalmente se vendo a sós na terra de ninguém. Foi um negócio produtivo, até ser encurralado pela ganância monopolista italiana que o expurgou ao exílio, de volta à velha Cornualha. Dez anos de exílio e então o retorno. Simples assim. Um heroi, mas sem ninguém com quem pudesse se gabar a respeito.

Casa. Mesmo obsoleto e traído, aquele asfalto amaldiçoado ainda lhe era mais caro do que toda vegetação sacra onde deixara de ser um menino. Apenas uma mala e nenhuma perspectiva de por onde recomeçar. Infinitos cartazes a situá-lo por entre a ironia de tê-los abandonado em seca; com quase dez anos insuficientes para libertá-los dela. Capone deveria estar rindo por trás de alguma daquelas portas. Mais ainda, se estivesse ali e adivinhasse o desejo único do desgraçado que quase matou: o whisky correndo como fogo por sua garganta. De fato, poderia tentar o seu próprio lugar comum. A curiosidade para descobrir quem detivera a honra de mantê-lo era saborosa demais, o único sabor, aliás, em meio ao amargor de sua boca.

Em verdade, ao final de tantas curvas e horas assistindo ao movimento do taxímetro, o resultado indissolúvel e cruel foi este: duas quadras para baixo e estaria onde tudo acabara. De garganta seca, mesmo aquilo soou sedutor. As ruas se nivelavam em um grande declive, afastando-o dos apartamentos até os centros infernais; por fim, ao seu antigo inferno, a pérola funerária. Restava ainda ao mundo alguma sorte, notou junto à desertificação dos arredores, benefício a ele e aos dois rapazes que desciam acompanhados de damas excessivamente bem-vestidas sob seus braços.

— Viemos para o funeral do Tio Sam. – ouviu um dos rapagões sussurrar para a porta, sendo recebido por um camarada de terno preto, e prontamente aceita sua passagem. De bom tom ao fantasma que era, o esquecido seguiu então para a porta de sua antiga pérola.

— Vim para o funeral do Tio Sam. – disse simplesmente.

A porta se abriu, revelando o mesmo camarada de terno preto que fitou-o de cima a baixo.

— Que tem na mala? – indagou de pronto.

— É da sua conta? – ele retrucou, calmo. O vigia abriu-a, por sua vez, tomando-a num rompante de autoridade. Uma muda de roupas e alguns outros pertences pessoais utilitários. Com escárnio, o estranho abriu o terno. – Não vai encontrar nada nos bolsos, também, companheiro.

O camarada revistou-o, dando tempo para que se notasse o corte elegante de seu terno, a brilhantina em seu cabelo e a colônia cara; quem quer que fosse o chefe daquele espécime, apreciava ver seus rapazes “limpinhos e cheirosos”. Feito, sinalizou para que passasse. Aquele certamente era o exame corriqueiro com os novos clientes e, notou, ele era um novo cliente indesejado na opinião do vigia. Até o final da noite, estaria na boca do chefe.

A escada íngreme permanecia intacta, para algum deleite do antigo proprietário; e o mundo subterrâneo era deveras mais colorido do que aquele povoado acima de suas cabeças. As mesas foram alteradas para comportar mais pessoas ao espaço, a velha banda substituída por um grupo mais jovem de negros embalando a todos com seu jazz e ao fundo a exata bancada extensa entalhada em madeira de mogno escura, com os bancos pretos e a imagem do navio de velas negras alta acima dos copos. Anos de experiência o ensinaram a desviar dos casais dançando e dos bêbados que bamboleavam-se de uma mesa a outra, fazendo novos amigos dos quais não se lembrariam pela manhã, encontrando o último banco da ponta direita vazio à sua espera.

— Uma dose de whisky. – pediu ao barman que, para sua surpresa, era uma mulher de olhos muito azuis e sagazes; não o velho Raggie.

— Pra já, companheiro. – respondeu com o sotaque nitidamente irlandês, enchendo o copo com uma mão, enquanto gesticulava para outro freguês – bêbado e que tentava sua chance com uma moça sozinha – com a outra, empurrando a dose na direção do estranho, antes de ir resolver o problema com mãos e dentes.

Ele virou a bebida de uma só vez. Soltando o ar num gemido rouco de prazer. Como se não fizessem apenas 4 horas desde a dose anterior.

— A patroa sentiu o bafo e o colocou pra fora?

Ao seu lado, havia se sentado uma mulher; que justificava a força da palavra. Coberta num tecido fino, preto, que fluía desde os ombros até os pés, revelando a ponta de um sapato e um pouco do colo levemente bronzeado. Usava uma estola branca acima das mangas e o cabelo amendoado emoldurava o rosto, ao passo que os olhos verdes e o batom vermelho intacto cediam claros sinais de ameaçador alerta. Uma certeza: ela não era da Cornualha.

Ele riu, mexendo os ombros.

— Não. – disse. – A mala é apenas um acessório para autenticar a tática de caça a ser usada esta noite. – mentiu, divertido.

— E já que me contou, deixei de ser um possível alvo, imagino. – constatou a mulher, erguendo seu copo para a barman, para que o enchesse novamente.

— Ou acaba de tornar o jogo mais interessante? – rebateu o homem, acenando com o seu próprio como um brinde a ela, que riu sem comedimento. – Sendo sincero, acabo de chegar no continente. – acrescentou, educado.

— E como ficou sabendo da nossa pequena organização? – questionou a mulher, estreitando os olhos à medida que levava o copo à boca para um gole; o batom permaneceu intacto.

— Eu era o dono desta organização. – explicou de cabeça baixa; a imagem perfeita do rei que perdera tudo.

— Entendo. – ela comentou. Um pequeno toque de preocupação em sua voz.

— Não estou procurando confusão. – assegurou brandamente, sorrindo de lado.

— Essa cicatriz em seu olho direito deve provir de tempos menos pacatos, suponho. – brincou, fazendo o copo dançar. – Não sabe quem é o novo dono? – indagou cautelosamente, ele percebeu.

— Nem ideia. – falou displicente. – Amigo seu?

— De forma alguma. – ela respondeu rápido demais, encarando-o. Em seguida, acenou com o copo dele para a moça atrás do bar, agora era uma loira. Ele tentou impedi-la de enchê-lo uma segunda vez... – Não precisa se fazer de difícil, é por minha conta. – provocou levando uma mão às dele.

— Não costumo aceitar débitos com damas distintas. – interpôs o homem, analisando as unhas pintadas num vermelho semelhante ao de sua boca.

— Apenas fique e converse comigo. – sugeriu, educada, chamando-o para um brinde com um sorriso torto. Os copos emitiram o som cristalino do vidro e, em vista da música e conversa, apenas para seus ouvidos, selando um acordo muito particular.

— Ele chegou a ser interditado alguma vez? – indagou após sorver outro gole, sentara-se de frente para ela agora, enxergando-a melhor.

— Não que eu saiba. – falou abaixando a estola dos ombros. – Mas também não creio que vá durar por mais tempo. – acrescentou; uma leve ruga se formando entre seus olhos.

— Não?

— Não. – assentiu veemente, torcendo o corpo para olhar os rostos alegres a sua volta; os olhos dele correndo primeiro pelo tecido que abraçou sua cintura, para depois voltá-los ao público. Ele sempre vira pessoas felizes nos botequins, a menos que fossem os esquecidos no bar. – O congresso criou a lei achando que o mal do homem era seu vício. A abstinência, por sua vez, provou que o mal do homem se manifesta quando privado do escape que lhe permite algum prazer. – esclareceu com ar de obviedade. – No entanto, a proibição deu um sentido diferente ao negócio... para alguns é menos pelo lucro e mais pela diversão de ser mais esperto do que a lei. – acrescentou, movendo uma mecha para trás da orelha, rindo baixinho.

Ele a encarou, conforme bebia de mais um gole e ela fazia o mesmo. Soou demasiado fortuito que ele retornasse à terra de ninguém, para encontrar, talvez, o mesmo lado de sua moeda.

— Sente falta de ser o dono da organização? – ela indagou de repente, pendendo a cabeça para o lado com afetada meiguice.

— De verdade, meu bem, eu sinto falta de ser dono de qualquer coisa. – salientou num rompante de ressentimento jocoso à imprevisibilidade da vida. Ela riu.

— E você sempre quis ser o dono da organização? – inquiriu, inclinando-se um pouco, apoiando o queixo com os nós dos dedos.

— Quando menino, eu queria ser um pirata. – falou, dando as costas para o bar, apoiando os cotovelos sobre o balcão; sua última chance de ver-se como o dono de todo aquele inferno.

— Eu queria ser atriz. – ela murmurou, deslizando de volta para o chão, ao passo que puxava uma bolsinha preta de um dos cantos do bar, engolindo o último gole de whisky em seu copo. O estranho aprumou-se, mas ela não parecia estar de saída; apoiada ao balcão, ciente de uma das mãos dele a poucos centímetros de suas costas.

— Chefe, melhor mandar os bêbados com o café pra casa ou estaremos todos na forca antes do sol nascer. – chamou a barman de olhos azuis. O estranho se virou para acompanhar o caminho de sua voz; e dentre todas as reações às surpresas fortuitas, foi com a graça do malandro que se vê sobressaído pela graça de outro – outra – que encontrou o olhar de sua acompanhante.

Ela sorria levemente; os olhos muito verdes contendo sua ânsia de qualquer comentário que viesse a provocá-lo, findando seu desejo de afastar uma revanche.

— Bem-vindo de volta, senhor Barbossa. – murmurou, aprumando-se sinuosamente, fazendo sinal para o saxofonista a fim de alertá-lo de que iria subir ao palco para anunciar o fim do expediente. Ele a parou, segurando-a pela mão, quando já se encontrava longe o bastante para que seus olhos estivessem de igual para igual; e com o floreio galanteador inesperado, beijou-lhe o dorso da mão, os olhos azuis reconhecendo a valorosa oponente.

Ela se demorou para liberá-lo, piscando com esperta malícia antes de se deslizar para o palco. Barbossa encarava agora o movimento de seus quadris, com esfuziante calma. O único ponto imóvel dentre os convidados que se dispersavam escada acima; alguns apertando a mão de sua anfitriã ou lhe beijando as bochechas com saudosismo, até restar apenas o silêncio.

— Chefe, sobrou um. – anunciou a barman, recolhendo o dinheiro do caixa para uma sacola.

— Pode ir, Diana. – pediu gentilmente, repousando a estola junto ao console de uma cadeira vazia. A barman ergueu as sobrancelhas sutilmente.

— Mas ainda...

— Teremos tempo amanhã. – assegurou a ela, ajeitando a manga do vestido. A outra encarou o estranho e sua patroa, emitindo um ruído de escárnio. Por fim, a porta atrás do bar bateu. – Eu deveria me sentir culpada? – indagou, sem qualquer indicação de que sua resposta pudesse afetar sua compostura.

— Orgulhosa, na verdade. – corrigiu Barbossa, batendo o punho delicadamente sobre a madeira, ao passo que ela ia para trás do balcão. – Talvez, tenhamos perdido uma excelente atriz. – acrescentou fazendo-a rir.

— Você certamente teria sido um excelente pirata. – ela admitiu erguendo as sobrancelhas, realojando as garrafas de bebida de volta a prateleira. – O negócio já transcorria suavemente quando ele o passou pra mim. – explicou em resposta a expressão de dúvida estampada no rosto do outro.

— E como sabia que eu...?

— Faço questão de saber de quem estou tomando qualquer coisa, é claro. – disse, parando com suas ações de repente, encarando-o com os olhos dóceis. – A foto que vi, por sua vez... não lhe faz nenhuma justiça. – sussurrou, quase cautelosa.

— Uma sina que dividimos, por certo. – ele respondeu, no mesmo tom, elevando o sorriso em seu rosto; apreciando as nuances das cores do mar em seus olhos pela primeira vez. Então, um rádio desconhecido começou a tocar, provavelmente escondido onde ela se encontrava. A música era tenra, mas suficiente para envolver sua companhia numa sequência de sutis movimentos em arranjo aos compassos, entre um copo guardado e outro; de novo ele seguia-a, encantado. Admirando a falta de afetação e singularidade no desprendimento; sentindo toda sorte de sentimentos não católicos, conforme se aproximava, substituindo a música por seus braços, fazendo-a parar a fim de se permitir envolver, pendendo a cabeça para o lado com um suspiro infantil. – Me satisfaço com um nome. – murmurou soprando em seu ouvido; as mãos fortes em sua cintura longe de estarem satisfeitas.

— Que bem isso faria? – zombou, trazendo o rosto dele para mais perto de seu pescoço.

— Gosto de saber a quem devo dar os créditos, quando há crédito a ser conferido. – sussurrou mordiscando a base de seu pescoço.

— Antonieta. – a resposta veio de pronto; muito baixa, porém muito certa, sentindo qualquer coisa queimar. – Em algum lugar, deve existir uma regra que me proíba de estar assim com alguém que ele já desejou apagar...

— Vai valer o risco. – Barbossa disse, virando-a para que se encontrassem finalmente.

Em seu histórico, mulheres com aquele brilho acetinado dobravam-se ao menor de seus carinhos; tendo apenas sonhado com a força de luxúria como aquela por metade de suas vidas. Poucas se concediam a chance de experimentar a inconsequência de seus instintos e, à luz da oportunidade, precipitavam-se cedo demais; quão adorável tornou-se assisti-las; implorando. No entanto, Antonieta se deixou embalar com calma militar, seus olhos concedendo o benefício da dúvida, enquanto sua boca mantinha o mesmo sorriso ornado pelo batom intacto... e aquele foi seu primeiro desejo... borrá-lo.

Ela tinha o gosto salgado e pungente do whisky, que mais corroía do que saciava a ânsia de seu apreciador por alento. De onde teria vindo? Como conseguiu convencer Capone a lhe entregar um negócio consolidado tão facilmente? Teria dormido com ele? Caso fosse a resposta; não poderia culpá-lo. Ele provavelmente teria lhe dado as estrelas, se pedisse naquela elegância profana. Sentia-a sorrir, afundando suas unhas vermelhas em sua nuca, puxando-o para dentro de sua boca, arqueando o quadril de encontro ao dele; Barbossa abriu os olhos por um segundo e sorriu ao notar que o batom desaparecera.

Foi com facilidade que ergueu-a, sentando-a sobre o balcão; abraçado por suas pernas. Notou, então, a fenda numa das laterais de sua saia se abrindo para revelar a coxa bronzeada coberta pela translucidez brilhante da meia; abaixando-a com perícia até o joelho e espalmando a mão sobre o cume de pele nua, à medida que inclinava seu rosto junto ao decote para beijar o vale, bem delineado por ele, entre seus seios, sentindo-a tremer, afundando suas mãos em seus cabelos, e ouvindo-a arfar sob seu toque. Ela exalava a essência de cravos, identificou conforme subia de volta para seu pescoço, abaixando os ombros do vestido a fim de sentir mais da maciez do contato com sua pele, febril sob sua boca.

As mãos de Antonieta, por conseguinte, desceram ansiosas para o paletó, passando pelo colete, até pararem relutantes sobre o algodão da camisa. Barbossa soltou-a, analisando o peito revolvido pela respiração descompassada e a boca rósea, coberta por um único fio de cabelo fora do lugar, encarando-o num misto de autocontrole e ardência que o enterneceram, pela aparência juvenil que tal mistura conferia às feições de mulher. Cálida, ela tornou a sorrir, fascinada pela semelhança entre seus olhos obscurecidos pelo desejo com o céu noturno; e como se sempre o tivesse feito, começou a abrir sua camisa, ao passo que ele se despia do paletó – repousando-o ali perto. Seus dedos alcançaram primeiro a cicatriz, ou seria um sinal de nascença, próximo ao coração e riu baixinho; “não estou procurando confusão”, lembrou-se conforme traçava o desenho sob seu olho direito, hipnotizada.

Barbossa permaneceu taciturno, permitindo que Antonieta explorasse à vontade; se deixando levar por ela, acariciando sua coxa, sem que seus olhos abandonassem os dela. Sob o tecido, notou, ela não estivera usando nada além das meias e o encontro imediato com as paredes molhadas, pegou a ambos de surpresa. Ela gemeu, arqueando-se para frente de olhos fechados; ele acompanhou a rouquidão em sua voz, instintivamente subindo mais por seu clitóris, massageando-o; lento. E conforme ele aumentava o ritmo, sentia-se mais perto de explodir com o som cadente de sua voz; afundando as unhas em suas costas, arranhando. Através de um gritinho mais alto, ela o soltou, correndo para o cinto e puxando-o sem esperar ajuda.

A saia do vestido subiu até seus quadris, conforme as calças caíam até os joelhos e os sapatos acertaram um ou dois copos antes de aterrissarem no chão. Antonieta escalou-o, estocando primeiro, conforme ele a deitava em seus braços, gemendo uma prece junto aos seus ombros e estocou uma segunda vez, tomando seu tempo para senti-la pulsar. Então uma terceira, com mais força, fazendo-a chamar seu sobrenome... “Hector”, corrigiu de pronto, estocando a quarta; ela o acompanhou na quinta, pedindo mais fundo; na sexta, balbuciando para que fosse mais rápido... mas ele não era tão obediente quanto ela se acostumara. Já havia pecado o suficiente para saber identificar o pecado que deveria ser bom o bastante para ser um ato santo.

Ela o chamou uma vez baixinho, jogando seu peso contra ele e depois implorou com a voz entrecortada; a nova dona de sua preciosa pérola. Passou a mão por dentro de seu decote, apertando gentilmente o seio, beijando mansamente o vale entre eles, antes de ceder ao ritmo dela. Antonieta abriu os olhos, encontrando-o ali; a encarar seus olhos verdes em reverência, sentindo o prazer invadi-la em ondas singelas, até queimar qual fogo de whisky. Ele chamou por seu nome, tão logo ela não foi mais capaz de manter os olhos abertos; o rosto fundo em seu pescoço, mordendo a curvatura suada.

Vestiram-se em silêncio, passando pelos fundos até o beco, seguindo recomendação dela. O ar fresco cortou seus rostos, e uma vez distantes da funerária, Antonieta parou.

— Pretende peregrinar com essa mala pelo resto da noite? – perguntou, fechando a estola em seu pescoço. Ele lamentou silenciosamente a falta do decote.

— Não precisa se preocupar. – disse dando de ombros.

— Eu sei; você não está procurando confusão. – remendou, bem-humorada. Saíram da bolsa, então, um velho cartão de visitas de uma tinturaria, acompanhado de uma caneta. – Vá até esse endereço e diga que Barbieri te mandou; se duvidarem, peça que me telefonem. – indicou, passando o cartão para ele. Hector encarou-o por um momento e riu.

— Isso tudo pra me compensar? – brincou, guardando-o no paletó, analisando-a; ficava bem melhor sem o batom vermelho. Nua.

— Um drinque e um endereço, capitão. – respondeu aproximando-se para puxar a bainha do paletó para baixo. – O sexo foi porque eu quis. – acrescentou num esgar profano, realçando o brilho verde em seus olhos. – Boa noite, senhor Barbossa. – despediu-se, dando-lhe as costas.

— Na próxima, eu pago a garrafa inteira. – gritou em resposta, despedindo-se, um esgar muito semelhante ao dela.

Ao longe, ele ouviu-a rir sem comedimento.

“Have you heard, it's in the stars

Next July we collide with Mars?”

THE END

Notas finais
Este foi o meu presente de dia dos namorados para o Ladies Club e elas insistiram para que eu dividisse com o mundo.

Sou apenas o imediato seguindo ordens. Espero, mesmo, que vocês gostem. Sabem onde me encontrar. Isso mesmo, na caixinha de comentários.

xoxo

Ana
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!