Colisão - Garras e Deduções
1 Prólogo
Baker Street, 221b
Já fazia três dias desde que resolveram seu ultimo caso, e que envolvia o tal cão enorme, peludo e de olhos vermelhos.
John no momento estava fazendo seu turno no hospital, enquanto Sherlock estava deitado no sofá de pijama e com seu inseparável robe azul. Desde o ultimo caso, o único detetive consultor do mundo estava ainda mais estranho, que o normal. Fora a primeira vez que Sherlock foi dominado por um de seus sentimentos. O medo. E isso o fez se sentir como qualquer pessoa comum, o que lhe irritou, afinal, ele não era como os outros que viam e não percebiam, ele era aquele que via e percebia, aquele que sabia observar. Mas não era só isso que estava na cabeça do detetive no momento. Sherlock estava pensando em John mais precisamente na expressão que o médico havia feito quando num momento de pura exaltação esbravejou com todas as letras que: Não tinha amigos. O moreno nunca se importou muito com os sentimentos das pessoas, mas saber que havia magoado o médico o fez também pela primeira vez se sentir culpado, e irritado consigo mesmo. Depois disso o loiro não lhe dirigiu mais a palavra, isso só quando era pra passar alguma informação do caso, o que fez o detetive se sentir ainda mais culpado e por mais que sua mente brilhante tentasse resolver o caso e buscasse formulas e hipóteses o moreno não conseguia tirar John da cabeça. Queria falar com John. Rir com John. Ter a presença de John. Não sabia que tinha ficado tão dependente de uma pessoa, como ficara de John. Mas como? Era o que Sherlock se perguntava. Ele que sempre observava, não havia percebido que ele mesmo passou a apreciar a presença de uma única pessoa...
Entretanto o barulho da maçaneta chamou a atenção do detetive que continuou na mesma posição sem nem por um minuto pousar seus olhos na porta, pois sabia muito bem quem era e antes que o amigo se pronunciasse o detetive foi mais rápido.
- Aceitaria os biscoitos com chá, John.
Diante da frase do amigo o médico deu um pequeno sorriso, enquanto tirava o casaco e o pendurava, e em sua mão havia uma sacola de uma confeitaria e dentro da mesma, como Sherlock havia deduzido, havia uma caixa de caros e saborosos biscoitos sortidos e a havia a comprado por que há três dias não tinha nenhum caso que Sherlock se interessasse e os que o moreno achava interessante ele resolvia sem nem mesmo sair de casa. Sherlock não era de comer, mas com o convívio John descobriu que o amigo gostava daqueles biscoitos, então queria alegrá-lo um pouco, pois o detetive parecia um pouco desanimado, e ainda mais estranho que o normal.
E sem demora o medico foi até a cozinha e colocou a água pra ferver e a sacola com os biscoitos na bancada do armário, já que seu amigo usava a mesa para seu laboratório particular.
Enquanto o loiro estava na cozinha. Sherlock pela primeira vez no dia olhou pro medico, John tinha uma estatura mediana e um corpo definido pelo treinamento do exercito, os cabelos eram loiros e finos, e a pele bronzeada, pelo tempo no Afeganistão, e que dava um tipo de charme ao homem que já havia usado suas mãos pra segurar com firmeza fuzis e pistolas e que agora ministravam com delicadeza e precisão todo o preparo do chá, o detetive nunca havia reparado em como o amigo era bonito. Mas logo percebeu o mesmo se aproximar com uma bandeja com duas canecas e um prato com os biscoitos, o que lhe fez se sentar e pegar sua caneca, isso assim que o amigo colocou a bandeja na mesinha de centro, onde deu o primeiro gole sentindo o chá aquecer seu interior.
- Então algum caso apareceu enquanto eu estava no hospital? – perguntou John se sentando em sua poltrona e pegando sua xícara.
- Entediantes! – afirmou. – Será que nada vai acontecer. Nada excitante. Promissor.
- Realmente não da pra fazer nada se você prende todos os assassinos e ladrões num raio de três quilômetros. – comentou o loiro recebendo um olhar emburrado e irritado do detetive, mas não ligou já estava acostumado com a personalidade e os costumes de Sherlock.
Sherlock ficou quieto, já que John estava certo nesse ponto. E sem demora pegou um biscoito, não era de comer, mas estava tão entediado que faria qualquer coisa pra distrair sua mente aflita, e que desejava desesperadamente resolver um bom caso, sendo que tocar seu violino ou compor não estava lhe ajudando nesses dias.
Mas logo sua mente voltou ao caso do cão, mas precisamente no momento em que vira John sentado no cemitério. Já não agüentava mais aquele clima entre ambos, se sentia vazio e incomodado então respirou fundo e foi até o loiro, John assim que lhe vira se mostrou indiferente então teve que começar fazendo perguntas referentes ao caso e o loiro lhe respondeu da forma mais seria e curta possível e isso fez o detetive ficar ainda mais incomodado então fez o que nunca havia feito antes, e o mais sincero que pode e conseguiu, se desculpou isso a sua maneira e viu que o medico ficara um tanto surpreso, mas não tanto como si mesmo, entretanto mesmo ainda ressentido John o perdoou e mesmo que não estivesse sorrindo gentilmente pra si, os olhos do medico lhe sorriam de uma maneira que o detetive sentiu o coração falhar...
O chá estava na metade de sua xícara quando Sherlock percebeu, olhou discretamente pra John que saboreava seu chá de olhos fechados e dava um sutil sorriso a cada gole que tomava e isso foi o suficiente pro detetive ver que estava da forma mais absurda possível, correto. O moreno parecia estar num tipo de torpor pela confirmação e só saiu desse estado quando a voz do loiro ecoou em seus ouvidos.
- O chá não esta bom? – questionou o medico que percebeu e estranhara quando Sherlock subitamente parou de sorver o liquido dourado.
Sherlock olhou pro amigo no mesmo instante, John o olhava como ar de curiosidade como se tentasse buscar algo, um mínimo detalhe, mas ele ainda era um iniciante nisso.
- Esta bom. – respondeu curto e até um pouco rude, retomando a tomar o liquido e comer os biscoitos.
John apenas deixou pra lá o tom rude, afinal, Sherlock quando estava entediado ficava com o humor estável, num momento ele poderia estar calmo e no outro extremamente irritado.
Beacon Hills, casa do Xerife
Fazia dois dias desde que Jackson havia passado de Kanima a Lobisomem e um que Boyd e Erica haviam sido encontrados bem machucados. E nesses três dias Stiles ficou em casa e não conversou com ninguém, além de seu pai e Scott que lhe ligava em horas variadas do dia pra saber como estava e a única coisa que sabia dizer era que: Estava bem. O motivo de estar tão distante não era o fato de presenciar o amor de Lydia por Jackson e vice-versa, era porque pela primeira vez percebeu que nunca havia amado a ruiva como sempre pensou e o que sentia por ela era só uma paixonite de criança. Mas também havia outro motivo: Os lobisomens. Mais precisamente Derek, desde que o conheceu nunca fora com a cara do Alpha, mas havia algo nele que lhe balançava. Stiles se lembrava bem do dia que levou Derek pra clinica veterinária enquanto Scott ia pra casa dos Argents conseguir o mesmo tipo de bala que havia acertado o lobisomem, porém o fato principal disso tudo foi quando encarou Derek, que estava pálido e suava frio e quando ele lhe disse com todas as letras que: Se Scott não encontrasse a bala iria morrer. Foi o bastante pra que Stiles sentisse seu coração se contrair, a boca ficar seca e uma angustia lhe tomar. Também havia o dia em que Derek fora atacado pelo Alpha, que era seu tio Peter naquele tempo, não ficou desesperado por sua vida, mas sim porque presenciar o Hale sendo golpeado daquela maneira era extremamente doloroso já que não podia fazer nada. Na piscina com Derek, que não podia se mexer do pescoço pra baixo, não o segurava porque o lobisomem era sua garantia de sobreviver quando saíssem da água, mas sim porque não o deixaria afundar, se afogar, e quando o soltou pra buscar o celular foi à coisa mais difícil que fez, mesmo que soubesse que ligar pra Scott fosse à garantia de que ambos fossem sobreviver, pois suas forças estavam aos poucos se esgotando.
- Stiles.
Tomou um tremendo susto quando ouviu alguém lhe chamar, pois sabia que seu pai naquele horário estava na delegacia e a voz não tinha vindo do andar de baixo, mas sim de dentro de seu quarto. E por causa do susto havia caído da cama e quando se levantou se deparou com o Alpha perto da janela, e o mesmo estava com uma regata branca e calças escuras, sendo que o dia estava um pouco frio, mas o lobisomem parecia não estar incomodado.
- Droga Derek dá pra usar a porta. – pronunciou com o coração a mil pelo dito susto e pela presença do homem sexy e selvagem em seu quarto. — Você por acaso sabe o que é uma porta, não é? – perguntou e como resposta recebeu um olhar pra lá de irritado. – Tá anda. O que você quer? – foi direto, se Derek estava ali era porque queria alguma coisa, do mesmo jeito quando mandou Erica lhe levar pra piscina pra saber da misteriosa criatura que havia matado o mecânico, algo que demorou certo tempo pra tirar da mente, diga-se de passagem.
Por uns minutos o lobisomem ficou calado como a mencionada porta, fazendo Stiles levantar as sobrancelhas, mas antes que fosse dizer mais uma coisa Derek finalmente se pronunciou.
- Diga como andam as investigações sobre a morte e o desaparecimento do corpo de Jackson. – falou não como um pedido, mas sim como uma ordem.
- Dizer, por favor, não mata e nem arranca pedaço. – pronunciou. A presença do Alpha lhe deixava nervoso, pois sabia que Derek podia ouvir e muito bem seu coração, e isso lhe dava certo constrangimento.
- Eu posso resolver arrancar um pedaço seu, se não me responder. – meio que rosnou Derek mostrando as garras, não pra intimidar Stiles, mas pra ver se as batidas do coração do adolescente iriam mudar, pois não entendia o porquê do coração dele estar tão rápido. Desde que se conheceram o lobisomem nunca tinha ouvido aquele tipo de som vindo de Stiles, tudo bem que o coração dele às vezes batia rápido, mas não daquela maneira.
Stiles deu um rápido e sutil sorriso pela frase do Alpha, lobisomens tinham uma maneira bastante sutil de ameaçar, enquanto coçava levemente a cabeça. Não se incomodava com as ameaças e rosnados, já estava acostumado e até achava aquilo um tipo de charme em Derek.
- Certo! Já entendi.
Porque Derek o afetava tanto, seu coração parecia um tambor e sabia que o lobisomem já tinha percebido, suas mãos suavam tanto que poderia encher um copo e sua barriga parecia um criadouro de borboletas infernais que não paravam de bater suas asas.
- Vai me responder ou não.
- Sim, sim. – afirmou saindo de seu pequeno devaneio, evitando olhar diretamente pro Hale. – Meu pai comentou que eles não chegaram, ainda, a lugar nenhum com o que encontraram e vendo por isso é certo que o caso seja fechado por falta de pistas e suspeitos. Então eles não vão descobrir nada sobre os lobisomens. – informou – Bem, é só isso que quer saber?
Derek escutou aquilo com atenção, ouvindo as batidas rápidas e incomuns do coração do adolescente vendo que o mesmo não mentirá por nenhum segundo, mas logo seus olhos olharam com mais atenção a face do mais novo, mas precisamente os machucados em sua bochecha e lábios. Machucados que haviam sido feitos por Gerard, como Erica lhe dissera. E sem perceber se aproximou de Stiles e ouviu o coração do adolescente dá um pulo, mas deixou isso pra lá enquanto encarava aqueles machucados que iriam demorar pra cicatrizarem, já que Stiles era apenas um humano. Um humano que Derek se sentia na responsabilidade de proteger, já que devia devolver o favor que o mais novo fizera quando lhe ajudara algumas vezes, principalmente quando estavam presos na piscina.
Stiles se sentia ainda mais nervoso com Derek tão perto de si, que nem conseguia respirar direito, mas logo percebeu que o Hale olhava pra algo em seu rosto e não precisava pensar muito pra saber que eram seus machucados, diferente dos lobisomens que em alguns minutos tinham seus ferimentos totalmente curados ele não passava de um mero humano e seus machucados iriam demorar mais uns dias pra sararem, mas logo respirou fundo tentando se acalmar e inconscientemente fechou os olhos, porém quando os abriu Derek não estava mais ali e nem em nenhum canto do quarto.
- Um obrigado Stiles pela informação também não arranca pedaço. – resmungou.
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