Colisão - Garras e Deduções
8 7. Impulsos, chamas e... Alphas – parte II
Minutos depois que John entrou no quarto Sherlock ficou repassando em sua mente como tinha sido levado por aquele impulso, nunca pensou que esse sentimento fosse mais forte que sua mente. Afinal sempre fora um homem mais racional que emocional, e entendia que o que sentia era forte demais pra ser guardado. Ou então oprimido. E sorriu brandamente por causa disso, porem ao mesmo tempo em que sentia essa vontade de dizer também tinha receio, afinal John era o típico homem hétero que sempre esta a procura de uma companheira, e como o loiro era seu primeiro amor tinha medo de ser rejeitado.
John estava debaixo do chuveiro totalmente imerso em pensamentos enquanto a água escorria por seu corpo, no banheiro havia uma banheira, mas resolveu tomar um banho de chuveiro mesmo. A princípio quando entrou no chuveiro não parava de pensar no que o amigo havia feito e de como ainda conseguia sentir os dedos dele em seus lábios, porem enquanto pensava nisso sentiu um pequeno aperto no peito, sendo que esse aperto não tinha nenhuma relação com Sherlock, e esse aperto era muito semelhante ao que sentiu quando era criança e perdeu seu cachorro, mais precisamente um buldogue, que morreu de causas naturais pela idade avançada e também na guerra quando perdeu seus soldados e amigos. Porem logo se concentrou para afastar essas lembranças tristes, eram memórias que não gostava de relembrar, mas que não podia ignorar já que elas faziam parte de sua vida.
E assim que terminou o banho retornou para sala para ver se Sherlock precisava de seu auxilio em alguma coisa. E na sala encontrou o amigo de olhos fechados e as mãos juntas e sabia que este estava em seu Palácio Mental, então sem fazer nenhum barulho voltou a se sentar no lugar que estava antes e ficou a esperar o amigo terminar de organizar quaisquer informações em sua mente, sendo que fazia um tempo que o detetive não mais lhe pedia para sair do cômodo quando estava nesse estado e também não se incomodava de lhe ver ali quando abria os olhos, e por causa disso pegou o habito de observá-lo. O jeito que ele às vezes mexia as mãos e os lábios, a mudança de suas expressões ou então o modo como ele ficava apenas parado, tentava de alguma forma descobrir o que fazia de seu amigo ser o que era, mesmo sabendo que nunca poderia encontrar tal coisa, no entanto se sentiu enrubescer ao notar que Sherlock havia aberto os olhos e lhe pego lhe encarando.
– Acho que está curioso para saber se descobri alguma coisa. Estou certo John? – disse Sherlock calmamente adorando ver o rosto do loiro novamente vermelho.
– Sempre. – respondeu o medico automaticamente vendo o amigo esboçar um sutil sorriso por sua resposta. – Então o que me diz desse caso?
– Primeiramente os Srs. McCall e Stilinski e as Srtas. Argent e Martins sabem muito bem o que aconteceu ao Sr. Whittemore.
– Como todos que estavam no jogo, afinal eles estavam lá. – disse John.
– Correto, John. – pronunciou Sherlock. – Porem eu não estava me referindo a esse fato. – disse sutilmente vendo o loiro lhe olhar com atenção. – Mas sim que eles sabem perfeitamente qual foi à causa pra isso e o que ocorreu depois que o corpo foi deixado no necrotério.
– E como tem certeza disso?
– No interrogatório o jeito que eles falaram, não era muito natural, eles pareciam ter um tipo de cuidado no que diziam, e pensavam bem antes de falar. Sendo que as respostas dadas pelo Sr. McCall e Stilinski foram praticamente idênticas quando os questionei pelo que fizera na floresta com o Sr. Whittemore, como se eles estivessem lendo algum roteiro e só mudassem um pouco pra não ficar tão mecânico. E também o jeito que eles mencionaram o Sr. Whittemore, não parecia que eles falavam de uma pessoa morta e sim de uma pessoa muito bem viva.
– Como assim uma pessoa viva, Sherlock. O garoto foi morto na frente de varias pessoas e no laudo medico constatou que ele morreu no campo. – falou John não entendendo aquela suposição do amigo.
– Veja. As pessoas quando perdem alguém próximo ou um conhecido mudam um pouco de fisionomia e o tom de voz fica mais contido ou então agressivo, pois eles acabam se lembrando da pessoa e no Sr. Mahealani eu vi essa mudança quando ele falou do Sr. Whittemore, mas não nos outros quatro. E essa mudança só apareceu nos quatro quando eles falaram do Sr. Daehler, sendo que a morte deste não foi um acidente, ele foi morto.
– Estou tentando entender o que quer dizer sobre o caso do Sr. Whittemore. Porem como não foi um acidente a morte do Sr. Daehler? – questionou, dessa vez as suposições de Sherlock estavam muito difíceis de acompanhar e compreender se é que já não eram o bastante.
– Simples. – sibilou Sherlock calmamente. – O que você faz com tem muito medo de algo ou alguma coisa?
– Evito. – pronunciou John automaticamente e viu os lábios do amigo se puxarem pros lados num sorriso.
– Exato. E não seria estranho alguém que não sabe nadar e tem uma digamos uma fobia, ser encontrado naquilo que mais teme. – disse e viu John piscar duas vezes assimilando o que tinha acabado de dizer. – No entanto vamos dormir já esta tarde. – disse antes que o medico fizesse qualquer questionamento e John ficou descrente no que ouviu afinal Sherlock nunca dormia nos casos e ele logo se dirigiu pra um dos quatros do segundo andar mais precisamente o que ficava do lado do seu e em menos de cinco minutos saiu segurando uma toalha e uma muda de roupa. – E se não se importa John vou usar o banheiro do seu quarto, já que de toda a casa ele é o único que tem água quente. – falou antes de entrar no quarto, enquanto John ainda tentava entender que seu amigo iria dormir.
Ao entrar no banheiro Sherlock colocou a muda de roupa e toalha sobre a pia, não tinha sono, mas sabia que se ficasse acordado John iria se privar de seu sono pra lhe ajudar e isso era outra coisa que notou que o loiro tinha começado a fazer, mas o medico só fazia isso quando tinham um caso para resolver. E logo encarou seu reflexo no espelho, pensava se era realmente bom para John conviver consigo afinal o medico estava começando a adquirir seus péssimos hábitos, porém ele também estava aprendendo a observar. Realmente não estava entendendo muito bem o que estava sentindo, em parte queria John consigo, porem não se sentia bom o suficiente para ele e quase no mesmo instante em que pensava nisso ouviu e sentiu se celular vibrar e logo viu que havia recebido uma mensagem.
“Lockie,
Amar pode ser querer o bem de uma pessoa, mesmo que não seja ao nosso lado... Porém apenas os covardes usam disso como desculpa.
Micky.”
Ao ler a mensagem de Mycroft sentiu uma vontade de socá-lo, como também de agradecê-lo, porem a vontade de socá-lo era um pouco mais forte. Afinal tinha dito a John que sua relação com Mycroft era mais formal do que fraternal, porem isso não queria dizer que em alguns, e raros, momentos não agiam como os irmãos que realmente eram. E sem demora logo o respondeu.
“Micky,
Sei muito bem disso... Porém não sou um covarde.
Lockie.”
E assim que sua mensagem foi enviada se sentiu de alguma forma bem, os pensamentos que lhe diziam que não era bom o suficiente para John tinham se dissipado, como se precisasse realmente receber a mensagem de Mycroft. E sem demora começou a se despir sentindo o coração acelerar algumas batidas já que iria tomar banho no mesmo lugar que John, sendo que por causa de sua mente superior conseguia imaginar a imagem até que perfeita do loiro debaixo do chuveiro, mesmo que nunca tivesse visto algumas das partes do corpo do dele que sempre ficavam de baixo das peças das roupas, e a imagem mais o cheiro do perfume que este sempre usava lhe faziam sentir um formigamento abaixo de seu ventre e sabia muito bem o que significava, e era uma sensação bastante incomum em si, não que nunca a tivesse sentido antes, mas isso era mais em sua adolescência sendo que assim que sua mente ficou mais forte que às vontades de seu corpo, reprimiu tudo aquilo que não lhe fosse de serventia e seu apetite sexual foi o primeiro da lista, e sabia que um banho frio não resolveria a situação que se encontrava agora, tinha ficado excitado apenas imaginando o medico no banho e sentindo seu cheiro e agora se sentia como um adolescente que não consegue controlar seus hormônios na frente da pessoa que gosta, mas sabia que um banho frio não resolveria tal assunto abaixo de seu ventre.
A rua onde se encontrava a Clinica Veterinária estava deserta e as casas que ficavam próximas estavam com as luzes apagadas, o que não era o caso da clinica que tinha luz em dos cômodos, onde o Dr. Deaton estava terminando de trocar os curativos de um de seus pacientes caninos, sendo que há poucos minutos atrás todos os animais tinham ficado um tanto agitados e sabia muito bem o motivo disso sendo que não apenas os animais tinham sentido, mas também aqueles que possuíam daquele sangue.
– Há quanto tempo, Loren. – disse o veterinário sem tirar os olhos de seu paciente assim que ouviu passos e uma pessoa adentrou no recinto.
– O senhor não mudou nada, Tio. – disse a jovem de curtos cabelos pretos que chegavam quase na altura de seus ombros. – Sempre tão sereno em relação a tudo a sua volta. – disse a jovem indiretamente, era claro que seu tio sabia muito bem o que acontecia e o que poderia acontecer.
– Sabe muito bem qual é o nosso papel na historia. – pronunciou o veterinário serenamente, mas com um singelo sorriso. Sua sobrinha desde que nasceu sempre fora contrária a todos os conceitos da sociedade e suas regras, sendo que no futuro ela seria a próxima líder.
– Observar, e apenas se envolver quando for necessário... – falou a jovem sem muita vontade. – Porem ele tem todo o direito de saber. – afirmou.
– Isso foi decidido para o próprio bem dele, e de seus futuros descendentes. – falou o veterinário olhando pela primeira vez para a jovem que não gostou muito do que ouviu.
– Estamos falando da vida dele. – disse seria, nunca gostará dessa parte de seu dever, todos deveriam saber a sua sina mesmo ele sendo boa, ou então ruim. Sendo que a sua era treinar e estudar para ser a próxima líder da sociedade, e isso era uma coisa que sabia desde criança e a principal prova disso era a marca de nascença em seu pulso esquerdo, que parecia uma lua crescente.
– Isso foi decidido pelo próprio ancestral dele. – pronunciou o Doutor vendo a jovem ficar sem saber o que dizer, sendo que por mais que esta não gostasse das regras, conceitos e deveres, respeitava aquele que a havia as criado, dando inicio a aquela sociedade de humanos, mesmo que o fundador não fosse ditamente um humano.
– Mas ele não gostaria que o que aconteceu com eles no passado acontecesse com seus descendentes. – disse Loren e seu tio suspirou diante da frase, o que ela havia dito era o que realmente poderia acontecer.
– Porém na vida temos que passar por vários caminhos e provações para descobrimos quem realmente somos. – sibilou o veterinário com um sutil sorriso na direção de sua sobrinha que retribui seu sorriso, podia não demonstrar, mas concordava com a jovem. – Então acho melhor você ir para cama, já esta tarde. – falou o veterinário ao olhar pro relógio.
– Nossa! Tio você parece a minha irmã falando. – disse Loren com ar entediado. – O pior é que ela fala isso para mim às nove horas, como se eu fosse uma criança de cinco anos... – começou meio dramática até que ouviu uma voz.
– Isso porque sua mentalidade continua sendo a de uma criança de cinco anos. – pronunciou uma bela mulher de longos e lisos cabelos pretos e olhos escuros que sorria, enquanto olhava pra irmã mais nova, que lhe olhou brava.
– Irmã! – exclamou Loren, sempre odiava que ser comparada ou tratada como uma criança. – Quando eu me tornar líder vou me lembrar disso e vou te mandar pro Himalaia para cuidar dos Yetes. – falou e sem dizer mais nada saiu pisando duro.
– Você não se cansa de provocar ela. – disse o veterinário que acabou rindo da cena.
– É só para o aprendizado dela. – falou a mulher dando de ombros, sua irmã era inteligente e habilidosa porem ainda tinha muito que aprender, principalmente no controle de suas emoções e atos. — Sendo que espero que ela comece a se comportar mais como essa Líder, que ela ira se tornar, do que como uma Adolescente.
– Não seja tão rigorosa com ela, afinal essa idade é única na vida de qualquer pessoa. – disse o veterinário e antes que sua outra sobrinha fizesse qualquer comentário continuou. – Pensei que voltaria semana passada.
– Houve um imprevisto. – informou seria. – A sede principal foi invadida e ainda não sabemos por quem. Ele entrou pela porta da frente sem ser questionado e saiu por ela do mesmo jeito. Sendo que ele fez questão de apenas deixar uma das gravações das câmeras intactas e a imagem só mostra ele de costas saindo pelo portão, porém ainda não descobrimos o que ele queria ou se conseguiu alguma coisa.
– Ele deve ter uma habilidade bastante singular. – comentou Deaton, sempre acontecia de algum membro de uma das espécies que vagavam pelos humanos desenvolver algo além de suas habilidades instintivas.
– E como ele está? – questionou a psicóloga.
– Como qualquer adolescente normal e saudável. – disse o Dr. Deaton serenamente, porém havia um pouco de preocupação em seus olhos.
Stiles estava voltando pro quarto, sendo que nem havia percebido quando tinha pegado no sono, mas ao acordar no meio da noite sentiu uma vontade enorme de beber água, pois sua garganta parecia mais seca que um deserto e isso lhe fez automaticamente sair da comodidade da cama para ir beber água, sendo que bebeu por volta de dois copos de água para matar a sede sentia, e por causa disso acabou ficando um pouco mais desperto. Entretanto não tardou pra fazer o caminho de volta, e assim que abriu a porta do quarto notou algo incomum, a janela estava aberta, sendo que desde que começou a conviver com os lobisomens nunca mais a deixava aberta a noite ou mesmo ao dia, e isso era um tipo de alerta para si onde automaticamente prendeu um pouco a respiração e olhou em volta e logo seu olhar parou num vulto, ou sombra, que estava sentado em sua cama, e isso lhe fez imediatamente levar a mão na cintura a procura da arma e quase gemeu em frustração ao ver que tinha se esquecido de pega-la e que ela ainda devia estar debaixo de seu travesseiro, porém seu coração saltou quando percebeu que o vulto começou a se aproximar lentamente, o que lhe fez automaticamente buscar alguma coisa que pudesse usar e que estivesse ao alcance de onde estava, mas antes que conseguisse pegar qualquer coisa foi surpreendido ao sentir algo contornar seu corpo mais precisamente dois braços.
– A sua cara de susto foi hilária Stiles. – e ao ouvir e reconhecer a voz sarcástica de Peter quase sentiu um alivio lhe tomar, como também uma vontade de socar o mais velho.
– Agora resolveu perambular pela noite como alma penada Peter. – começou. – E eu já disse mil vezes que na minha casa existe algo chamado porta, que serve pra entrar e sair. – disse serio, não entendia essa mania que os lobisomens tinham de entrar pela janela e Peter riu tanto pelo comentário como do porque de estar ali, nunca pensou que ao descobrir aquilo seria um dos afetados, e se as coisas continuassem assim todo o Pack acabaria como estava agora, se é que já não estavam. – Então poderia me soltar e dizer a que veio. – falou Stiles, que estava um pouco incomodado por estar tão perto do tio do seu amor platônico, sendo que algo na atitude do lobisomem parecia um pouco estranho, como se estar sendo abraçado pelo mesmo não fosse a coisa mais estranha ali.
Peter ouviu o que o menor disse e sorriu brandamente por cima da camisa deste, encostando um pouco mais a cabeça no ombro dele enquanto seus braços o envolviam mais no abraço, o que estava fazendo era algo mais como um impulso e mesmo que não tivesse sido afetado precisava disso, precisava de um abraço para diminuir a dor que tomou seu coração ao comprovar aquilo na fabrica. Sendo que seu coração doía por saber que nunca mais a veria.
Stiles ficou confuso quando sentiu Peter lhe apertar mais no abraço, estava prestes a abrir a boca novamente quando sentiu algo quente e molhado em seu ombro, por uns minutos ficou descrente daquilo que veio em sua mente, era surreal demais para acreditar, principalmente por ser o lobisomem psicótico que estava ali lhe abraçando e logo olhou na direção do Hale e tentou ouvir algum som vindo dele, porém este estava silencioso. Não estava compreendendo ao certo o que estava acontecendo naquele momento era como se estivesse tendo o sonho mais maluco de todos, mesmo sabendo que não estava sonhando, pensava em algo para dizer, porem nada vinha em sua mente, essa situação havia o deixado literalmente sem palavras e ação, até que depois de uns minutos timidamente levou sua mão até a cabeça do mais velho começando assim com um leve cafuné, e isso lhe fez sentir estranhamente como uma mãe que consola o filho mais problemático e temperamental da família, porem tinha a leve impressão que era isso que o mais velho precisava, no entanto um tempo depois que começou esse cafuné sentiu um aperto na parte de trás de seu pescoço que fez sua visão começar a ficar turva, tentou dizer algo, porem as palavras não saiam de sua garganta e rapidamente tudo se apagou.
– Acho que você vai ser uma boa mamãe pro Pack, Stiles. – disse Peter segurando o adolescente agora inconsciente em seus braços, não era sua intenção fazer o menor desmaiar, porem não queria que este visse seu rosto e confirmasse o que é que tivesse suspeitado, já que Stiles era bastante inteligente pra compreender e descobrir certas coisas. E sem demora pegou o menor no colo e o levou até a cama onde o pousou no colchão e o cobriu até os ombros. – E agradeço pelo ombro. E o cafuné, sendo que não era muito necessário. – disse encarando a face do menor com um sorriso sarcástico, mais também gentil, afinal em toda a sua vida só havia ganhado cafuné de sua falecida mãe e quando sentiu a mão do menor descer por entre seus cabelos sentiu seu coração ficar mais leve e sem demora partiu sem se esquecer de fechar a janela.
O sol já anunciava o começo de um novo dia comum e rotineiro. Mas não para o Xerife, que não sabia o que pensar ou concluir pra saber o que havia acontecido ali. O dia anterior também não havia sido comum, isso com a chegada do detetive, seu pedido para interrogar alguns jovens incluindo seu filho sendo que nem pode acompanhar essa interrogação, pois lhe chamaram na Delegacia lhe informando que alguém queria falar consigo, onde automaticamente pediu para que informassem a pessoa que se encontrava ocupado e que depois lhe retornaria, mas a Policial que estava lhe passando isso disse que essa tal pessoa era alguém que fazia parte do Governo Britânico e isso automaticamente lhe deixou intrigado, e ela também lhe disse que este pedia para que não demorasse a ir pra lhe atender, pois ligações internacionais eram caras e que não era muito educado deixar alguém esperando, e que ao sair da onde estava não informasse o real motivo de sua saída. E por mais que quisesse acompanhar o interrogatório, ficou tentando em saber quem era o tal membro do Governo Britânico que solicitava falar consigo, e ao chegar à Delegacia e trocar algumas palavras com o mesmo quase perdeu a fala quando este lhe informou seu nome, nunca poderia imaginar que o Detetive tivesse um irmão num posto tão alto no Governo e nem o real motivo da ligação deste. Mas agora deixando isso um pouco de lado encarava o corpo já coberto da vitima, sendo que este só foi descoberto por causa do vigia do lugar que fazia rondas uma vez por semana, porem como o mesmo ficou doente e teve alguns problemas pessoais, ficou um tempo sem fazer essas rondas e ao chegar de seu afastamento levou um tremendo susto ao encontrar o corpo, afinal o pobre homem estava na casa dos 60 anos ou mais. E se não estava enganado já tinha visto a vitima algumas vezes e a primeira vez que o viu foi no sepultamento de Kate Argent e pelo que se lembrava ele era o pai da mesma e tinha solicitado a segurança no dia do velório, afinal fora descoberto que a Argent havia sido a causadora do incêndio que matou 90% da família Hale, e a morte dela fora em circunstâncias um tanto controvérsias, pois ela havia sido morta na velha residência dos Hales e não havia pistas de quem havia feito aquilo e por causa disso o caso fora arquivado.
– Com licença Xerife. – a voz de um Policial lhe tirou dos pensamentos.
– Sim. – disse.
– Encontramos isso. – falou o Policial lhe estendendo uma carteira e automaticamente a pegou.
E ao abri-la seus olhos foram pra um dos documentos ali, uma identidade e suspirou ao ler o nome, de alguma forma tinha alguma coisa estranha em relação a aquela família. Primeiro foi Kate Argent que havia sido morta, sendo que a mesma era a causadora do incêndio da residência dos Hales. Depois a esposa de Cris Argent, que pelo o que a investigação mostrou havia se suicidado e uma das maiores provas disso fora a carta que a mesma deixara. E agora pelo o que aquele documento mostrava, Gerard Argent estava morto. E essas três mortes tinham ocorrido em intervalos de tempo um tanto curtos em sua opinião, além dos três pertencerem à mesma família. E podia dizer que havia praticamente um padrão.
– Comunique a família dele. – ordenou ao Policial lhe devolvendo a carteira e o ouviu concordar antes de partir. Sendo que nem queria pensar no alvoroço que aquilo se tornaria quando fosse noticiado pela imprensa.
A claridade do dia começava a adentrar pelas janelas da residência, principalmente de um quarto em especial onde certo loiro ainda continuava a dormir totalmente sereno a tudo que acontecia a sua volta, porem logo a claridade começou a lhe despertar o fazendo abrir lentamente os olhos, onde automaticamente não recolheu o quarto até que se lembrou do caso e tudo mais e preguiçosamente se sentou e se espreguiçou um pouco para espantar o sono que sentia, e assim que ficou mais desperto se levantou e foi ate o banheiro onde fez sua higiene e ao terminar saiu, mas antes mesmo de sair do quarto estranhou o silencio da casa, sendo que seu amigo não era silencioso quando estava desmembrando um caso. Sherlock estava sempre fazendo questionamentos pra si mesmo ou então tocando seu violino pra pensar melhor ou então melhorar seu fluxo de pensamentos, e levado pelo silencio saiu do quarto e se dirigiu até a sala onde alguns dos documentos continuavam ali, porem não todos o que lhe intrigou e sem demora deu a volta e resolveu ver se seu amigo estava na cozinha, no entanto parou quando percebeu que uma porta do corredor que dava pra cozinha estava aberta e ao entrar se deparou com um amplo escritório, porem o que chamou sua atenção foi que uma das paredes estava coberta com fotos e alguns dos depoimentos, e até coisas a mais como recortes de jornais. E estava claro que enquanto dormia seu amigo ficou bastante ocupado e sabia bem que este não havia fechado os olhos por nenhum segundo, mesmo dizendo que ira dormir e olhando pra parede e o jeito que tudo estava colocado tinha certeza que Sherlock já devia ter encontrado algo além das deduções que havia feito na noite anterior, tentou ver se descobria alguma coisa, mas só enxergava o que já havia ali e logo suspirou e resolveu ver se o amigo se encontrava na cozinha, porém ao chegar nela se surpreendeu ao encontrar a mesa do café da manhã posta e ao se aproximar notou que havia um bilhete.
John,
Bom dia. E espero que aproveite o café da manhã.
Sherlock.
Assim que terminou de ler o bilhete piscou algumas vezes assimilando o que havia lido e o que via sobre a mesa, afinal seu amigo nunca lhe preparou uma mesa de café da manhã e o máximo que ele fazia para si era lhe preparar uma xícara de chá, sendo que ele sempre lhe acordava antes mesmo do sol nascer para acompanhá-lo nos casos e não entendia porque ele não havia lhe acordado e isso era um pouco fora do comportamento dele para si, porem logo deixou o bilhete de lado e pegou uma xícara onde imediatamente foi até a cafeteira e preparou o café, e ao voltar para mesa se sentou e pegou um pedaço de bolo onde deu a primeira mordida e depois mais uma. Porem o bolo e café desciam de uma maneira estranha em sua garganta, tinha que admitir que eles estavam saborosos, porem não se sentia satisfeito e assim que deu a terceira mordida no bolo seus olhos caíram novamente no bilhete com a impecável letra de Sherlock, e encarando o bilhete logo teve uma idéia e sem pensar duas vezes deixou o café e bolo pra lá e em poucos passos voltou para o escritório para assim descobrir algo que pudesse lhe dizer onde o detetive tinha ido, pois o que mais queria no momento era estar ao lado dele o auxiliado em tudo que fosse possível. Queria se sentir útil para o amigo.
A luminosidade do sol já havia avançado pelo quarto até chegar ao seu destino, à face de Stiles que ainda dormia profundamente, porem logo a claridade começou a lhe incomodar e automaticamente virou um pouco na cama, mas depois de uns minutos começou a despertar abrindo lentamente os olhos e se acostumando com a forte claridade que havia invadido seu quarto, o que estranhou afinal quando acordava o quarto nunca estava tão claro e imediatamente esticou o braço e buscou o despertador em cima do criado mudo e assim que seus olhos caíram no objeto quase levou um susto ao constar as horas e no mesmo instante se levantou, porém essa rapidez o fez automaticamente sentir uma leve dor no pescoço e ao colocar a mão sobre o local se lembrou da noite anterior.
– Aquele cachorro... – começou levemente irritado ao pensar no Hale e automaticamente foi até o banheiro onde ficou na frente do espelho e começou a fazer uma vistoria no pescoço e logo notou um fraco tom arroxeado em seu pescoço e que ficava um tanto evidente em sua pele pálida e que lembrava e parecia com um chupão e isso lhe deixou um tanto constrangido como também com raiva, mesmo sabendo que o mais velho não tinha lhe dado um chupão, ele de alguma forma ou com uma técnica muito bem executada, tinha lhe apagado. – Espero que ninguém perceba isso. – falou para si mesmo, pois realmente não ia saber o que dizer ou explicar sobre a marca. – E nunca mais vou te consolar. – disse ao pensar em Peter, pois para si não havia nenhuma necessidade dele lhe apagar, sendo que mesmo que dissesse isso sabia que por mais que tivesse algum desafeto com qualquer pessoa nunca deixaria de ajudá-la, e a maior prova disso era seu relacionamento com Derek e pensando nisso começou a se arrumar antes que se atrasasse pro Colégio.
– Gostaria de falar com o Xerife. – essa frase de tom cortes mais totalmente autoritário foi o que James Stilinski ouviu ao chegar da fabrica e passar pela entrada da delegacia, e em frente ao balcão da recepção estava um homem alto, de cabelos escuros e com um longo sobretudo preto.
– Senhor, o Xerife... – começou a Policial, sabia apenas de vista quem era o homem a sua frente, porém logo notou outra pessoa na entrada. – Xerife. – disse encarando o mesmo, e James automaticamente adentrou mais no lugar de seu trabalho.
– Um assassinato, Xerife. – pronunciou Sherlock antes mesmo que o homem se aproximasse, e sua frase fez automaticamente o Xerife como a Policial lhe encararem perplexos.
– O que disse, Sr. Holmes? – questionou o Xerife, sendo que ao se aproximar reconheceu o homem.
– Como sabe disso? – a Policial perguntou ao mesmo tempo em que o Xerife questionava o homem, e isso fez um discreto sorriso se surgir nos lábios de Sherlock.
– E se eu dissesse que há outro assassinato. – pronunciou o moreno se virando e encarando o Xerife que ainda absorvia as palavras proferidas pelo homem a sua frente.
– Gostaria que respondesse minha pergunta, Sr Holmes. E que fosse mais claro em suas palavras. – disse James.
– Primeiramente, desde que chegou e começou a se aproximar o som do seu corpo ao se mover mostra claramente, uma tensão, incompreensão, e até uma melancolia, sendo que quando se aproximou pude sentir o cheiro característico de um corpo em decomposição, e já vi vários o suficiente para conseguir distinguir seu cheiro, e até o som da sua voz me diz claramente que acabou de sair da cena de um crime. – disse levianamente. – E o que eu disse sobre outro assassinato, é justamente isso. Pois a morte do Sr. Daehler, não foi um acidente em sua tentativa de fuga. Ele foi assassinado. – afirmou vendo o Xerife ficar se palavras.
Assim que se arrumou, Stiles entrou no jipe e começou a dirigir pelas ruas em direção ao Colégio sendo que tinha ficado satisfeito ao ver que a gola de sua camisa xadrez cobria a marca arroxeada em seu pescoço. E quando encontrasse com Peter novamente estava tentado a lhe dar um soco, mesmo sabendo que sua mão iria doer no ato, afinal já tinha feito isso em Derek. Porem havia outra coisa que vinha em sua cabeça, não sabia como iria encarar Scott, tinha certeza que o mesmo estava desconfiado e que iria lhe interrogar de alguma maneira e tinha que já escolher as palavras certas para convencer o amigo e no meio desses pensamentos parou quase em cima da hora quando o farol se fechou, e logo ficou a esperar batendo um pouco os dedos no volante por uns minutos, até que levou um pequeno susto quando percebeu uma garota parada na frente do jipe. E a mesma parecia ter por volta de seis a sete anos, e vestia um impecável vestido cor-de-rosa claro com alguns babados, enquanto seus cabelos curtos e ondulados de tom castanho estavam soltos, sendo que algumas mechas estavam presas por uma fita de cetim também rosa e podia notar que havia uma pequena mochila nas costas dela, e esta lhe encarava com seus grandes e expressivos olhos azuis. Por um momento pensou que a garotinha tinha se interessado em algo em seu jipe ou então estava perdida, porem parecia que ela estava com todas as letras lhe encarando e isso lhe deixava incomodado. Estava prestes a colocar a cabeça pra fora da janela para dizer algo para a pequena, quando notou um sutil sorriso surgir nos lábios desta e ela logo parou de lhe encarar e continuou seu caminho pela faixa de pedestres até o outro lado da rua.
– Que garotinha estranha. – disse a si mesmo, vendo a menininha seguir pela calçada até sumir de suas vistas, porem logo o som de uma buzina chamou sua atenção e que lhe fez amaldiçoar o motorista do carro de trás pelo susto que este havia lhe dado, sendo que nem havia percebido quando o carro parou atrás do seu, e ao olhar pro sinal viu que este já estava verde e sem demora continuou seu caminho.
– Há pessoas que não prestam atenção, o sinal abre e elas ficam paradas. Provavelmente deve ser alguma mulher que devia estar retocando a maquiagem. – John ouviu o motorista do táxi dizer após tocar a buzina e automaticamente tirou seus olhos de seu caderno de bolso e ao olhar para frente a única coisa que viu foi um carro de tom azul a uma boa distancia e antes que o carro chamasse mais sua atenção o taxi que havia pegado entrou em uma rua, não sabia se estava certo no que tinha deduzido, mas sentia que estava no caminho certo e que encontraria o amigo lá.
A pequena andava serenamente enquanto seu vestido balançava a cada passo que dava, porém a mesma parou ao ouvir uma voz bastante conhecida por si e ao olhar na direção dela, viu por sobre um dos galhos de uma arvore uma bela mulher de cabelos castanhos um pouco mais claros que os seus e olhos castanhos e esta lhe encarava seriamente, e em poucos segundos a mesma desceu da arvore num salto gracioso.
– Savanna. – começou a mulher com ar serio, porem sua voz estava amena. – Eu não disse para me esperar.
– Sim Tia. – afirmou a pequena sem jeito por não ter obedecido. – Disclupa. É que eu queria conhecer o Mascote deles. – falou cabisbaixa.
– Sei. – falou a mulher depois de suspirar, nunca conseguia ficar muito tempo brava com sua sobrinha e logo se agachou ficando na altura dela. – Sabe eu também estou curiosa sobre ele. – afirmou e viu a pequena lhe encarar um pouco mais animada. – Então o que achou dele?
– Normal, como todos os humanos. – falou Savanna animada. – Mas ele tem um cheiro engraçado. – falou rindo um pouco, enquanto sua Tia deu de ombros afinal crianças lupinas viam o mundo dos humanos um tanto diferente já que seus instintos ainda não estavam totalmente desenvolvidos e isso só acontecia quando elas entravam na adolescência, e a coisa mais comum delas, era que elas sempre achavam o cheiro dos humanos engraçado.
– Certo. – disse a mulher. – Mas me prometa que não vai mais sair sem me esperar, não se esqueça que os Caçadores também são habitantes dessa cidade. – falou e viu a pequena lhe acenar positivamente, mesmo sabendo que mais cedo ou mais tarde ela iria novamente sair sozinha, pois sua sobrinha sempre foi um tanto curiosa. – Então vamos. – disse ao pegar na mão da pequena e serenamente seguiram pela calçada.
Assim que o táxi chegou à delegacia, John pagou o homem e saiu do automóvel com um sorriso de satisfação ao ver o jipe preto parado quase na entrada. Era como se tivesse ganhado na loteria ou algo assim, e sem demora começou a adentrar no local, estava tão empolgado por sua façanha que nem percebeu que um policial estava vindo também um pouco distraído, e o mesmo carregava alguns papeis e um envelope em especial, onde em poucos minutos acabaram se chocando.
– Oh me desculpe. – falou automaticamente John ao policial.
– Eu que me desculpo Senhor. – disse o policial ao encarar o loiro, vendo que este tinha belos olhos verdes, e logo se agachou e começou a pegar os papeis.
– Deixe-me ajudá-lo. – o loiro disse ao se agachar também e sem demora começou a ajudar o homem, estavam quase acabando quando John viu que um pouco longe de si estava um envelope, que concluiu que também o policial devia estar carregando e ao se aproximar viu que este devia ter se aberto na queda e o que tinha dentro saiu um pouco para fora.
E sem demora começou a juntar os papeis de tamanho mediano que haviam saído do envelope, e logo viu que o conteúdo do envelope eram fotos e enquanto fazia isso uma que não estava virada para baixo chamou sua atenção. Já vira partes do corpo humano tanto quando estudava na faculdade de medicina, como na própria guerra, para saber do que aquelas fotos se tratavam, mais não era só isso que chamou sua atenção mais sim os ferimentos, porem se sobressaltou quando a foto foi tirada de si e ao olhar para pro lado percebeu seu amigo e este encarava de forma serena a foto que antes estava em sua mão.
– Preciso ver este corpo imediatamente. – pronunciou Sherlock imperativo mostrando a foto em sua mão na direção do Xerife e logo completou. – E espero que o Senhor ainda não tenha dado ordens para que o levassem para o legista, pois quero vê-lo ainda na cena do crime.
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