Colisão - Garras e Deduções
6 5. Brasas, Caçador e... Carona
Stiles não sabia se respirava ou não, podia sentir a respiração de Derek bater levemente contra sua pele e os pelos da barba dele lhe faziam um pouco de cócegas. Seu rosto estava quente, e não apenas seu rosto mais sim o corpo todo, era como se estivesse numa cama de brasas, sendo que a brasa ali era Derek, agora entendia porque o lobisomem muitas vezes andava, isso nos dias mais frios, apenas de regata, o corpo dele era quente como um forno. Não sabia por que Derek estava com todas as letras: Fungando seu pescoço. Mas uma suposição vinha em sua mente.
– O que Peter queria com você? – e ficou correta quando Derek se afastou de si e lhe encarou com a típica expressão seria. Era certo que ele iria perceber o cheiro da fabrica impregnado em cada poro de sua pele e Derek não gostou nada em perceber aquele cheiro no menor.
– Uhm. – limpou a garganta depois de uns minutos, por sorte seu corpo não tinha se animado muito em um especifico lugar, pois seria muito constrangedor. – Me mostrar às novidades. – respondeu vendo o Alpha soltar o ar pelas narinas e crispar ainda mais os lábios.
John tinha terminado de tomar o chá que Sherlock havia feito pra si, e logo pousou a xícara na mesa de centro pra continuar a coletar as informações daquela pilha de depoimentos. Era raro o detetive lhe fazer chá e Sherlock parecia ter um tipo de dom, pois toda a vez que bebia da bebida feita pelo moreno se sentia bem, era como se Sherlock lhe passasse alguma coisa pelo chá, algo que enchia seu interior de uma paz reconfortante. Mas logo e inconscientemente pousou seus olhos no amigo que estava entretido em seu notebook, já que Sherlock tinha a estranha mania de pegar suas coisas e seu notebook era o alvo mais freqüente do moreno, mas John não ligava mais pra isso e seus olhos aos poucos começaram a analisar os movimentos elegantes, precisos e objetivos que o detetive fazia ao digitar, o modo como seus olhos percorriam da câmera pra tela do computador e o jeito como muitas vezes ele crispava os lábios, ou os puxava pra algum canto num meio sorriso irônico e até charmoso, ou então quando estavam naturalmente alinhados e vez ou outra Sherlock os umedecia com a língua, e foi nesse momento que subitamente se sentiu estranhamente quente, mas um tipo de calor que nunca havia sentido era como se estivesse numa cama de brasas ou algo assim, e automaticamente resolveu tirar o casaco pra ver se o calor incomum passava.
– Calor John? – Sherlock perguntou sem desgrudar os olhos do notebook, sendo que havia percebido que estava sendo observado pelo loiro e gostou do resultado que conseguiu quando sugestivamente umedeceu os lábios e era certo que o mel havia aumentado um pouco o libido de John, no entanto Sherlock não imaginou que o efeito acontecesse tão rápido, mas no momento só o resultado lhe importava. Um resultado bastante satisfatório.
– É. Um pouco. – respondeu o medico colocando o casado perfeitamente dobrado no braço do sofá. – Parece que aqui é um pouco mais quente que em Londres. Mas então já descobriu alguma coisa dessa câmera, pois seus olhos vão dela pra tela do computador e vice-versa.
E Sherlock automaticamente encarou o medico.
Derek não havia gostado nada de ouvir o que havia saído da boca de Stiles, mesmo que soubesse que mais cedo ou mais tarde todos saberiam daquilo.
– E o que achou quando o viu? – a pergunta simplesmente saltara dos lábios do Alpha que não se incomodou em fazê-la, pois de alguma forma queria saber o que Stiles sentiu ao ver o cadáver de Gerard.
Stiles se surpreendeu um pouco com a pergunta do Alpha, mas logo o respondeu.
– Fala de Gerard. – começou. – Bem acho que ele mereceu em parte, porem ninguém merece uma morte tão... Digamos brutal.
E o ao ouvir aquilo Derek admirou o mais novo, desde que se conheceram havia uma coisa que tinha percebido no mais novo, Stiles parecia ser do tipo de pessoa que não conseguia guardar rancor de ninguém e sabia disso, pois podia ser o maior desafeto do menor, porém o adolescente sempre estava ali, não tinha medo de lhe dizer que estava errado, por mais que reclamasse de alguns dos seus métodos os fazia e ainda opinava em tudo. No entanto o principal era que Stiles era a pessoa mais leal que já conhecera, pois o adolescente nunca deixaria de estender sua mão pra lhe impedir de se afogar.
– Não pense que eu vou falar com aos Argents. – ditou, não precisava pensar muito pra saber o motivo de Peter ter mandado Stiles ali, e sabia muito bem o que podia resultar se envolver com os Argents e sua casa e as lembranças que tinha daquele dia eram as maiores provas disso.
Stiles estava certo em parte, pois em cinco minutos Derek havia lhe dado a resposta que pensou sendo que nem precisou abrir a boca pra mencionar os Argents.
– E posso saber o porquê, Poderoso Chefão da Matilha dos Lobos Super-Desenvolvidos? Pois Peter disse que nem você nem ele sabem o que podem significar as duas letras que Gerard deixou.
– Vou te dizer o que Gerard quis fazer. – sibilou o Alpha. – O que você acha que ele gostaria? – perguntou olhando fixamente pras duas órbitas castanhas do adolescente. – Conseguir perturbar todos. Desde os lobisomens até sua própria carne e sangue.
– Se bem que o estado que ele ficou é mais perturbador que qualquer outra coisa. – pronunciou Stiles se lembrando da visão do corpo e o sorriso na face pálida de Gerard e no mesmo instante sentiu um arrepio na coluna. – Mas isso não explica o porquê dos Alphas o matarem?
– Caso tenha esquecido Gerard era um caçador e patriarca dos Argents, quantos lobisomens você acha que ele matou pelo longo da vida? Acho que Scott deve ter te contado sobre o Omega que ele viu ser morto pelas próprias mãos de Gerard. E mesmo que os Alphas não o tivessem matado eu mesmo faria isso. – informou.
– Certo, certo. – começou o adolescente serio. — Em parte eu entendo dessa rixa entre Lobisomens e Argents mais caso tenha esquecido Erica e Boyd foram atacados pelos Alphas e poderiam ter sido mortos como Gerard foi. E isso é algo que eu não vou permitir que aconteça com os amigos e com a minha família. – disse e uma parte de si queria ter também mencionado o nome do Alfa na frase, mas lhe faltou coragem. Não podia saber ao certo o que os Alphas queriam mais pelos seus conhecimentos adquiridos pelos últimos acontecimentos sabia que eles podiam tentar alguma coisa contra Derek, já que Beacon Hills é praticamente o território do Hale, sendo que as ditas criaturas lupinas pareciam ser do tipo territoriais, e bem territoriais.
As palavras proferidas por Stiles ecoaram na cabeça de Derek. Ainda se lembrava de como encontrou seus Betas e de como se sentiu ao vê-los. Impotente. Essa era a palavra que batia fortemente em sua cabeça no momento. Tinha se tornado um Alpha, selecionado pessoas, ao certo seriam adolescentes, pra formar seu Pack, ensinado, treinado... Porem como Alpha não tinha impedido dois de seus Betas de partirem e no que nisso resultou, encontrá-los num estado horrível, machucados, com cortes profundos e que demorariam pra sarar, isso se eles ainda tivessem forças pra sobreviver durante a noite. A impotência que sentia era uma mistura forte de vários sentimentos, sendo que já a havia sentido isso antes, quando descobriu o que havia acontecido a sua família por sua causa e logo depois quem causara tal ato. Por sua culpa sua família tinha sido dizimada a pó. Por sua culpa seus Betas quase foram mortos. Será que não se tivesse se deixado levar por seus hormônios de adolescente, teria percebido o que a Argent queria e o que ela planejava? Será que se impondo mais e até sendo um pouco mais agradável com seus Betas eles não teriam partido? E assim poderia tê-los impedido de serem atacados? Eram perguntas que Derek não tinha as respostas. Mas que haviam lhe moldado de alguma forma, não sabia se para o certo ou errado, mas sabia que dessa vez seria a barreira que impediria qualquer coisa de afetar seu Pack... Sua família.
– Já disse. Não vou me envolver com os Argents. – sibilou por fim e logo partiu deixando Stiles no mesmo lugar. Não sabia se sua decisão era certa ou errada, e mesmo tomando essa decisão sabia que isso não se aplicava muito a Stiles, pois o mais novo quase nunca atacava suas ordens, principalmente quando não concordava com elas, e todas as vezes que isso acontecia lhe deixavam meio temeroso, e agora mais do que nunca, porem era cabeça-dura o bastante pra manter, ainda, sua escolha.
Stiles observou a figura de Derek sumir entre as paredes da casa num misto de raiva, incredulidade e até chateação. Tinha uma vontade enorme de socar o Alpha e dessa vez não era para fazê-lo acordar de seu estado desmaiado, mas sim por ser cabeça-dura, será que ele não percebia o que estava em jogo além da sua teimosia de Lobisomem. Em parte achava que não, porem viu como os olhos dele ficaram ao mencionar o que havia acontecido com Erica e Boyd, nos olhos que tanto amava, Stiles viu uma sombra profunda e isso vez seu coração se contrair, era certo que Derek devia se culpar pelo que havia acontecido, porém ele não devia se deixar levar pelo que aconteceu ao passado, por mais doloroso que possa ter sido e isso era uma coisa que sabia bem, pois ainda poderia ter seu pai, mas também perdeu alguém muito importante de sua família mesmo que não tivesse muitas lembranças dela. E se Derek não ia falar com os Argents, ele mesmo falaria.
E antes que Sherlock pronunciasse alguma coisa o médico percebeu um brilho divertido nos olhos azuis do detetive, um brilho que só aparecia quando Sherlock se encantava com algum caso.
– Primeiramente a câmera é um pedaço de lixo inútil. – sibilou o detetive entediado.
– Então se ela é inútil porque está interessado nela?
– Porque o que me interessa nela é o dispositivo de armazenamento de dados. E não o Sr. Matthew Daehler não usava um cartão de memória. – disse respondendo a uma pergunta que sabia que John iria lhe fazer. – Pois mesmo que a câmera esteja nessas condições, se olhar atentamente pra entrada do cartão de memória vai perceber que não há nenhum indicio que um foi colocado, ou então usado. – disse mostrando pro medico que havia se levantado pra olhar mais de perto, e John viu que Sherlock estava correto em sua observação.
– Então como vai conseguir os arquivos, pois essa câmera a meu ver é perda total, a lente esta quebrada, como a tela dela e na queda pode ser que algo tenha sido comprometido por dentro. – falou John, que havia se sentado na mesa de centro ficando frente a frente com o amigo, onde logo tirou o olhar da câmera e encarou o detetive e foi nesse momento percebeu um sutil e quase imperceptível sorriso nos lábios do mesmo e conhecia muito bem aquele sorriso.
– Conheço uma pessoa que me deve um favor, e ele tem bastante habilidade com equipamentos eletrônicos, só que ele é um pouco temperamental.
– Favor? Temperamental? – meio que questionou o medico.
– Eu impedi que ele fosse preso. – começou o detetive. — E ele é uma pessoa que não gosta de maneira alguma de se comunicar com as pessoas, simplificando ele prefere as maquinas do que as pessoas, por isso pra me comunicar com ele só a base de mensagens de texto ou emails, e isso também porque ele é mudo.
– Até um pouco parecido com você. – pronunciou o medico, pois seu amigo era social quando lhe convinha.
– Não. – disse o detetive se aproximando um pouco do loiro, ficando sentado na beirada do sofá e logo aproximou os lábios da orelha de John. – Pois diferente dele que prefere apenas a presença das maquinas... Eu prefiro apenas a presença de uma única pessoa.
John havia sentido um arrepio em sua pele ao sentir a respiração quente de Sherlock, mas não deixou de notar o tom mais rouco e aveludado que a voz dele soou em seu ouvido e que lhe deixou um tanto constrangido, e ao virar o rosto pro detetive viu que ele lhe encarava com aquela expressão impassível, e John não precisava perguntar de quem ele falava, no entanto o som de seu celular chamou a atenção de ambos.
– Diga pra Mycroft voltar a lamber as botas da rainha. – ditou Sherlock irritado voltando a sentar corretamente no sofá e digitar no notebook, seu irmão tinha um timing pra lhe incomodar.
John piscou algumas vezes antes de absorver o que o amigo havia dito e assim que encarou a tela de seu celular viu que era exatamente Mycroft que estava lhe ligando e sem demora o atendeu.
– Alo.
– Diga pro meu irmão que ele devia ser mais agradável. – ouviu a voz serena e imponente de Mycroft na linha e ao olhar pro amigo o viu revirar os olhos sem os tirar da tela do notebook, com certeza ele já sabia o que Mycroft havia acabado de lhe dizer. – Mas John espero que tenha aproveitado a viagem de jato.
– Há sim, foi muito confortável. – falou o medico.
– Fico satisfeito que tenha apreciado. – comentou o Homem de Gelo. – E espero que meu irmão não esteja abusando muito de você. – ouviu Mycroft dizer, no entanto notou um tom diferente na voz dele, um tom de divertimento ao seu ver. – Pois sabe que Sherlock não é muito de comer ou dormir e não quero que acabe adquirindo esses péssimos hábitos do meu irmão. Afinal me preocupo com seu bem estar John e sei que muitas vezes meu irmão pode ser negligente com você e até indelicado.
– Obrigado pela preocupação Mycroft. – começou John serenamente, tinha até se surpreendido com essa preocupação do irmão mais velho de seu amigo. – E eu já me acostumei com o jeito e as manias de Sherlock e se ele não fosse assim, ele não seria ele mesmo. – disse sincero e não percebeu que Sherlock ouviu atentamente o que disse, e o detetive sentiu o coração bater um pouco mais forte além de uma vontade enorme de se aproximar de John e lhe beijar, porem logo sua atenção foi chamada pro notebook, pois tinha acabado de receber uma resposta e tinha que a ler de imediato já a pessoa que lhe devia tal favor usava um programa, inventado por ele mesmo, que apaga as mensagens depois de uns minutos e por isso não percebeu o pequeno sorriso que surgiu nos lábios do medico quando ele terminou a sentença.
Do outro lado da linha Mycroft tinha um sorriso divertido e quase imperceptível ao ouvir o que John dissera, pois tinha notado o tom diferente na voz do medico ao dizer tal sentença, porem sua atenção foi chamada quando sua assistente, Anthea, entrou na sala e sem que ela precisasse abrir a boca já sabia do que se tratava, mais uma reunião que necessitava de sua presença.
– Bem John gostaria de continuar nossa conversa agradável, mas agora tenho assuntos a resolver. – pronunciou Mycroft já se levantando de sua confortável poltrona, tinha que admitir que John era uma pessoa simples, mas totalmente cativante. O loiro era educado, solidário e o mais importante fiel, porem também tinha seu lado mais frágil, mesmo debaixo do seu lado soldado, e não precisava pensar muito pra saber o que fez seu irmão se encantar pelo medico. – Espero que você e Sherlock se cuidem. E se precisarem de qualquer coisa me comuniquem. – pronunciou serenamente, e nem precisava que John ou Sherlock lhe ligassem pra isso, pois havia conversado com o Xerife responsável pela cidade e lhe pedido pra lhe deixar a parte de tudo que acontecesse principalmente se isso envolvesse seu irmão ou o loiro, e conseguiu isso usando de seu nome e seu cargo no governo, não que gostasse de usá-los mais era necessário já que os dois estavam em outro país, então tinha que manter certos protocolos.
– Certo. – ouviu o loiro dizer. – E se cuide também Mycroft.
– Agradeço. Então deixarei que você continue a auxiliar meu irmão no caso. – falou. – Passar bem John. E diga ao meu irmão que pensamentos não matam. – completou com um sorriso que raramente aparecia em sua face e logo ouviu o medico se despedir e era claro que ele não havia entendido o que havia dito. – Onde será a reunião, Anthea? – perguntou a sua assistente que em 99% do tempo mantinha seus olhos grudados em seu celular e antes que ela lhe respondesse sentiu seu celular vibrar levemente no bolso de seu blazer e ao pega-lo viu que havia acabado de receber uma mensagem.
“Não seja irracional, Mycroft. Sei que pensamentos não matam.
S”
Era o tipo de mensagem que esperaria de seu irmão e logo o respondeu, e assim que enviou a mensagem desligou o celular afinal não podia ser interrompido enquanto estivesse na reunião.
– Estão lhe esperando na sala sudoeste, Sr. Holmes. – ouviu Anthea lhe dizer e logo fez um leve gesto de cabeça mostrando que havia compreendido e assim que saiu de sua sala automaticamente adquiriu a expressão seria e serena que lhe dera o apelido de: Homem de Gelo, e com Anthea como sua segunda sombra seguiu pra sua próxima reunião.
Assim que terminou sua conversa rápida com Mycroft, John se voltou pro amigo, mas vendo o jeito que ele digitava sereno mais com um ar meio carrancudo em celular, concluiu que ele devia estar mandando uma mensagem pra Mycroft.
Sherlock assim que percebeu que John terminara de falar com seu irmão começou a digitar uma mensagem para o mesmo, afinal não precisava ser nenhum gênio pra saber o que seu irmão havia pedido pra John lhe dizer, e assim que mandou a mensagem recebeu em menos de cincos minutos uma de Mycroft.
“Mas bem que você queria.
M”
O detetive não gostou muito da mensagem e logo a apagou. O que podia fazer se nunca tinha sentido algo assim, e isso lhe fazia pensar em algumas coisas um tanto absurdas e ilógicas. Mas não repudiava o que sentia. Só não sabia ainda lidar com tudo isso.
Stiles tinha acabado de estacionar o jipe a duas casas da casa dos Argents, isso porque não sabia se Allison ainda estava em casa à espera de Scott pra irem pra seu encontro. Pensou até em mandar uma mensagem pro amigo pra ver se o mesmo tinha conseguido outro carro e estava curtindo o encontro, mas ao vasculhar em todos os bolsos de sua roupa, além de todos os cantos do jipe, não encontrou o aparelho e foi nesse instante que percebeu que Jackson não lhe devolvera seu celular.
– Droga. – resmungou passando as mãos nos cabelos, devia ter se lembrado de pegar o celular assim que o Lobisomem terminou de responder a mensagem de Scott e sabia que mais cedo ou mais tarde seu amigo iria lhe questionar sobre isso, só não queria que fosse agora, já que tinha que falar com o Sr. Argent em particular.
Tinha duas opções, e ir pra casa não era uma opção muito viável. Então sem demora desceu do jipe e em passos rápidos e cuidadosos se dirigiu pra casa dos Argents, por sorte não havia ninguém perto das janelas, e por causa disso logo conseguiu chegar até a sacada onde se agachou perto de uma das janelas e olhou pra dentro onde notou uma pequena claridade e no mesmo instante grudou os ouvidos no vidro pra ver se ouvia algum barulho, mas não havia som algum, parecia que não havia ninguém e até pensou que realmente não havia porem seria melhor confirmar então se levantou e rumou pra porta onde deu algumas sutis batidas, e depois de uns minutos a porta foi aberta pelo próprio Sr. Argent.
– Se esta procurando Allison ela saiu com o Sr. McCall. – a voz imponente, fria e serena do homem invadiu seus ouvidos e era claro que ele ainda não aprovava muito o relacionamento de sua filha com seu amigo, mas parecia tolerar isso.
– É bom saber disso. – falou aliviado por saber que não trombaria com um dos dois. – Pois eu gostaria de conversar com o Senhor. Em particular. – disse e viu o Caçador lhe olhar de cima a baixo, como se estivesse analisando alguma coisa ou então buscando, mas logo o mesmo se afastou da porta lhe dando passagem pra entrar, o que fez no mesmo instante e assim que o Caçador fechou a porta o seguiu pra sala, onde se sentou em um dos sofás com o Argent a sua frente numa bela poltrona.
– Derek sabe que veio falar comigo? – perguntou o Argent assim que se sentou.
– Não. E também não preciso de nenhuma permissão pra falar com certas pessoas afinal não sou nenhum Lobisomem pra pertencer a um Pack. – disse mais sentiu seu coração se contrair um pouco ao fazer tal afirmação. – Já que sou 100% humano.
– Enganasse. – pronunciou o Argent serio. – Não sei se sabe ou não, mas o Pack Hale antes do incêndio era composto de Lobisomens e Humanos, algo bastante raro de acontecer, mas não impossível. E vendo que você tem acesso livre ao território do Alpha é mais do que claro que você já faz parte do Pack. – disse e Stiles piscou assimilando cada palavra daquela sentença e não podia crer naquilo, como ele podia ser parte de um Pack sendo que ninguém lhe comunicara, e nem havia recebido um memorando ou uma comunicação formal sobre isso. E parando pra pensar melhor o Sr. Argent tinha em parte razão, pois da primeira vez que viu Derek o mesmo com a cara mais fechada do mundo reclamou com ele e Scott dizendo que estavam em uma propriedade particular e seus olhos verdes tinham um olhar hostil como se gritassem: Sumam da minha propriedade. E por causa disso sempre se sentiu um intruso ali. E com o passar do tempo e os acontecimentos ele ainda mantinha tal olhar, porem em algum momento que não sabia ao certo o olhar do Alpha mudou ficando mais brando, mesmo mantendo a expressão carrancuda, e por causa disso não mais se sentiu um intruso ali. Ou então alguém indesejado. Mas sim como se sua presença fosse de alguma forma apreciada. – Mesmo que ainda não tenha a marca.
– Marca? Como assim marca? Derek vai me morder ou coisa assim? E sabe que a mordida de um Alpha pode transformar qualquer um em lobisomem e não quero passar o resto da minha vida me preocupando em me acorrentar em toda a lua cheia, ou então com pulgas, se é que os lobisomens ficam com pulgas. – falou agitado, quase atropelando as palavras.
– Essas repostas só Derek poderá lhe responder. – disse Cris que esboçou um rápido e leve sorriso ao ouvir a menção das pulgas. – Então poderia me deixar à parte do assunto que quer falar comigo? – questionou.
– Bem não sei se sabe... – começou um tanto nervoso, não tinha pensado que poderia ser o primeiro a dar a noticia que o pai do Argent tinha sido morto e isso lhe deixava sem saber como começar. – Mas o corpo de Gerard foi encontrado na fabrica abandona. – falou depois de respirar fundo vendo o homem a sua frente não demonstrar nenhuma expressão, nem de surpresa ou abalo. – Parece que os Alphas o encontraram e...
– Não pensei que seu assunto comigo fosse este Sr. Stilinski. – falou o homem calmamente interrompendo o menor, não se incomodava com o fato que seu pai estava morto, afinal ele tinha feito sua mulher, uma das pessoas que mais amou na vida, se suicidar por causa de seu capricho infame e desonroso. – Porem lhe digo que não tenho nenhum conhecimento do que as letras que meu pai deixou significam. – completou.
– Como! – exclamou surpreso.
–Acho que aquele pacote pode lhe dar uma idéia de como sei disso. – falou Cris apontando pra parede que ficava atrás de Stiles, e o mesmo assim que se virou notou um pacote retangular embrulhado em papel pardo que mais lembrava a forma de um quadro, sendo que uma das laterais estava aberta.
E sem cerimônia se levantou e foi até o pacote e o pegou onde lentamente começou a tirar o conteúdo de dentro, sendo que se surpreendeu e muito ao encarar um quadro com uma foto nítida de Gerard e a mesma parecia ter sido tirada quando o mesmo estava ainda vivo, mas logo percebeu uma mensagem no canto inferior direito do quadro.
“Achamos que gostariam de uma recordação dos momentos finais dele. Afinal ele era o seu Patriarca. Nossos sinceros pêsames.
E se quiserem vê-lo vão a fabrica abandonada.
Alphas”
– “O que eles realmente querem?” – pensou consigo mesmo. Os Alphas tinham mandado uma mensagem no celular de Peter e agora uma pros Caçadores e era claro que as duas tinham praticamente o mesmo significado.
– Assim que recebi fui ver com meus próprios olhos. – a voz do Argent o tirou dos profundos pensamentos. – E até é um pouco irônico. Morrer nas mãos daquilo que sempre cobiçou ser. – pronunciou Cris.
– Mas Gerard não tinha nenhum documento que pudesse ter as iniciais dessa tal palavra que ele não conseguiu terminar? – perguntou depois de colocar o quadro de volta no pacote, pois a imagem de Gerard ainda vivo naquelas condições era pior que a dele totalmente morto.
– Todos os registros e documentos se encontram no pendrive dele, que você e o Sr. McCall, junto de minha filha conseguiram se apropriar para conseguir o Bestiário. – começou o homem. – E boa parte dos documentos estão numa pasta oculta e codificada que só Gerard tinha acesso como também a senha. – falou.
– E as letras que ele deixou não poderiam ser a senha ou parte dela? – questionou.
– Poderiam se Gerard não fosse um apreciador de números. – disse o Argent e Stiles passou as mãos nos cabelos em frustração, bem que diziam que era melhor lidar com os vivos do que com os mortos. – Mas Sr. Stilinski tenho a impressão que não é só por isso que veio falar comigo?
– Com certeza. – afirmou. – Derek não gostou nada disso, mas acho que tanto os Lobisomens como os Caçadores deveriam se unir, não para sempre, mas pelo menos pra descobrir o que os Alphas realmente querem, ou algo assim. Uma trégua momentânea. – falou firme e viu o homem o olhar ainda mais serio, com certeza ele também não havia gostado da idéia.
John estava na cozinha, depois da conversa com Mycroft, ele e Sherlock continuarão em suas tarefas, até que o detetive fez uma rápida ligação e ao terminá-la reclamou dizendo que os Correios deveriam ficar abertos 24 horas por dia e com a cara mais fechada do mundo saiu sem lhe dizer uma palavra, um comportamento bastante comum por parte dele. Neste momento o loiro buscava entre as muitas sacolas de compras, que Sherlock havia pedido pra corretora providenciar, alguma que tivesse produtos higiênicos, pois após terminar de fazer as anotações de todos aqueles relatos decidiu tirar as roupas da mala e guardá-las no guarda-roupa embutido, além de colocar seus produtos de higiene no banheiro, o que era um shampoo, um condicionador, sabonete, um desodorante e um perfume de aroma fraco, apenas o essencial, porém ao vasculhar em toda a bolsa que Sherlock havia colocado seus produtos de higiene não encontrou a coisa mais importante, sua escova de dentes, e por causa disso resolveu ver se havia alguma nas sacolas de compras, no entanto ao verificar em todas não encontrou nenhuma e como prezava por sua saúde bucal não pensou duas vezes antes de sair pra comprar uma, mesmo não sabendo onde o supermercado mais próximo ficava. Mas como diz o ditado: Quem tem boca vai a Roma.
Peter havia acabado de chegar em casa, mas assim que colocou os pés dentro da residência foi recebido por Derek que estava com a cara mais fechada do mundo, sendo que seu sobrinho parecia não ter outra expressão além dessa.
– Gostaria que me explicasse algumas coisas. – pronunciou o Alpha serio.
– Pela sua cara e pelo sutil cheiro meio adocicado posso até imaginar do que se trata. – começou Peter tranquilamente e até um tanto irônico.
– Não devia tê-lo envolvido. – sibilou o Alpha.
– Só fiz um favor a ele mostrando que Gerard estava morto. – disse se sentando no velho sofá. – Afinal ele merecia depois de todos aqueles socos que levou. Até posso imaginar como ele se sentiu, vendo que ninguém apareceu pra lhe ajudar...
Derek não gostou de ouvir essa afirmação. Naquele dia era como se tivessem prendido parte de seu corpo só lhe dando a oportunidade de escolher uma única opção. Ou ele com base no cheiro do adolescente ia atrás do mesmo e o soltava da onde quer que Gerard podia tê-lo colocado. Ou então, junto dos outros impediam o plano do Argent. Eram duas opções bastante importantes e por mais que quisesse ou não, teria que escolher uma, e ao finalmente escolher não gostou nada, pois sabia que estava de alguma forma estava abandonando o mais novo.
– Devia ter visto a cara dele quando viu o corpo de Gerard. – a voz de seu tio lhe tirou dos profundos pensamentos. – A principio ele ficou surpreso, mas depois serio, totalmente neutro, ele encarava o corpo de Gerard como se ele não fosse nada, como se não sentisse nenhuma antipatia... Parecia até um pouco comigo, mesmo que demonstrasse que queria colocar alguma coisa pra fora a qualquer momento... – pronunciou e em menos de cinco minutos foi puxado pela camisa e encarado pelas frias orbitas vermelhas do Alpha.
– Não o compare a você. – sibilou Derek.
– Calminha. – disse Peter que até se surpreendeu um pouco com a reação do sobrinho, o que reforçou ainda mais a suspeita que tinha principalmente ao ser encarado não pelas órbitas verdes de Derek, mas sim pelas órbitas vermelhas do Alpha. – Só quis dar uma explicação mais detalhada, afinal ninguém nunca poderia ser comparado a mim. – disse vendo a cor natural dos olhos de Derek retornar, e o mesmo logo lhe soltou. – Porém me pergunto por quanto tempo o brilho inocente vai durar nos olhos desses adolescentes, principalmente a sensação cálida dos olhos do nosso doce e tagarela Stiles...
Aquilo era uma coisa que o Alpha conhecia bem, e em todas as vezes que Stiles lhe questionava ou se irritava com suas ações os olhos do menor nunca tinham hostilidade, eles transmitiam uma sensação confortável e afável, que fazia sua raiva sumir e algo ainda mais forte surgir. E pensar que poderia não ver mais esse brilho lhe fazia sentir uma sensação desagradável, e não deixaria que isso acontecesse... Havia finalmente tomado sua decisão totalmente, e ela não lhe agradou em nada.
Stiles estava dirigindo de volta pra casa depois de terminar sua conversa com o Argent que não achou muito valida sua idéia mesmo não se mostrando totalmente contra ela, e logo o mesmo mudou de assunto lhe questionando sobre o detetive, já que Allison contara ao mesmo o que havia acontecido no Colégio e de cara percebeu que aquilo fora um meio do Caçador indiretamente dizer que aquele assunto estava encerrado.
Estava irritado, como aqueles dois homens não podiam entender que se juntando, cooperando, poderiam ser mais fortes para enfrentar os ditos Alphas, se pudesse colocava os dois de castigo no canto, no entanto logo sentiu seu estomago reclamar, já que a ultima coisa que havia colocado dentro do mesmo foi o lanche do Colégio e que quase botou pra fora quando viu o corpo de Gerard e a fome lhe fez automaticamente lembrar que precisava comprar algumas coisas pra fazer o jantar e sem demora mudou de marcha e entrou na próxima rua a frente.
John havia demorado um pouco pra encontrar o dito supermercado, pois por mais que as línguas fossem semelhantes haviam algumas palavras que tinham sentidos diferentes, por isso por mais que as pessoas a quem pediu informação fossem prestativas, acabou se perdendo um pouco pelo caminho. Ao chegar e entrar no lugar o medico a principio deu uma boa olhada, o supermercado não era grande, mas também não era pequeno, e sem demora começou a andar pelos corredores em busca de uma nova escova de dentes.
Assim que estacionou em uma das vagas no estacionamento, Stiles saiu do jipe e sem demora entrou no estabelecimento que já conhecia bem cada canto, até de olhos fechados. E ao entrar foi diretamente pra parte dos frios e carnes onde pegou duas formas de isopor com pedaços de frango cortados, selecionados e devidamente embalados e logo se dirigiu para parte de hortifruti onde pegou alguns tomates e selecionou algumas folhas verdes, pra fazer uma boa salada, e logo pegou mais algumas coisas que se lembrou que estavam faltando na dispensa, como manteiga de amendoim e geléia, e assim que pegou tudo se dirigiu pros caixas que estavam com filas um pouco grandes, mas como estava com menos de dez itens foi pra fila do caixa rápido que poderia ser a maior, no entanto era a que estava indo mais rápido e logo se colocou atrás de um homem de estatura mediana e cabelos loiros. Por alguns segundos ficou ali esperando sua vez até que prestou um pouco mais de atenção na pessoa a sua frente e de imediato percebeu que já vira aquele homem e quando o mesmo virou um pouco o rosto pra olhar pro lado foi ai que o reconheceu.
– Doutor Watson? – o chamou e o viu automaticamente se virar e lhe encarar.
John estava na fila há alguns minutos e em sua mão direita estava a embalagem com sua nova escova de dentes que era de um tom médio de azul, não era sua dita cor favorita, mas começou a aderir a cor em si desde que começou a conviver com Sherlock, sendo que a cor da escova de dentes se assemelhava e muito com a cor dos olhos do detetive. E enquanto estava na fila, estava até um pouco contente em não ver naquele supermercado aquelas maquinas, mas logo percebeu alguém parar atrás de si onde depois de uns minutos ouviu seu nome e ao se virar encarou um dos adolescentes que Sherlock havia interrogado pela manhã.
– Sim. – disse. – E você é o Sr. Stilinski. Certo? – completou, podia não ter a mente superiora de Sherlock, mas se orgulhava de conseguir gravar rostos e nomes.
– Isso. – afirmou Stiles e aproveitaria esse encontro repentino pra saber como estavam as investigações do detetive, e falando nele o loiro parecia estar sozinho.
– É bom revê-lo, num mesmo dia tenho que dizer. – pronunciou John.
– Digo o mesmo. – disse. – E isso é coisa de cidade pequena, todo mundo se conhece. E você pelo dia acaba trombando com uma mesma pessoa, algumas vezes. – colocou. – E espero que o Senhor e aquele detetive estejam gostando da cidade. – disse e logo chegou à vez do loiro no caixa.
– Aqui é muito bonito, e o clima é mais ou menos parecido com ao de Londres. – afirmou o medico pagando sua compra e logo recebeu uma sacola com sua escova de dentes.
– Que bom que esteja gostando. – falou Stiles que foi o próximo a passar suas compras e paga-las. – Aqui não temos muitas atrações turísticas, mas alguns estabelecimentos são bastante populares, como a pista de patinação e o boliche. – disse começando a sair do estabelecimento com o medico.
– Obrigado pela dica, acho que vou visitar quando as investigações acabarem. – pronunciou o medico e isso foi à deixa que Stiles queria.
– Doutor Watson posso lhe fazer uma pergunta? – sibilou.
– Sim. E pode me chamar de John, Sr. Stilinski. – pronunciou o medico.
– Certo John. E você pode me chamar de Stiles. – falou e viu o mesmo dar um leve aceno concordando. – Aquele detetive realmente não dorme e come nos casos? Eu ia perguntar isso naquele momento quando disse que gostei do seu blog, mas não achei muito prudente, pois ele me olhava com uma cara, como se quisesse arrancar algum membro do meu corpo e colocar num microscópio. – disse e John achou graça.
– Sherlock realmente não come e dorme nos casos, principalmente nos que lhe agradam. E é um péssimo habito ao meu ver, mas é parte dele. – disse e Stiles viu que o loiro falava com certo carinho do detetive. – E o jeito que ele te olha é o normal dele.
– Imagina se não fosse. – falou e viu o loiro esboçar um sutil sorriso.
– Bem eu tenho que ir Stiles. Foi bom revê-lo. – pronunciou John ao mais novo.
– Certo, então nos trombamos novamente outro dia. – falou e viu o loiro lhe sorrir e acenar antes de se virar e começar a se distanciar e vendo que o mesmo não se dirigiu pro estacionamento era claro que ele estava a pé e isso lhe deu uma idéia. – John. – o chamou e o viu parar, se virar e lhe encarar curioso. – Quer uma carona? – perguntou e logo completou. – E não aceito não como resposta. – completou, seria um bom meio pra saber onde eles estavam hospedados.
Sherlock estava voltando pra Beacon Hill, o motivo de ter saído da cidade foi porque o correio dali já havia terminado seu horário de funcionamento, pelo menos o atendente que o atendeu ao ligar pro lugar foi útil ao lhe informar que na cidade vizinha havia uma central dos correios que ficava aberta até um pouco mais tarde e ao receber a informação não demorou nem mais um segundo e partiu pra outra cidade, ouviu até John lhe chamar antes de sair, porem estava com pressa pra mandar logo a câmera pra Londres, para assim terminar logo o caso e aproveitar o resto dos dias pra fazer alguns programas com John, pois Beacon Hill podia não ter muitas atrações turísticas, mas tinha ótimos estabelecimentos de entretenimento, principalmente a pista de patinação que ao seu ver parecia um ótimo lugar pra um primeiro encontro, no entanto agora o que mais queria era chegar em casa e ver o seu loiro.
E o detetive não demorou mais que vinte minutos pra finalmente chegar, onde logo estacionou o jipe preto em frente à garagem e sem nem sair do mesmo notou que todas as luzes da casa estavam apagadas, mas logo desceu do jipe e entrou, onde constatou o óbvio: John não estava. Automaticamente foi a cozinha pra ver se podia chegar a alguma conclusão do porque o loiro tinha saído e ao entrar no recinto apenas viu as sacolas em posições um pouco diferentes das que se lembrava, como se alguém estivesse procurando alguma coisa, e sem demora foi até o quarto que o loiro ia ficar onde encontrou as malas desfeitas e as roupas devidamente arrumadas no closet, e ao entrar no banheiro encontrou todos os produtos higiênicos de John devidamente em seus lugares, no entanto faltava algo ali, e sabia muito bem o que era, sendo que até estranhou, pois tinha certeza que tinha colocado a escova de dentes na bolsa do medico junto com os outros objetos, então sem demora pegou a bolsa e olhou e foi ai que percebeu um vão entre as costuras e ao passar a mão ali sentiu a escova. Provavelmente o loiro não tinha percebido e por causa disso saiu para comprar uma nova, porém isso lhe deixava um pouco preocupado, John podia ser homem que sabia lidar com varias situações e se defender bem, por causa do treinamento do exercito, porém estava numa cidade em que não conhecia nada, e tudo que restava pro detetive fazer no momento era esperar o medico.
John se surpreendeu com a oferta do mais novo e até recusou educadamente a principio, porém o adolescente era bastante insistente e no final acabou aceitando a oferta. E agora estava sentado confortavelmente no banco do carona enquanto Stiles dirigia tranquilamente pela rua, era uma rua com bastante vegetação dos dois lados e bastante movimentada por ser uma das principais, porém naquele momento estava praticamente deserta e coberta por uma camada fina de neblina, só tendo os dois dentro do jipe, sendo que o Stilinski tinha ficado um tanto surpreso quando o loiro informou onde estava hospedado, e logo o mesmo parou o jipe quando o sinal se fechou.
– John. – chamou o loiro. – Você e aquele detetive são amigos há bastante tempo? – começou puxando assunto.
– Nos conhecemos a mais ou menos dois anos. – começou o medico. – Mas porque a pergunta?
– É que eu fiquei curioso. – informou, sendo que em parte era verdade. – Isso porque vocês parecem ser bastantes companheiros. Eu e Scott...
– O Sr. McCall? – questionou o loiro.
– Isso. – confirmou o adolescente. – Somos amigos desde o berço praticamente e somos bastante unidos, mesmo que agora ele esteja focado mais na namorada dele. – disse e John percebeu que o adolescente ficou com o tom de voz um pouco sem animo. – Mas somos como unha e carne, e é por isso fiquei curioso com a relação de você com o Sr. Holmes, pois vocês parecem que se conhecem a um bom tempo, até mais que dois anos.
– Nunca notei isso. – falou. – E você e o Sr McCall parecem mesmo bons amigos.
– Somos tão bons amigos que quando éramos crianças levávamos bronca juntos, mesmo que um não tivesse participado diretamente da travessura do outro. – comentou. – Sendo que hoje em dia não mudou muita coisa. – disse com um sorriso e viu o loiro também lhe sorrir, era estranho nunca se sentia muito solto com pessoas que acabava de conhecer, porém John lhe passava uma boa sensação e lhe deixava confortável, e isso era uma coisa que sentia quando estava com os amigos, porém com o loiro parecia algo mais profundo e até diferente, mesmo que em parte fosse pra conseguir alguma informação da investigação do detetive.
– Eu nunca fiz muitas travessuras quando criança. – comentou o loiro. – Mas depois que conheci Sherlock passei por varias coisas e todas mais por culpa dele mesmo, porém ele sempre tentou me compensar por isso, não com palavras, mas sim com gestos e um exemplo disso é quando ele toca a minha composição favorita no violino. – pronunciou e sorriu brandamente, nunca foi uma pessoa que falava muito sobre coisas relacionadas a si com seus amigos, principalmente com alguém que tinha acabado de conhecer, porém o adolescente tinha algo que fazia com que isso fosse natural e comum, como algo rotineiro. – Parece que o sinal abriu. – comentou.
– É mesmo. – afirmou Stiles vendo o sinal verde e logo continuou a seguir pela estrada. – Quando Scott quer me compensar por alguma coisa ele aparece lá em casa com duas sacolas cheias de jogos pra que a gente jogue a noite e a madrugada inteira. – disse. — Algo que marcamos pra fazer algumas vezes, mas muda quando não tínhamos combinado nada. – disse e sorriu e ao olhar pro loiro este também sorria e logo voltou a prestar atenção na rua, mas isso só durou alguns minutos. – John, você e aquele detetive já tem alguma idéia do que aconteceu com Jackson? – perguntou e ao olhar de esgueira pro medico este lhe olhava curioso. – Desculpe se eu estiver perguntando algo que não devia, mas é que eu só um pouco muito curioso e não consigo me conter em relação algumas coisas. Meu pai até fica bravo comigo quando fico querendo saber sobre um caso sigiloso.
– Não, tudo bem. – pronunciou o loiro, já estava acostumado com esses tipos de perguntas, principalmente quando estavam num novo caso e os visitantes de seu blog muitas vezes lhe perguntavam coisas assim. – Sherlock tem algumas idéias sobre o caso. E neste momento esta focado em um determinado objeto.
– Objeto? – questionou Stiles. – Pode me dizer que tipo de objeto seria?
– Poderia. – disse John. – Porem não posso. – completou, não sabia ao certo se naquela câmera havia alguma pista, mas no momento aquilo estava no termo sigiloso.
– Entendo. – disse Stiles entrando numa rua. Porem iria encontrar um jeito de descobrir que tipo de objeto havia chamado a atenção do detetive, e se não conseguiria nada por John poderia conseguir alguma informação com seu pai ou nas coisas dele.
Cris Argent estava no posto de gasolina, o motivo de estar ali não era basicamente pra abastecer o carro, mas sim pelo convite que tinha recebido, sendo que nunca imaginou receber tal mensagem e de tal pessoa. E logo percebeu um muito conhecido camaro preto se aproximar e parar atrás de seu carro, onde em menos de cinco minutos o Hale saiu.
– Acho que devia saber que o Sr. Stilinski veio falar comigo. – sibilou o Argent.
Isso era mais claro do que água pra Derek, podia sentir no cheiro do homem uma parcela mínima do cheiro do adolescente.
– Então já sabe o assunto que quero tratar. – pronunciou serio.
– Realmente certas coisas nunca vão mudar. – disse Cris serenamente. – Estamos ambos aqui pra provavelmente nos unirmos numa união provisória e é visível que nenhum de nos esta contente por isso. – afirmou, podia não ter gostado daquela sugestão, porém já havia perdido vários Caçadores tanto antes como depois da morte de Gerard, e se queria prezar pela segurança de sua filha se uniria até com uma das espécies que mais caçava.
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