Colisão - Garras e Deduções
4 3. Chegada, interrogatório e... Corpo - parte II - final
Era a hora do intervalo. Stiles estava sentado numa das mesas do refeitório com Scott, Allison e Lydia, numa conversa calma, sem por nenhum momento falar sobre os ditos lobisomens e era bom ter conversas que não tivessem relação às criaturas lupinas em cada frase ou parágrafo.
– Então Stiles. Fiquei surpresa quando Erica me disse que você sabe e anda de moto. – pronunciou a ruiva pra si, pois o assunto sobre motos além das conversas paralelas fora interrompido pela chegada do professor. — E se soubesse disso antes eu teria saído com você. – falou ela divertida.
– Cuidado pra não falar uma coisa assim na frente do Jackson, não quero que minha cabeça seja separada do meu corpo. – ironizou fazendo todos rirem.
– Oh! Ele não ousaria. – pronunciou a ruiva divertida e Stiles sentiu que havia algo a mais naquelas palavras, no entanto resolveu deixar pra lá. – Bem eu vou retocar minha maquiagem, vem comigo Allison?
– Claro. – afirmou a Argent. – Até daqui a pouco. – disse dando um selinho no namorado.
– Até. – disse Scott.
– E eles viveram felizes para sempre. – pronunciou Stiles divertido pro amigo quando as duas estavam distantes.
– Tonto. – disse Scott com um sorriso de canto. – Então poderia me emprestar o seu jipe hoje? – pediu.
– Por que você quer o meu bebê, você não tem o carro da sua mãe.
– Se esqueceu que ela teve que ir a um evento beneficente de médicos e só volta no final de semana. – informou.
– E pra que você quer o meu carro?
– Como hoje não tem treinamento. Pensei em levar a Allison ao cinema, desde o ano passado nós não conseguimos sair como namorados normais pra ir nesses tipos de lugares. Sabe, como é.
Stiles ouviu atentamente, mas sua expressão estava meio vazia, afinal Scott tinha combinado consigo de jogarem alguns jogos, como sempre faziam antes de todo o lance dos lobisomens começar e era até um tipo de reunião dos dois, mas o que podia fazer se era apenas um amigo e Allison era a namorada de Scott e era puramente normal que o amigo desse mais sua atenção a ela, então suspirou lentamente antes de se pronunciar.
– Não ouse fazer nada indecente dentro do meu carro. – ordenou. – Mas vai ter que me deixar em casa primeiro, Chofer. – ironizou, mais não havia muito divertimento em sua voz.
– Como quiser Sr. Stilinski. – entrou na brincadeira Scott, sem perceber o tom do amigo.
Sherlock, John e o Xerife tinham chegado há alguns minutos e agora estavam no campo de lacrosse. Havia algumas arquibancadas ao redor, postes de iluminação, que o detetive ao botar seus olhos neles viu que as lâmpadas estavam todas em bom estado, e a grama aparada e com apenas algumas falhas e uns buracos aqui e ali, provenientes dos treinamentos do time e até o sistema que controlava a iluminação estava em perfeitas condições.
– Então Xerife me conte sua versão. – falou ao homem a sua frente enquanto John estava ao seu lado.
– Certo Sr. Holmes. – falou James. – Bem eu...
Derek tinha acabado de chegar e assim que desceu do camaro entrou em casa, onde se deparou com seu tio em frente ao notebook.
– Olha quem voltou... – começou Peter. — O lobo mau. – disse sarcástico. Mas diferente de Stiles que não conseguia ignorar, o Alpha ignorou o tio e foi até a cozinha onde pegou uma garrafa de água na velha geladeira ali.
– Onde esta Jackson? – perguntou antes de beber parte do liquido da garrafa, como Alpha tinha o dever de saber onde se encontravam todos os seus Betas.
– Correndo. – informou Peter.
E logo Derek deu um leve aceno antes de se virar pra ir pra seu quarto, e ao chegar ao mesmo, o Alpha se livrou dos sapatos e se sentou na velha cama enquanto terminava de tomar o resto da água e assim que terminou se deitou tentando novamente encontrar o lugar que a peça de nome Stiles se encaixava, mas por mais que tentasse mais irritado ficava. Parecia até que estava fazendo alguma coisa de errado, pois pensar parecia não ser a forma certa de descobrir tal coisa.
– O corpo foi encontrado aqui. – informou o Xerife mostrando o local exato e Sherlock logo se agachou e mexeu um pouco na grama.
– Que posição ele estava? – perguntou John.
– Ele estava de barriga pra cima. – respondeu o Xerife.
– Alguém prestou os primeiros socorros?
– Sim. Foi Melissa McCall. Ela é medica do hospital da cidade e mãe do melhor amigo do meu filho e ela teve ajuda de Lydia Martin que era namorada de Jackson.
– Certo. – disse Sherlock já de pé. – Então vamos começar a parte interessante e entediante. – ditou. – O interrogatório.
Estavam na aula de matemática. Apenas ele, Scott e Allison, e enquanto o casal falava sua própria língua, combinando o que iam assistir. Stiles assistia a explicação do professor sobre a matéria mesmo que não estivesse prestando muita atenção nisso, mas não iria fazer muita diferença já que sempre tirava boas notas e como não teria nada pra fazer depois do Colégio, pois fora dispensado pelo amigo, seria bom treinar um pouco mais com a moto pela floresta e até seria bom pra si mesmo.
– Srta. Argent e Srs. McCall e Stilinski estão sendo solicitados na direção. – pronunciou o professor, isso depois de receber um bilhete de uma aluna que já tinha partido fazendo Stiles sair de seus pensamentos e o mesmo automaticamente olhou pro casal que estavam mais curiosos do que si.
E sem demora os três saíram da sala e foram em direção à diretoria que ficava no final do corredor.
– Mas porque nos chamaram? – questionou Scott.
– Vai saber, mas pra todo o caso você é o culpado. – disse Stiles e recebeu um olhar meio serio do amigo.
E assim que chegaram perto da diretoria avistaram Lydia e Danny que estavam sentados em duas das cinco cadeiras perto da entrada, sendo que a ruiva estava na ponta.
– Vocês também? – perguntou Stiles se sentando ao lado de Danny, enquanto Scott se sentou ao seu lado e Allison na outra ponta.
– Parece que sim. – disse Danny.
– Mas vocês por acaso sabem o motivo? – perguntou a Argent.
– Bem eu perguntei pra professora de Historia. – começou Lydia. – E ela disse que alguém queria conversar sobre o caso Jackson. – terminou.
E foi o bastante pra todos ficarem extremamente curiosos e como Danny estava fora do assunto lobisomens não podiam tocar diretamente nesse assunto.
– Será que é o seu pai Stiles? – perguntou Scott.
– Acho que não. Ele não me disse nada de manhã e nem informou algo assim. – respondeu.
– Então quem poderia ser? – questionou o Beta.
– Eu.
Uma voz firme e rouca invadiu os ouvidos dos jovens que automaticamente olharam na direção que ela havia vindo, onde se depararam com o Xerife acompanhado de dois homens.
Stiles a principio olhou pro homem que estava entre seu pai e um loiro. E este era alto e magro. Tinha pele clara, até meio pálida, e seus cabelos eram escuros, cheios e ondulados e davam um tipo de destaque a seus olhos que eram azuis, de um tipo de azul que lembrava um céu levemente encoberto pelas nuvens. E o mesmo vestia um terno preto com camisa social também preta e por cima do terno usava um casaco longo e escuro.
Ao lado dele, mas precisamente do lado direito, estava um homem de estatura mediana meio robusto, e seus cabelos eram curtos, finos e loiros, que combinavam bem com sua pele bronzeada e que dava bastante destaque aos seus olhos de um verde que Stiles nunca tinha visto, e olha que pra si os olhos de Derek sempre seriam os mais bonitos entre todas as pessoas da face da terra, mas os olhos daquele loiro tinham um tom de verde límpido e até surreal, era como olhar pra um belo campo florido numa ensolarada tarde de domingo, podia soar estranho, porem era isso o que sentia ao se deparar com aquelas orbitas verdes e não podia negar que o loiro era bonito, mas afirmava isso sem segundas intenções é claro. E o loiro usava uma blusa social branca com listras finas e de tom cinza na vertical e por cima da camisa ele usava um tipo de colete vinho, calças jeans escuras e um agasalho de tom preto.
– E quem seria o Senhor a principio de conversa? – perguntou Stiles se mexendo um pouco na cadeira.
– Acho que você deve saber muito bem quem eu sou, Sr. Stilinski. – disse Sherlock. — Seu pai mencionou ao senhor ontem, o que fez com que pesquisasse sobre nós e mencionasse o assunto com alguns de seus amigos, e ficaria feliz se não mencionasse o chapéu, pra todos os casos não era meu.
Enquanto os demais pareciam um tanto surpresos, principalmente o jovem Stilinski, menos John que suspirou diante da exibição de seu amigo, pois sempre achava divertido ver a cara de surpresa das pessoas quando Sherlock fazia esse tipo de comentário.
– Como sabe disso? – perguntou por fim. – E como sabia que eu ia mencionar o chapéu?
– Simples. Ao contrário de vocês que só vêem. Eu observo. – disse. – E todos comentam sobre aquele odioso chapéu. Então podemos começar com o interrogatório Xerife? – perguntou olhando pro mesmo.
– Ah sim. Mas primeiro precisamos falar com o diretor. – disse James.
– Pensei que já tivesse falado com ele. – pronunciou Sherlock mal humorado.
– Sherlock. – pronunciou John o repreendendo, pois o amigo fora um pouco rude. – Temos que nos apresentar formalmente.
– Tão desnecessário! John. – pronunciou Sherlock com ar extremamente aborrecido e o nome mencionado fez um tipo de lâmpada se acender sobre a cabeça de Stiles. – Mas vamos logo. – ditou seguindo pra porta e entrando e logo os dois loiros foram atrás do moreno.
– Ok, isso foi surpreendente. – pronunciou Stiles depois de soltar o ar dos pulmões.
– Entretanto Stiles ele disse que você sabia quem ele era. Então quem ele é? – perguntou Danny ao amigo, sendo que ele e Lydia foram os únicos pra quem não contara a digamos novidade, e poderia ser até que Jackson tivesse comentado com a ruiva, mas não sabia ao certo.
– Ele é um detetive que o Sr. Whittemore contratou pra ajudar nas investigações da morte do Jackson, seu nome é Sherlock Holmes, e vendo que ele chamou aquele loiro de John, é provável que ele seja o Doutor John Watson, que deve ser seu assistente, mas eu realmente não sei ao certo.
– Você realmente pesquisou como ele disse. – pronunciou Danny.
– Afinal sou um curioso. – informou dando um rápido sorriso.
– Certo, eu vou beber um pouco de água e já volto. – disse Danny se levando e deixando a mochila e logo começou a se distanciar.
– Esse detetive. – pronunciou Scott, quando viu que Danny estava longe o suficiente deles, chamando a atenção dos demais. — Tem uma presença que parece até com a do Derek. – falou.
– Como assim? – perguntou Allison pro namorado.
– Eu não sei. É como se ele fosse um tipo de Alpha, mas ele é totalmente humano.
– Certo. Isso é uma coisa pra debater com Derek ou mesmo Peter mais tarde. – falou Stiles categórico. – Então eles estão dizendo alguma coisa interessante? – questionou olhando sugestivo pro amigo.
E logo Scott ampliou sua audição lupina.
– Nada, só algumas apresentações e parece que eles vão usar a sala da Srta. Morrell já que ela ainda não voltou de sua licença. – informou Scott depois de uns minutos.
Derek aos poucos foi acordando percebendo que havia cochilado, sendo que o mais certo seria dormido e logo se sentou na cama e se espreguiçou, mas antes mesmo que pudesse se levantar ouviu seu celular tocar e rapidamente o atendeu.
– Alo. – disse num tom de voz mais rouco pela falta de uso momentâneo.
– Bom dia, bela adormecida. – e reconheceu de primeira a voz do tio.
– O que quer?
– Bem eu acabei de descobrir algo bem fascinante e divertido. – pronunciou o lobisomem com divertimento. – Por que não vem me encontrar, pra ver com seus próprios olhos.
– Onde? – perguntou o Alpha.
– Na fabrica abandonada. – respondeu Peter.
E Derek automaticamente ficou intrigado. Já que fora o ultimo lugar que viram Gerard e onde aconteceu tudo mais.
– Certo.
– Ok. – disse Peter e logo desligou.
E logo o Hale mais velho voltou a olhar pra cena perto de uma das paredes, lembrava em parte um belo quadro de natureza morta só que em terceira dimensão. Entretanto, lentamente se afastou e se sentou numa velha cadeira que estava ali, pra assim esperar o sobrinho chegar.
John e Sherlock já estavam na sala que usariam pra fazer o digamos interrogatório, sendo que o Xerife teve que ir, pois estavam precisando de si na delegacia. E a sala era da psicóloga do Colégio. E John nem percebeu quando Sherlock virou dois porta-retratos que estavam ali, eram fotos de formatura e da psicóloga em frente a uma bela paisagem, pois o detetive não queria que o amigo as visse, poderia dizer que era até seu ciúme falando.
– Poderia chamar o Sr. Mahealani, John. – pediu Sherlock ao amigo.
– Há sim. — pronunciou o loiro que abriu a porta chamando o primeiro a ser interrogado e logo o garoto entrou na sala.
– Com licença. – disse Danny ao entrar.
E assim que bateu seus olhos no garoto Sherlock já percebeu um fato bem claro e pelo jeito que o garoto deu uma breve, mas intensa, olhada em John era mais que correta e o detetive tinha uma vontade enorme de dizer que o loiro já tinha dono, mas se conteve.
– Pode se sentar. – disse o medico ao jovem, que apenas acenou concordando e logo se sentou na frente de Sherlock.
– Então Sr. Mahealani, Jackson era seu amigo. – começou. – Então que tipo de pessoa ele era pra você?
– Bem, ele era bem esforçado, acho que por causa de ser adotado e não se sentia bem quando os outros eram melhores ou se destacavam mais que ele. Era um pouco arrogante, mas esse era o normal dele.
– Certo. – pronunciou o detetive. – E antes do incidente Jackson estava agindo de forma estranha ou disse algo?
– Bem... – começou. – Ele queria que eu assistisse a um vídeo que gravou enquanto dormia. – disse e isso fez a expressão nula de Sherlock balançar um pouco. – Mas antes de assistir eu pedi ajuda ao Matt, pois foi ele que tinha emprestado a câmera pro Jackson...
– E quem é Matt? – perguntou John.
– Matthew Daehler, dezesseis anos, foi encontrado morto num riacho. Possível morte afogamento, pois o mesmo não sabia nadar. – pronunciou o detetive, sendo que Danny ficara extremamente surpreso agora. – Mas o que tinha no vídeo?
– Bem da primeira fez que vi com Matt, só mostrava Jackson dormindo. Mas Matt logo percebeu que alguém tinha editado, tirado alguma parte, fazendo a imagem ficar se repetindo. Então automaticamente contei pro Jackson que não ficou nada feliz em saber disso, mas com ajuda de Matt encontrei um programa que poderia desfazer a edição.
– Continue. – ditou Sherlock.
– Quando o programa terminou. Eu avisei ao Jackson e então salvei o vídeo no meu tablet e o coloquei no porta-malas do meu carro e fui pro Jungle.
– Jungle? – questionou John.
– Uma boate gay, John. – respondeu Sherlock novamente fazendo John ficar um pouco surpreso por descobrir assim a sexualidade do garoto. E Danny ficou um pouco sem jeito.
– Mas vamos nos focar no vídeo. Você o assistiu depois do programa arrumá-lo?
– Não. – disse Danny. – E na boate eu e mais alguns freqüentadores fomos de alguma forma drogados ou algo assim e quando sai do hospital descobri que alguém havia arrombado o porta-malas do meu carro e roubado o meu tablet.
– E há uma copia com você?
– Não. – respondeu Danny.
– E câmera?
– No caminho pra boate eu passei na casa do Matt e como ele não estava deixei a câmera com os pais dele.
– Mais alguém sabia desse vídeo, além de vocês três? – perguntou o detetive.
– Não. – disse Danny. – Jackson não queria que ninguém mais visse quando me pediu pra assistir, e ficou até um bravo quando eu disse que pedi auxilio do Matt pra me ajudar a ver o vídeo já que a câmera era dele e eu estava com um pouco de dificuldade pra manuseá-la.
– E o que aconteceu na semana antecedente ao jogo? – questionou Sherlock.
– Ele ficou sem responder meus SMS e parecia meio desligado às vezes como se estivesse em outro mundo. Mas o que me surpreendeu foi o que ele me disse no vestiário antes do jogo... – pronunciou soltando um longo suspiro em seguida.
– E o que ele disse? – questionou o medico.
– Fique no gol Danny e não sai de lá. E se me vir indo na sua direção corra pro outro lado, o mais rápido que puder. – disse com todas as letras, vírgulas e pontos, já que frase era algo que nunca poderia esquecer. Sendo que a frase em si fez a expressão do detetive se alterar por uns segundos, enquanto John tentava assimilar aquilo.
– Certo. Pode ir. – disse e logo o garoto deixou a sala.
– Sherlock, você... – começou John mais o detetive lhe interrompera.
– John ligue pro Xerife Stilinski e diga que vou querer todos os relatórios referentes a Matthew Daehler. E pergunte se quando eles investigaram a morte dele, encontraram algum vídeo que mostrava Jackson dormindo. – ditou Sherlock.
– Certo. – disse o loiro pegando o celular e começando a discar e logo foi atendido. – Xerife Stilinski, aqui é John Watson. – informou. – Eu gostaria de lhe perguntar se...
Quando Derek chegou a fabrica automaticamente sentiu algo estranho no ar, podia sentir um cheiro leve e ferroso que se assemelhava muito ao do sangue, além do aroma fraco de lobisomens o que indicava que os Alphas tinham estado ali e há bastante tempo e isso fez seu corpo ficar um pouco rígido ao passo que adentrava o lugar o que fez o cheiro de sangue ficar ainda mais nítido e desagradável, onde sem demora encontrou seu tio que estava sentado em uma velha cadeira e o mesmo fazia movimentos com os braços enquanto mexia no celular.
– Já não era sem tempo. – pronunciou Peter sem olhar pra Derek onde logo parou de mexer no celular. – Já estava cansado de ficar jogando. Nunca ganho nesses jogos de combates e olha que meu avatar é sempre o lobisomem. – disse guardando o aparelho no bolso.
– Que eu saiba não me chamou pra se lamentar sobre seus joguinhos. – pronunciou Derek serio cruzando os braços.
– Tão serio. – disse irônico. — Mas vamos ao assunto. – pronunciou Peter ficando um pouco serio. – Acho que já sentiu o desagradável aroma. – falou. — Então que tal ver de onde ele vem. — disse Peter começando a andar aonde em poucos passos chegou até o lugar. – Veja com seus próprios olhos, sobrinho. – pronunciou retomando seu sorriso irônico enquanto apontava pra frente.
Ao chegar mais perto do tio, Derek automaticamente olhou pro lugar indicado e ficou surpreso quando encarou o corpo de Gerard. O Argente estava sobre algumas tabuas que estavam meio inclinadas perto da parede, havia machucados em todo o seu corpo, mas os piores eram do peito e abdômen, no entanto o que mais surpreendia o Alpha era a expressão do rosto, Gerard estava com os olhos abertos, esbranquiçados e sem vida e em seus lábios havia um sorriso sádico. E analisando o estado do corpo e o sangue em volta era possível que o corpo estivesse ali por um bom tempo.
John tinha terminado de falar com o Xerife, demorou um pouco, pois ele tivera que explicar o porquê de Sherlock querer o relatório de Matt, sendo que até o medico estava curioso, tinha algumas suspeitas, porem nada do nível de Sherlock.
– Ele disse que não. – informou ao amigo, mas a cara de Sherlock informava que o mesmo já suspeitava. — Porem informou que o Sr. Daehler tinha comentado ter recebido uma das câmeras do filho de um colega só que não se lembrava aonde a havia colocado, mas ele vai mandar alguém na casa deles pra ver se a câmera foi achada.
– Ótimo. – disse o detetive, pelo menos aquele Xerife era de alguma utilidade e sabia exercer sua função. – Chame a Srta. Argent. – ditou.
Por um tempo de dez minutos os olhos do Alpha não desgrudaram daquela cena.
– Como sabia que ele estava aqui? – perguntou tirando seus olhos verdes daquela cena e encarando o tio.
– Recebi uma mensagem. – afirmou pegando o celular e abrindo a mensagem e logo o entregou pra Derek. – Nem faço idéia de como eles descobriram meu numero. Se bem que é o mesmo numero de dez anos atrás. – comentou.
E assim que Derek pegou o celular automaticamente encarou e leu a mensagem:
“Espero que gostem do nosso presentinho, afinal é nosso inimigo em comum.
P.S.: Ele não quis ser bonzinho então tivemos que castigá-lo.
P.S. II: Ele está na velha fabrica abandona. “
Derek queria entender o que aquilo significava, o Pack de Alphas tinha acabado com Gerard o que seria uma preocupação a menos, mesmo que Derek não gostasse muito da idéia do Patriarca dos Argents ter sido morto por outras mãos que não fossem as suas o motivo pra isso não sabia ao certo, mas tinha haver com Stiles, no entanto a mensagem e o corpo poderia ser um aviso. Os Alphas estavam claramente os intimidando.
– Quando recebeu isso? – perguntou.
– Uma hora depois que você chegou. – disse Peter.
– E porque não me avisou.
– Bem eu iria. – começou o mais velho. – Mas você estava dormindo, então não quis incomodar. – mentiu cinicamente. — “Já que você estava dizendo algo muito interessante enquanto dormia.” – completou em pensamento com um sorriso bastante amplo, que fez Derek estreitar os olhos, e parando pra pensar devia ter filmado aquilo pra mais tarde usar pra incomodar o sobrinho ou quem sabe pra outra coisa. — Mas parece que nosso querido inimigo aqui quis deixar uma mensagem. – pronunciou Peter minutos depois ainda ostentando o sorriso enquanto se aproximava do corpo de Gerard se agachando do lado direito, onde havia duas letras feitas pelo morto com seu próprio sangue. — Um G e um A que ele não conseguiu terminar direito... Ele pode estar morto, mas tenho certeza que deve estar bastante satisfeito com alguma coisa. E tenho certeza que isso envolve as nossas cabeças. – ironizou.
– Tem idéia do que essas letras significam? – perguntou Derek.
– Nenhuma. Mas pode ser os Argents possam saber. Só precisamos pedir pro nosso querido Stiles ter uma conversinha política com Cris Argent. – disse Peter com um sorriso que dizia tudo e ao mesmo tempo nada. E Derek não gostara nada de como o tio mencionara o adolescente.
O interrogatório de Allison havia sido rápido e agora interrogavam Lydia.
– Então Srta. Martin por quanto tempo teve um relacionamento com Jackson? – perguntou Sherlock.
– Vocês são detetives desses que descobrem infidelidades? – questionou a ruiva serena olhando pros dois homens a sua frente, e Sherlock assim que bateu seus olhos nela percebeu que a mesma era um tipo gênio. Um gênio que se esconde debaixo da garota popular ou era as duas coisas, não estava muito certo e ela lhe lembrava um pouco A Mulher.
– Sou um Detetive Consultor e John é meu amigo e medico. – pronunciou Sherlock. – E você é um tipo de gênio que se esconde debaixo da fachada de garota popular, pois a idéia de Jackson a desprezar por ser uma nerd não lhe agradava já que desde que o conheceu o Whittemore, este sempre foi cercado pelos digamos populares, mas...
– Eu gosto da sensação de poder, que mistura veneração e inveja. – pronunciou a ruiva.
John olhava aquele dois e via que ambos tinham uma postura um tanto semelhante, e a ruiva até lhe fazia lembrar um pouco de Irene Adler, porém nunca gostava de se lembrar da Mulher.
– Nada de caçadores. – pronunciou Derek serio, já tivera sua cota, e o suficiente, dos Argents pela vida inteira e até depois dela.
E Peter suspirou, antes de colocar mais um item na sua lista de qualidades do sobrinho, e cabeça dura estava se repetindo varias vezes nela.
– Não pense que eu gosto de me envolver com o inimigo de longas datas. – ditou o mais velho. – Mas caso não viu os Alphas são agora tanto nossos inimigos como os deles.
– Já disse. – pronunciou Derek deixando seus olhos serem tingidos pelo mais puro tom avermelhado.
E Peter ficou com uma vontade enorme de puxar as orelhas do sobrinho, algo que nunca fez antes, mas poderia começar a fazer de agora em diante. Pelo que via Derek só havia puxado a parte turrona de sua irmã pra ser tão cabeça dura assim, no entanto tinha uma idéia de como convencer o mais novo, mas precisaria de uma ajuda pra isso e sabia muito bem com quem.
– Sr. Stilinski. – John chamou o garoto de cabelos curtos e um pouco arrepiados de tom castanho, sendo que seus olhos também eram castanhos, e o mesmo tinha pele pálida.
– Sim! – exclamou Stiles quando ouviu seu nome e logo se levantou e foi até a porta, sendo que fora o ultimo a ser chamado e neste momento estava sozinho, pois os demais tiveram que voltar pra suas aulas e era também porque eles foram proibidos de ficarem ali quando terminassem seus depoimentos, e logo o loiro lhe deu espaço pra entrar.
– Então o que querem que eu diga sobre Jackson? – falou Stiles de pé ajeitando a mochila no ombro.
– Pode se sentar, Sr. Stilinski. – disse John ao jovem que logo se sentou na frente do detetive.
– Então Sr. Stilinski me diga sobre o que aconteceu com o Senhor depois do jogo? – pronunciou Sherlock.
– Achei que falaríamos sobre Jackson e até minha relação com ele, eu acho. – Stiles falou mexendo na alça da bolsa que estava em seu colo agora. – Afinal Jackson foi morto bem no dia que eu pude finalmente jogar junto com o time e fazer alguns gols que deram assim nossa vitoria e é até frustrante que esse dia esteja marcado com uma morte, não que Jackson merecesse, claro que não, mas o dia devia ser de comemoração e não de tristeza.
John estava assombrado pela maneira que aquele garoto falava rápido lembrava até Sherlock quando o mesmo fazia suas minuciosas analises.
– Você fala rápido demais. – pronunciou Sherlock minutos depois.
– Você não é o primeiro que me diz isso. – pronunciou o mais novo dando um rápido sorriso.
– Devo ser o nonagésimo ou algo assim, no entanto isso é porque você é hiperativo. – disse o detetive. – Vejo que não tinha uma relação muito boa com Jackson, então foi por isso que o Senhor e o Senhor McCall o prenderam numa viatura no meio da floreta?
Stiles ficou um tanto surpreso pelo comentário e pela mudança de pergunta, mas logo se pós a responder.
– Bem eu e Jackson não éramos lá amigos, acho que vocês já devem ter ouvido que ele era meio temperamental às vezes e até um idiota na maior parte do tempo, mas tinha lá suas qualidades...
– Que seriam? – John perguntou ao fazer uma breve anotação em seu caderno.
E o loiro lhe olhava gentilmente, ao contrario do olhar do detetive que não transmitia nada e lhe deixava um tanto desconfortável, como se ele visse sua alma.
– Esforçado. – disse. – Nos jogos ele realmente dava tudo de si por isso era o capitão, só que depois passou pra co-capitão.
– Não me esclareceu o motivo de prenderem Jackson na viatura. – pronunciou Sherlock.
– Há isso. – falou passando a mão nos cabelos. – Foi uma brincadeira, queríamos pregar uma peça nele. Tipo o prender e depois o soltar pelado pela floresta, mas não saiu do jeito que planejamos. – completou e viu que o detetive ergueu levemente uma das sobrancelhas.
– Interessante. – disse Sherlock, fazendo o loiro e o adolescente o olharem com um olhar pra lá de confuso. – Então o que me diz de Matthew Daehler, e sobre ele ter invadido a delegacia, afinal o Senhor e o Sr. McCall estavam lá.
– Por que quer saber de Matt? – perguntou estranhando. – Você não veio investigar o caso Jackson. – indagou.
– Sim. – disse Sherlock. – Não sei se sabe, mas eles estavam próximos. Então mesmo que Sr. Daehler tenha falecido antes, gostaria que me falasse o achava dele como pessoa, pois suas ações podem nos mostrar algo que possa ter desencadeado a morte do jovem Whittemore.
Stiles ficou atônico, em um curto intervalo de tempo aquele detetive já tinha ligado Matt a Jackson, mesmo que ainda não tivesse um conhecimento profundo e detalhado dos lobisomens e do kanima.
– Posso beber água? – perguntou apontando pra jarra que estava numa mesinha ali perto.
– Só um minuto que eu já lhe sirvo. – disse John cortes se levantando. – Aqui. – falou minutos depois estendendo o copo ao mais novo.
– Obrigado. – falou Stiles pegando o copo e logo bebeu parte do liquido daquele copo. – Bem eu não tinha muito contato com Matt, mas depois que eu soube das fotos que ele tirava da Allison e as montagens que ele fazia, deles se beijando, de mãos dadas... Pra mim ele estava um pouco perturbado ou sei lá.
– Você tinha conhecimento que ele não sabia nadar? – perguntou Sherlock.
– A principio não. Só soube na festa de aniversario da Lydia quando numa brincadeira ele acabou sendo jogado na piscina.
– Então Sr. Stilinski poderia responder a minha primeira pergunta. Afinal é estranho uma pessoa desaparecer, no dia, lugar e praticamente no momento que houve um assassinato.
– Isso quer dizer que sou algum tipo de suspeito? – questionou Stiles, pois o Sr. Whittemore devia ter dito algumas coisas sobre si a aqueles homens, e boas não seriam. Não depois do caso da viatura, mesmo que fosse apenas pra garantir que Jackson não matasse mais ninguém, uma coisa que todos desconheciam e que deveria continuar assim.
– Não. – disse Sherlock num tom tão transparente que Stiles sentiu como se aquela única palavra fosse um tipo de verdade absoluta, como se aquele detetive realmente soubesse que não tinha cometido aquilo, mas que estava de alguma forma envolvido.
– Então o que eu sou? – perguntou o Stilinski curioso, afinal se ele não era o suspeito. O que ele era pra aquele detetive?
– Um envolvido, assim como todos os outros. – pronunciou Sherlock. – Sr. Stilinski, se não se importa gostaria da resposta da minha pergunta.
– Bem sobre o dia do jogo. – começou, tentando soar o mais verdadeiro possível, daria a mesma versão que dera pra todos. – Minutos depois que as luzes se apagaram eu senti um puxão e logo uma mão tapou minha boca, começou a me arrastar e não pense que eu fiquei quieto, mas pelo que pode ver eu não tenho muito força física, e no final estava num canto da floresta com o pessoal do time adversário que não pareciam nada felizes de perder, o que me resultou nuns ferimentos.
– Eram jogadores ou parte da torcida? – perguntou John, não gostando muito daquela ação. Realmente havia pessoas que não sabiam perder.
– Não sei, pois era noite e não pude ver o rosto deles. – disse encarando o loiro que além de ser assim bonito mesmo sendo uns vinte anos mais velho que si, parecia ser bastante simpático.
– Pode ir. – pronunciou Sherlock, surpreendendo Stiles e até John.
E Stiles logo se levantou.
– Então até. – disse. E John também se levantou e acompanhou o garoto até a porta.
– Ah Doutor Watson. – disse Stiles quando saiu, meio incerto se era realmente o nome do medico, mas precisava confirmar, e quando ele lhe deu um sutil sorriso viu que estava certo. – Eu li o seu blog e gostei muito do caso do Estudo em Rosa e o da Muleta de Alumínio. – disse e não estava mentindo sobre isso.
– Há obrigado. – disse John que ampliou um pouco mais o sorriso ao saber que seu blog estava ultrapassando barreiras. – É bom saber que estou agradando pessoas de outros continentes. – disse, mas o medico não deixou de notar que a pele de alabastro do jovem tinha sutis pintas, como se tivessem sido pintadas por algum artista de renome e que os olhos dele eram de um castanho intenso e ao mesmo tempo doce, como chocolate derretido, o que dava certo charme a ele e John podia concluir que o jovem devia fazer bastante sucesso entre as garotas.
– Com certeza. – pronunciou Stiles. – Bem eu tenho que ir pra aula. – informou. – Nos vemos por ai. – falou.
– Certo. – disse o medico, antes de Stiles partir.
E logo John voltou pra dentro da sala onde encontrou Sherlock de olhos fechados e com as mãos na frente do rosto como se estivesse rezando, e John apenas encostou-se a numa parede, iria ler seu caderno de anotações, mas logo percebeu os porta-retratos virados, algo bem estranho e sem demora se dirigiu até eles e pegou o primeiro ali, onde ao virá-lo se deparou com a foto de uma bela morena de longos e lisos cabelos pretos, porém seu olhar na foto não durou nem cinco minutos e o loiro logo a colocou no mesmo lugar da mesma forma que encontrara e sem demora foi pra perto da janela onde começou a olhar a paisagem, sem perceber que Sherlock tinha aberto os olhos e visto seu ato, não gostando nada, e pela primeira vez não percebendo que o ato do loiro fora totalmente diferente do habitual. Pois Sherlock não sabia que o ciúme é um sentimento que às vezes te cega.
Stiles estava andando pelos corredores pra chegar a sua próxima aula que já devia ter começado há uns minutos quando ouviu seu celular tocar e ao tirá-lo do bolso não reconheceu o numero, mas o atendeu mesmo assim.
– Alo. – disse depois de uns segundos.
– Olá Stiles. Espero não estar incomodando? – era quase impossível não reconhecer a voz desdenhosa de Peter. E Stiles ficou totalmente intrigado do porque ele estava lhe ligando. Mas a pergunta principal era: Como diabos o lobisomem psicopata havia conseguido seu numero?
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