Colisão - Garras e Deduções
2 1. Short, caso e... Moto
Sherlock estava deitado em sua cama, uma coisa rara. E mais rara ainda porque o detetive tinha acabado de acordar. Isso mesmo. Sherlock havia dormido, por mais ou menos doze horas, pelo que seu cérebro havia calculado. Isso depois de resolver um caso de um ladrão de jóias que fez com que ele e John ficassem por quatro dias ocupados, extremamente ocupados.
Ainda deitado o detetive ouviu o barulho de passos, que faziam os degraus da escada soltarem um leve rangido que passava despercebido por todos menos pros ouvidos treinados do detetive. John havia acordado e pelo que Sherlock sabia o medico estava de férias e isso lhe satisfazia, pois teria John por mais tempo, pois Sherlock desde que admitiu pra si mesmo o que sentia por John, havia virado um tremendo egoísta e não queria que o tempo do loiro fosse gasto com mais ninguém além de si próprio.
Depois de uns vinte minutos em que o detetive constatou que o amigo havia acordado o mesmo resolveu se levantar colocando automaticamente seu robe azul onde em poucos passos saiu do quarto e se dirigiu pra cozinha, entretanto o detetive parou no meio do caminho quando seus olhos se fixaram em John que estava de costas pra si e se esticava todo pra poder pegar uma jarra que estava na parte de cima do armário sendo que o loiro estava usando uma camisa branca e um short vermelho de tecido fino que ficava na metade de suas coxas, e como ele estava se esticando todo o short marcava, e bem, suas nádegas e por causa disso o detetive constatou que por debaixo do short o amigo não usava nada além de sua própria pele e isso deixou Sherlock um pouco desconcertado, e ele nem precisava se perguntar: Onde John havia conseguido aquele pedaço mínimo de pano? Ou então. O porquê de estar vestindo aquilo? Pois seus olhos ao olharem milimetricamente o short lhe deram as respostas. Aquela peça de roupa era do tempo de faculdade de John antes do mesmo ir pro exercito e ele a usava, pois no momento — isso depois de chegarem do caso — estava cansado demais pra escolher outra peça de roupa.
– Deixe que eu pego pra você, John. – pronunciou chamando a atenção do amigo e fora também um jeito de espantar uma idéia de sua mente, afinal John estranharia se colocasse atrás dele pra ajudá-lo a pegar a desejada jarra, algo que Sherlock não se incomodaria e até gostaria de fazer.
E sem demora o detetive se aproximou do medico, e pegou a jarra a entregando ao amigo.
– Obrigado, Sherlock. – agradeceu John, colocando a jarra na bancada do armário já que a mesa estava ocupada.
– Suco natural perde as propriedades da fruta depois de um tempo, então seria melhor fazer o suficiente pra tomar agora, John. – começou o detetive. — Então é melhor espremer quatro laranjas e não vejo a necessidade de se usar a jarra já que o recipiente do espremedor pode muito bem agüentar a quantidade de liquido que as laranjas produziram.
– Mas como... – o medico ia questionar quando suspirou e sorriu, afinal aquele era Sherlock que sabia mais de você que você mesmo. – Bem eu não precisaria usar a jarra se você não tivesse usado o recipiente do espremedor pra uma de suas experiências. – disse apontando pra mesa onde o objeto estava com algo que o medico nem queria saber, e Sherlock apenas deu de ombros. — Então vai querer suco de laranja? – perguntou ao pegar as laranjas na geladeira, numa parte onde o detetive não colocava partes humanas ou seus experimentos, e logo as colocou perto da jarra.
– Prefiro chá se não se incomoda.
– Eu também gostaria de chá, Doutor Watson.
John levou um susto quando ouviu outra voz no ambiente e quando olhou pra trás se deparou com Mycroft apoiado tanto no batente da porta da cozinha como em seu inseparável guarda-chuva e o homem tinha um perceptível sorriso enquanto olhava pro irmão mais novo. E Sherlock sabia muito bem o porquê do sorriso, pois no quarto dia depois do caso do cão, seu irmão veio recuperar seu cartão e acabou descobrindo seus sentimentos por John, pois Mycroft era como si, sabia observar, porem o sorriso de seu irmão era mais porque ele havia percebido a mesma coisa que si, ele havia percebido o short de John.
– O que faz aqui Mycroft? – rosnou Sherlock que tinha uma vontade enorme de arrancar o sorriso do rosto do irmão e até seus olhos. Isso por ele se atrever a observar o corpo do seu John, mas o detetive se controlou pra não fazer, pois sabia que Mycroft queria provocá-lo, afinal ambos gostavam de provocar um ao outro. – Não devia estar limpando as necessidades fisiológicas dos cachorros da Rainha.
– Ora não posso visitar meu querido irmão caçula. – comentou o Homem de Gelo com diversão ignorando o ultimo comentário do irmão, enquanto Sherlock cerrava os olhos. Mas logo o homem desviou os olhos do irmão e os pousou no medico.
– Vejo que fica bem de vermelho, Doutor Watson. – adicionou, vendo pelo canto dos olhos, Sherlock lhe ameaçar com o olhar.
– Já disse varias vezes que pode me chamar de John, Mycroft. – começou o medico percebendo como o clima estava pesado ali. – E obrigado pelo elogio. Eu acho. – falou passando a mão na nuca. – E espero que goste de chá de erva doce. – informou.
– John ele não precisa...
– Com uma colher de açúcar e um pouco de leite, John. – Mycroft cortou o irmão. — Estarei na sala se não se incomodam. – e logo saiu deixando o medico e detetive sozinhos.
John viu o irmão mais velho de seu amigo se dirigir calmamente pra sala e sentia que havia perdido alguma coisa.
Por outro lado Sherlock parecia passar em sua cabeça qual de seus muitos estilos de lutas conhecidos seria o melhor pra tirar o divertimento da face do irmão, mas logo se voltou pro amigo.
– John vire-se de costas pra mim e estique os braços pra trás. – ordenou.
– Como Sherlock? – questionou o medico.
– Não faça perguntas, John. – pronunciou o detetive virando o amigo. – Agora estique os braços.
John mesmo não entendendo o porquê daquilo fez o que lhe fora pedido e em menos de cinco minutos sentiu um tipo de tecido frio começar a subir por seus braços onde logo se viu vestido com o robe de Sherlock.
– Ei! Por que me vestiu com seu robe? – perguntou, enquanto Sherlock dava um belo e forte nó na peça de seda azul.
– Por nada. – pronunciou Sherlock irritado e John sabia que era por causa do irmão do mesmo, e sem dizer mais nada o detetive o deixou ali e fora pra sala.
John nunca ia entender 100% os irmãos Holmes. Então resolveu tratar de fazer o chá e seu suco, e assim que terminou colocou as duas xícaras e seu copo numa bandeja e foi até a sala onde encontrou os irmãos Holmes. Sherlock estava sentado no sofá limpando seu violino e ignorando completamente a presença do irmão, enquanto Mycroft estava sentado numa cadeira perto de seu notebook e folhava um pequeno caderno de anotações.
– Azul também lhe cai bem, John. – a voz do Homem de Gelo invadiu os ouvidos do medico que havia acabado de deixar a bandeja na mesa de centro, mas quando o mesmo olhou pra Mycroft viu que ele não olhava pra si, mas sim pra Sherlock que também encarava o irmão. – Mas vermelho lhe cai melhor. – falou o Holmes mais velho agora olhando pro medico.
John logo viu que devia ter feito chá de camomila, pois o clima indiferente dos irmãos havia, em questão de segundos, se tornado extremamente hostil, mas logo tratou de servir o convidado indesejado e inesperado.
– Obrigado, John. – pronunciou Mycroft ao receber a xícara do loiro.
– Por nada, Mycroft. – disse John educadamente.
– Termine seu chá Mycroft e parta de uma vez. – pronunciou o detetive que logo pegou sua xícara da bandeja e tomou o primeiro gole.
– Você é sempre tão gentil irmão. – começou Mycroft serenamente depois de absolver um pouco daquela bebida quente. – Com essa gentileza toda, acho que nunca deve ter machucado o nosso querido John aqui. Nunca deve tê-lo magoado. – falou e foi o suficiente pra fazer Sherlock perder o controle de si mesmo pela segunda vez, e dessa vez por causa do sentimento de raiva.
O detetive havia se levantado com tudo e em questões de minutos pegado o irmão pelo colarinho, estava pronto pra socar Mycroft quando seu pulso foi segurado com firmeza e destreza, e ao olhar pro lado viu John o olhando serio e até confuso.
O medico ficou surpreso com a atitude do amigo e achou melhor intervir antes que Sherlock transformasse o próprio irmão numa das muitas partes de corpos que guardava na geladeira.
– Mycroft. – começou John. — Acho que devia ir. – pronunciou não tirando seus olhos de Sherlock que também lhe encarava.
– Oh é mesmo! – exclamou Mycroft com falso ar de esquecimento ao mesmo tempo em que soltava a mão de Sherlock do colarinho de sua camisa e arrumava a veste. – Se me dão licença tenho assuntos a resolver. Obrigado pelo chá John e nos vemos outro dia Sherlock. – disse antes de partir.
Depois da partida de Mycroft, ambos, médico e detetive continuavam na mesma posição.
– Não devia ter se intrometido John. – esbravejou Sherlock soltando seu pulso da mão do amigo.
– Claro. Não devia. – começou o loiro. – Mas parecia que você iria fazer de Mycroft parte de seu acervo de partes de corpos.
– Não seria má idéia. – comentou o detetive pensativo enquanto o medico parecia descrente do que havia ouvido. – No entanto vamos parar com o assunto Mycroft antes que fiquemos com problemas estomacais. – pronunciou Sherlock.
– Certo. – disse o loiro. – Mas porque reagiu... – ia questionar o comportamento do amigo, mas Sherlock o interrompera.
– Então o que acha de sairmos pra jantar. – disse, pois não queria explicar o que o levou a aquela reação pra John, não agora, e como o medico entendia de primeira logo viu que o amigo não queria falar sobre aquilo.
– Claro. – aceitou John. Sherlock não era muito de sair e quando o mesmo lhe convidava não havia como recusar, pois gostava de sair com o amigo sem ser pra resolver um caso.
Dois dias depois...
Era por volta das quatro da manhã e o pobre Doutor Watson tentava dormir. O motivo de não conseguir tal feito era porque há horas seu amigo, que estava extremamente entediado, estava tocando seu violino, e tocando a mesma musica de notas agudas por mais de três horas seguidas pelo que John calculara ao olhar pra seu despertador. O loiro podia estar de férias e não precisar acordar cedo pra ir pro hospital, mas prezava por uma boa noite de sono e que estava lhe sendo privada por Sherlock. John já havia pedido varias vezes pro amigo parar. A princípio o detetive parava, mas depois de uns minutos voltava a tocar o que deixava o medico frustrado e irritado, John estava pronto pra se levantar da cama e pedir novamente, dessa vez com menos paciência o que resultava num belo soco em Sherlock, quando o som do violino cessou fazendo o medico agradecer os céus enquanto se cobria mais em suas cobertas. Estava quase pegando no sono quando a porta de seu quarto foi aberta estrondosamente e Sherlock adentrou.
– John faça as malas! – ordenou o detetive animado.
– Céus Sherlock que susto! Dá pra bater na porta quando entrar. – exclamou o medico que havia sentado na cama com tudo. – E como assim arrumar as malas?
– Um caso, John. – pronunciou Sherlock como se fosse a coisa mais obvia do mundo. – Então se levante logo e se prepare pra viagem.
– Oh claro! Arrumar as malas. – ironizou o loiro se levantando. – Você não me deixa dormir e agora vem querer que eu arrume as malas pra ir sabe-se lá aonde. – disse emburrado, afinal eram quatro e pouco da manhã e só havia cochilado e isso nos momentos em que Sherlock parava de tocar por uns minutos. Sherlock automaticamente se sentiu culpado, mas nunca conseguia controlar seu tédio e antes de se pronunciar o loiro continuou. – Então pra onde vamos? – questionou depois de respirar fundo, pois era fato que Sherlock nunca iria mudar e se mudasse não seria mais a pessoa que o loiro admirava e que tinha certo carinho.
– Beacon Hills, Carolina do Norte. – disse o detetive.
E automaticamente o medico ficou surpreso, afinal eles nunca haviam resolvido casos fora de Londres, mas logo deixou isso pra lá, pois no momento precisava dormir, e muito.
– Certo. – disse o medico. – Então se me da licença eu vou dormir, pois eu não vou pra outro país caindo de sono... – falou ao mesmo tempo em que guiava e empurrava Sherlock pra fora de seu quarto. – Pois ao contrario de você que raramente dorme eu preciso dormir. — informou quando finalmente expulsou o amigo de seu quarto. – Então... Boa noite, Sherlock. – disse fechando a porta na cara do detetive.
– Boa noite, John. – disse Sherlock do lado de fora com um perceptível sorriso em seu rosto, pois John não percebia que quando ficava emburrado consigo fazia, algumas vezes, um bico que o detetive achava adorável.
E sem demora Sherlock foi fazer os preparativos pra viagem.
...
O Xerife James Stilinski estava sentado em sua mesa relendo os relatórios do caso da misteriosa morte de Jackson, que parecia ser um ataque de algum animal, e do sumiço de seu corpo. Ele e seus homens haviam interrogado todos que estavam no jogo naquele dia e no hospital. Sendo que também no dia seu filho, Stiles, havia sumido, mas logo, horas mais tarde apareceu com apenas alguns machucados no rosto pro alivio do homem que já perdera a mulher e não suportaria perder o filho também. Ao perguntar o que tinha acontecido ao filho o mesmo apenas lhe dissera que uns caras do outro time não haviam gostado de perder e resolveram lhe dar uma lição, na hora o Xerife ficou uma fera, podiam ser garotos, mas o que fizeram não era considerado como brincadeira de criança e pra todos os atos havia conseqüências e ele iria fazê-los pagar, porem Stiles lhe dissera que não era necessário e que ele devia deixar pra lá, não concordara com isso, mas estava tão aliviado de ter o filho ali que resolveu deixar passar.
– Com licença, Xerife. – disse um policial depois de dar duas batidas na porta que estava aberta.
– Sim. – respondeu depois de passar a mãos nos olhos, de tanto ler aqueles relatórios estava vendo letrinhas por todos os cantos.
– O Sr. Whittemore, gostaria de falar com o Senhor.
– Deixe-o entrar. – pronunciou soltando um suspiro cansado, afinal já se fazia quase duas semanas depois do ocorrido e ele ainda não tinha encontrado nenhum suspeito.
– Sim Senhor. – respondeu o policial saindo e em menos de cinco minutos Davi Whittemore entrou na sala do Xerife com uma expressão seria e característica do homem alto e magro.
– Como vai Sr. Whittemore. – o Xerife pronunciou estendendo a mão ao homem que a apertou educadamente. – A que devo a visita?
– Vou bem, Xerife. – pronunciou o homem cortes, que desde a morte do filho adotivo parecia que tinha perdido parte de si mesmo. – E minha visita é pra algo que o Senhor sabe bem, e também por outro motivo. Então algum progresso?
John sentiu automaticamente as palavras sumirem, entendia bem o motivo de Davi querer noticias por mínimas que fossem, e ele mesmo não sossegaria se algo desse tipo acontece com Stiles.
– Eu bem que gostaria Sr. Whittemore... – começou, mas David lhe interrompera.
– E seu filho, Stiles. Ele realmente não sabe de alguma coisa, afinal ele sumiu naquele dia e só voltou horas depois.
– Stiles já me contou o que aconteceu. – disse. — Ele foi levado por alguns garotos do outro time...
– E o Senhor interrogou os garotos do outro time pra comprovar o que ele disse?
– O Senhor esta insinuando que meu filho esta escondendo alguma coisa. – rebateu John.
– Veja pelo meu lado Xerife Stilinski. Stiles e mais um amigo, Scott McCall, já seqüestraram Jackson e o prenderam numa viatura no meio da floresta, então eu posso muito bem pensar que ele pode estar escondendo alguma coisa.
– Pois eu afirmo que Stiles já disse tudo e não esta escondendo nada. – pronunciou John.
– Mas essa é a sua palavra e não a dele. – pronunciou Davi. — Mas vamos deixar isso pra lá no momento, pois eu vou informá-lo qual é o outro motivo da minha presença aqui. – pronunciou David que logo continuou. – Eu decidi contratar um detetive pro caso e gostaria que o Senhor o auxiliasse em tudo o que fosse possível.
– Como! – exclamou James. – Um detetive.
– Sim. E caso o Senhor se oponha, eu consegui uma ordem judicial pra que a policia de a ele toda a assistência. E não pense que ele é um detetive qualquer que desmascara casos de adultério, ele já resolveu grandes casos pra Scotland Yard.
Ao ouvir tal menção o Xerife ficou surpreso, afinal todos conheciam a famosa policia de Londres.
– Então quando ele chega? E como se chama? – perguntou depois de uns minutos.
– Ele me informou que o mais rápido possível. E seu nome é Sherlock Holmes. – informou o Sr. Whittemore.
– Certo. – falou. – Mas mesmo que o Senhor não tivesse essa ordem judicial eu não ia me opor, pois eu gosto do termo que duas cabeças pensam melhor que uma. – informou, pois já comentara alguns casos com Stiles e ele lhe ajudou a resolvê-los.
– Bem era só isso. – pronunciou David. – Então vou deixar que continue seu trabalho Xerife. Passe bem. – disse saindo da sala.
E o Xerife mesmo curioso sobre o tal detetive achou melhor voltar a reler os relatórios.
Horas depois...
Stiles estava buscando na internet tudo sobre lobisomens e afins, afinal havia um Pack de Alphas que estava pelos arredores da cidade e precisava estar preparado. Mas mesmo concentrado em sua tarefa não conseguia tirar Derek da cabeça, estava estupidamente apaixonado por aquele Alpha carrancudo. Sendo que não tivera coragem alguma pra contar a alguém sobre isso, nem mesmo pra Scott, seu melhor amigo. Porem também por outro lado dava graças aos deuses pelo Hale não saber disso, pois Derek tinha aquele ar de machão que adora mulher com seios grandes, de preferência. E a idéia de levar um fora fazia uma dor encher seu peito...
Mas deixando seu amor não correspondido um pouco de lado, também havia sido incluído no treinamento dos lobisomens num nível apenas pra saber como agir caso fosse perseguido pelas temidas criaturas lupinas, por causa disso conseguirá uma arma e balas especiais com Allison já que os Argents tinham uma boa quantidade em seu arsenal particular.
Não precisou que ninguém dissesse pra si, pois Stiles logo percebera que seu jipe não seria muito útil e rápido caso precisasse entrar na floresta pra fugir, pois o veiculo azul com certeza ficaria preso entre as raízes das arvores e poderia não passar na parte mais densa da floresta. Então resolvera começar a usar a velha moto de seu pai, sendo que já andara algumas vezes com ela isso antes mesmo de tirar a carteira de motorista, mas isso em terrenos abandonados e com a supervisão do Xerife, é claro. Entretanto assim que ganhou seu jipe deixou a moto um pouco de lado. A moto por estar parada por tanto tempo precisou ir direto pro mecânico e Stiles aproveitou pra pedir que fizessem algumas modificações como: deixar o motor o mais silencioso possível e que ela pudesse andar em qualquer terreno. Seu pai até estranhara quando começou a andar na moto de novo, mas deixou pra lá contando que usasse os devidos equipamentos de segurança e não corresse pelas ruas.
O jovem Stilinski estava desligando o computador quando ouviu o barulho da viatura do pai e logo desceu as escadas pra recepcioná-lo e também preparar o jantar, já que se não fizesse isso o Xerife iria boicotar a dieta que o havia colocado pra fazer.
– Olá pai. – pronunciou terminando de descer as escadas enquanto o Xerife fechava a porta e colocava o casaco dentro do armário.
– Ah. Olá filho. – disse o homem cansado e Stiles não deixou de notar.
– Aconteceu alguma coisa? – questionou ao pai.
– Sim. – falou o homem se dirigindo pra cozinha, sendo seguido pelo filho, aonde pegou na geladeira uma jarra de água e no armário ali perto um copo, e logo o encheu e começou a beber daquele liquido refrescante. – Mas me diga Stiles, você realmente me contou tudo daquele dia do jogo? Tudo mesmo?
Stiles automaticamente estranhara a pergunta.
– Mas por quê? — resolveu devolver a pergunta com outra.
– Poderia me responder, Stiles. – pronunciou o Xerife serio. E o adolescente se viu sem escapatória.
– Pai eu já disse. – começou. — Quando as luzes apagaram, eu senti alguém tapar minha boca e me puxar, e logo eu estava em alguma parte da floresta com uns caras do time adversário que me perderam ali até a noite. – mentiu Stiles novamente, afinal não podia dizer ao pai que um dos caçadores de Gerard havia o levado pra um porão e o prendido lá, onde Erica e Boyd estavam presos e mantidos sobre controle por causa de dolorosas e continuas descargas elétricas, sendo que depois de uns minutos o próprio Gerard apareceu pra lhe interrogar a sua maneira, as marcas haviam sumido, mas Stiles se lembrava e bem do que sentiu na hora. Impotência. Não podia ajudar Erica e Boyd e nem ao mesmo se defender e isso era algo que não queria sentir novamente.
– Certo. Acredito em você. – pronunciou o Xerife e Stiles se sentiu mal por mentir. – Então o que temos pro jantar?
– Salada de batata e file de frango. E pra beber limonada. – informou indo até a geladeira e tirando os files de frango que já estavam temperados e com pouco sal, a salada que havia feito no dia anterior além da jarra com a dita limonada. Enquanto isso o Xerife colocava a mesa.
Depois de uns minutos pai e filho comiam calmamente suas refeições e conversam sobre banalidades até que Stiles se lembrou que quando questionara o pai sobre o que havia acontecido no trabalho o mesmo lhe dissera que: Sim. Porem não lhe dissera: O que?
– Então pai o que aconteceu pra que o Senhor me questionasse novamente sobre aquele dia? – perguntou tentando soar o mais desinteressado possível.
– Bem acho que devo te contar, já que pode ser que daqui a alguns dias parte da cidade estará sabendo também. – pronunciou o Xerife e foi o bastante pra Stiles ficar ainda mais intrigado. – Hoje o Sr. Whittemore veio me perguntar sobre o caso do filho. Mas sua visita era também pra me informar que ele contratou um detetive...
– Detetive. – disse Stiles interrompendo o pai. – Desses que descobrem adultérios? – perguntou serenamente, já havia acontecido tanta coisa em Beacon Hills que a policia nem tinha conhecimento, não que seu pai não soubesse fazer seu trabalho, mas era porque eles tinham cuidado de não deixar nada e o que era encontrado muitas vezes era ignorado. E o detetive provavelmente não iria encontrar nada, também.
– Não. Esse detetive não parece resolver esse tipo de caso. – respondeu James. – Pelo o que o Sr. Whittemore mencionou, esse detetive já resolveu vários casos pra Scotland Yard.
– Scotland Yard? – questionou Stiles extremante surpreso afinal todos conheciam a famosa e respeitável policia de Londres. – E como ele se chama? – perguntou, se o tal detetive ajudou a Scotland Yard, devia ter algo na internet sobre ele e os casos que solucionou.
– Bem... – começou o Xerife, enquanto Stiles ficava ainda mais ansioso. – Sher... Sher alguma coisa... – puxava na memória até que se lembrou. – Ah! Sherlock Holmes.
– Nome bem incomum o dele. – pronunciou Stiles guardando bem aquele nome em sua cabeça, sendo que seu nome devia ser o rei dos incomuns.
– É. – afirmou James. – Então filho, eu vou tomar banho. – informou se levantando.
– Oh claro. – respondeu Stiles. Que assim que ouviu o barulho da porta do quarto de seu pai fechar se levantou e correu pro quarto pra assim pesquisar sobre o detetive.
E assim que colocara o nome no navegador não encontrou muita coisa, havia uma foto, porem só dava pra ver parte do rosto e um chapéu engraçado, mas depois de uns minutos encontrou dois blogs. Um do detetive, que se chamava: A ciência da dedução, bastante interessante e impressionante, mas o que prendeu a atenção de Stiles foi o blog de um tal Doutor John H. Watson, no blog o Doutor narrava os casos que Sherlock já resolvera, sendo que o mesmo auxiliava o detetive neles, o que fez com que Stiles catalogasse o medico como um ajudante e até braço direto do detetive. E depois de ler por volta de dez relatos de casos que lhe deixaram totalmente surpreso e até fascinado, logo o mesmo percebeu que devia informar Scott e os demais, que naquela hora estavam na casa do Hale.
Então sem demora desligou novamente o computador, guardando na memória os nomes dos dois blogs, e em seguida abriu o guarda roupas e tirou um agasalho preto com detalhes em vermelho, afinal a noite estava fria e como ia de moto isso iria fazer o ar frio ficar batendo contra seu corpo, no entanto não contara a ninguém que sabia e que andava nesse tipo de veiculo, apenas Scott sabia, pois já lhe vira andar nela algumas vezes, mas isso no passado. Mas agora, no tempo atual, não contara a ninguém sobre a moto. Tomara essa decisão pra mostrar que também tinha seus segredos e que não precisava contar pra ninguém. E seu principal segredo era que estava apaixonado por Derek, pois depois de tudo que aconteceu viu que o ódio que sentia pelo Alpha era um tipo de atração, que no final virou amor, e tinha todos os ditos sintomas desse sentimento. Mas logo saiu do quarto e começou a descer as escadas, afinal precisava contar sobre o detetive, pois isso envolvia o caso de Jackson sendo que dias atrás Derek veio lhe interrogar sobre isso, e assim que terminou de descer percebeu de cara que seu pai já tinha terminado seu banho e agora estava sentado na mesa da cozinha, que estava cheia de papeis, algo bem comum.
– Pai eu preciso pegar um livro que deixei com Scott. – disse.
Mentir pra seu pai começava a se tornar um péssimo habito.
– Certo, só não volte tarde. – ditou o Xerife e Stiles acenou concordando.
Quando saiu de dentro de casa Stiles se dirigiu até a moto e se sentou, onde pegou o capacete e de dentro dele tirou um par de luvas e assim que os colocou ligou o motor e partiu. Numa velocidade moderada começou a seguir pelas ruas até chegar ao acesso que dava pra casa do Hale, mas não entrou por ali, continuou e entrou mais à frente, pois queria chegar por trás da casa, e logo já estava desviando de raízes e árvores, o que fazia a adrenalina começar a correr em suas veias e isso era algo que deixava Stiles satisfeito consigo mesmo, onde em menos de meia hora avistou a casa do Hale, que fora levemente reformada ficando assim no termo habitável. E assim que chegou à parte da frente se deparou com seis lobisomens lhe encarando com expressões interrogativas e curiosas, sendo que uma estava mais pra divertida, no entanto o único que não lhe encarava dessas maneiras era Derek, o Alpha estava com sua expressão seria e mal-humorada de sempre e mesmo sujo de terra, suor e até sangue o moreno continuava bonito, e era só olhar pro Alpha que Stiles sentia todos os sintomas daquele sentimento que guardava a sete chaves em seu peito. Entretanto logo tirou o capacete e passou as mãos nos cabelos, que estavam um pouco maiores.
– Olá pessoal. Interrompo?
– Olá Stiles. – lhe cumprimentou Peter que estava com a dita expressão de divertimento e ele era o que estava mais próximo de si. – Mas a que devemos a sua visita pomposa, intrigante e indesejada. – pronunciou o Hale mais velho com a voz carregada de sarcasmo.
– Sua cortesia sempre me impressiona. – disse o Stilinski nada abalado. Afinal Peter era o tipo de tio psicopata daquele Pack, além de ser um tipo de conselheiro pra Derek, já que o mesmo conhecia mais da historia dos lobisomens. – Mas eu diria que indesejado é vê-lo. – pronunciou abrindo um sorriso semelhante ao de Peter.
– Você sempre me diverte Stiles. – falou o lobisomem.
– Nossa Stiles não sabia que andava de moto. – comentou Erica se aproximando. – E que bela moto. – disse passando a mão na lataria.
– Cuidado pra não arranhar a pintura com as garras. – Stiles disse fazendo a loira rir.
– Stiles porque voltou a andar nela? – questionou Scott se colocando ao lado de Erica.
– Acho que pelo fato dela ser muito mais rápida que o meu jipe, pra caso eu tenha que fugir de um digamos “Alpha”. – falou fazendo aspas com os dedos.
– Você poderia dizer logo a que veio Stiles? – meio que rosnou Derek que não gostou nada do treinamento ser interrompido, fazendo o adolescente sentir os pelos de seu corpo se arrepiarem, por causa daquela voz rouca.
– Ah, é mesmo. Estava quase me esquecendo. – disse. Sarcasmo não era apenas sua defesa, mas era também o modo de controlar seu nervosismo. E Derek o deixava nervoso de todas as maneiras, no entanto suas palavras fizeram o Alpha fechar ainda mais a cara, se isso fosse possível. – Meu pai me informou hoje que o Sr. Whittemore contratou um detetive. Sendo que esse detetive resolveu grandes casos pra Scotland Yard, caso não saibam, é assim que chamam a policia de Londres, que é bastante famosa e respeitada. – começou dando uma breve explicação. — Mas continuando eu pesquisei sobre ele na internet e confirmei esses fatos. Ele tem um blog bastante interessante ao meu ver. – disse. – Mas também encontrei o blog do Doutor Watson que parece ser o braço direito dele e no blog ele relata todos os casos. – falou o mais claro possível.
– Parece interessante. – pronunciou Peter. — Então qual é o nome desse tal detetive?
– Sherlock Holmes. – respondeu automaticamente.
– Nossa que nome. – pronunciou Erica rindo.
– Essa coisa de detetive parece até filme antigo. – comentou Isaac.
– Jackson. – chamou Peter olhando pro loiro. – Se seu pai contratou um detetive o que isso significa?
– Meu pai é um advogado de grande prestigio caso não saibam. – começou o loiro com seu típico ar meio arrogante. – Ele não é o tipo de pessoa que gosta de ficar sem respostas e não se importa com o tempo que leve pra consegui-las.
– Então Derek o que acha disso? – questionou Peter divertido.
– Irrelevante. – pronunciou serio.
– Desculpe-me por trazer uma informação tão irrelevante. – pronunciou Stiles com raiva e um pouco de magoa. – Eu também pensei que fosse irrelevante a principio. – afirmou. – Mas depois de ler os blogs eu vi que não era tão irrelevante assim e vim aqui informá-los, afinal certo Alpha me questionou sobre o andamento do caso dias atrás. – colocou. — E depois não me culpe se na TPM da lua cheia for descoberto. – falou fazendo os lobisomens rirem, menos Derek.
– Se era tudo que tinha pra dizer, pode ir. – pronunciou o Alpha, Stiles tinha um dom de lhe deixar irritado, mas ele era a pessoa que mais podia confiar, mesmo que ambos não confiassem um no outro o que era bem estranho, porem mesmo assim ele já lhe ajudara varias vezes.
– Oh claro. Não vou mais interromper o seu adestramento. – disse. – Sem ofensas. – completou olhando pros Betas e até Peter, menos pra Derek. – Então até.
– Depois me leva pra dar uma volta depois, Stiles? – pediu Erica.
– Certo. – disse sorrindo pra loira.
– Nos vemos amanhã. – pronunciou Scott pro amigo.
– É claro homem. – falou.
Depois de uns minutos todos os Betas estavam de volta no treinamento e Stiles decidiu que era melhor ir pra casa afinal ele só fora ali pra dar aquela irrelevante informação, então lentamente se ajeitou na moto, estava prestes a colocar o capacete quando alguém lhe chamou.
– Stiles. – e ao olhar pro lado viu que era Jackson.
– Sim? – disse um tanto curioso do porque Jackson lhe chamara.
– Toma cuidado quando voltar pra casa. – pronunciou Jackson, o loiro por mais que antes não fosse com a cara do Stilinski e soubesse que o mesmo estava caidinho por sua namorada, tinha mudado de opinião, pois agora tinha um tipo de gratidão por Stiles, e isso era porque ele trouxera Lydia até si mesmo sabendo no que nisso resultaria. E não era apenas gratidão que sentia. Sentia também uma vontade de proteger Stiles, mesmo que não entendesse da onde tal sensação vinha.
Stiles automaticamente ficara de olhos arregalados quando ouvira o que Jackson lhe dissera e antes que questionasse o loiro pra saber se ele estava são de suas ações ou se tinha cheirado alguma coisa, o mesmo utilizando de sua velocidade havia o deixado ali e foi se juntar aos outros no treinamento.
– Mas o que foi isso? – perguntou a si mesmo. No entanto logo colocou o capacete, ligou o motor e partiu em poucos segundos.
Quando chegou em casa seu pai ainda continuava lendo os relatórios na mesa, então antes de subir pra quarto preparou um pouco de café e colocou numa xícara entregando ao Xerife que lhe agradeceu antes de voltar a sua tarefa. E logo Stiles seguiu pra seu quarto e quando entrou se jogou na cama, estava chateado por causa de Derek, mas estava com raiva consigo mesmo por sempre deixar o Alpha irritado, no entanto não conseguia evitar.
– Meu lobo mau e sexy. – sussurrou passando na cabeça a imagem de Derek, enquanto abraçava seu travesseiro.
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