Coletâneas
25 Sangue
Sou Senhora de mim
Não sou dona da minha vida
Minha pele não conta
A senzala que cresci
Eu tenho sangue negro
Escrava de senzala
Dona da casa grande
Eu tenho sangue negro
O vermelho do meu rosto
Não vem do calor
Não é desse Sol que tinge minha pele
É do meu passado
Do índio que derramou teu sangue
Do ser que me deu a vida com a própria vida
O sangue que corre sob minha pele
É mulato nessa pele cor de creme
Meu sangue não é azul
Meu sangue é vermelho
É escuro e verdadeiro
Eu tenho sangue negro
O meu cacho não me deixa mentir
Não é negro como carvão
É negro como o escravo e sua servidão
Minha pele não conta
Tudo que eu sou
Eu sou a negra da senzala
Eu sou o índio que sangrou
Eu sou a dona da terra
Sou o estranho em terra nova
Eu tenho sangue negro
Mas não só de negro se faz meu sangue
Meu sangue é mulato
Misturado
Miscigenado
Meu sangue não deixa enganar
Meu passado de índio, negro, imigrante
Por de branco senhor
De azul manchado
Eu sou a história
Por que a história se escreve com sangue
Eu tenho sangue negro
Negro e azul
Azul e vermelho
Eu tenho sangue roxo
Eu tenho sangue de cor
Mesmo que ele não apareça em minha pele
Não nego o que sou,
Não nego minha história
Eu tenho sangue negro,
Mas não só de negro é feito meu sangue.
Não só de sangue é feita a história.
Fale com o autor