Coletâneas
29 Desculpa
Notas iniciais
Desculpa
Desculpa pelo que disse,
Quando não deveria falar
Desculpa pelo que não disse,
Quando o que deveria é contar.
Sinto muito pela dor das minhas palavras
Sinto, também, por aquelas que nunca foram proferidas
Já me lamentei demais
Por aquilo que não era minha culpa
Entretanto para minhas próprias culpas
Fechei os olhos e os lábios.
Derramei pranto para pedir perdão
Sem lembrar a mim que de nada vale lágrima em vão
Peço desculpas infinitas
Para quem não merece um único olhar
E meu orgulho limita que peça desculpas
A aqueles que devem escutar
Peço perdão pelos meus erros
Aqueles que cometi e aqueles que irei cometer
Peço, também pela minha indelicadeza
Pelo meu jeito
Pela minha personalidade
Peço caridosamente que esqueças
Principalmente quando eu mesma já me esqueci
Minha memória é fraca e frágil
Como o corpo que possuo
Lamento, então, pelos desastres que causo
E por aqueles que irei causar
Lamento, com o hábito de quem o faz frequentemente,
Pela minha indecisão
Lamento pelas escolhas erradas
E por aquelas que nunca fiz
Sinto, infinitamente, por ser de hipérbole repleta minhas falas
Sinto por tanto sentir
Peço desculpas pelo excesso de perdão
Minha personalidade não se habitua
Não se acostuma
Perdida em ilusão
Desculpa se irritei
Se irei irritar
Perdão pelos meus erros
Pelos tropeços
Pelas falas despreparadas
Pelo jeito de agir
Pela loucura que há em mim
E pela loucura que há em ti.
Não há muito o que dizer
Há tanto para se pedir
E quando me perguntam:
Por que tanto perdão?
Se eu não pedir quem há de pedir então?
Minhas desculpas não são para mim,
Tão pouco para os outros.
Minhas desculpas são apenas isso: desculpas.
As quais eu já me habituei a proclamar e refinar
Desculpas, são apenas desculpas
Quando não há com que se desculpar
Desculpas não justificam atos,
Corrigem os erros
São apenas algumas letras
Ditas apenas por dizer
Uma palavra com pouco sentido
Que pode ter tanto sentido quanto se pode haver.
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