Notas iniciais
Escrita por Ny Bernardo. Songfic baseada na canção "Murder Song", da Aurora.

Tinha sussurrado. Murmurava adjetivos em seus ouvidos todos os dias, facas a fincar era de uma dor amena comparado ao tiroteio de sua auto-critica. Era assim com Sophie que havia convivido toda a sua vida com as vozes da sua mente a brincar com a sua vida. Sentia-se absorta, tirada de órbita todas as vezes em que dava ouvidos para a doença que degenerava a sua mente e assim o seu coração. O ser patético e indigno que Sophie julgava ser, atordoado pelas próprias inseguranças e medos, e aos poucos a insânia a salvava do mundo caótico em que vivia.

Gritava externamente durante os surtos, vislumbrava a sua vida, no que havia se tornado, causava dores e agonia ver os seus próprios olhos a sua frente na imagem de seu corpo machucado, pulsos, pernas, barriga e braços a sua frente como um espelho. E tudo o que poderia fazer era gritar. Sophie já não tinha mais apego pelo próprio bem estar, havia dado razão a aquela Sophie a sua frente que se contorcia e a chamava de fraca. As lagrimas começavam a rolar incessante na face alva da garota de cabelos negros deveras maltratados e puxados quando não sabia onde mais poderia se causar dor. Sentia o seu eu entrar em inexistência, ir embora por seu corpo não ser digno da antiga garota de 17 anos que constituía sonhos, e agora, após as próprias pressões, após dar ouvidos as vozes rudes em sua mente era levada para o lado mais obscuro do seu ser. Ela era cada vez mais perturbada por si, ou pelo seu único companheiro; A esquizofrenia.

As crises se tornavam diárias, a insensatez havia a deixado a mercê dos médicos que não eram providos de paciência para suportar os gritos finos de quando a sua mente sussurrava em seus ouvidos que em tudo que ela toca, desmorona. Que na vida ela não será mais do que um ser humano facilmente esquecido, que no amor nunca será amada tanto o quanto ama. E haviam poucas soluções para a mente insana. O amor havia a matado, o caos havia a matado, a insanidade havia a matado, as expectativas alheias haviam a matado, sua mente e a pequena Sophie da infância lamentava a dor do que tinha se tornado, a mente insana que esperava brincar e divertir-se com os gritos e lagrimas de incapacidade de Sophie não pareciam tão feliz com o estado que haviam a deixado. As criticas internas em pessoas fortes serviam para torna-las mais fortes, e a brincadeira tornava-se interativa, hora a loucura predominava, hora tomava as rédeas de sua própria vida, mas Sophie esperava pela benevolência dos médicos para seda-la, porque como um ser frágil havia sucumbido aos gritos que agoniavam a mente.

Não era tão passiva, reagia a doença de modo errôneo, ao invés de no principio da depressão ter feito algo para mudar a própria vida entregou-se aos braços da evolução, tornando a Insânia a sua única amiga. Não havia maneira de salvar a mente perdida, haviam se passado dois anos desde que Sophie estava presa aos seus fantasmas, e em uma clinica. Já não havia volta para a garota e as discussões dos médicos com os pais deixavam evidentes as expectativas, os custos eram imensos, a dor ainda maior, Dos pais que carregavam a culpa por não ter percebido a quão perturbada Sophie estava aprisionada. Corria contra o tempo, contra o eco em sua mente, contra os pais que a rejeitavam, talvez não tivesse sido a esquizofrenia que a tivesse matado, a rejeição o havia feito e a esquizofrenia a tirava daquele mundo de rejeição, e a colocava sempre em destinos diferentes, caminhava sem sair do lugar, partia aos poucos daquele mundo sem intenção de retornar.

A solução dos médicos era cruel, não suportavam as crises dentro do hospital, sempre começava a gritar contra o vento, contra o seu reflexo que via tão nitidamente ao contar os segundos para que a fraqueza a enlouquecesse ainda mais. A correria na clinica com a jovem em cima da maca a deixava atônita, seus pais choravam e Sophie não entendia o motivo de tudo aquilo, de tanta turbulência e gritava como a única maneira que tinha de reagir a tudo que passava rápido demais para a sua já nula capacidade de pensar. Contava desesperada a cada ponto de batimento no aparelho ao lado da cama, os olhos esbugalhados sentiam o perigo, vislumbrava a si com aquela mesma arma apontada para a cabeça, e a vontade imensurável de alcança-la para que pudesse finalmente apertar o gatilho. A contagem continuava enquanto o processo de lobotomia era realizado, em seu mundo caótico a sua imagem se apagava, assim como a arma e o perigo sumia, e no ultimo suspiro aliviado Sophie sucumbiu a lobotomia.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.