Coletânea de dores
2 Ciranda da dor
Notas iniciais
Eu me perdi em meus próprios receios, fiquei presa em minha imaginação. Mergulhei na imensidão dos teus olhos castanhos, vi no teu sorriso um céu azul, me encantei com a inocência da tua alma perdida.
Me despi em amor à cada toque teu, suspiros jogados ao vento; corações clamando por carinho.
Cabelos longos e macios como a juba do mais belo leão, delicados movimentos que só me levariam à perdição.
Palavras trocadas, rosas roubadas, beijos com gosto de mel. Eu era sua rainha e você se tornou fel. O cheiro doce que não saía da minha boca, abraços trocados com um toque de céu.
A noite chegou, levando a minha sensatez. Fiquei cega diante da luz. Você me pôs uma venda e eu te deixei me guiar. Gritos e arranhões, desesperados pela salvação.
—Sente medo?
—Não.
Teus lábios se tornaram frios, ao me tocarem por vez. Abri os olhos enxergando sua pequenez.
Ganhei outra flor, me calei dessa vez.
Senti a dor da perda, decidi desistir. Olhei em teus olhos que me fizeram sorrir. Um beijo profundo e com gosto de nada e eu pude enfim te deixar partir.
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