Coletânea de Memórias

1 Capítulo 1 - Minha tortura


Notas iniciais
Olá, meus queridos!
Espero que gostem desse capítulo que fiz para cada um de vocês.

Estranho como as aves se locomovem nos céus e em tão perfeita sincronia, as vezes até penso que havia sido uma dança ensaiada e exibida para os seres terrestres.

A beleza está naquilo que desejamos enxergar, mas passei por uma fase muito difícil em minha vida...

Meu nome eu não deveria mencionar até para evitar que me procurassem nas redes sociais, manter a minha privacidade me conforta.

Vim de uma família que na minha visão é comum, mas aqui no Brasil é considerada diferente, apenas por eu ser estrangeira. Porém, meus pais são brasileiros e no entanto, aprendi duas linguas (Japonês e Português).

Desde criança nunca me senti uma garota completa. "Como assim?" Havia um vazio inexplicável dentro de mim. Algo que não poderia ser preenchido, o que atrapalhou na minha juventude relações como um adolescente normal teria com o sexo oposto.

Eu tinha fobia de amar.

Até que um certo dia eu me toquei que isso certamente não era normal. O que eu fiz? Fui procurar um médico, é claro.

Passei em três psicólogos e de nada adiantou, só me forçavam a tomar remédios dizendo que o que eu tinha era depressão e ansiedade. De um certo modo, era verdade! Mas de outro, eu estava sentindo solidão que gostaria realmente de preencher, senão nem teria ido pedir ajuda.

Tentei tanto que no final, desisti.

Me entreguei a tristeza e aguardei, um dia após ao outro.

Meus pais um certo dia chegaram e perguntaram para mim:

— E a faculdade? não pretende cursar?

Pensei muito e estava mesmo sem vontade de cursar algo, nunca fui muito estudiosa. Porém, algo dentro da minha cabeça me impulsionou a querer ir realizar a matricula e assim fui.

Um semestre se passou com o mesmo vázio dentro de mim...até que ele apareceu.

Era um rapaz que já estudava na mesma sala que a minha, porém, ele era muito introvertido. Apesar, de eu ser solitária, na verdade eu era muito interativa com as pessoas, ou melhor, sociável.

Ele um dia foi forçado a fazer dupla comigo, pois havia ficado sem grupo. E não sei o que houve, do nada deu um TCHAM! Senti palpitações e um nó no estomago, me senti como uma criança quando visualiza um doce no meio do caminho. Os dias foram se seguindo e permaneci fazendo dupla com ele, até porque ele não curtia interação nenhuma, mas era um rapaz muito bom e tranquilo.

Depois de meses de amizade, ele tomou coragem de me chamar para sair... e foi nessa hora que a fobia bateu. Me deu um certo desespero, medo, fiquei apavorada. Tudo que eu conseguia pensar era se ele realmente gostava de mim, se estava brincando ou não comigo, se me levava a sério e diversos fatores.

A crise foi tão intensa que tive que cancelar o pedido e fui direto para o hospital com falta de ar. Me senti fragilizada por essa situação, o que havia de errado comigo?

Na faculdade, a tensão ficou pesada. Vi que havia ficado sem graça comigo, assim como eu estava. Mas era algo que não poderia ser desfeito. Segui com a vida...

Até ele me ligar novamente. Perguntou como eu estava e me perguntou onde eu morava, cogitei em passar o endereço, vai que ele seja um maníaco. Mas meus instintos apenas passaram, ou seja, apenas falei sem querer. Estranho, não?

O pânico foi me contaminando novamente, até que a campainha tocou. Tive que ir até a porta e abrir para ele. Sentamos na sala e acreditem, eu estava suando muito frio e tremendo de nervoso.

Para o meu azar, ele reparou.

— Você está bem? — ele perguntou

Acenei que sim. Não acreditou, obviamente.

Conversa aqui e conversa ali, até que teve a coragem de me perguntar o que havia ocorrido no dia que eu recusara o encontro. Na hora eu travei, não sabia de fato o que responder.

Mas para a minha surpresa:

— Você tem fobia de interação afetiva? — quase tive um treco quando ele perguntou.

— E se eu tiver? — retruquei com a voz trêmula.

— Não teria problema algum... eu te entendo. Tenho isso, mas estou trabalhando para melhorar.

Fiquei chocada com a resposta, pois não imaginava que um homem seguro como ele teria esse mesmo problema. Ele me contou sua história e inseguranças que é exatamente o que eu tinha.

— Deixe eu mesmo te diagnosticar... pelo que eu vi, você não tem medo de amar, e sim do que vão pensar de você e o medo de abandono. — me disse em um tom sério.

A única coisa que eu consegui fazer foi encher os olhos de lágrima, pois nunca senti tanto alivio em toda a minha vida por alguém me entender e de cara me dar toda a resposta que eu gostaria de ouvir.

Nos demos tão bem depois desse ocorrido que eu nunca mais tive essa crise. Eu sei... é estranho para vocês que estão lendo, mas acreditem, é um problema sério e envolve muito a autoestima da pessoa.

Tudo o que precisamos é só de um ombro amigo que esteja contigo e diga que você não está sozinho.

No fim, estamos namorando há dois anos e muito felizes!!.

Assinado por M.K

Notas finais
E aí, pessoal?
Gostaram?
Gostariam de compartilhar suas histórias comigo? pode me mandar por mensagem se quiserem, deixarei a história no anonimato
Comentem e recomendem pessoal!!
abraço
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.