Se eu acredito em amor à primeira vista? E como não poderia acreditar, se por vezes o meu passatempo preferido foi me apaixonar por pessoas que encontro por ai? E meu coração sofre, até que minhas dores se transformem em versos. E tão rápido quanto vieram, esses amores se vão, à primeira vista.

E o fato de se extinguirem não os diminui, muito pelo contrário. Eles só se vão pois se tornaram perfeitos.

Esse é o mal do poeta. Suas dores e amores vem em rimas, tortas, falhadas, forçadas. E na agonia e na beleza, esses sonetos alcançam o papel. E uma vez imortalizados nos meus rabiscos na folha branca, meu amor se terminou.

O problema com o amor é que ele não permite que eu o aprisione. As minhas vãs tentativas de representa-lo apenas o afastam de mim. Ele não nasceu naquele olhar e cresceu em meu peito para ser sintetizado no fim de alguns versos, muito menos para ser idealizado por algumas palavras que tem a ilusão de representar o mundo.

E ao esmaga-lo ali, eu deixo de amar. E talvez quem leia venha a imaginar se foi realmente um grande amor. Posso garantir que foi. Foi grande e maior do que eu pude representar. Mas acontece que estou em busca de um amor ainda maior.

Um amor esse que não venha a ser resenhado em poesia, e que dure mais do que à primeira vista.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.