Coletânea

4 Crazy Girl


Notas iniciais
Preparados? Espero que sim, pois agora...Sangue vai jorrar~!

Desde pequena, no orfanato em que vivia, era vista como uma criança amaldiçoada, um perigo para todos que estavam em sua volta. E até mesmo para quem não se aproximava. Todos tinham medo de si...

Boatos corriam, diziam que seus pais tinham sido mortos por sua maldição. Privada de contato desde muito nova, a pequena garota cresceu cercada somente por vozes e vultos demoníacos e sussurrantes, sendo zombada, ofendida e...Protegida por essas vozes.

Com 14 anos, ela estava perto de ser expulsa do orfanato quando uma família apareceu, querendo adotá-la. Querendo ela longe o mais rápido possível, nem papelada eles tiveram de assinar.

— Seremos uma boa família para você.- as palavras adocicadas da mulher que seria sua nova mãe eram o desejo mais íntimo da garota, cuja tolice lhe cegara para a verdade brutal e tapara-lhe os ouvidos às súplicas das vozes para ela fugir.

Estranhamente, quando entrara no carro, sua mente apagara num sono profundo que não fazia sentido. Não estava com sono para adormecer tão rápido. Em seus sonhos, gritos angustiados no meio de uma escuridão infinita eram ouvidos.

Quando acordara, somente escuridão e frieza lhe receberam. Ao tentar se levantar, confusa com o que estava acontecendo, sentira um puxão que lhe impedia de levantar. Seus braços estavam acorrentados atrás de si, causando-lhes dormência. Sabia que a falta de circulação sanguínea poderia custar-lhe os braços se não encontrasse uma forma de se soltar.

— ...- a jovem engolira em seco, estava assustada com tanto silêncio. Nem suas vozes lhe atormentavam.- O-Oi...?- tentara conseguir algum ruído, porém, somente silêncio se fazia presente.

Mesmo tentando várias vezes, em nenhum momento tivera resposta de algo ou alguém. O silêncio do local era perturbador. O silêncio de sua mente ainda mais.

*

Não sabia quanto tempo havia se passado desde o momento em que desistira e calara-se, o que sabia era que já não sentia seus braços, portanto, acreditava que os perdera.

Num dado momento, ouvira sussurros silenciosos vindo de cima e reconhecera as vozes em pouco tempo. Mesmo que já tivesse imaginado isso, ainda lhe magoara saber que sua família adotiva era a culpada de seu cárcere.

Xingara-se mentalmente de todos os nomes que conhecia, Joseph, mais do qualquer outro vulto, tentara lhe avisar sobre o perigo que corria, contudo, sua tolice lhe cegara o suficiente para ignorá-los e agora estava no porão de uma família psicopata.

O que tinha feito de errado para merecer isso? Não sabia, mas não teria tempo para pensar nisso, notara, quando uma mordida lhe acordara dos pensamentos.

— Malditos ratos...- resmungara, rosnando e se debatendo o máximo que podia para espantá-los.

Horas se passaram...Talvez até dias. Quem se importava no fim? Era somente mero tempo. Estava extremamente frio e úmido e seu corpo implorava por comida e água, porém, sabia que não adiantaria gritar por isso. Estava sendo ignorada por eles fazia tempo mesmo. Seus olhos pesavam num sono cruelmente tentador, que lhe mataria, contudo, antes de sequer fechar os olhos, ouvira um rangido na porta que se abria, seguido de um miado baixo.

— Um gato...?- perguntara-se, notando os olhos verdes no meio da escuridão. As pupilas gatunas lhe analisavam, assim como ela o fazia.- O que faz aqui?- perguntara para o felino, recebendo um miado longo como resposta.- Invadiu a casa?- perguntara para ele novamente, uma sobrancelha arqueada enquanto o gato miava novamente.- Curioso por mim? Obrigada.- sorrira para o animal, sabia que estava sendo louca ao falar com ele e inventar histórias do que ele dizia.- Qual seu nome?- um miado curto fora sua resposta.- Posso te dar um, então?

O felino não miara enquanto ela pensava num nome para ele. Minutos se passaram até algo vir à sua mente.

— John?- perguntara, recebendo um miado mais alto do bichano e um ronronado quando ele esfregara sua cabeça nas pernas dela.- Fico feliz que tenha gostado, mas é melhor você ir agora, né?- perguntara, sorrindo de forma cautelosa para o animal.

Com um último miado, John saíra do porão, deixando para trás uma menina com um sorriso alegre após muitos anos sem sorrir dessa forma.

Você está cometendo um erro ao amar esse gato, menina...— uma das vozes sussurrara, seu vulto surgido à sua frente. Dentre todos, ele era o mais "falador", o que mais lhe provocava, zombava e, ironicamente, protegia. Ela até tinha lhe dado um nome: Joseph.- Ele vai morrer por causa de sua maldição, menina.

— Não vai.- dissera, tentando parecer convicta do que dizia, mas sabia que essa possibilidade era real. Sabia que o felino estava em perigo somente por ela amá-lo.

Não diga que não lhe avisei...— fora sua resposta antes de tudo voltar ao silêncio.

*

O tempo parecia congelado. Sem qualquer noção de tempo, a pobre garota não sabia mais quanto tempo havia se passado. Estava faminta e sedenta, porém, nada poderia fazer. Sua única alegria era John, que vinha lhe visitar quando não havia ninguém por perto.

Certa noite, porém, antes de todos irem dormir naquela casa, sua irmã adotiva desceu até seu cárcere com o pequeno gato negro em mãos. Seu sorriso era cruel e suas intenções ainda piores. Podia sentir que algo ruim aconteceria...Os vultos lhe avisaram.

Uma faca foi pega de cima da velha mesa cheia de cupins que lá tinha. Sua irmã olhou-a de cima com o sorriso afetado ainda despontando de seus lábios e um olhar de diversão sombria lhe encarava. Prometendo sofrimento.

— Diga "Boa noite" para a demoniazinha, gato...- sorriu, levantando o animal com uma mão e, com a faca na outra, rasgando-o e estripando-o. O sangue jorrando na cabeça da pobre menina amaldiçoada junto de órgãos que se espatifavam em si ou no chão ao seu lado.- Boa noite.- riu de forma escandalosa, jogando o corpo sem vida do pobre animal em seu colo e saindo de lá como se nada tivesse acontecido.

— Boa noite...- murmurou, sentindo as lágrimas quentes misturarem-se com o sangue de seu único amigo que escorria de sua cabeça e pingava no chão.- Durma bem...- fungou, aproximando-se do corpo em seu colo o máximo que seus braços acorrentados atrás de si permitiam.

E você destruiu mais uma vida...— uma voz sussurrou em seus ouvidos, rindo e zombando de seu karma. Sabia que era Joseph, conhecia bem aquela crueldade sádica.- Viver é um fardo para todos à sua volta...- riu ainda mais.- Termine de destruir tudo...— um coro de vozes seguiu repetindo esta mesma afirmação para ela.- Termine de enlouquecer nesse circo de horrores que é a sua mente~!

— Cale a boca, Joseph...- sussurrou num fio de voz, tentando ser autoritária mesmo com a voz chorosa. Ele somente rira antes de se calar junto das outras vozes, porém ainda via seus vultos ao redor. Sentia o ódio esgueirar-se até seu coração, cuja as barreiras estavam completamente comprometidas.

E os dias passaram, fora esquecida naquele porão. Não comia ou bebia algo fazia semanas. Não entendia como ainda vivia. O sangue de John secara em seu rosto e cabelo, deixando-a grudenta e desconfortável. E o corpo do felino ainda jazia em seu colo.

Numa tarde fria e tempestuosa, a última gota para que o cálice quebrasse fora derramada.

Mas que cena mais deplorável...— a voz de Joseph fez-se presenta após tempos de puro silêncio, contudo, a jovem nem mesmo tinha vontade de dizer algo.- Eu posso devolver John a você se te faz feliz, criança.

— O quê...?- arregalou os olhos, olhando para cima pela primeira vez em dias e sentindo seu pescoço estalar de forma dolorosa pela mudança drástica de posição.

Há um porém nessa história, criança...— o sorriso triunfante e tentador de Joseph era sua única visão no meio de tanta escuridão.- Você e ele serão meus por toda a eternidade...

— Que assim seja.- respondera sem nem mesmo hesitar. Sua vida já era uma merda, não havia como piorar. Num movimento rápido, a menina sentira-o arrancar seu coração e tudo se apagou.

As flores negras do Mal brotaram e, em velocidade alarmante, cresceram fortes e cruéis. Uma risada baixa foi o único som que ousara quebrar o silêncio daquele cômodo escuro, sendo seguido pelo som perturbador de ossos se partindo e carne sendo rasgada.

Passadas hesitantes e cambaleantes, junto do som de algum líquido caindo em abundância no chão, fora escutada, alarmando quem estava perto. Logo após, uma porta fora partida ao meio e lançada até o outro lado da casa.

O medo nos rostos daquela família de psicopatas era delicioso quando viram sua pequena filha adotiva. Um sorriso de dentes pontudos e brilhantes rasgava sua face, o brilho vermelho de seus olhos era a única coisa visível em seu rosto além do sorriso. Cabelos desgrenhados e sangue seco no loiro platinado cobriam-lhe a face, sua pela de um branco tão brilhante contrastava com o sangue que pingava em cascata de suas laterais, onde deveriam descansar os braços.

Tudo começou a flutuar e sua família fora içada ao ar, quase batendo suas cabeças no teto da casa. Atrás da garota, um gato negro com várias cicatrizes e olhos tão vermelhos quanto as da garota, observava-os sem o menor interesse.

— Jenna, por favor!- implorou a mulher manipuladora, lágrimas de horror escorriam de seu rosto.- Misericórdia!

— Jenna!- choramingou a menina cruel, se debatendo no ar.

— Melhor nos colocar no chão!- mandou o homem distante, tentando ser autoritário e disfarçar seu medo.

— ...- uma risada rouca e macabra ecoou pela casa e, deixando o cabelo sair de sua face, ela sorriu insanamente.- Quem é...Jenna?- perguntou numa voz afetada, fazendo o trio temer o que viria a seguir.- Tenham uma boa noite.— sussurrou, seus olhos brilharam e, com isso, a família toda fora rasgada e desmembrada em questão de segundos. O sangue respingou em todos os cantos e órgãos foram despedaçados.- Durmam bem.- sorriu de forma inocente, lambendo o sangue respingado que escorria de sua bochecha.- Vamos, John?- sorriu ao olhar para o gato que miou em resposta, já seguindo para a porta de entrada.

Caminhando lentamente para fora, logo sumiram em meio à floresta densa que tinha ao lado da casa sem se importar com testemunhas.

Quando os policiais chegaram à cena do crime, os policiais logo declararam que um serial killer estava à solta. A brutalidade com a qual se depararam fora macabra. Uma cena que nunca viram antes e desejavam jamais ver novamente.

Analisando o local, encontraram no porão dois braços pálidos suspensos no ar em correntes e uma enorme poça de sangue abaixo, junto de órgãos pequenos demais para serem humanos. O corpo ao qual estes braços pertenciam nunca fora achado e nunca seria por mais que tentassem.

Ao longo dos anos, várias vitimas tiveram este mesmo fim e o assassino nunca fora encontrado, nenhuma pista existia além de especulações de um gato todo remendado junto de uma garota sem braços.

A porta dos fundos sempre era despedaçada e o jeito que o sangue estava respingado nas paredes era anormal. E, sempre que encontravam algo, deparavam-se em um beco sem saída.

A pergunta que não queria calar agora era: Quem seria a próxima vitima? Qualquer um. Ninguém estará protegido quando ela decidir sua próxima presa...

Notas finais
OC's: Jenna, Joseph, Britany (irmã), John (gato), Braze e Jonas (pais). Como se sentem depois dessa one? Peguei pesado? Muito, mas esperem por mais peso, pois nem todos os meus OC's têm final feliz. Espero que tenham gostado. Bom, como não tenho mais nada para dizer...Até o próximo~!