Coletando Lembranças...

6 Selando o destino...


Notas iniciais
Oiê! Como vão vocês minhas fadinhas? Peço minhas humildes desculpas pela demora, mas esse cap vem caprichado e eu espero que consigam juntar algumas partes dessa fic-quebra-cabeça!^^

O sol iluminava a face de Lucy,sem se importar se estava incomodando a loira, a Heartfilia suspirou e passou as mãos pelo rosto afim de tomar coragem para encarar o novo dia. Fechou os olhos, felizmente a maga conseguia ouvir os pássaros cantando ao longe e o colchão abaixo da garota era extremamente confortável, o que fazia Lucy pensar seriamente em continuar deitada ali por mais um tempo. Um sorriso bobo se firmou nos lábios secos dela, certa de que tudo o que acontecera ontem não passara de um pesadelo idiota. Mentalmente Lucy contou os dias e percebeu que hoje seria o infeliz e exaustivo dia da faxina.

—Vamos Lucy, quando mais rápido começar mais rápido irá acabar...

Ainda sem abrir os olhos, a loira se sentou na cama e começou a se espreguiçar lentamente, ouvindo a oca sinfonia que seus ossos tocavam quando estralavam.

—Oh, que bom que a senhorita já acordou!—Exclamou uma voz alegre, porém desconhecida para a Heartfilia.

Assustada, a maga abriu seus olhos. O quarto onde estava não era a sua casa, o teto estava descascado, as paredes eram cinza e a janela de onde entrava o sol estava emperrada e velha. A cama era maior que a da garota e bem mais confortável também, ao lado da cama havia um criado-mudo cheio de objetos mal-organizados e o piso de madeira parecia um espelho de tão lustroso que era. Mas os olhos dela estavam fixos na pessoa que a saudara. A mulher era bem mais velha que Lucy, mas era da mesma altura, seus cabelos eram lisos, de uma exótica cor de ouro e vinham até o seu queixo. Seus olhos eram rosados e usava uma camisola branca e comportada, era uma bela mulher. De súbito a mulher sorriu, revelando belos dentes.

—Não precisa se assustar, querida, está tudo bem. —Disse a mulher hesitando, pensando se dava um passo em direção a Heartfilia ou não.

—Quem é você?—Perguntou a maga, ainda desconfiada da mulher.

—Meu nome é Asaye. —Asaye falou pausadamente para não assustar ainda mais a garota a sua frente.

—Onde eu estou, Asaye?—Indagou ela estando mais calma do que antes.

—Em minha casa. —Respondeu a mulher, fazendo Lucy se surpreender, já que a loira não se lembrava de ter indo na casa de ninguém, muito menos na casa de uma pessoa que nem conhecia. —Eu te encontrei ontem a noite...

“ A chuva não dava descanso a ninguém castigando a ensolarada terra de Magnólia, mas Asaye não podia passar a noite no emprego e tomando coragem, a loira armou o velho guarda-chuva e se aventurou no caos de água. Apesar dos ventos cortantes ela estava conseguindo chegar em casa. Quando faltava apenas um quarteirão para ela finalmente se jogar em sua cama quentinha, Asaye viu algo dentro de um beco escuro. Poderia ser qualquer coisa, um rato ou uma barata, tais pensamentos fizeram a pobre mulher fazer uma careta de nojo, mas mesmo assim entrou no beco afim de ver o que havia lá dentro, para despertar a sua preocupação. Em meio a escuridão e ensopada pela água da chuva havia uma garota, suas roupas estavam sujas pela lama e pela sujeira do beco, além de estarem totalmente ensopadas.

No meio de toda aquela chuva, Asaye não conseguia ver muita coisa, então a primeira coisa que veio a sua mente ao ver uma garota jogada em um beco deserto era que a coitadinha estava morta. Os olhos rosados dela se arregalaram e ela prendeu a própria respiração devido a surpresa mórbida que via. A mulher simplesmente não o que fazer era a primeira vez que ela via um... Cadáver! Não se sabe ao certo quanto tempo Asaye ficou ali, observando a jovem menina do beco, enquanto uma parte de sua consciência dizia para ela sair dali e gritar descontroladamente, enquanto a outra parte a mandava gritar descontroladamente dentro do beco mesmo. Mas a mulher ignorou ambas as partes e engolindo a seco se aproximou da menina.

Não podia evitar um sorrisinho ao observar o quanto a loira a sua frente era bonita, e lembrava outra garota que Asaye conheceu um dia...

—Parece até que ela está dormindo... —Sussurrou para si mesma.

De súbito, Lucy bocejou abertamente e voltou a dormir, quieta e imóvel como antes. Na hora, Asaye deu um pulo pára trás, se assustando com a movimentação do suposto corpo. Depois de poucos segundos a resposta iluminou a mente da mulher como uma lâmpada de 220 volts e após entender o que estava aconteceu, Asaye sorriu abertamente, aliviada pela menina a sua frente não estar morte e sim adormecida...”

—E então eu te trouxe aqui para minha casa e cuidei de você. —Disse terminando a detalhada narrativa de como encontrara a loira.

A Heartfilia suspirou profundamente, sentindo a mesma dor de ontem apunhalando o seu coração já fragilizado.

—Quer dizer que ontem não foi somente um sonho... —A maga sussurrou tão baixo que nem Asaye ouviu.

—Bem, o café da manhã já vai ser servido, vou deixar você se trocar em paz. —Falou sorridente.

Na hora a maga olhou para as roupas que usava e não reconheceu aquela camisola como sendo a sua, na verdade a garota nem tinha uma camisola! Corou violentamente só de imaginar como entrara naquela roupa.

—Ah... Asaye-san?—Chamou e a mulher respondeu suavemente:

—Sim, querida?

—É... Onde estão as minhas roupas?—Enquanto perguntava ela olhava para o edredom que até pouco tempo estava deitada.

—Bem, sinto lhe dizer, mas elas estão inutilizáveis, ficaram encardidas por causa da sujeira. Pode pegar uma muda de roupas nas gavetas. —Disse enquanto saia do quarto.

—Ei!—Lucy a chamou novamente e dessa vez a mulher se virou para ela sem falar nada, mas com uma expressão carinhosa e paciente na face. — Ahn... Por que você está fazendo isso por mim?

A pergunta pegou Asaye de surpresa por alguns instantes, mas logo ela respondeu sorrindo, como se lembrasse de algo bom do passado:

—Essa é uma boa pergunta, menina. Acho que é por que você me lembra outra garota que ajudei...

A Heartfilia não entendeu muito bem a resposta, então se limitou a sorrir e por fim Asaey foi embora. “Finalmente sozinha...” pensou, pelo menos sozinha a maga poderia revelar a sua dor, tirar a mascara que criara de sorrisos para esconder o que sentia. “Então tudo foi real” concluiu a garota, e em sua mente imagens sobre a guilda a lembrava cada vez mais de que tudo fora uma mentira.

Aquilo causava uma onda de impacto enorme nela e para tentar parar que tais imagens ilustrassem sua mente, Lucy fechou os olhos, mas mesmo assim tudo continuou e continuou. Lembrava-se das piadas em graça de Makarov, da fragilidade de Wendy, da cantoria horrível Gajeel, das cantadas bizarras da Juvia, do vocabulário bizarro de Laki, das danças elaboradas de Visitar, das suas conversas com o Max, da indecisão de Nab, e dos belos quadros de Reedus, da bebedeira desenfreada de Cana, da inocência de Lisanna, das frases másculas de Elfman, e dos sorrisos simpáticos de Mirajane, da vaidade de Evergreen, da risada estranha de Bickslow, da inteligência extraordinária de Levy, do irritante do Happy, a força da Erza, a perversão do Gray e... E... Lucy lembrou-se do que menos queria se lembrar naquele momento, da alegria, do calor, da idiotice, do sorriso, da força e das palavras do Natsu.

Um som parecido com um soluço irrompeu os pulmões da loira enquanto ela procurava por alguma roupa para se vestir. A Heartfilia esperou as lágrimas rolarem por sua face, como acontecia quando sempre se lembrava “dele”, mas para a surpresa da garota nada escapou de seus olhos, ela simplesmente não tinha mais lágrimas para chorar, e Lucy não sabia se aquilo era bom ou ruim. Finalmente Lucy havia achado um vestido marrom com detalhes no pescoço, não era tão curto e até que caiu bem na loira. Sem nenhum ânimo, a Heartfilia se arrastou até o grande espelho que havia em um dos cantos do quarto. Ao observar seu reflexo, a maga resolveu ignorar o fato de estar pálida demais e que olhos estavam abatidos, apenas olhou o vestido com tédio e indiferença, como se não fosse nada, era óbvio que a garota estava grata por toda assistência que Asaye –san estava lhe oferecendo, mas a sua cabeça estava em outro lugar, pensando em outras coisas mais importantes que um vestido emprestado.

—Para onde vou agora?—Perguntou ela para o seu reflexo, que infelizmente não respondia as suas perguntas, só as repetia. —Não, eu não posso e eu não quero voltar para a Fairy Tail. Para onde eu vou?! Tudo me lembra eles!Droga!—Exclamou enterrando as mãos nos cabelos dourados.

—Não se desespere querida. —Disse uma voz masculina com suavidade.

Lentamente Lucy abriu os olhos e olhou ao redor a fim de achar alguém, mas o cômodo estava vazio.

—Gostaria que você parasse de me ignorar Lucy. —Disse a voz um pouco irritada.

Automaticamente a loira olhou para frente e viu quem exigia a sua atenção. Dentro do espelho estava o homem que causara todo esse inferno em sua vida... Os olhos verdes do rapaz a fitavam com uma felicidade quase sombria.

—Como vai,Lu...

—Desapareça. —Ordenou a Heartfilia interrompendo a fala do rapaz, fuzilando o espelho com o olhar.

—É assim que você me agradece, Lucy?!—Exclamou ele fazendo um biquinho, fingindo estar chateado.

—Eu deveria te agradecer pelo quê?!—Gritou a maga, indignada, a raiva borbulhava como lava em seu sangue. —Por estragar a minh...

—Deveria agradecer por eu lhe contar a verdade. —Retrucou o homem com uma voz suavemente contida. —Ou você gosta de viver sendo enganada o tempo todo?

A garota não sabia o que retrucar, ela não queria agradecê-lo por lhe revelar a verdade de uma guilda falsa em que vivia, mas também não poderia culpá-lo de tudo.

—O que você quer?—Murmurou Lucy entre dentes.

—Sei como você se sente, Lucy. Você está perdida em seu próprio mundo, sem saber em quem confiar ou com quem desabafar a sua dor. Seu coração já estava quebrado e a cada vez que você se lembra daquela guilda, ele se desintegra lentamente. —Disse ele, descrevendo todos os sentimentos e sensações que habitavam a alma da loira. O rapaz fez uma longa e teatral pausa antes de continuar: —Ah e o pior é que você nem faz ideia do que é esse poder apocalíptico: Atherion, que te causou tanto sofrimento.

—Cale a boca!—Ralhou a Heartfilia, irada de raiva, mas também a garota não queria que a descrevesse mais, pois por mais assustador era que tudo o que ele havia dito era verdade.

—Por que você quer que eu me cale, Lucy?Será que é por que o que eu disse era verdade? Será...

—Chega!—Exclamou a garota enterrando as mãos nos cabelos. —Você acha que sabe de tudo não é, então me explique, o que é essa droga de Atherion?!

E pela primeira vez desde que começou a conversar com ela, o rapaz sorriu:

—Eu posso te explicar o que é o Atherion, mas não agora. —Disse criando uma curiosidade quase que doentia em Lucy. —Ora, ora, vejo que a leoa aqui ficou mais calma e um pouco curiosa...

Ainda brava pela provocação, a loira trincou o maxilar e permaneceu quieta, esperando pela próxima frase daquele espelho ridículo, que ao invés de mostrar o reflexo da Heartfilia, só exibia o corpo e a face daquele maldito da areia.

—Eu sei muito mais do seu passado do que imagina, e vou revelá-lo a você. Vamos fazer o seguinte, menina: Estarei no mesmo lugar em que nos encontramos pela primeira vez, espero você amanhã de manhã, torço por sua presença. —Enquanto ele dizia, a sua imagem no espelho ia clareando, desaparecendo gradativamente, dando lugar ao reflexo de uma garota confusa.

—Ei!—Chamou ela, antes que sumisse por completo.

—Sim, querida?

—Você está mentindo?—Perguntou Lucy e logo depois a risada zombeteira do rapaz ecoou no lugar.

—Lucy, se duvida de minhas palavras, tente pensar o seguinte: O que eu ganharia mentindo para você?

A loira não sabia o que responder e então assentiu, e resolveu confiar nele por enquanto.

—Certo, eu estarei lá. —Confirmou, mas o reflexo do homem já havia desaparecido do espelho.

Confusa, a Heartfilia passou a mão pelo rosto. Aquele lugar onde eles haviam se encontrado pela primeira vez, ficava consideravelmente longe daquela casa, então se a maga fosse teria que ser agora, não poderia perder tempo. A garota suspirou profundamente, a decisão estava tomada, seu destino estava sendo selado agora.

Asaye estava preocupada com a demora de sua hospede, ninguém demorava tanto somente para trocar de roupa! A loira abriu a boca para chamar a garota, mas então se lembrou de que não sabia o nome da mesma. Suspirou e enxugando as mãos em um pano de prato qualquer, a loira subiu as escadas indo em direção ao quarto onde a moça de ontem estava.

—Com licença. —Disse antes de entrar no recinto que para a sua surpresa estava vazio.

Em toda extensão do quarto, um papelzinho branco lhe chamou atenção e levada pela curiosidade, Asaye se aproximou e pegou o papelzinho, que tinha uma mensagem escrita com a caligrafia de alguém que tinha pressa.

—Asaye-san. —Disse a loira lendo o bilhete em voz alta. —Agradeço a senhora por ter me salvado daquele beco e por ter cuidado de mim durante este tempo. Mas eu preciso ir, vou encontrar uma pessoa que vai me ajudar em minhas duvidas sobre o meu passado. Sinceramente peço desculpas, por acabar levando o seu vestido junto comigo, mas como a senhora sabe eu não tenho mais nada... Não espero que a senhora compreenda, mas finalmente reconstruirei a minha vida, selarei o meu destino. Assinado: Lucy.

—Lucy... —Repetiu a mulher, encantada com o nome que lhe lembrava o de uma princesa. —Então este é o seu nome?

A mulher estava presa em um tipo de transe, em um misto de alegria e tristeza. Lentamente ela se aproximou da janela, por onde Lucy havia saltado para fugir. O sol estava praticamente a pino, passara do meio-dia e ao longe correndo em direção ao horizonte, Asaye podia ver uma figura de vestido marrom e de cabelos dourados correndo, para onde? Ela não sabia, mas estava feliz pela garota. Desde que a vira no beco, a mulher havia se simpatizado com a maga, a garota lhe lembrava alguém que surgiu em seu passado, do mesmo modo surpreendente e inesperado. De súbito a lembrança lhe veio a tona, e ela se xingou por não ter percebido antes a extrema semelhança que ambas tinham: o cabelo loiro e impecavelmente liso, os olhos sonhadores, a pele alva e o sorriso inocente.

—Qual era mesmo o nome dela?—Indagou Asaey exigindo que sua memória se lembrasse do belo nome. —Também parecia ser nome de princesa... Ah é mesmo! O nome era Layla! A única diferença era que a Layla carregava a Lucy nos braços quando eu a conheci. —Concluiu sorridente.

Notas finais
E aí? Mereço reviews? Até o próximo capítulo ^^
:*