Coletâneas
6 Mulher moderna
Notas iniciais
Fusão! Eu quero uma fusão!
Digo de forma exclusiva e particular, até porque não posso falar por todas as mulheres dessa era moderna.
Quero o encontro quase perfeito entre os meus adorados romances de época e o frenesi quase caótico da era moderna.
Sim, caros espectadores, eu quero um homem com H maiúsculo do tipo que divide a conta, compra presentes, chama pra conversar sem motivo e lança elogios em momentos imprevisíveis.
Eu quero um cavalheiro, mas que este não use armadura e sim avental. De preferência em casa em uma noite agradável com um filme na TV.
Não, não é preciso jantar num restaurante caro e sofisticado a cada fim de semana, até um bar desconhecido pode ser divertido se você tira para dançar e fala besteiras que só eu posso entender e escutar.
Nada de buquês! Por favor, sou uma amante da natureza! Matar tantas plantas assim deveria ser proibido, mas... Nada o impede de aparecer com uma única e solitária flor em mãos.
Não preciso de jóias apenas de algo que me lembre de você.
Se eu gosto de presentes, é claro, e de surpresa? Ainda mais. Porém, surpresa não é chegar a casa e descobrir que preciso por roupa para lavar, casa para arrumar e muito menos o fato de ter uma pilha de louça para limpar.
Posso parecer uma reclamona e talvez até seja, quero dizer, eu quero ficar ao lado de alguém no sofá vendo um filme, quero me divertir na praia, comer pipoca de micro-ondas enquanto jogo conversa fora.
Sou romântica diferente do que dizem, entretanto há uma diferença sútil entre ser romântica e carente. Ficar abraçada o tempo todo? Cansa. Neném, bebê, Amorzinho, meu cute-cute né? Não! Videogame até de madrugada? Ok! Música lenta e dançar juntos? Ok, também.
Admiti, com dificuldade para deixar bem claro, sou uma mulher de exatas com alma de línguas. Nem humanas se encaixa com precisão.
Sou como as regras da língua portuguesa e suas infinitas exceções, como os textos de literatura e suas múltiplas interpretações, sou também como uma combustão em química a beira da explosão por sua inconstância e absurda ramificação, não sou matemática que se restringe ao Natural sou como equações complexas onde os valores só se aproximam nunca se limitam. Então eu digo que tenho que mudar, talvez, e que ainda não encontrei um homem que me agrade o suficiente ou encontrei alguns que agradam demais.
O que posso fazer?
Sou pior que Alice de Lewis Carrol com um toque de Hermione Granger e só um detalhezinho de Elizabeth e que Jane Austen me perdoe!
Sou uma mulher da era moderna!
Eu acho.
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