Coletâneas
21 Bêbado, louco e equilibrista.
O bêbado
O louco
E o equilibrista
O primeiro bebe para perder a razão
O segundo para encontrar
O equilibrista faz seu show a metros no ar
O bêbado faz show ao conseguir andar
O equilibrista cai de encontro ao chão
O louco cai de encontro a escuridão
O bêbado quer mostrar que é louco
O louco quer mostrar que louco é o mundo
O equilibrista concorda
Transforma sua loucura em arte
E para a do mundo?
"Faz parte."
Um faz graça na tenda,
Outro na ruas, becos e vielas
Um terceiro faz graça por trás do muro
O equilibrista se compara ao gato,
Soturno,
Anda em cima do muro
O louco com um pássaro que, preso em gaiola, tenta voar
O bêbado não se compara
É comparado,
Tal qual um cão raivoso
Pronto para o ataque e para ser atacado
Os três são aquilo que a sociedade tenta esconder
Aquilo que lhes diverte quando não há mais o que fazer
São filhos da noite
Do sereno
Da mágoa
Da dor
Especialistas em viagens
Andarilhos sem rumo
São tudo que tentam esconder
Mas que por vezes se revela
É aquilo presente em todos
Mas ninguém quer enxergar
E os corajosos, ou tolos, capazes de se mostrar
São excluídos
Ninguém quer olhar
Para si se puder evitar
Servem para tirar sarro
Jamais para ajudar
A verdade é que todos temos um deles conosco se não os três
O bêbado que bebê para ficar louco
E louco se equilibra para não perder a razão
De tanto equilibrar vira equilibrista
De mente, alma e coração.
Que é você?
Eu sei quem sou.
Quem é você?
Já se olhou?
Fale com o autor