Coletânea de Poemas
8 Capítulo 8 - Cinza
Notas iniciais
É tempo de morrer, meu bem
Foi-se o tempo de viver
Pois as canções tornaram-se meros ruídos
Os poemas perderam sentido
As palavras se tornaram apenas um emaranhado
As cores deram adeus
Pegaram suas malas recheadas de significância
E ninguém sabe se foi vingança
Pelos cigarros consumidos e pela fumaça que invade o ar
Estamos eternamente voando e caindo
Não se sabe como o fazemos
As asas estão quebradas
As turbinas pendem por um fio
Totalmente lascadas
Estamos rindo de nossa desgraça
Tossindo com os pulmões corroídos
As pessoas se confundem mesmo ao se olhar no espelho
Tudo é um ciclo vicioso
De amar, (des)amar
Se decepcionar
Não corresponder, se perder
Nada é questão de tempo
Tudo é questão de eternidade
Que tomou posse de tudo
Inclusive de nossa verdade
O mesmo cinza se mantém
O mundo é vai-e-vem
De acontecimentos
Que não mexem com ninguém
E mesmo assim, continuamos
Respiramos, nos ruímos
Não estamos buscando algo
Estamos destruindo tudo
Se tudo significa nós mesmos
E essa é a melhor satisfação que podemos ter
Fale com o autor