Coletânea de Ones
2 Bad Boy -- Livre
Notas iniciais
Natsu olhou pela janela do pequeno apartamento, ouvindo os berros da vizinha dando bronca em seu marido, pois provavelmente ele voltara bêbado para casa e vendo a movimentação pequena daquela rua no Brooklyn, via os amigos andando na rua semi deserta, normalmente ele estaria ali com eles, fumando um ou dois cigarros, falando palavrão e se preparando para ir a uma boate qualquer pegar uma garota qualquer. Mas não, ele, Natsu, estava ali, imaginando onde ela estaria.
Se ela estaria indo dormir após o jantar. Se ela estaria com a camisola branca de seda e neste momento penteando os fios macios e dourados. Se ela estaria ao telefone conversando com a melhor amiga.
Mas de todas as coisas que ele imaginava e a que ele mais queria saber, era se a garota estaria pensando nele, da mesma forma que ele.
Estava se tornando insuportável ficar ali. Pensando no passado, nas boas lembranças. De quando se encontraram pela primeira vez, de quando se beijaram pela primeira vez, de quando passaram a primeira noite juntos. Isso não era o tipo de coisa que Natsu fazia, afinal, ele era um Bad Boy.
Nunca na vida o rosado pensou que estaria esperando alguém da forma como a esperava. Ele dizia a si mesmo que ela voltaria na manhã seguinte, que ela estaria batendo em sua porta, e quando ele a abrisse, a loira saltaria em seus braços, o beijaria com amor e assim fariam as pazes como sempre fizeram.
Já passaram por tantos momentos assim, por coisas maiores ou menores, mas mesmo assim, sempre voltavam, ele precisava dela e ela dele. Mas algo no coração de Natsu lhe dizia que dessa vez seria diferente.
Por que ele não pedira desculpa? Essa pergunta se passava na mente dele com freqüência. Não havia nada que ele pudesse fazer, ela sabia mais do que ninguém. Ele nunca pedia desculpa.
Ela era uma boa garota, de uma boa família e vivia em um bom bairro. Ele, o pé rapado que vivia na periferia da cidade e vendia as coisas roubadas que seus amigos conseguiam para sobreviver. Não se orgulhava disso, mas para um garoto de 18 anos que fugiu de um orfanato há sete anos, não se podia esperar mais nada.
Natsu queria mudar. Mas não podia, os sentimentos, os hábitos eram mais fortes que ele. Pensava em sua dama, ele era o seu vagabundo, não havia como negar. Em pensar que acabaria daquele modo.
Ele era o homem que ela amava, sem duvida. Ela não podia deixá-lo. Ela era sua única salvação no mundo cruel que fora abandonado.
Pela primeira vez, Natsu rezou, rezou para que ela voltasse, para que ela atravessasse a porta e que tudo ficasse bem, para que o Senhor —se ele de fato existisse—o iluminasse e assim o fizesse ser um homem, um homem que a tratasse bem, do jeito que sua dama merecia.
A campainha tocou e o fez se assustar, o coração do mesmo falhou por alguns instantes, seria ela? Seria Lucy a bater em sua porta?
Acelerou os passos e abriu a porta em uma velocidade impressionante. O coração acelerado aos poucos começou a parar e a esperança em seu olhar sumiu ao ver um ruivo a sua porta, criado da garota que amava.
–-Ela mandou eu lhe entregar.—estendeu a mão mostrando a jaqueta que ele havia lhe emprestado no dia anterior.
–-Obrigada.—respondeu com a garganta seca.
Pegou a jaqueta e fechou a porta, encostou-se na mesma e desabou lentamente no chão.
Havia acabado.
Sua esperança se fora.
Seu coração ficou partido.
Mas ele não iria chorar, afinal, era um BadBoy.
(P.S.: Leiam as notas finais )
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