Coletânea de Ones
1 1º Broken Angel (Livre)
Notas iniciais

--Broken Angel--
O Sol batia gloriosamente quente em meu corpo, mas eu tinha certeza que eu não estava quente ou até mesmo morna. Minha pele sempre tão brilhante e bonita estava frágil e pálida, sem um único vestígio de vida. Meus cabelos dourados estavam quase apagados, não havia mais aquela luz na qual todos elogiavam. Meus olhos castanhos brilhantes e inocentes, não eram mais assim, eu sabia, eles estavam opacos.
Machucava. Machucava saber que eu tinha sido expulsa de minha própria casa para sempre. Doia profundamente as cicatrizes nas minhas costas, em um formato de V inverso, resultado de ter as asas puras do céu arrancadas brutalmente. Eu estava destruída. Fisicamente acabada. Emocionalmente acabada.
O céu é injusto. Leis foram criadas para a proteção dos anjos, a maior delas é a proibição do amor entre um anjo e seu guardado, o humano no qual deve sempre proteger. Anjos são sensíveis e acreditam facilmente em palavras, a lei serve para a proteção de anjos. Nem humanos, nem anjos devem se apaixonar.
Não devem
Mas podem
E eu pude, assim como estou.
A conseqüência é alta. O belo par de asas brancas que simbolizam a pureza, fora arrancado de mim. Minha pele começou a morrer por não estar adaptada com a Terra, não sem a magia espiritual. Meu corpo de anjo caída estava indefeso. Eu estava indefesa. Sozinha nas ruas que não conhecia, insegura sobre meus passos, que me guiavam cegamente ao destino que queria, que implorava para chegar.
A Terra é podre. As pessoas matam. Estupram. Magoam. Eu não quero estar aqui, mas sou obrigada, um vez que sou uma pecadora. Pequei pelo amor. Por ele. E agora eu rezo, rezo para que seus sentimentos por mim não tenham sido mentiras de humanos, mesmo que não esteja com o direito de pedir a Deus algo.
Senti meus pés pararem. A porta de madeira na cor branca, o olho mágico em dourado, a mansão tão conhecida por mim. Essa é a casa dele. Minhas mãos tremiam, mas mesmo assim bateram fracamente na porta e depois de pouco tempo ela foi aberta a bela mulher empregada apareceu assustada.
As roupas rasgadas, os cabelos embolados em meu rosto, o sangue — mesmo invisível a olho humano- estava seco em minhas costas , no lugar onde minhas asas estavam. Algumas penas ainda presas em meu corpo deviam estar caídas pelas ruas, não por muito tempo, logo desapareceriam.
-Natsu, por favor.- O nome pareceu acordar a empregada de seu choque. Ela não me convidou a entrar, quem convidaria? Eu estava parecendo um mendigo, até onde eu sei, eles não são queridos na sociedade.
Não demorou e ele apareceu. Em suas roupas simples, mas elegantes em sua aparência de cabelos rosados e corpo escultural. Trajava uma calça jeans de marca desconhecida por mim,a blusa polo colada no corpo e os pés descalços. Seus olhos verdes acinzentados me fitavam assustados.
-Eu caí.- Somente isso. Sem mais explicações. Não precisa de mais, eu o avisei do risco que eu correria por me apaixonar, ele sabia que mais cedo ou mais tarde isso aconteceria.
Um luz passou por seus olhos e logo ele abriu um pequeno sorriso sem mostrar seus dentes. Esticou seus braços e me envolveu, me trazendo para dentro.
-Estava de esperando, Luce.
Era isso. Sem céu. Era só eu e ele até o fim.
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