Coletânea da Oralidade
1 Nu. Cru. Eu.
Notas iniciais
Jouir!
Talvez eu vá.
Talvez eu permaneça.
Talvez eu ande,
Talvez em mim padeça
Aquela vontade de tocar teus lábios secos
Em nossas noites bêbadas.
Mais álcool, menos amor.
Menos dor, menos calor.
Nesses dias sóbrios, o que me resta é apenas a mesa,
Vazia como igreja no dia de Carnaval.
Gente que se diz bacana,
Por ser mais um pobre banal.
Expondo suas pinturas cruas,
Nas passarelas das ruas.
O que eu faria dessa galeria,
Se delas se extraíssem poesia?
Sem nenhum significado,
Nuas, cruas, puras.
Apenas com o que seu deus me deu.
Eu, eu e mais eu.
Talvez, outra dose de mim.
Mas chega, por hoje é fim.
Queria variar minha vida,
Assim como mudo de rima.
Pois dela, não levo nada.
Da morte, também não.
Apenas eu.
Só.
Sóbrio.
Nu
E
Cru.
Notas finais
É a vida.
Ou não.
Ou não.
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