Fecho os olhos e prometo que não vou pensar. Mentalizo com toda força que tenho, me concentro do melhor jeito que posso.

Não, hoje não vou pensar, essa noite não.

Me permito um suspiro, preciso aliviar aquela tenção que já começa a se formar em meu peito. Abro os olhos, mas está escuro e minha vista está embaçada. Oh, por favor, não chore... essa noite não, só esta noite. Não pense. Pensar machuca, machuca porque por mais que eu tente, não consigo arrumar uma maneira de fazer com que meus pensamentos tomem um rumo feliz.

E nessa hora, quando todas as luzes estão apagadas e tudo que posso ver é a imensidão dos meus pensamentos negros, eu choro. E nem sempre tenho um motivo. Choro porque está escuro, choro porque doeu, porque não sou correspondida e porque cai e ninguém nem se quer notou. E deixo que as lágrimas corram, amparando a mim mesma nesse abraço sozinho.

Me prometeu que não ia pensar. Mas palavras são só palavras, e minhas lágrimas amargas transcendem a qualquer jura de paz.