Colegas
30 Capítulo 30
Notas iniciais
PSM: Cat
A senhora Pam gargalhava com os gritos de Sam quando Tori tentava ajeitá-la. Carly fazia a maquiagem de Alex e eu ajeitava meu cabelo.
Era o melhor momento da minha vida, nós cinco, reunidas.
De repente alguém bate a porta e é o senhor Stwart, pai de Miley.
–Olá meninas. — seus olhos não estão mais fundos e vazios como há meses atrás. — Oi. — disse ele beijando Pam.
Depois de um tempo eles voltaram a namorar e isso tem sido ótimo. Sam tem um gênio tão duro quanto de Miley fazendo com que ele passasse tempo com elas e sua dor cicatrizasse.
–Tori, queria te dar isso. Achei há umas semanas no quarto de Miley e acho que é para você.
Ele estendeu um cabide com um pano tampando a roupa que tinha ali.
Tori pegou e abriu revelando um lindo vestido preto. Também tinha um bilhete escrito as pressas. Formatura: Tori. E um papel dobrado ao meio. Tori abriu e sorriu de emoção. No papel tinha o desenho do vestido de forma mais desleixada e mais simples.
–Eu e Miley desenhamos esse vestido quando tínhamos uns dez anos. Íamos usar os mesmos vestidos na nossa formatura. Eu não acredito que ela guardou e mandou fazê-lo a tempo... — suas palavras se penderam no ar sem terminar. Ela foi correndo para o quarto colocar o vestido, deixando o seu amarelo alugado de canto.
–Uau! — exclamou Sam. Tori estava linda! Os traços do vestido era obra de Miley visivelmente. O preto que ao cair do vestido ia surgindo um brilho que ia até os pés. Como um céu estreado. Um decote simples desenhado por duas meninas com mangas até o cutuvelo de renda. Eu prendi o cabelo dela num coque mostrando as costas nuas e ela não poderia estar tão linda e diferente.
PSM: Alex
Os meninos alugaram uma limousine e todos ficaram estupefatos por nos verem. Justin estava uma graça de smoking. Abrimos todos os tetos solares e todos ficaram de fora gritando loucamente para que toda Nashville soubesse que nós éramos infinitamente felizes hoje.
A escola estava lindamente decorada com tons de vermelho e dourado. Muitos alunos com roupas de gala passeiam pelo jardim.
–Uhu! — gritava André e Beck.
Quando saímos, um fotógrafo registrou várias fotos nossa e enfim, entramos no salão todo decorado.
Uma música agitada tocava e pude ver todos com quem estudei esse ano. Teddy foi uma delas e estava estonteante num vestido amarelo.
Justin me puxou logo para a pista onde tocava uma remixagem de várias músicas famosas e agitadas.
–Eu quero aproveitar ao máximo essa noite com você! — disse ele.
Amanhã a tarde ele iria para Carolina do Norte para a tal empresa que ele havia passado e eu em poucos dias voltaria para a minha cidade natal, para um curso de extensão na minha faculdade. Não falamos como seria nosso relacionamento depois disso e nem queria falar por enquanto.
PSM: Cat
–Cansei! — gritou André.
Eu, ele, Beck e Sam estávamos dançando animadamente na pista.
–Vamos parar um pouco, to faminta! — declarou Sam.
–E quando não está, loirinha?- Beck a cutucou e eles começaram a rir.
–Olhem só! — disse André. — Tem bebida!
–Passa pra cá! — disse Beck e eles começaram a beber um pouco, até Sam deu umas goladas e fez umas misturas pros meninos.
–É forte? — perguntei. Eles me encararm e começaram a rir.
–Cat, você é meiga demais para beber isso. — disse André apertando minha bochecha.
–Hey! Eu não sou tão meiga assim! E já poss beber! E dirigir também, então me passem essa garrafa! — disse autoritárias, eles se entreolharam e riram.
–Okay, chefe, toma aí. — Beck me entregou a garrafa.
Dei uma golada e o líquido tinha gosto amargo e desceu queimando minha garganta, eu odeiei. Mas os três me encaravam esperando por isso para que eu devolvesse a garrafa. Bebi de novo e mais uma vez minha garganta parecia ter sido esfaqueada por dentro.
–Que delicia! — disse. Eles se entreolharam.
–Gostou? — disse Sam.
–Claro! — dei mais outra golada, queria cuspir e lavar a boca, mas não o fiz.
–Então um brinde a Cat! — e todos brindamos, bebi um pouco mais daquilo e senti minha cabeça começar a girar.
–Ela vai ficar bêbada rapido. — analisou Beck.
–Vai sim, vou levá-la para comer uns doces e beber água. — sam bateu em minhas costas e me guiou para a mesa de petiscos.
PSM: Carly.
–Freddie, vem dançar comigo! — disse, meu irmão sorriu para mim e fomos para a pista. — É estranho pensar que acabou, né? — confessei. -Acabou as festinhas, os surtos pelos trabalhos, enfim, tudo!
–Que isso, Carly! Vamos comemorar essa noite! — disse ele.
–Eu sei é que... Já disse que amo você? — disse e o abracei de repente.
–Carly... eu...
–Não diz nada. — a música agitada e todos dançando a nossa volta tornou tudo patético. Mas eu estava na minha formatura com o meu irmão de coração e nada pode apagar esse momento.
–Freddie! — André veio correndo em nossa direção.
–O que foi?
–A Sam! — ele disse nervoso. — Ela tá brigando com a Madisen!
–O que?! — disse Freddie correndo seguindo André, eu fui atrás.
PSM: Sam
Eu e Cat estávamos na mesa de petiscos atacando as pobres fatias de peru defumado.
–É... acabou! — disse Madisen parando no nosso meio. Bufei e lhe dei as costas. -
–Não devia usar vestidos justos, você tem a bunda gorda. — ela continuou me provocando.
–Você que é seca! — disse ainda de costas.
–Tem inveja que eu tenho o corpo perfeito. — ela riu. Peguei um monte de presunto e enfiei na boca e comecei a mastigar de boca aberta bem na sua cara.
–Ai sua porca! — ela disse recuando.
–Pelo menos, vou morrer feliz comendo o que quero!
–Pode comer a vontade, sei que Freddie prefere as bem magrinhas, como eu, então, só vou esperar.
–Ignora, Sam! — disse Cat. Eu respirei fundo.
–Vou ignorar, vem Cat! — eu comecei a andar.
–Ah, eu não acabei de falar! — ela puxou meu vestido e o rasgou na parte da perna. Eu a empurrei e ela bateu na mesa de petisco e jogou em mim um copo de ponche e me molhou toda.
–O que tá acontecendo?! — gritou Freddie. — Sam! Meu Deus!
–Deixa, Freddie. É só vestido e maquiagem. — disse dando as costas para ela. Ele tirou o paletó e jogou sob mim por causa da friagem.
–Vem, vamos tirar essa roupa ensopada.
Entramos na escola que estava toda escura.
–Acho que tenho uma calça jeans e uma camiseta do time no meu armário. — comentei. Fomos para o vestiário e lá peguei a roupa.
–Está chateada? — disse ele com aquele olhar agoniado que sempre dá quando não consegue fazer nada para ajudar.
–Freddie, até parece que não me conhece. Desde quando eu ligo para roupa? Vou me sentir até mais confortável de calça. — disse rindo.
–Vem, deixa que eu te ajudo. — eu virei as costas e ele começou a desatar a fita que prendia meu vestido. Ia soltando-a desde o peito até a cintura. Segurava com força os seios para que o vestido não saísse com ele ali. — sua pele é tão macia. — ele comentou tocando de leve minhas costas com os dedos.
–E com cheiro de morango agora. — disse rindo, ele riu também. — Sério, ficar com esse cheiro não vai dá.
–Toma um banho. — ele sugeriu terminando de desatar o nó.
–Vai ser o jeito, se não vou ter que voltar em casa. — disse um pouco envergonhada.
–Que foi, Samy? — disse ele acariciando meu rosto.
–Você aqui... não vou conseguir tomar banho. — disse.
–Quer que eu saia? — então eu pensei, não, eu não quero que ele saía, na verdade, eu penso muito nisso.
–Não... eu … fica. Só não olha pra mim?
–Como você quiser. — ele sorriu e virou de costas. Caminhei próximo ao box e soltei o vestido, sei que ele não olhava, mas eu estava nua, e ele estava bem ali. Assim que fechei a porta gritei dizendo que ele podia ficar normal. Liguei o chuveiro e deixei a água quente tocar meu corpo.
Pensava em todos os seus beijos, seus carinhos, o que é isso, Sam? Uma menina toda bruta com medinhos e vergonhas?! Que decepção. Lavei o cabelo e tirei todo o suco e o suor da noite também. Desliguei o chuveiro e por um momento tudo ficou silencioso.
–Freddie? — o chamei baixinho.
–Oi? — ele disse.
–Pode trazer uma toalha? Fica nos ganchos. — disse.
–Claro. — ouvi a sola do seu sapato andar pelo vestiario, estava tudo tão quieto que até o silencio fazia barulho, zumbindo em meu ouvido. — aqui. — ele disse baixinho. — Estou de olhos fechados, pode confiar.
Criei coragem e abri a porta, e ele estava. Suas mãos estendidas com a toalha para mim, sorri ao vê-lo assim.
–Sam, eu sei que ela te disse coisas, ela sempre fez isso... — disse ele ainda de olhos fechados. — seu corpo é lindo. — ele deu aquele sorriso de lado que amava. — sabe que a Madisen é anorexa, ela não consegue acreditar como os meninos podem achar você linda porque tem curvas, tem carne. — ele riu. Sorri, mas continuei me secando sem tirar a toalha da frente do corpo. — Eu amo você. E vou esperar o tempo que precisar, mas nunca duvide o quanto te acho linda, e infelizmente, os outros. — sorri lembrando de Carly me contando das reuniões do time.
E lá estava ele, de olhos fechados, dizendo coisas lindas para mim, era um golpe sujo. Eu estava nua, o desejando mais do que em todos os sonhos pervertidos que tive e ele dizendo essas coisas com esse smoking sexy... Terminei de me secar e soltei a toalha no chão.
–Abre os olhos. — sussurrei. Ele abriu lentamente, seus olhos brilharam, sua face ficou corada, seu sorriso abriu surpreso.
–Linda. — sussurrou ele me segurando pela cintura e me beijando. Desabotoava atrapalhadamente sua camisa e suas mãos pelo meu corpo nu só me fazia delirar cada vez mais. Tirei sua camisa e assim que senti seu abdomen quente eu o desejei como nunca imaginaria desejar alguém.
Ele me pegou no colo e me guiou até o sofá da treinadora. Ele me deitou lá me enxia de beijos, me apertando contra seu corpo.
–Freddie... — chamei baixinho em seu ouvido. Ele me olhou com intensidade. — pode ir devagar? — disse a ele. Ele ficou sério e beijou minha testa.
–É claro, minha princesa, não vou te machucar.
PSM: Tori
Liam mandou uma mensagem. Ele disse que chegaria depois e pediu que eu me encontrasse com ele nos fundos do colégio, onde sempre ficava a picape dele. E lá fui.
–Liam? Cadê você? — disse ligando em seu celular. — Já estou aqui. Como assim olhar para luz? Que luz? — e de repente, sob meus pés uma trilha iluminada se formou. Um monte de pisca pisca cobria meus pés formando um amplo círculo ao meu redor, ao lado da árvore e de lá Liam pulou com o seu terno remendado. Ele parou e ficou me olhando.
–Nossa. — ele me girou. — você... tá... linda! — disse ele.
–Foi ela, ela que fez o vestido! — disse sorrindo para ele com certo orgulho. — Gostou?
–Sabia que eu conhecia esse traço. — disse ele rindo.
–Você pode me explicar o que é isso? — disse virando e mostrando o circulo iluminado a nosa volta.
–Ah, claro! Espere. — ele foi até a caminhonete que não estava longe e de lá trouxe um radio e uma garrafa de vinho. — Eu disse que íamos em um baile juntos, não é? Nosso baile. — eu ri.
–Sério?
–Sério. — ele ligou o radio e tocava uma musica suave. — aceita dançar comigo?
–Seria uma honra!
Ele me puxou para perto de si e dançávamos lentamente. O estacionamente escuro, a noite fria, a musica lenta, a brisa, a grama úmida, tinha algo muito purificador nisso tudo. Dançamos sem parar e quando paramos era para dar uma golada no vinho que aquecia nosso corpo e voltávamos novamente.
Algo aconteceu, seus musculos estavam tensos e seus olhos queriam confessar algo. Não quis estragar esses minutos só eu e ele, a única coisa de Miley que restou para mim.
–Chega! — disse rimos. Sentamos apoiados na árvore e terminamos de beber o vinhos no gargalo. Ele tirou o seu paletó e jogou sobre nós devido o vento frio. — estou adorando a noite. — confessei.
–Eu também. — disse ele. Olhamos o céu cheio de estrelas. Tudo estava tão quieto lá nos fundos, tão escuro. — Tori, eu já disse que amo a Miley para você? — disse ele.
–Não, mas não precisa.
–Eu me apaixonei por ela desde que vim para essa escola, quando meus pais me abandoranaram e vi que podia ter uma amiga. Eu nunca olhei para mais ninguém, nunca pensei em mais ninguém. Eu, idiota, a ajudei com todos os caras que ela ficava. Ela com essa ideia de transar com um monte de homem pelas coisas que sua mãe disse, mas eu a ajudava, eu me odiava por tê-la tão perto e tão longe. Mas,Tori, eu fui um deles, eu pude amá-la com todo o meu ser, eu a toquei, a beijei, a senti como nunca vou fazer com outra mulher. Não fui o último, infelizmente, e espero que seja alguém que ela queria muito. Tem noção de como doi viver sem ela? — ele esmagava minha mão, sua face avermelhada, a dor que sua voz transmitia não deixava dúvida que ele a amou muito.
–Foi melhor assim. — concluiu ele depois de alguns minutos de silencio. — eu não ser o último, eu não me... perdoaria. Eu sei que você sabe quem foi, eu também sei, mas só preciso ter certeza.
–Beck. — disse baixinho. Ele sorriu.
–Ótimo. — ele suspirou e levantou. Estendeu a mão para mim e sem pensar me abraçou com força.
Me senti pequena sendo esmagada pelo seu corpo. Mais eu o apertei com força. Eu entendi tudo o que suas palavras quis dizer.
–Vai embora? — disse deixando escorrer umas lágrimas.
–Sarah morreu, Tori. Ela... ela se foi. Eu estou feliz, sabe, acabou seu sofrimento, o meu também. Não contei a ninguém, foi um sepultamento simples, mas meu pai apareceu e ficou surpreso ao me ver assim, grande, sei la.- ele riu. — conversamos depois, ele quer consertar as coisas, ele separou da sua mulher e mora no Tenesse, no interior, sozinho, ele me deu um trailer e vou viajar sem rumo, e quando eu fazer tudo o que preciso, vou ficar com ele.
Comecei a chorar, ele ia embora, ia embora! Ia ficar sozinha.
–Tori, eu preciso. Não posso viver aqui, eu não posso.
–Eu sei, eu sei. — o abracei com força.
Quem sabe passou uns minutos ou horas ou segundos ou dias. Ficamos abraçados dizendo naquele abraço tudo o que precisava.
–É melhor ir. — disse saindo de seu abraço Meu rosto estava todo borrado. Caminhamos até sua picape e ele se sentou no banco do motorista.
–Não vou para sofrer, vou para recomeçar. — ele olha para mim e sorriu em meio as lágrimas.
–Eu sei, e farei o mesmo.
–Adeus, magrela. — fechei a porta de sua picape e ele deu partida.
De repente tudo ficou mais escuro, mesmo os piscas piscas ali iluminando. Eu peguei a garrafa de vinho vazia e a apertei com força contra o peito. Era a prova de que tudo foi real.
Caminhei de volta para a festa e algumas pessoas pareciam ter ido embora, a música já não estava agitada. Acho que fiquei mais tempo do que pensei lá fora. Vi Carly e Alex rindo de André dançando e eu ri também.
É isso.
As coisas não acabaram quando a Miley morreu, eu tinha ganhado bem mais e não havia percebido: Eu ainda tinha eles, tinha amigos que, assim como eu, vai ter sempre uma parte dela. Assim como Liam não foi embora para sempre, assim como eu tenho meu irmão, tenho meus amigos, tenho uma bolsa em Stenford para psicologia e teria uma vida inteira para viver, sonhar.
–Tori! Apareceu! — disse Sam.
–O que houve com a sua roupa? — disse a vendo de calças.
–Eu também quero! — disse alto e todos riram.
–Tenho uma ideia! — disse Cat.
E de repente estávamos invadindo a escola, ligamos as luzes e iluminamos os corredores. Os meninos pulavam e fazia bagunda. Cat tirou seu longo vestido e colocou sua roupa de líder de torcida, Alex pegou uma bermuda da sala de teatro e uma blusa do time, vesti minha calça e casaco de emergencia, estávamos trocando de roupa e deixando nossos rastros pela escola.
–Vem, Tori! — gritou André e eu montei em suas costas e corremos, todos!, fazendo algazarra.
Os professores que estavam no salão vieram gritar com a gente, mas os ignoramos, corremos rindo da cara de raiva deles e saímos porta afora. As ruas estavam desertas, era com certeza mais de meia noite, o frio da madrugada, mas nada disso parecia abalar a gente.
–Logan, corre que nem gente! — gritei para o meu irmão.
Corríamos sem rumo, gritávamos fazendo cachorros latirem e pessoas acordarem. Olhei em volta e vi o quanto eu havia ganhado, eu achei que tinha perdido minha juventude, que acabaria o colegial sem nenhuma história, mas ela está bem aqui, sendo lida e muita coisa ainda estará por vir. Eu fiz amigos, eu amei, eu sofri, eu abracei, e a vida vai seguir repetindo sempre isso!
Não quero mais perder tempo, não vou viver de sonhos e ficar parada. Eu levaria mais do que professores, broncas e colegas... Teria amigos e momentos.
FIM
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