Colecionista De Canções

36 Capítulo XXXVI - Cambio Del Color


Notas iniciais
Oi Colecionadoras e Colecionadores sumi mais voltei. Eu estava com dificuldades para desenvolver o capítulo, por isso demorei tanto, mas hoje aproveitei que a inspiração surgiu e terminei ele e já vim correndo postar para vocês, desculpem qualquer erro, eu revisei ele bem corrido. Essa fic já está para acabar, vou escrever mais uns 5 ou 6 capítulos para ela porque já faz 5 anos que estou com esse projeto e ele já ficou bem cansativo, mas quero finaliza-lo para vocês ainda esse ano.Estou trabalhando em duas novas fics já e finalizando uma pequena fic de 10 capítulos para postar para vocês, em breve estarei com projetos novos e melhores para vocês. Obrigada por toda paciência com essa autora aqui. Beijos e até o próximo

Quando o avião pousou no aeroporto de Cancun como se era de esperar meus pais já aguardavam no portal de desembarque, minha mãe radiante como sempre ao lado do extrovertido do meu pai, assim que nos viram correram para nos abraçar foi uma cena um pouco constrangedora eu diria, Hinata estava sendo esmagada pelos braços da okaa-san.

— Como é bom finalmente te conhecer querida.

— O prazer é todo meu senhora Uzumaki.

— Por favor, me chame de Kushina ainda sou bem nova, mas eu adoraria já ter netinhos para mimar.

— Mãeee!

— O que? Vai me dizer que você não pratica?!

— Mãe por que não vamos indo pra casa, aposto que vocês devem querer ouvir novidades. Já ia esquecendo meu tio mandou um grande abraço pra você pai e um beijo pra você mãe.

— Nagato como sempre um amor.

Saímos do aeroporto, mas a sessão de pagar mico perto da Hinata continuou durante o trajeto até a casa onde meus pais estavam. Eles insistiram para não irmos a um hotel acabaram nos convencendo de ficar com eles. Ver meus pais tão unidos assim me faz desejar o mesmo estando ao lado da Hina, ao olhar seu sorriso de contentamento por estarmos aqui eu percebo que demorei, porém fiz a escolha certa. Entrelacei meus dedos aos dela e sentindo o calor da sua mão passando para a minha eu me sentia pleno e feliz que já não ligava para as conversas dos meus pais.

— Vocês vão amar o hotel é lindo e tem uma vista incrível.

— Sua mãe tem razão, e o restaurante tem um cardápio vasto meu filho. – Papai sorriu para mim e nesse momento a minha barriga roncou. – Acho que seu estomago gostou muito da ideia.

Todos rimos e a viagem foi seguindo assim com aquele clima tão bom de família reunida.

***

Já havia se passado uma semana desde que Eric Samantha havia me convidado para o 21º festival de música de Londres, eu não podia me sentir mais realizada, havia uma semana também que minha música Just a Kis estrondava nas paradas, porém eu não era a única, a nova música de Sasuke também acompanhava a minha no ranking na verdade hora ou outra nossas músicas batalhavam pelo pódio e isso chega a ser irônico, como as outras, essa música eu sentia a letra tocar fundo em mim, desde a primeira estrofe ao refrão, sua voz estava mais suave e agridoce, aquilo chegava fundo em seus fãs e de certa forma em mim também.

Você me ajudou a entender

Cada espaço da minha alma

Cada espaço do meu ser

Já não tenho coração nem

Olhos para nada. Só para você.

A letra era tão a gente que era impossível não se emocionar. Eu não conseguia parar de ouvir, fiquei me perguntando se ele viria ao festival, Madara me disse que ele não estava muito afim de participar e que era muito provável que ele não viesse. Senti certa tristeza de alguma forma meu coração deseja vê-lo cara a cara comprovar que não dissemos adeus. Estava sentada a cama com o caderno na mão tentava compor algo para o festival, mas nada vinha a mente, nada que não fosse Sasuke. Eu pensava nele quando meu telefone tocou.

— Oi é eu queria te dar os parabéns sua nova música está fazendo muito sucesso.

— Obrigada. A sua também então meus parabéns.

— Você vai ir ao festival?

— Você vai ir ao festival?

— Não tenho certeza sabe meu irmão ainda está se recuperando então não sei. E você presença garantida?

Não pude evitar rir, esse jeito do Sasuke de falar como uma adolescente desconcertado sempre me fez rir, um lado dele que poucos conhecem.

— Sim estarei lá.

— Então você precisa compor e para isso precisa se concentrar.

Difícil com você nos meus pensamentos.

— Então não vou te atrapalhar. A gente se fala Sakura. Boa sorte.

— Espera – Ai meu Deus o que estou fazendo? – Você deveria repensar e vir ao festival seus fás iam gostar muito.

— Você quer que eu vá?

Droga Sasuke não me faça pedir para você vir. Não me faça expor como você ainda é importante para mim.

Ele me desconcertou e percebeu isso, deu aquela risada dele discreta e depois de se despedir desligou. Ele ainda consegue me desconcertar mesmo a distância, parece até fácil dizer que as coisas começaram a ficar viva de novo entre a gente, mas às vezes para nos aproximarmos das pessoas ou até de nós mesmos precisamos primeiro nos afastar, a distância as vezes ajuda mais do que imaginamos.

***

Eu observava sentado no puff ele se esforçando para melhorar e era impossível não relembrar o primeiro dia quando viemos e fiquei ouvindo-o dizer que não ia conseguir, hoje o estou vendo dar alguns passos se apoiando nas barras, logo estará livre da ajuda delas. Ao fim da sessão eu fui ao seu encontro o abraçando e parabenizando por mais um progresso.

— Eu sabia que você ia conseguir.

— Graças ao seu apoio otouto.

— Isso é graças ao seus esforços Itachi.

Despedimo-nos da fisioterapeuta, Naruto não está no hospital com certeza está aproveitando muito a viagem ao lado de Hinata. Nos esbarramos com fugi e ela parecia querer devorar meu irmão, algumas coisas nunca mudam.

— Senhor Itachi é um prazer vê-lo tão bem.

— Obrigado senhorita. Tenha um bom dia.

— Igualmente. Sasuke

— Fugi

— Ah Sasuke, diga para sua namorada que a voz dela é maravilhosa.

Dei um sorriso discreto e um meneio com a cabeça, Sakura estava crescendo grandiosamente o único problema nisso tudo é eu não estar ao seu lado para desfrutar disso.

”Por erro seu não é querido. Não se esqueça disso.”

Decidimos tomar um lanche e enquanto meu irmão aguardava a mesa fui pegar nosso pedido, de longe vi que alguém havia se sentado a mesa com ele, achei estranho quando me aproximei com nossas bandejas vi que era meu tio.

— Sasuke como está?

— Bem e o senhor?

—Senhor é meu irmão eu sou pouca coisa mais velho que você.

— Ainda sim mais velho.

Ele estava de plantão, havia pegado um café, perguntou ao meu irmão como estava indo a fisio e o incentivou a continuar, o clima a mesa era agradável e descontraído, meu tio teve que voltar ao trabalho e nós para casa.

— Você precisa compor.

— Eu sei, mas ainda não sei sobre o que cantar.

—Tenho certeza que quando você menos esperar a inspiração vai surgir, não force as coisas elas tem que vir naturalmente, assim como uma semente que precisa de terra, água e tempo para virar uma flor uma música precisa de sentimento e tempo para contar uma história.

Eu ouvia o Conselho do meu irmão enquanto apertava as teclas do órgão aleatoriamente, era bom afinar as cordas, eu me lembro de okaa-san lustrando o longa cauda ela passava mais de uma hora para deixar o piano impecável ela tinha prazer em fazer aquilo e principalmente de ouvir os elogios quando alguém visitava a casa, eu não tenho esse mesmo hobby mas cris faz um trabalho igualmente esmerado. Depois de algum tempo perdido em conversas e risadas decidimos sair para comer alguma coisa, eu ouvis o resmungo dos nossos estômagos vazios, avisei a Cris que não comeríamos em casa.

Resolvi levar meu irmão para almoçar no antigo restaurante onde conheci Sakura, por algum motivo que desconheço integralmente eu sentia que nos faria bem ir naquele lugar. Durante o caminho ouvíamos nocturne op.9 No.2 de Chopin, o concerto favorito de okaa-san, ela o tocava como se fossem amigos íntimos, mergulhava fundo nas notas e se anuviava na sua bolha, depois de um tempo eu entendi o porque dela e do meu irmão parecerem tão perdidos quando tocavam, a música parecia fazer parte do nosso DNA totalmente inseparável, fundida em nossas veias. Quando o concerto parou eu vi a emoção expressada numa saudade no rosto de Itachi com certeza a mesma saudade que se esboçava em mim, entendíamos muito bem não precisamos de palavras para saber como não sentíamos. A ausência dos nossos pais é algo que nos uni e afeta muito mesmo com o passar de tantos anos. A cidade repleta de neve começava a se preparar para a chegada do natal, eu andava tão inerte que havia passado despercebido isso. Eu nunca fui de comemorar essa data não havia sentido para mim Tio Madara insistia na ideia de jantar em família, tocar músicas natalinas e ttocar presentes, contudo esse ano seria diferente, eu tinha motivo para agradecer e mesmo que Sakura não esteja comigo agora ela foi um presente que me deram e Eu precisava agradecer por isso.

— A gente pode passar nas lojas e comprar enfeites de Natal. O que você acha?

— Seria muito legal, a gente pode por guirlandas na porta e meias na chaminé.

Olhei por meu irmão com cara de reprovação.

— Sinto muito de lembrar que papai Noel não vem mais para os adultos.

— Eu sei. Só estava querendo ver sua reação e quer saber foi memorável.

Nos dois rimos. Ao chegarmos ao restaurante o ambiente me trouxe nostalgia, a arquitetura do lugar e a decoração não haviam mudado em nada o cheiro de Boa comida sendo servido e o barulho do vinho tinto sendo servido nas taças, tudo aquilo fez parte da história de Sakura e parecia que eu ainda podia vê-la aqui com seu uniforme e bloco na mão, um sorriso simpático, e o olhar de uma garota que parecia feliz apesar de carregar tanto trabalho nos ombros.

A metri veio nos recepcionar, ela ia perguntar de tínhamos reserva, mas quando viu que era Eu acho que ela se lembrou da primeira vez que me fez essa pergunta.

— Senhor Uchiha, tenho uma mesa excelente perto da janela com vista para o jardim podem me acompanhar.

Itachi sussurrou no meu ouvido.

— você parece importante.

— melhor você pensar assim. Teria vergonha se você soubesse dos meus atos antigos.

Seguimos a mulher até o lugar e a vista realmente era bonita, logo um rapaz veio nos atender ele parecia novo um pouco inexperiente e pensei. O substituto de Sakura, pedimos nossos pratos e enquanto aguardávamos comecei a contar ao meu irmão a história daquele lugar para mim

— foi aqui que Eu conheci a Sakura. Eu me lembro te que quando a vi aqui ela parecia não pertencer a esse lugar, ela era educada, fina, inteligente, sabia sugerir um vinho como ninguém é lembro que aquilo me chamou a atenção. Eu não gostava da companhia das pessoas, aquelas que sabiam minha identidade só me viam como o famoso Uchiha Sasuke e nunca como o Sasuke, Sakura foi diferente, Eu nunca tinha desejado tanto.

A companhia de outra pessoa, tudo mudou para mim naquele dia, eu estava indo embora e não a vi mais por aqui quando sai ouvi gritos e lá estava ela sendo atacada por um verme qualquer, eu derrubei o cara e a socorro ela desmaiou nos meus braços, eu não sábia nada sobre ela então a levei para minha casa cuidei dela e foi assim que aquela mulher maravilhosa entrou na minha vida. Parecia obra do destino é como se ela soubesse que Eu precisava tanto dela para mudar as coisas erradas da minha vida.

— Quando menos imaginamos o universo tem uma maneira divertida e peculiar de nos trazer as respostas das coisas que mais questionamos. Creio que com vocês foi assim, ela precisava abrir seus horizontes, conhecer mais seus próprios talentos, permitir se encontrar e você cara otouto precisava muito descobrir que tinha um coração aí dentro e que as pessoas podem sim ser verdadeiras e não somente aparências e interesses.

— itachi você consegue entender tudo mesmo sem ter vivido nada.

— Eu sinto como se nunca tivesse ido Eu simplesmente estava invisível, mas sempre perto.

Apertei a mão dele e sorri. O garçom trouxe nossos pratos pedi que sugerisse um bom vinho para acompanhar o salmão ao molho de ervas e as batatas rosttis com filé ao molho agridoce do meu irmão, porém o coitado não soube me corresponder acabei pensando que Sakura teria me sugerido um Merlot que seria o vinho mais adequado para servir bem os dois pratos pedi ao jovem que me trouxesse a garrafa. O almoço corria bem contei como foi a reação de Sakura quando descobriu que eu era eu e como me senti tolo em não tê-lo feito antes.

Eu via a serenidade no olhar do meu irmão que ele estava feliz, com certeza depois de tantos anos preso no próprio corpo sem ter comunicação com ninguém deve ter sido difícil. Voltar ao mundo real e social o fazia bem, ele não se incomodava de ter que ficar numa cadeira de rodas, dos olhares de piedade das pessoas achando que ele era um inválido, ele sorria em retribuição e isso era inspirador.

Quando acabamos de almoçar decidi leva-lo algumas lojas para fazermos compras, ele realmente estava empolgado. Nossas cestas estavam cheias, repletas de enfeites, luzes de natal, até deixei ele comprar as guirlandas e meias eu reivindico meu orgulho se isso o faz feliz, levamos tudo para casa e meu irmão já tagarelava como decoraríamos a casa, eu já imaginava a minha residência totalmente colorida e brilhante, faltaria só uma coisa para que tudo isso ficasse melhor.

Sakura

Ainda não surgia nada em minha mente, pela primeira vez minha mente está vazia e letra nenhuma surgi, mas não vou forçar e nem me apressar vou seguir o conselho do meu irmão e deixar que a hora certa chegue.

***

Os dias que se passavam estavam tornando as coisas mais difíceis, ela não estava melhorando pelo contrário suas dores aumentavam mais e os remédios já começavam a perder seu efeito. A maior parte do seu tempo ela passava dormindo por causa da morfina e eu via nos olhos dela o quanto essa situação a matava mais do que a própria doença em si, o fato de não poder mais segurar a filha nos braços ou ver nos pequenos olhos a dúvida do que acontecia e não poder dizer nada a destruíam bem mais que as suas células se deteriorando. Mesmo com nossas divergências eu não podia deixá-la abandonada e sem aparo uma enfermeira cuidava dela durante o dia e eu e Ino iamos vê-la à noite e às vezes eu dormia lá. Ino compreendia e me apoiava, às vezes ela levava Hiromi para ficar com Hana e isso a distraía . Uma noite quando estávamos sozinhos Aimi se abriu comigo.

—Gaara eu quero que você me perdoe pelo que fiz com você, acho que hoje estou pagando por tudo o que fiz você sofrer.

—Aimi pare com isso. Você...

— Eu quero que você me escute. Nem tudo foi mentira eu realmente amei você, mas a ganância e ambição falaram mais alto, eu dei mais valor ao dinheiro do que ao homem maravilhoso que você foi para mim, quando eu descobri que estava grávida eu pensei em voltar só que eu sabia que você não acreditaria em mim e que não me perdoaria então resolvi ter a nossa filha sozinha, mas ai veio essa doença e eu já não pude mais arrastar essa situação eu não podia morrer e deixar minha filha ir para um orfanato deixá-la desamparada. Sei que você e a Ino vão cuidar bem dela, ela é uma boa mulher e soube te dar o valor que eu não dei. Eu sinto muito mesmo por tudo e espero que um dia você possa me perdoar. Eu morrerei mais feliz e mais leve.

Eu segurei em suas mãos já finas e as beijei. Eu não consigo mais olhar para essa mulher e odiá-la, eu não consigo carregar no meu peito a amargura e rancor do seu golpe e abandono. Precisamos aprender a perdoar para seguir em frente, livres das correntes que nos prendem ao passado. Nos seus olhos rasos eu via a necessidade dela de receber esse ato de misericórdia a importância de ir em paz.

— Eu te perdoo Aimi.

— Obrigada – uma lágrima escorreu dos seus olhos e ela os fechou. Eu achei que ela tinha morrido e me desesperei mais ela ainda respirava. – Só preciso descansar. Relaxe

Eu ri nervoso e a cobri para que não sentisse frio.

— Durma bem Aimi. Eu vou estar bem aqui.

***

O sol e aquele cheiro de mar eram nostálgicos, Hinata estava amando receber as luzes quentes do sol em seu rosto, iluminava-a de uma maneira resplandecente, okaa-san amou-a e isso me deixou feliz, eu sempre sonhei com o dia que traria a mulher da minha vida para meus pais conhecerem e nem dava para acreditar que ele realmente estava acontecendo. Encontrávamos na praia, okaa-san estava deitada na esteira enquanto otou-chan aplicava protetor em suas costas, eu fazia a mesma coisa na pele clara de minha Hinata enquanto olhava aquela paisagem azul, as ondas se quebrando na costa, o vento soprava suave acolhendo as águas calmas e convidativas.

— Quer dar um mergulho Hina?

— Adoraria nadar um pouco.

— Não querida, eu quero dizer mergulhar mesmo, conhecer o fundo do oceano.

Ela me olhou surpresa, mas parecia entusiasmada, eu considerei um sim e fui atrás de um mergulhador profissional para marcar para mim e Hina, encontrei um instrutor no hotel e para minha sorte um casal havia desmarcado o mergulho daquele horário, acenei para Hina a chamando e ela veio caminhando até mim. O instrutor nos explicou o que precisávamos saber e fez suas recomendações, eu paguei a hora e recebemos a roupa de mergulho, as mãos de Hina tremiam um pouco, mas ela demonstrava coragem.

— Você consegue, estarei com você.

Subimos no barco e o motor foi ligado, nos afastamos um pouco e depois de alguns minutos nos encontrávamos no ponto de mergulho, o instrutor foi primeiro e depois ajudou Hina a saltar na água, e depois eu, começamos a nadar e mergulhar um pouco mais fundo, o que não tínhamos acesso na superfície parecia tão perto agora ali debaixo d’água, peixes coloridos, algas dançando num ritmo que só elas conheciam, segurei na mão de Hina e fomos descendo um pouco mais, o instrutor perguntava se estávamos bem e assentimos que sim, tudo era muito lindo nas profundezas. Depois de alguns minutos voltamos à superfície e eu vi no rosto da minha Hina como ela havia amado nossa pequena aventura.

— Eu amei Naruto-kan, tudo é tão lindo, tão perfeito, intocável eu estou sem fôlego.

— Que bom que você gostou, eu amei ver isso tudo com você.

Ela me abraçou pelo pescoço, coloquei minhas mãos em sua cintura e levei meus lábios aos seus, eu ouvi ao fundo minha mãe gritando eufórica, mas naquele momento eu só me importava com o som do mar, o calor do sol e o carinho da minha namorada, no fim das contas toda a minha revolta com ela era apenas o amor querendo abrir suas portas, que bom que eu deixei a chave na fechadura.

***

Dedilhava as notas nas cordas, só que não surgia nada em minha cabeça, a taça de vinho no criado mudo, o caderno a minha frente com a caneta sobre ele esperando receber alguma letra, porém a inspiração não chegava e eu percebia que não adiantava força-la, precisava esvaziar meus pensamentos, espairecer.

Abri a porta do parapeito da janela, o vento gelado acariciou meu rosto, as luzes da cidade estavam acesas e davam um ar um pouco encantando a quem olhava, mesmo sem querer acabei lembrando do jantar com Sasuke, nossa primeira dança naquele tempo eu nem sonhava que ele era quem é, ou quem eu acreditava que ele fosse, afastei os pensamentos da minha cabeça e degustei um pouco do vinho, quando olhei para o lado a luz do quarto de Madara estava acesa e ele se encontrava na sacada também, mas não me viu parecia distraído conversando com alguém pelo telefone, não queria ficar ali escutando a conversa dele então resolvi entrar até que escutei aquela voz tão conhecida por mim do outro lado da linha.

— Tio você precisa ver meu irmão e eu decoramos tudo, olha as guirlandas que ele me fez comprar, estou com saudades da paisagem escura da minha casa.

— Ah Sasuke o Itachi te faz bem mesmo, cor na vida é bom ás vezes.

— Eu já tive minha paleta de cores tio, eram em tons de rosas, pasteis e verde, mas eu a estraguei com todo meu preto e cinza.

— Sasuke acredite que a mesma paleta manchada pode ser restaurada quando se põe dedicação nisso.

Não fiquei escutando mais, entrei de volta para o quarto, era de mim com certeza que ele falava e aquelas simples palavras mexeram comigo, antes dele eu não era assim tão emotiva, Sasuke me mostrou muitas coisas bonitas, me despertou sentimentos desconhecidos, minha mente começava a trabalhar e eu não escutava as coisas ao meu redor a não ser uma melodia romântica, não percebi que meu celular estava tocando.

No visor era a imagem dele que aparecia, o coração palpitou.

— Boa noite Sakura.

— Oi Sasuke.

— Desculpa se te atrapalho, mas eu senti que precisava falar com você.

— Tudo bem, você não está atrapalhando nada. Como vão as coisas?

— Vão bem sabe. E com você?

— Estou com um pouco de dificuldades para compor.

— Também estou assim, mas estou seguindo o conselho do meu sábio irmão, não procure a inspiração deixe que ela chegue sozinha.

— Conselho muito bom, vou tentar segui-lo. – De repente sem que a gente percebesse começamos a conversar sobre assuntos alheios, o assunto foi se desviando para nossas lembranças e ao contrário do que pensávamos não ficou um silêncio constrangedor, ou um clima nostálgico. Riamos de situações cômicas, e não posso dizer por ele, mas em mim bateu a saudade dos momentos de amor.

— Você ainda tem aquela caixa com as minhas músicas?

Ele ainda lembra

— Ela sempre me acompanha. Você me transformou numa colecionista de canções.

— Sakura e você me transformou num colecionador de lembranças, tudo o que sou hoje é por causa da história que houve entre nós.

De repente houvesse um silêncio de ambas as partes parecia que algo havia irrompido no meio da conversa que se espalhou entre nós.

— Sasuke? Você sentiu a mesma coisa que eu?

— Que a inspiração bateu? Nossa história nos liga mais que imaginamos.

— Eu preciso desligar agora, tenho medo de perder o inside.

— Vou indo nessa Colecionista. Boa sorte e se cuida.

O bip do outro lado da linha indicava que a ligação foi encerrada, corri até o violão e o caderno, a letra que com tanta dificuldade não vinha se rompeu em instantes e ficava ricocheteando nos meus pensamentos até que todo o espaço do caderno estivesse preenchido por ela. Sasuke sempre parece surgir nas horas certas para me ajudar, com seu jeito concentrado, mesmo sem estarmos juntos ainda parecemos conectados por uma força que não quer que nos separemos. Eu não digo a ele, mas a grande maioria das noites quando me deito me pego pensando nele, pensando nos seus erros e no seu comportamento, eu escuto suas novas músicas e vejo uma súplica por um perdão e tudo isso me faz pensar se ele merece mais uma chance, se nós ainda podemos dar certo.

Não quero me enganar novamente, não quero alimentar algo grande demais, mesmo que ainda mantemos contato e conversamos ás vezes não consigo esquecer a magoa que ele me causou, suas palavras tão ásperas, eu olhava aquele Sasuke e não o reconhecia, só que hoje quando eu vejo esse Sasuke mais romântico, menos orgulhoso nesse eu consigo enxergar o homem pela qual me apaixonei, só não sei se posso confiar e acreditar que ele vai ser real.

“Você entrou na minha vida e com suas cores únicas pintou e transformou uma tela em branco, hoje sem você comigo tudo ficou cinza outra vez, mas eu sei que toda tela pode ser restaurada por isso vou aguardar você vir me repintar novamente”. (Black Swan – CDC).

Notas finais
O próximo deve demorar um pouco, mas não desistam da fanfic, pois ela está se encaminhando para suas retas finais. Espero que tenham gostado. Beijinhos